sábado, março 28, 2009

Entardecer no Apeninos

Sim, entardecer. As fotos abaixo foram tiradas entre às 18:00 h. e 19:00 h. A região é a mesma do post que mostrava o amanhecer, entre Massa Carrara, na Toscana e Borgotaro, na Emília Romagna, em uma viagem anterior num dia frio de fim de Inverno. Em poucos dias a luz muda e começa a perder a neblina fina, característica dessa região.

















Ao longe se vêem as primeiras montanhas.


















Chegando mais perto.



















De repente o horizonte é quase uma reta. De neve.



















Resíduos de neblina opacificam as montanhas.
























Talvez consiga uma imagem melhor…



















Que pena!, não deu tempo.

sexta-feira, março 27, 2009

Movimento Natureza











A Georgia, do blog Saia Justa e a Beth, do blog Mãe Gaia se reuniram num projeto-desafio. Juntas criaram o blog Movimento Natureza e convidam todos a participar. A ideia é que cada leitor plante uma árvore até o dia 22 de Abril – Dia do Descobrimento – e divulgue a iniciativa nos próprios blogs, na escola, no trabalho, administrações públicas, enfim, deve ser uma ação multiplicadora.

Já contei que tenho o hábito de plantar árvores e acho a proposta muito positiva, sem tanta enrolação e extremamente prática. Basta plantar uma árvore e lançar o desafio onde for possível. Só isso.

Mas o dia 22 de abril será só o início desse desafio. Cada participante é livre para propor uma nova ação às autoras e o resultado será cada vez maior, envolvendo mais e mais as pessoas em ações práticas.

E você? Vai ficar aí refletindo ou vai participar? Essa é uma excelente oportunidade para fazer a sua parte.

domingo, março 22, 2009

A ironia de chamar-se Terra

Houve um tempo em que ocorriam mini batalhas navais no Coliseu. A construção foi planejada de modo que parte dele pudesse ser inundada em umas sete horas. Tudo para divertir o povo. Hoje, rotineiras análises controlam a quantidade de cocaína, entre outras substâncias, lançada nos rios italianos. Parece que esse povo não se cansa de se divertir às custas da água.

Quando surgiram os primeiros ozonizadores d’água no Brasil, um dos argumentos usados pelos vendedores era que os franceses beberiam água do Sena ozonizada, completamente livre de microorganismos e filtrada. “Da melhor qualidade”, diziam, mas creio tratar-se de mais uma lenda urbana. Me assustava saber que os rios pudessem ser tão poluídos que nenhum peixe se atreveria a nadar neles. Me assustava – e me assusta ainda – saber que os rios não terminam em um depurador e que tudo o que é despejado neles é absorvido pelo ciclo natural das águas, contaminando mares, plantações e terrenos, que fornecem peixes, hortaliças e pastos para os animais que ingerimos. Cocainômano passivo sou.

A água irá se tornar o produto de largo consumo mais caro e raro, e nem por isso poderemos abrir mão dela. O único modo de estocá-la é congelando, mas uma família de 4 pessoas iria precisar de um congelador maior que a casa para ter um estoque de poucos dias. E já imaginaram a conta da luz? Portanto, o único meio viável para minimizar o problema é economizar. Uma simples descarga no banheiro joga pelo esgoto mais água de que dispõem muitas famílias africanas por um dia inteiro.

Muita água rolou desde o Império Romano, mas ela foi contaminada por agrotóxicos, resíduos industriais e toda espécie de poluição que pagamos pelo progresso. Inclusive aquela gerada pela produção e transporte de alimentos. Se o alimento for industrializado, então… Adotar atitudes de consumo eco-compatíveis não deve ser encarado como uma moda, mas como necessidade, ou esse mundo irá por água abaixo.

Observando a irresponsabilidade com que tratamos esse bem precioso e necessário, o nome escolhido para o nosso planeta soa como ameaça. Perseverante como é, o ser humano parece estar cumprindo a previsão de que o mar iria virar sertão, mas o sertão não vai virar mar. Pecado, poderia ser um mar de água doce. Vamos todos acabar mesmo no pó. Alguns rios já o demonstram.

quarta-feira, março 18, 2009

Primavera sem respeito

Não, ela não sabe do calendário. Tão pouco sabe da crise ou de crises. Os dias simplesmente mudam e o ar fica mais quente, agradável. As pessoas, mais solares, caminham pelas ruas como se fosse a primeira vez. Turistas na própria cidade. A paisagem é outra, ainda que seja a mesma.

Todos os anos ouvia falar de ‘mal de Primavera’. Havia quem se lamentava de dores no corpo, indisposição e um mal humor incompatível com o clima alegre da estação e eu não entendia. Nos dois últimos anos descobri intimamente esse desconforto. A sensação é de estar gripado, mas os médicos não encontram nenhuma patologia. Nada que explique esse mal-estar que dura – no meu caso – uns três ou quatro dias. Depois, some. E posso observar passiva e calmamente as mudanças.

O caminho para a escola, de manhã, ecoa a algazarra contida durante o Inverno e descubro que os sons também hibernam; prédios que começam a esconder-se por trás das árvores que lentamente, lentamente, vão se preenchendo de verde do novo das folhas; os pombos já não são os únicos a ocuparem o céu. Mais alguns dias e imitaremos a estação: nuvens de poeira serão sacudidas das roupas pesadas, batidas ao sol antes de ocuparem um canto escondido e escuro até o início da próxima estação fria. A chamada ‘limpeza de Primavera’ movimenta este país numa rotina anual de resignação e alívio. É verdade, ainda teremos a tradicional semana de frio, quando todos xingam já terem guardado os casacos pesados e vasculham cobertores para a despedida do Inverno, mas serão poucos dias. Esse mal humor me diverte e faz parte do cotidiano, mas a Primavera chegou antes.

Não, a Primavera não faz nenhuma distinção entre governo e oposição, se o novo cidadão do mundo irá influenciar a vida das pessoas ou se será apenas o bode expiatório da ocasião. Ela apenas acontece, segue um ritmo que não depende de decisões nem sofre interferências (ao menos por enquanto). A Primavera chega quando deve chegar, transformando, renascendo, reanimando e animando. Primavera é.

domingo, março 15, 2009

O Que Elas Estão Lendo

As meninas do O Que Elas Estão Lendo me perguntaram e eu respondi. Todo dia 15 elas convidam um homem para uma dica de leitura. Fui o escolhido do mês de março.

Falei sobre um livro interessante e sobre a série ‘Raça’ do Alex. Vai lá ler, vai.

Vale à pena também acompanhar os blogs da Georgia e o da Flávia, as autoras do O Que Elas Estão Lendo.

quarta-feira, março 11, 2009

Amanhecer nos Apeninos

No ponto mais alto o sol ilumina o casebre à beira da estrada. Pelo resto da viagem é tudo sombra, num espreguiçar do sol por trás das montanhas.


















































































sexta-feira, março 06, 2009

Top One

Houve um tempo em que os escritores italianos usavam o latim quando desejavam ser lidos nos diversos borgos, repúblicas, ducados e afins dessa heterogênea península. Os dialetos também eram usados, mas o número de leitores se restringia. Até que um certo poeta florentino, um tal Dante, insistiu em fazer suas obras circularem no dialeto toscano de Florença. Outros autores da região aderiram à moda quando descobriram o sucesso de Dante. E foi assim que o dialeto florentino acabou virando a língua oficial da República Italiana.

Com a entrada em circulação do €uro em 2002, a lira italiana foi aposentada, depois de mais de mil anos de existência. Apesar de nenhum italiano que eu conheça ter convivido tanto tempo assim com a lira, muitos fazem, ainda hoje, as contas com a velha e extinta moeda, num exemplo de quanto as pessoas podem ser resistentes às novidades. Mussolini, ao proibir termos e nomes estrangeiros, não poderia imaginar que se tornaria responsável por toda e qualquer manifestação conservadora que viria depois.

O fato é que, por uma razão ou por outra, o italiano desenvolveu um relacionamento conflituoso com as demais línguas europeias e, em particular modo, com a língua inglesa. Fazem parte do cotidiano local palavras como buyer, computer, mouse, manager, comfort, brand, trend, weekend, e muitos outros. A coisa se complica com as letras que não pertencem ao alfabeto italiano ou que possuem um som diferente, na língua de Dante: épiauer (happy hour); olivúdi (Hollywood); noáu (know how); vúdi alen (Woody Allen); iâma-a ou iamáka (Yamaha). Isso sem contar que o velho Marx virou Carlo e a rainha da Inglaterra, Elisabetta, entre tantos outros exemplos. Incomodar-se com esse conflito é batalha vã, como demonstram os esforços do escritor Beppe Servegnini, que há anos combate o excesso de estrangeirismos e o mau uso de expressões em inglês. Essa mistura entre línguas não deveria ser um problema, afinal, a língua de um povo é tão viva quanto quem a usa. O conflito começa quando comete-se o equívoco de tentar mudar uma língua alheia, ou quando essa língua é adaptada à cultura local.

A letra “R” italiana diverge foneticamente do “R” em português, no início de palavras e em dígrafos, como em ‘rua’ ou ‘carro’, respectivamente. Nestes casos o som será sempre como o ‘R’ de ‘caroço’, prolongando o som da letra; já o ‘H’, se não precedido de ‘C’ ou ‘G’, será completamente ignorado. Uma cadeia de fast-food é conhecida por aqui como RRRodáusss (Road house) e um antigo bar local fechou, depois que os clientes passaram a associá-lo – injustamente – à falta de higiene: chamava-se Top One, acabou virando Topone (ratão).

terça-feira, março 03, 2009

Oficina de Comidas












A querida Sandra Pontes está mudando radicalmente o rumo da sua vida. Nada mais empolgante que decidir o próprio destino fazendo o que gosta. Se você mora na região de Osasco, em São Paulo, aproveite para conhecer a Oficina de Comidas. Se você mora em Sampa e não quer ficar de fora, esperneie. Ou dê um jeitinho de ir buscar as maravilhas que ela prepara. Vale à pena!

domingo, março 01, 2009

Artic Sunrise

O amigo Jorge, do blog O escriba e colega colaborador do nosso Faça a Sua Parte, além de jornalista e editor do site do Greenpeace, está acompanhando a viagem do navio do Artic Sunrise pela costa brasileira. Transcrevo o mais recente post sobre a viagem e convido a todos a acompanharem o dia a dia dessa expedição. Se você mora em uma das localidaddes a serem visitadas pelo navio, anote a data em que ele estará em sua cidade e faça-lhe uma visita. Diga que foi o Jorge que lhe convidou. O chá é garantido. :)

“O navio do Artic Sunrise continua sua viagem pela costa brasileira com a expedição Salvar o Planeta. É Agora ou Agora para as pessoas conhecerem um pouco dos problemas ambientais que afetam o país e o mundo. O barco Já passou por Manaus, Santarém, Belém, Fortaleza, Recife e agora está chegando a Abrolhos, na Bahia. Depois vai para Salvador, Rio de Janeiro e, finalmente, Santos, no final de março.
A tripulação do barco dá um duro danado todos os dias, das sete da matina às seis da tarde, pra deixar tudo nos trinques. Lá vale aqueles recados de vovó, lembra? Sujou, lavou. Tirou do lugar, põe de volta. E por aí vai. O vídeo abaixo mostra um dia na vida da galera que está a bordo do Arctic Sunrise:”