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Saturday, October 11, 2014

...Fim das férias?



▬ Êita bloguinho preguiçoso!

▬ Pois é, de férias desde agosto... E já é outubro!

▬ Será que ele desistiu de atualizar o blog?

▬ Quem sabe? Vai ver, estava ocupado com a vida off line.

▬ E existe?

▬ Se existe, deve ser muito chata. Já pensou viver sem face?

▬ ...Sem Istagram, Twitter, Google...

▬ Esquecido como diz ser, deve ter esquecido do blog.

▬ Ou de voltar das férias.

▬ Falar em férias, viu o verão maluco da Itália?

▬ Pois é! O Norte só teve dois ou três dias de verão, um hiato entre a primavera e o outono.

▬ É Isso!, acho que ele tava ocupado com questões ambientais.

▬ Será que volta a escrever no blog?

▬ Espero que sim. Aproveito sempre as receitinhas que aparecem de vez em quando.

▬ Faz tempo que não tem uma, né?

▬ Faz tempo que ele anda desanimado. Difícil ler um post como nos velhos tempos.

▬ Vamos deixar esse recadinho aqui. Quem sabe ele se anima?

▬ Ou, pelo menos, dá uma satisfação aos leitores. Põe um ponto final e explica o sumiço.

▬ Ei! ...Tem alguém aí?
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Wednesday, August 06, 2014

Blog de férias

É Agosto.

O blog está de férias. Divirtam-se

:)

Saturday, August 18, 2012

Países bissextos

Dias corridos vieram; prazos se extinguindo, excesso de compromissos e nervos à flor da pele. Nem vi os atletas daqueles países que só ganham espaço nos jornais durante os Jogos Olímpicos, como se a vida permanecesse suspensa durante o intervalo de quatro anos. Quando Ferragosto chegou, os dias viraram séculos, o que é bom para descansar e pensar no que não deu tempo de fazer. Mas só pensar. Preguiça, muita preguiça.

Enquanto o termômetro se derrete sob os quarenta graus à sombra, nos refugiamos nas colinas coloridas de uvas, vinhos e queijos frescos, observando os rios e riachos secos que deveriam refrescar a vista nesses dias. Festival de cinema em Bobbio, sagras nos vilarejos, churrascos e muita, mas muita salada; e fruta fresca; e cervejinha no final de tarde. É Verão na Itália.

A gasolina subiu, a bolsa caiu, o primeiro ministro italiano não tem a menor ideia de como sair da enrascada em que se enfiou quando aceitou o cargo e o trem não para. As praias estão lotadas, os preços nas alturas (o da gasolina chegou a Marte antes da sonda americana) e o campeonato de futebol só começa no fim do mês, para tristeza geral do povo italiano. Se o país chegar até o fim do mês: Ouvindo pelo rádio as notícias sobre as filas nos pedágios, imagino que o país ficará – quando muito – encalacrado num conto cortazariano, bloqueando de vez as estradas.

 [Por onde andarão aqueles atletas?]

PS – No video de apresentação da música para a chamada dos Jogos Olìmpicos de 2016, no Rio, não consegui identificar o Dioniso. Alguém sabe me dizer quem é?
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Wednesday, August 31, 2011

Fim de férias


O problema com o final das férias é que a vida recomeça toda de uma vez. Uma água de coco, por favor.
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Sunday, August 21, 2011

Cultura de férias

Uma das poucas coisas negativas neste período de férias – além do calor abafado, dos preços nas alturas, das hordas invasoras que invadem cada centímetro de praia, piscina ou montanha, do comércio fechado e da completa ausência de serviços nas cidades – é a insistente companhia da insônia. Acordar de madrugada vez ou outra proporciona oportunidades impensáveis. Acordar de madrugada todos os dias nos transforma em habitudinários: Não fazer rumor para não acordar o resto da casa, ler, ligar o computador de tal a tal hora, fazer café, ler notícias pela Internet, etc.

Algumas pessoas não conseguem viver sem antes descobrir o que está acontecendo no mundo, e a busca por noticiários acaba virando um exercício de estricção. Neste período tenho me aplicado em começar o dia bem informado. Afinal, se eu estou de férias, o mundo não pára. A assiduidade com que assisto alguns programas nesse período de férias tem me feito bem. Descobri que a tv se especializa e se adapta cada vez mais; os programas culturais e informativos que passam de madrugada podem ser assistidos sem som. Informação e cultura só com imagens: A revolução das madrugadas.

O primeiro programa é um dos meus preferidos. No canto inferior direito da imagem do site, clique em “filme do mês”, ou viaje pelos outros vídeos um pouco mais acima; a segunda sugestão é para quem tem sangue frio; a terceira opção é para quem prefere amenidades.

Fica aqui a dica, para você que quer começar o dia sem tanto stress. Se a sua tv não transmite as minhas sugestões, use seu tempo nos sites indicados, divirta-se e economize a paciência alheia.
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Sunday, July 17, 2011

Onde comer na Itália

Toda vez que algum conhecido, amigo ou parente programa uma viagem à Itália, recebo uma solicitação de dicas sobre onde se hospedar e onde comer. Com o início da alta estação a quantidade de e-mails que recebo aumenta, junto com a responsabilidade pelo sucesso da viagem de alguém que estimo. Raramente posso oferecer um auxílio à altura da expectativa de amigos e parentes. A maioria das minhas viagens dura um dia, normalmente a trabalho e nem sempre tenho tempo para almoçar. Hospedar-me em hotéis? Raridade.

Eis algumas sugestões para a sua primeira viagem ao país da pizza.

Como quase não faço uso de hotéis e, portanto, possuo pouca experiência direta, sugiro acessar os seguintes sites: Hotel.pt, Minube e Trivago. Há, ainda, a opção de um cruzeiro marítimo, o que resolve o problema de hospedagem e de onde comer. Durante o período entre Julho e Agosto os preços sobem muito, o calor costuma incomodar e a qualidade dos serviços não é garantida. Se puder, programe suas férias para Junho ou Setembro. Os hotéis costumam trabalhar com reservas e quem não planeja antes corre o risco de não encontrar onde dormir durante a alta estação. Outra dica é pesquisar na Internet as opções de hospedagem nas cidades que se deseja visitar. Digite “hotel”, “albergo” ou “bed and breakfest” ao lado do nome da cidade. Informe-se antes se o hotel estará aberto no período da sua viagem. De um bed and breakfeast (B&B) a um cinco estrelas os preços podem variar. E já que podem, variam muito.

Onde comer é mais fácil para quem vive aqui, mas mais complicado para quem vem para fazer turismo. Quando estou fora de Piacenza, costumo procurar uma trattoria ou osteria fora dos circuitos turísticos no almoço. Normalmente são restaurantes mais ou menos rústicos que oferecem pratos típicos com produtos da estação. O que comer vai depender da região, cidade ou vilarejo. Se, por exemplo, estiver na zona de Livorno durante o Inverno, vou escolher um cacciucco livornese (sopa de peixe muito saborosa), mas durante o verão prefiro um peixe na grelha. Nas montanhas do norte come-se polenta com javali durante todo o ano, mesmo no Verão. Enfim, entre e peça sugestão ao garçom. A maioria das trattorias e osterias servem de dois a quatro escolhas de primeiro prato (massa ou risotto) e outros tantos de um segundo prato (carnes ou peixe) com contorno (verduras, batatas, etc.). Tudo por um preço que varia entre €10,00 e €20,00, anunciado por um cartaz à entrada do restaurante sob o titulo MENU FISSO. Mas, atenção: a enorme maioria só oferece o “almoço executivo” italiano no almoço (!). Evite os restaurantes próximos aos pontos turísticos. A frequência neles exclui os habitantes locais, pois nem sempre a comida é fresca e, provavelmente, o prato típico não será feito “a regola d’arte”. Entre o vinho da casa desconhecido e meia garrafa (mezza bottiglia) de vinho da região, fique com a segunda opção.

À noite procure o restaurante indicado pelo pessoal do hotel e peça conselho sobre o que comer. Em uma viagem a San Benedetto del Tronto jantamos duas vezes no mesmo restaurante – a terceira vez foi cancelada por não termos feito reserva (prenotazione). Na primeira vez pedimos antipasto misto di mare, mais primeiro e segundo pratos (que devem ser informados ao garçom ao mesmo tempo); na segunda vez pedimos apenas o antipasto misto di mare, pois ninguém conseguiu comer toda a comida no primeiro jantar. Pizza, focaccia, piadina ou sorvete são alternativas bem italianas para o jantar (sim, sorvete. Mesmo sob a neve do Inverno).

Você não precisa restringir-se aos restaurantes econômicos, apenas lembre-se de consultar os preços nos cardápios fora da porta do restaurante e de somar os preços de antipasti, entrate, primi piatti, secondi piatti, contorni, dessert, vini e coperto. Mesmo que você opte por apenas um prato de massa e vinho, o “coperto” estará sempre presente na conta. O coperto é uma taxa por pessoa que não inclui o antipasto. Alguns restaurantes até oferecem pão ou antipasto, mas é somente uma cortesia não obrigatória. Se à entrada do restaurante houver o símbolo do Slow Food, significa que a qualidade da comida é ponto de honra da casa, que os produtos são frescos, da estação, produzidos na região e que a comida é típica da zona. Caso visite Turim, Gênova, Bolonha, Milão, Monticello, Pinerollo e Asti (em breve, Piacenza) vale a pena ir conhecer o Eataly e aproveitar para comer em um dos restaurantes dos mercados. Em alguns deles é possível observar todo o processo da preparação da massa na sua frente

Há algum tempo um casal de japoneses virou noticia por ter pago € 600,00 (seiscentos euros!) por um almoço em um restaurante de Roma. A mesma conta, apresentada a um casal italiano não sairia por mais de € 80,00; em cidades turísticas alguns restaurantes possuem dois cardápios: um para os locais e outro para turistas. Apesar desses fatos, a maioria dos comerciantes age com honestidade. De qualquer forma, confira sempre os preços antes. E aproveite a viagem.
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Thursday, August 12, 2010

Férias ecológicas















Hoje todo mundo sabe que as viagens provocam impactos ambientais; ainda que pequenos, quando comparadas com as verdadeiras catástrofes ambientais. Mas a soma de pequenas ações geram um resultado muito maior. Portanto, programe suas férias.

Evite viajar ao hemisfério Norte durante o período de 15 de Julho a 15 de Setembro, quando a alta estação aumenta muito os preços, todos os pontos turísticos estão lotados e o serviço acaba gerando frustração. Fora desse período, o ar-condicionado não será necessário, mesmo que faça um pouco de calor. Prefira um quarto com ventilador no teto, que produz dez vezes menos CO2 que o ar-condicionado. Lembre-se, ao preparar as malas, de tirar das embalagens os shampoos, cremes e outros produtos: em casa você sabe como e onde promover a coleta diferenciada.

Se a viagem for em avião, prefira os voos diurnos, pois eles provocam menos danos à atmosfera que os voos noturnos. O mesmo vale para os meses mais frios, quando a emissão de gases nocivos à atmosfera dos aviões é muito superior que nos meses mais quentes ou na meia-estação. Decolagens e aterragens são os momentos em que o avião consome a maior parte do combustível, assim, voos diretos são preferíveis aos voos com escalas. Quanto mais escalas, maior o consumo de combustível e de emissão de gases nocivos. Além disso, considere que os trajetos superiores a 6 horas emitem somente dois terços de CO2 por km em relação aos voos mais breves. Por fim, aproveite para usar os serviços higiênicos dos aeroportos e evite os dos aviões. Acionar a descarga em voo produz a mesma quantidade de CO2 emitida por um automóvel em 10 km.

Praias, montanhas, parques e fazendas nem sempre têm um sistema de coleta do lixo eficiente. Levar um saco para trazer o lixo produzido – ou encontrado – vai causar boa impressão à natureza. Tire fotos e compre o artesanato local, se produzido de modo sustentável. Animais e “souvenirs” retirados da natureza são de péssimo gosto e influem negativamente na fauna e flora local.

Seja ecológico e boas férias!

Sunday, August 23, 2009

Trebbia










Sabe o que eu estava fazendo no meio do
rio Trebbia quando fiz essa foto?













Escolhia um lugar para fumar sossegado o meu charuto.

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Saturday, September 16, 2006

Parafraseando O Futebol

Férias: só terminam quando acabam.

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Sunday, June 18, 2006

Virtual Tour

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Divirta-se!

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Wednesday, July 13, 2005

Férias 2005

Caros e caras,
Paz e saúde!

Os eternamente insatisfeitos costumam dizer que o melhor das férias é voltar para casa. Há, ainda, quem se empolga demais antes das férias e depois se lamenta pelo menor imprevisto.

Prefiro não criar grandes expectativas e gozar os momentos. Gosto de ver as pessoas com calma e ter tempo para inserir-me na paisagem, como um velho pescador que sabe de paciência, dos humores do tempo e das fases da lua.

Sapatos, livros, cds, pimentas e curiosidades. Quilos a mais e uma gostosa sensação de que somos sempre bem-vindos. Voltamos das férias.

E você? Que tipo de férias costuma fazer?

Ciao

Friday, June 17, 2005

Vou Tomar Cachaça De Rolha

Caros e Caras,
Paz e saúde!

Madrugada de sexta-feira na Itália. No Brasil, ainda é quinta. A geografia da casa foi ligeiramente modificada. Malas na sala, o cheiro de limpeza na despensa vazia e a ausência das plantas alertam os meus sentidos para a viagem desta noite. A falta de ansiedade reflete o nômade que há em mim. Minha única dúvida é sobre o que ler durante a viagem, pois não faltam opções. Amanhã, a esta hora, estaremos chegando ao Brasil. Todos nós, inclusive o cabrito e o rato. De pelúcia.

Planejei não planejar nada. Só férias. Vamos perambular pelo Embu, tomar chopp na praça e fazer uma devassa em alguma livraria. Se encontramos um sebo decente, encaixotamos tudo e trazemos para casa. Vamos conferir o caos de Sampa e procurar um pôr-do-sol na Rubem Berta. Vamos comer pastel na feira. Enquanto avós e tios mimam nossas princesas, vou simplesmente não fazer nada com a Eloá. Há muito tempo não faço nada e isso me faz perder um pouco do baiano que aprendi a ser. Planejei jogar conversa fora com a família, com os parentes e amigos, ensinar besteira aos sobrinhos e fazer cosquinhas na Isabella, mais nada.

Sou carioca mas conheço São Paulo como poucos. Isto é, conhecia: a cidade jamais parou de crescer. Dizia ser professor de motorista de táxi e ninguém duvidava. São Paulo cresce sempre. Assim como o Embu, que perdeu todo o charme dos anos setenta, apesar da insistência da minha família e dos amigos que lá fincaram raízes. E do cheiro de strudel da casa do Cláudio. Vou jogar sinuca com o Cláudio. Creio que o único lugar que não muda é Itaquira, lugarejo entre o Rio e Campos, onde meus avós moravam antes de voltar para Macaé. Se mudou, prefiro não saber. O único modo de se chegar a fazenda em Itaquira era de trem, que parava na estação duas vezes por dia, ou a cavalo. Lembro de uma vez, voltava de Carapebus a Itaquira de trem com minha tia Carmélia. Tinha uns cinco anos e compramos um saco de biscoito de polvilho, que em alguns lugares é conhecido como biscoito de cuspe. O vento espalhava farelo de biscoito pelo trem e eu perguntei-lhe o porquê daquele nome. Minha tia explicou que usava-se um enorme tacho com óleo fervente, alguém subia em uma escada e cuspia. O cuspe fritava e virava o tal biscoito. “Mas não se preocupe, não. O óleo quente mata todos os germes.”, disse ela. Fiquei anos sem comer biscoito de polvilho. Já adulto, viajava com meu pai e compramos um saco de biscoito. Ele contou-me que ficara anos sem comê-lo porque uma sua tia havia-lhe explicado como era feito. Itaquira é como o centro de qualquer cidade italiana: não muda nunca. Prefiro não saber. Quando estiver no Embu, vou comer biscoito de cuspe com meu pai.

Serão três semanas de pura vagabundagem, sem a obrigação de provar dezenas de queijos, presuntos, copas e salames todos os dias. Não vou ter nem tempo de escrever minhas cartas, pois pretendo passar boa parte dessas férias pescando num barranco ou de barco, no meio do Paranapanema, sem lap top, luz elétrica ou gerador. Aliás, pescando, não. Que eu e seu Zé dificilmente pegamos alguma coisa quando vamos pescar juntos. Só quando vamos sozinhos, como todo pescador mentiroso que se preze. A única exceção aconteceu na Itália, quando pescamos uma fieira enorme de trutas. Os minguados barbadinhos em dias e dias de pescaria no barco que ele construiu, não contam. O que conta mesmo é a companhia isubstituível do seu Zé, meu sogro e amigo. Portanto (e como não teria sentido escrever uma carta da Itália estando no Brasil), fiquem sossegados: vocês também terão três semanas de folga.

Infelizmente vai faltar tempo para visitar amigos e parentes em Salvador e outras praias. Porto Velho vai ficar para uma outra ocasião. Assim como o acarajé da Cira, de Itapoã. Vou ter que me contentar com os deliciosos quitutes da Laura, no Embu. Com intermináveis churrascadas e com muito pão de queijo feito na hora. E quando cansar dessa vida besta, vou ler. Preguiçosamente.

Não vou fazer barulho. Vou evitar poluir e procurar proporcionar alguns bons momentos a quem estiver por perto. Numa atitude de consciência social, vou consumir produtos genuinamente nacionais. Nem os peixes correrão perigo comigo. Querem mais? Pra quê? Estou de férias.

Ciao.

Sunday, August 15, 2004

Ferragosto

Caros e Caras,
Paz e saúde!

Toda sexta-feira em Salvador é dia de branco. As pessoas vestem a cor da paz em homenagem ao Senhor do Bonfim, padroeiro da cidade. Muitos vão até a Colina Sagrada para a missa, ou simplesmente para, num curto passeio, absorver a energia que se multiplica e se divide entre os passantes. Próximo ao Carnaval, todos os dias são sextas-feiras e a euforia transborda dos copos de cerveja e dos cocos gelados; inunda as praias num tom dourado e se mistura com uma água ora verde, ora azul. Quando isso acontece, todos se tornam baianos e comungam a mesma fé: o Carnaval das cores.

Como falar de uma emoção a quem nunca a viveu? A vocês, pobres mortais que desconhecem a sensação descrita no parágrafo acima, é inútil dizer que o clima desta semana na Itália é idêntico àquele respirado em Salvador antes do Carnaval. O sacro e o profano se misturam naquele que os italianos chamam de o mais louco e mais esperado fim-de-semana do ano. Quinze de agosto, Assunção de Nossa Senhora: feriado na Europa católica, que na Itália chama-se Ferragosto.

As estradas estão paradas, nada se move. Um mar de carros cobre cada pedaço de asfalto, um odor acre, exalado da centopéia automobilística, sugere já não haver vida dentro dos veículos, cujos ocupantes morreram (provavelmente) de impaciência ou pelo calor saariano que os ventos africanos nos sopraram. A Europa arde. E isso nem chega a ser um pleonasmo.

O país se divide em dois: a Itália das férias e a Itália em férias.

A Itália das férias se encontra nas cidades de praia ou de montanha, onde cada espaço conquistado é defendido como a virgindade da filha única pelo pai arruinado: “…é tudo o que me resta. Que ninguém se atreva ou leva bala!” O aluguel diário da espreguiçadeira e do guarda-sol custam mais caro que comprá-los novos, mas você tem a vantagem de comprar, também, o espaço que eles ocupam, pois já estão montados e o resto da areia foi tomado por quem chegou antes, muito antes de você. Pague e não reclame, ou algum turista espertinho pode pagar na sua frente e adeus espaço! No restaurante, a sensação é maravilhosa (se você chegar antes do meio-dia) pois os garçons são italianos e dá pra entender o que eles falam; ao contrário das praias e pontos turísticos, onde milhares de línguas e dialetos se misturam num exercício confuso de democracia. Vá em grupo, assim o sorteio para ver quem irá deixar o olho para pagar a conta pode livrar sua cara.

A Tv, sádica, mostra o resultado dos inexperientes que deixaram a viagem para a última hora e dão dicas de como voltar vivo das férias.
- Onde está a sua carteira e o celular? – Pergunta a repórter ao jovem prestes a entrar no mar.
- Na pochete… – Responde o rapaz.
- E onde está a pochete?
- Na sacola…
- … E a sacola? – Insiste a repórter.
- Embaixo do guarda-sol.
- E quem está tomando conta?
- …Ninguém!!??! – Diz o jovem, já atônito.
Mais de noventa por cento dos italianos agem desta maneira, mas não contem aos ratos de praia de Copacabana, acostumados com o arrastão e outras modalidades de furtos.

Nas cidades de montanha, onde ainda é possível respirar e dormir à noite sem ar-condicionado, é preciso fazer reservas nos hotéis que abrem neste período com um ano de antecedência, normalmente ocupados pelos mesmos idosos por anos a fio. Não espere encontrar nestes locais nada de excitante, além do ar puro e restaurantes lotados. De resto, é tudo igual.

A Itália em férias não existe. Os bares estão fechados, as padarias estão fechadas, as farmácias estão fechadas, as bancas de jornais estão fechadas. Enfim, a cidade está fechada. Somente as piscinas públicas estão abertas, mas os funcionários te olham com desaprovação tão profunda, que você não consegue esquecer nem por um minuto de que eles também não viajaram de férias e, pior: estão trabalhando! A cena se repete em todas as cidades entre o mar e a montanha. As únicas exceções são Roma e Florença, por causa do grande fluxo turístico e apesar do calor abafado. Mas encontrar um restaurante aberto naquelas cidades requer paciência, espírito aventureiro e muita fome.

Há três anos tivemos um vazamento na banheira que provocou uma infiltração no teto do vizinho de baixo. Chamamos o nosso encanador, que é o único autorizado a instalar o aquecedor de água e todas as torneiras com “C” e “H” (cold – frio e Hot – quente, em inglês, mas que eles traduzem como caldo – quente em italiano e H de …ah! Quem se importa?). Dois dias depois ele nos respondeu, da França, para informar que voltaria em dez dias. Procuramos outros profissionais, mas eles estavam todos em férias. O serviço de emergência da prefeitura nos sugeriu fechar o registro e tomar banho na casa de algum amigo. Inútil tentar explicar que todos os amigos também estavam de férias. Para nossa sorte, o cunhado de um amigo do nosso vizinho, um outro encanador (o sujeito, não o vizinho), não havia viajado, mas nos informou que cobraria uma taxa para sermos atendidos antes das inúmeras outras emergências. Veio, quebrou a parede, não descobriu o vazamento e só voltou quinze dias depois, quando o nosso encanador já havia feito o conserto. E nos apresentou a conta por abrir e fechar o buraco na parede. Um hotel nos teria saído mais barato.

Domingo, 15 de agosto. Ferragosto. Quando for programar sua viagem à Itália, lembre-se: evite esta data. Vista-se de branco e vá ao Bonfim. E reze por nós.

Ciao.

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Post Sctiptum:


Atualização sobre o tema "Ferragosto" aqui.

Thursday, August 12, 2004

Roma, cidade aberta

Caros e Caras,
Paz e saúde!

Dizem, alguns, que o melhor das férias é quando elas acabam.
Pensando nisso, decidimos tirar nossas férias justamente quando as “oficiais” européias acabam. Neste ano atípico, o grande êxodo do verão europeu foi dividido com o mês de julho, pois o feriado que marca o auge da estação na Europa, quinze de agosto, cai num domingo. O mês de agosto virou uma espécie de prolongamento das férias, com pequenas viagens de fins de semana. A indústria do turismo adorou e os preços continuam altos.

Fomos para a estrada a bordo do Fiat Punto equipado com o kit de sobrevivência: ar-condicionado e cd-player (como diabos se chama esse trem em português?). Só faltou o Telepass, pequeno aparelho instalado nos carros que permite passar nos pedágios sem parar, com a cobrança feita através do cartão de crédito, o que evita as quilométricas filas. Mas o ar-condicionado torna a espera menos apoplética.

Quem viaja a turismo pela Toscana, deve levar um passageiro preparado e armado com uma filmadora. Os vilarejos construídos sobre as enormes rochas que surgem improvisamente, fazem a alegria de qualquer japonês e já valem a viagem. Algumas paisagens não se repetem, assim como os restaurantes de comidas típicas. Se o roteiro não impuser datas, é possível levar dias para percorrer poucos quilômetros. E vale a pena. (Recordo-me de uma viagem de três dias de São Paulo a Araçoiaba da Serra - uns oitenta quilômetros – num roteiro etílico não planejado que não lembro de ter concluído.) Infelizmente os pontos turísticos são obrigatórios. Portanto, prepare o bolso!

Pisa. Uma garrafa de água mineral de meio litro custa 3,50 euros, contra 1,00 euro em qualquer boteco do resto da Itália. A torre é inclinada mesmo! Faz parte de um conjunto arquitetônico onde a igreja deveria ser a grande atração, mas foi superada pelo efeito do inadequado terreno onde a torre foi construída, o que conferiu à cidade a fama internacional. Visite a torre, tire fotos, mande postais e vá embora. Não há mais nada a ser visto.

Roma. Desaconselhável a pessoas com problemas cardiovasculares. A beleza, a suntuosidade e as longas caminhadas podem ser prejudiciais à saúde. Conhecer Roma após ter conhecido Milão, permite entender a ponta de inveja que os milaneses possuem dos romanos. A ponta de um iceberg. Visite-a com tempo. Ao menos uma semana para ver Roma. O Museu do Vaticano toma um dia inteiro, se a intenção forem somente as obras principais e a Capela Sistina. O interno da Basílica de São Pedro é alta, escura e grave, fazendo-nos sentir pequenos e humildes. Exatamente como espera a Igreja. Assim como nos principais monumentos religiosos, é proibido entrar de bermuda, saia curta e com os ombros à mostra. Mas, caso você esqueça e não lhe deixem entrar, não desanime: tem sempre uma chinesa vendendo enormes lenços para os ombros, e um monte de camelôs nas vizinhanças que oferecem calças de papel e camisetas turísticas com mangas por cinco euros.

Pausa. Em Roma (quem diria!) come-se tão bem que o turismo gastronômico é um programa à parte. Descubra e invente o próprio roteiro. Lá é permitido comer macarrão com garfo e colher, mas só os romanos têm esse hábito. Evite-o. Experimente todas as massas e reserve algumas refeições para as pizzas.

Entre a Piazza Venezia e o Coliseo estão o Forum Romano e o Forum Itálico. Ruínas romanas, necessitam de um dia inteiro para serem visitados. Depois tem a Piazza di Spagna, as catacumbas, os palácios onde funcionam os órgãos do Governo Italiano, o Pantheon e tantos, tantos outros monumentos, ruas menos famosas, becos, praças, igrejas e museus. Tudo tão cheio de história e de uma arquitetura sem igual, que quase sempre falta fôlego.

Na Roma antiga, o abastecimento de água era feito por galerias subterrâneas, engenhosamente construídas, que transportavam a água do rio Tévere aos habitantes que podiam pagar. Os dutos de pedra eram construídos de modo a fornecer um volume de água acertado previamente, com canais mais ou menos profundos e de larguras diversas. A cobrança se baseava na capacidade de fornecimento. O excesso de água abastece, ainda hoje, uma fonte no centro da cidade que é uma das maiores atrações turísticas da cidade: a Fontana di Trevi.

Cidade cosmopolita, em Roma é possível encontrar gente de todo o mundo: O garçon argentino; o motorista de táxi chinês; o ambulante indiano que vende a mesma garrafa d’água de Pisa por 2,50 euros; o hippie inglês; os soldados romanos que posam para fotos na frente do Coliseu, com o típico sotaque romano, mas que conversam entre si em albanês; a pintora sul-africana que vende desenhos dos pontos turísticos da cidade e, na Piazza Navona, o Itamar.

Praia. Uma semana em San Benedetto del Tronto, com as praias tomadas por chalés bem estruturados que sobrevivem do turismo de verão, alugam-se espreguiçadeiras com guarda-sol por dia, por semana ou por mês. Chuveiro, cabines, quadras de esportes de praia, atrações musicais, academias ao ar livre e um serviço de bar e restaurante, permitem ao turista passar o dia sob o sol. Uma garrafa d’água (a mesma) custa 0,75 euros. As pessoas deixam bolsas, carteiras e celulares abandonados à sombra e vão caminhar ou dar um mergulho. Quando voltam, está tudo lá. Estranho, não? Caso alguém decida conhecer a cidade, avise-me: tenho ótimas dicas gastronômicas.

Férias: cedo ou tarde você vai cair nessa.
Que inclua Roma. Pelo menos o melhor não será o fim delas.

Ciao.