Sunday, June 28, 2015

Trilha sonora italiana - Riccardo Cocciante



Riccardo Cocciante, 1946 Saigon, Vietnam, de pai italiano e mãe francesa, é – talvez -  o maior intérprete do gênero melodramático da música italiana.

Se você foi a algum baile nos anos 70, antes da explosão das discotecas, provavelmente dançou ao som de uma das canções dele. Lembra daquele momento em que começava a tocar uma música romântica, quando uma parte da garotada desviava o olhar e ia ao banheiro ou ia pegar um refrigerante, enquanto a outra parte tomava coragem e tirava a garota errada pra dançar? Pois é, aquela música era do Riccardo Cocciante.

A primeira gravação aconteceu em 1968, mas não o primeiro sucesso. Inicialmente assinando como Rioccardo Conte, em seguida como Richard Cocciante (como é conhecido na França) e, finalmente como Riccardo Cocciante, depois de decidir não mais compor e cantar em inglês e de trocar o rock progressivo pelo estilo romântico. 1973 surge com o sucesso “Bella senz’anima”. Não grava desde 2005. Viveu na França, nos Estados Unidos e na Irlanda, além da Itália.

Escreveu as óperas populares Notre Dame de Paris, Le Petit Prince e Giulietta e Romeo.

Mas se você ainda está se perguntando quem é esse cara, ouça alguns dos sucessos dele como Margherita, Poesia, Io canto e Bella senz’anima:

Sunday, June 21, 2015

Infância



A lembrança mais antiga é a do sonho intrauterino que me seguiu pelos primeiros cinco ou seis anos. Fogareiro Jacaré em Copacabana, onde o Sol refletia nos meus cabelos brancos, o que me rendeu um dos tantos apelidos: alemão. O alemão que gostava de Mariola Lula, das pernas tortas do Garrincha driblando no Canal 100 e que gostou do sabor do camarão cru que o tio usava para pescar. Aprendi a pescar traíra em Itaquira, descalço e riscado pelo mato com cheiro de bosta de vaca. Mas andar descalço é perigoso, e a avó, sábia, vermifugava com sementes de mamão e chá de hortelã por um dia inteiro. Não sei o que era pior: o vermífugo ou a sensação de estômago vazio no dia seguinte, quando a convulsão estomacal me fazia vomitar o nada.

Kiko, o nosso Boxer, morreu envenenado; tinha uma cabra que vivia no morro dentro do quintal, na casa no bairro do Cremerí, em Petrópolis; a tartaruga que enterrávamos e que o Kiko ia desenterrar; a vaca vermelha que meu irmão driblava quando íamos buscar leite, em Itaquira; Cambaxirra, a égua que eu montava nos finais de semana; a gata Catina arranhou meu nariz.

A vizinha Nádia Pacheco me ensinou a ler aos três anos, como presente por ter aprendido a ver as horas com meu pai; a Denise foi a primeira namorada, com lugar cativo ao meu lado na Kombi do jardim da infância; o Casquinha era o amigo que sempre levávamos ao Quitandinha; a voz do Antônio Maria.

O cheiro do Andriodermol líquido que meu irmão usou por um bom tempo; a desidratação quase me levou, mas sobreviví e passei as férias em Itacuruçá tomando aquele sôro de gosto horrível; emulsão Scott; perfume de hortências do Valparaíso; gosto de ingá, marmelo, abóbora com carne seca da casa da vó e o café ralo que ela fazia.
De broa de milho com semente de erva-doce eu nuca aprendi a gostar; angu da Dona Petronilha; paçoca de gergelim da tia Carmélia, socada no pilão; pudim de coco; maria-mole; pé de moleque; carambola, pitanga e goiaba no pé;

Empinar papagaio; jogar pião, figurinha, bolinha de gude e stoc; castelos na areia da praia; torrar castanha de caju e desenterrar sapotí; pular do telhado; futebol de prego, futebol de botão, patinete e bola Pelé; jogar boliche e cair na pista de gelo do Quitandinha.

Sabores, perfumes, sensações e lembranças sempre presentes, como a língua que procura o dente que estava para cair. E que caiu faz tempo.

*

Sunday, May 24, 2015

Bartali e Coppi, rivais cordiais – a história de uma foto



A Itália dos anos 40 e 50 foi marcada por dois personagens que aliviaram as feridas da II Guerra. Juntos, resgataram um pouco do orgulho do povo. A mesma gente que se uniu em torno do ciclismo, dividiu-se entre os dois maiores nomes do esporte. Quem torceu por Gino Bartali, torceu contra Fausto Coppi. E vice-versa. Os dois ciclistas – e as conquistas deles – transformaram o ciclismo no esporte mais popular no país e que mais vendeu jornal, na época.


O ciclismo de estrada é um esporte de equipe. O time se divide em um capitão e os gregários. As provas propostas em circuitos como o Giro D’Italia ou o Tour de France, se dividem em várias etapas, com provas contra o cronômetro em equipe e individual, circuitos mistos em cidades e de escaladas, com subidas e descidas em montanhas. Entre os gregários encontram-se especialistas para cada prova e o trabalho deles é proteger o capitão do vento e atuar a estratégia da equipe técnica, que segue as provas em um carro, passando as informações via rádio. O capitão é aquele com maiores probabilidades  de vencer o circuito, com bom desempenho em todas as especialidades (escalada, velocidade e passista – capacidade de manter bom ritmo durante muito tempo).

Bartali e Coppi se tornaram companheiros quando correram juntos pela mesma equipe em 1940. Bartali já era famoso e campeão de circuitos importantes, enquanto Coppi era apenas um jovem gregário. Durante uma prova, Bartali caiu e os gregários pararam para ajudá-lo, mas Coppi recebeu ordem dos técnicos para continuar e manter a boa classificação geral que conquistara. Coppi venceu a prova, passou à frente de Bartali na classificação geral e virou a ponta da equipe, com Bartali atauando quase como um gregário. Naquele ano, Fausto Coppi venceu o Giro D’Italia, tornando-se o mais jovem campeão do evento na sua primeira participação.

Os anos seguintes foram marcados pela guerra e a pouca atividade ciclística, além das diferentes posições entre os dois. Coppi foi convocado como soldado e participou da campanha no Norte da África; Bartali consertava bicicletas e ajudava refugiados e judeus.

Se reencontraram em 1946, no primeiro Giro D’Italia após a guerra. Dessa vez, como rivais, em equipes diferentes. Venceu Bartali. E a partir de então, os jornais estimularam a rivalidade entre os dois e os transformaram em mitos. Claro que teria sido diferente se não fossem ambos grandes esportistas. Coppi venceu o Giro D’Italia cinco vezes; Bartali, 3; dois Tour de France cada um. No total, Bartali venceu 124 etapas de diversos circuitos, enquanto Coppi venceu 122.

Rivais cordiais, em diversas ocasiões se ajudaram, mesmo estando em equipes diferentes (é comum uma “fuga” de dois ou mais corredores do grupo principal para tentar um ritmo mais veloz). E foi numa dessas fugas que a cena aconteceu. Com um dos dois passando uma garrafa d’água ao outro.

Acontece que naquela época faltavam os meios de hoje para registrar a corrida em tempo integral. Aquele gesto não foi filmado nem fotografado por ninguém, apesar das muitas testemunhas. Segundo Vito Liverani, a fotografia mais importante e difusa do ciclismo italiano foi criada com a autorização da direção da corrida e em comum acordo com os corredores. Teria sido o fotógrafo Carlo Martini a imortalizar a cena reconstruída durante o Tour de France de 1952, no dia seguinte à cena original. Com Bartali que passa uma garaffa de água Perrier a Coppi.

Quanto a cena original, ninguém sabe ao certo quem passou a garrafa ao outro. Não importa, o mistério faz parte do mito.
Entrevista de Vito Liverani ao jornal “Il Giornale” AQUI

Saturday, May 09, 2015

Piadas italianas II


Post Scriptum:
Essa eu deixei para contar separada, pois representa bem o modo de ser de boa parte da gente dessa terra.

Em um bar italiano um ancião toma un bianchino (um copo de vinho branco, normalmente tomado como aperitivo, antes do almoço) enquanto observa calmamente o movimento. Numa outra mesa, um rapaz come o amendoim que servem como tira-gosto. Acaba com a porção e pede outra. E mais outra. O senhor se admira e pergunta:

▬ Mas você come sempre tanto amendoim assim?

O jovem responde:
▬ Meu avô viveu mais de cem anos...

▬ ...Comendo muito amendoim? – pergunta o velho surpreso.

▬ Não. – responde o rapaz – Tomando conta da própria vida!

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Sunday, May 03, 2015

Piadas italianas


O humor italiano parece muito com o nosso, mas às vezes é mais ácido. Como em qualquer piada, o contexto cultural pesa muito. Algumas piadas são mais engraçadas se contadas com o sotaque de determinada região ou no dialeto local. Aí vão algumas:

Gianni foi almoçar na casa de Pietro. Adorou o prato e perguntou o que era e se admirou quando o amigo respodeu:
▬ Testículos de macaco.
▬ E onde você acha isso por aqui? – perguntou Gianni.
▬ Eu mesmo caço. Se quiser, na próxima vez vem comigo. Você cuida do cão e da espingarda e eu subo com o porrete

E, assim, partiram um dia para caçar macacos. Pietro explicou tudo ao amigo:
▬ Você segura o cachorro e a espingarda; quando eu abater o macaco e ele cair, solte o cão que ele sabe o que fazer.

Andavam pela floresta em silêncio, observando o alto das árvores. Quando avistava um macaco, Pietro subia na árvore, dava uma porretada no bicho, que caía e Gianni soltava o cachorro. Era o cão que corria e arracava com uma dentada os testículos do macaco.

Cinco macacos depois, Gianni pergunta:
▬ Mas... Pietro, você pediu pra eu segurar o cão e a espingarda. Ainda não entendi pra quê trouxemos a espingarda...
▬ Pelamordedeus, Gianni. Se a cair for o seu compadre aqui, atire no cachorro!!!

***

O senhor de oitenta e dois anos foi renovar a carteira de habilitação. Chegando no Detran, foi recebido por um servidor sentado numa escrivaninha. Informado da intenção do ancião, o funcionário disse:
▬ Não, o senhor está muito velho para continuar guiando. As coisas mudaram muito...
▬ Mas se eu passei no exame médico, dirijo há mais de sessenta anos e jamais tive uma multa ou causei algum acidente? – Respondeu o idoso.
▬ Mas não basta. As coisas mudaram muito e o senhor não saberia como resolver certas situações.
▬ Faça um teste: faça-me alguma pergunta para verificar meus conhecimentos de trânsito...
▬ Ok! Suponhamos que o senhor vai por uma rua escura e vê um farol vindo na direção oposta. O quê poderia ser?
▬ O quê poderia ser?! Uma moto, é claro!
▬ Viu? As coisas mudaram muito. Não basta responder “uma moto”; é preciso especificar: uma Suzuki, uma Honda, uma Yamaha... Não dá, não dá!
▬ Faça outra, verá que me saio melhor.
▬ Ok! Suponhamos que o senhor vai por uma rua escura e vê dois farois vindo na direção oposta. O quê poderia ser?
▬ O quê poderia ser?! Um automóvel, é claro!
▬ Definitivamente, não dá! Não basta reponder que é um automóvel, isso até uma criança saberia. É preciso especificar: Um Hyudai, uma Mercedes, Uma BMW...
▬ Doutor, me dê uma útima chance.
▬ ...Ok, última chance. Suponhamos que o senhor vai por uma rua escura e vê dois farois  e um monte de luzinhas no alto, parecendo uma árvore de Natal, vindo na direção oposta. O quê poderia ser?
▬ O quê poderia ser?! Um caminhão, é claro!
▬ Sinto muito, esqueça a renovação. “Um caminhão” não é suficiente, é preciso especificar: um Scania, um Volvo... Sinto muito, vá pra casa e não volte mais.

O idoso ia saindo cabisbaixo quando se voltou e perguntou:
▬ Engenheiro, posso fazer eu uma pergunta pra ver se o senhor tem a competência pra me avaliar?
O funcionário – um pouco contrariado respondeu:
▬ Certo, faça a sua pergunta.
▬ Suponhamos que o senhor vai por uma rua escura e vê num canto um braseiro com uma mulher muito maquiada, saia curtíssima e que lhe acena. O quê poderia ser?
▬ O quê poderia ser?! Uma prostituta, é claro!
▬ Viu? O senhor não tem competência pra me avaliar. Não basta responder “uma prostituta”, é preciso especificar: a sua mãe, sua irmã, sua esposa...

***

Um caminhoneiro pára ao lado de uma prostituta, que lhe diz:
▬ Ei, belo! Se me pague cinquenta euros faço tudo o que quiser.
O caminhoneiro não perdeu tempo. Desceu do caminhão, deu cinquenta euros à prostituta e lhe disse.
▬ Feito! Me descarregue todo o caminhão.

***

O marido vai ao médico e diz:
▬ Doutor, estou preocupado com a minha esposa. Acho que ela está ficando surda.
O doutor lhe responde:
▬ Bem, me mande a sua esposa que eu faço um teste e resolvemos o problema.
▬ Mas doutor, não gostaria que ela se chateasse descobrindo dessa maneira.
Então o médico propõe:
▬ Façamos assim: quando chegar em casa diga uma frase à sua esposa e veja se ela responde. Se aproxime e repita a frase, no mesmo tom de voz. Vá repetindo e se aproximando até que ela responda, calcule a distáncia e me informe. Vejamos se consigo fazer uma avaliação.

O marido foi para casa, abriu a porta e perguntou:
▬ Querida, o fez para o jantar de hoje?
Não ouvindo nenhuma resposta, se aproximou dois metros e repetiu. Nada. Se aproximou mais dois metros e... Nada. Chegou à porta da cozinha e perguntou de novo. A mulher se vira e responde:
▬ Frango com pimentão!!!  É a quarta vez que te respondo, vá visitar um otorrino!

***

Saturday, April 25, 2015

Bookcrossing Blogueiro - 10ª Edição - Participei

http://luzdeluma.blogspot.it/2015/03/vem-ai-10-edicao-do-bookcrossing.html



Está ficando difícil...

Os livros da Bianca, não posso nem olhar: ela relê. Várias vezes. Apesar de ser uma leitora altamente voraz, ela usa muito o kinder dela. Não, esse é o ovo. Acho que eu quis escrever Kindler. Ou Kobo, sei lá. Sei que ela lê sem parar, quando não está fazendo um milhão de coisas diferentes. Mas lê muito; herança do método dr. Glenn Doman. Os da Luiza, ou ela já deu/emprestou para alguém, ou levou para Londres. A Eloá dificilmente compra livros, apenas troca ou pega emprestado. Os meus já foram quase todos, exceto livros técnicos – meus e do resto da família –, os livros em português e alguns livros que ainda não tive a coragem de lançar mão, como a coleção dos livros do Andrea Camilleri e alguns poucos.

O resto são livros de culinária, a coleção sheakspeareana, livros presenteados ou escritos por amigos e... Acho que é tudo.

De qualquer modo ainda tenho alguns para liberar, como os dois dessa edição. Foram atrasados, é verdade, mas foram. Tinha me organizado para liberá-los no último dia, anteontem, mas uma crise de rinite alérgica me impedia de respirar. Imagina se teria conseguido sair para liberar os livros! Para minha sorte (ao menos eu pensava assim) a Eloá tinha combinado um aperitivo em casa com algumas amigas da Luiza – que mora em Londres e não participou do aperitivo, é claro – e aproveitei para falr do Bookcrossing. Elas adoraram a ideia e uma delas se propôs a levar os livros e liberar no bar que ela e a irmã têm numa localidade da província, lá longe. Mas o papo tava fostoso e ela esqueceu os livros aqui.

 Resultado: saí hoje, sábado, para liberar os livros na estação de trem. Um deles é de Kafka, A Metamorfose e Cartas ao Pai; o outro é a biografia de um heroi nacional, Garibaldi, de Alfonso Scirocco. Toda cidade tem uma rua, avenida, praça, escola com o nome de Garibaldi. Em Piacenza tem uma rua Garibaldi e no vídeo que fiz após liberar os livros, vê-se uma praça com a estátua dele.

Enfim, boa leitura a quem os levou.
Ufa!
:)

Thursday, April 09, 2015

10ª Edição do Bookcrossing Blogueiro


http://luzdeluma.blogspot.it/2015/03/vem-ai-10-edicao-do-bookcrossing.html


É muito provável que você já conheça a Luma, ativíssima blogueira e divulgadora de grandes ideias. E – se conhece – sabe que ela promove a libertação dos livros, “levando mais pessoas a viajar com livros”.

Pois chegou a 10ª Edição do Bokkcrossing Blogueiro, que acontecerá dos dias 16 a 23 deste mês de abril.

É tudo novidade para você? Dê uma olhada AQUI e se informe direitnho.

Ainda não escolhi o livro (ou livros), mas sempre libero meus livros.

Que tal participar e liberar um você também?