Tuesday, June 28, 2016

Allan x Garcia



Quem me ensinou a latir foi o Chopp, um daschund que nos fez companhia muitos anos atrás.

Já o Garcia não se incomoda se eu latir, basta deixá-lo em paz. Aliás, ele não dá a mínima para latidos alheios, sequela do longo período qeu passou no canil municipal.

O que ele gosta mesmo é de atenção, de brincar e de destruir o lixo quando saímos. E do sofá.

Sunday, June 19, 2016

Pedágio na Itália



Algumas vezes nos encontramos em uma situação difícil por falta de informação. Pode ser um pequeno detalhe, mas que naquele momento acreditamos ser um grande problema. Como pagar o pedágio em um país que não conhecemos, com uma fila quilométrica de motoristas impacientes buzinando atrás. Se você estiver de carro na Itália e ainda não está familiarizado com o pedágio das estradas italianas, o vídeo abaixo pode ser de ajuda.

Se o automóvel ou caminhão dispuser de um dispositivo automático (Telepass, etc.), você só precisará prestar atenção ao entrar e sair da “Autostrada”, pois a velocidade máxima é de 30 km/h, mas o pagamento ocorrerá automaticamente, sem que precise parar, apenas passando lentamente pela passagem destinada ao Telepass. Caso não possua de um Telepass ou outro sistema, você deverá retirar um ticket à entrada da estrada e usá-lo para o pagamento, na saída. Conserve-o.

Se o veículo não possui um dos sistemas automatizados aceitos pelas estradas italianas – que lhe permitem passar pelo pedágio sem parar, com a respectiva cobrança debitada no cartão de crédito –, você terá três opções para pagar: usar um cartão de crédito ou de débito nos caixas automáticos habilitados, no próprio pedágio; pagar em dinheiro (euro, no caso) no caixa com atendente, que nem sempre está disponível; pagar com dinheiro no caixa self-service. Se pagar com cartão de crédito ou de débito, basta introduzir o ticket e, em seguida, o cartão e retirá-lo. No caixa com atendente, após entregar o ticket, aparecerá o valor do pedágio em um display. No caixa self service o ticket deve ser inserido para leitura e cálculo do valor a ser pago, em seguida aparecerá o valor a ser pago em um display e você deve introduzir o dinheiro, em nota ou moedas (sempre em euro), recolher o troco, solicitar o recibo – facultativo – e seguir em frente. É mais fácil fazer que explicar, basta ver o vídeo uma vez.

Boa viagem!

:)



Sunday, June 12, 2016

A Europa não é a Europa


Uma nova insatisfação vem ocupando as mídias sociais e alguns blogues nesses dias. São pessoas que desejam vir morar na Europa e pedem dicas e sugestões para quem já está aqui. Em troca, recebem conselhos negativos sobre a vida de expatriado.

Você está pensando em vir morar fora? Venha. Não importa se vai quebrar a cara e voltar ou se dar bem e começar uma nova vida: se não vier, não vai saber nunca. Informe-se sobre a burocracia para evitar ser barrado na alfândega, aprenda pelo menos o básico da língua local com antecedência, anote os conselhos bons e ruins e tenha a certeza de que a experiência dos outros conta pouco, o importante é viver você mesmo.

Notei que quem já mora fora, tem o hábito de achar que todo brasileiro é ingênuo e “não sabe o que está deixando pra trás”. Sim, a imagem que fazemos de um lugar que não conhecemos é diferente da realidade, mas é o tipo de coisa que só muda com a experiência. É óbvio que ninguém acredita que todos os europeus são cultos, educados, corteses e honestos. Diz um ditado italiano: “a mãe dos imbecis está sempre grávida”, ou seja, você vai encontrar gente estúpida, ignorante, mal educada, arrogante em qualquer lugar do mundo. Assim como pessoas cordiais, inteligentes, gentis...

Em algumas situações iremos nos surpreender. Como caminhar pela suja Paris, ou lembrar para sempre do mau cheiro do metrô local, proveniente de alguns parisienses. Noutras vezes ficamos indignados, como quando algum criminoso VIP italiano consegue obter prisão domiciliar por ser considerado “incompatível com a vida da prisão”(!!!), ou a curiosidade mórbida que faz o italiano médio acompanhar os crimes de sangue por anos a fio. Temos, antes de tudo, que aprender a nos adaptarmos: Em Londres a maioria dos banheiros (a esmagadora maioria) e pias de cozinha tem duas torneiras separadas, uma de água quente e outra de água fria. Lavar a louça ou as mãos com água fervendo ou gelada. Escolha.A Suíça seria neutra e um lugar muito civilizado? Muitos europeus veem os suíços como os caipiras da Europa. Além disso, é preciso recordar que o país aceitou depositar nos próprios bancos o ouro roubado dos judeus na Segunda Guerra, numa lavagem de dinheiro consciente e lucrativa. E isso tem nome: crime de guerra. Claro que existe o lado bom, mas pouca gente espera encontrar cenas de terceiro mundo na Europa.

Enfim, um mundo de gente e hábitos diferentes. Mas é isso que você quer, não? Outra coisa: saiba que, assim como a sua visão sobre a Europa não corresponde à realidade, a deles sobre nós, também não. Para a maioria o Brasil é um país em algum lugar do litoral sul americano, onde todos somos mulatos e andamos semi nús, sempre disponíveis ao sexo e ao futebol. Samba de manhã à noite, sorrisos abertos e nenhum motivo para o mau humor. Mas não maltrate seu fígado ficando com raiva; aproveite para viver a sua nova aventura e não perca tempo tentando mudar o que não depende de você.

No final da viagem a bagagem vai estar cheia de experiências novas, grandes amizades e nenhuma ingenuidade. E se você for uma pessoa aberta, terá se transformado em cidadão do mundo.


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PS - pensando em vir para a Itália e gostaria de dicas? Tem algumas no meu livro "Carta da Itália - um passeio pelo dia a dia italiano".
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Sunday, May 29, 2016

Meteopatia



Que o clima influi no humor não é novidade. Tampouco é novidade que diversos distúrbios patológicos e fisiológicos são provocados pelas mudanças climáticas. Sabe quantos italianos sofrem de meteopatia? Muitos: vinte e cinco por cento da população. Quatro ou cinco anos atrás, comecei a ter alergia de primavera (febre do feno ou rinite alérgica, chame como quiser). É a minha contribuição às estatísticas sanitárias.

Cansaço, ansiedade, apatia, nervosismo, insônia, alergias, dificuldades cognitivas, dor de cabeça, agitação, dores ósseomusculares, mau humor... É uma lista sem fim e vem aumentando. As indústrias farmacêutica e a de chás e produtos naturais agradecem com fervor. Psiquiatras, psicólogos, terapêutas, fisioterapêutas, massagistas, nutricionistas e curandeiros de vários tipos, também.

Não se trata apenas de fazer sol ou chuva, mas de mudança de temperatura, pressão atmosférica, umidade, vento e quantidade de luz por dia. Fatores que provocam consequências que vão além da vontade de fazer um pic-nic ou de ficar embaixo das cobertas. Sim, muita gente usa o clima como desculpa do próprio mau humor, mas nunca dá para saber com certeza quem mente e quem sofre de verdade. Resta sempre o benefício da dúvida.

Curioso é que tem quem deixa para fazer as coisas “quando chegar o belo tempo” A procrastinação por motivos meteorológicos é uma constante por aqui. A economia sofre em dias de chuva e frio durante a primavera. Consertar o carro, visitar a tia doente, sair para aquele programinha que necessita de estacionamento fácil, comprar produtos de limpeza (e limpar a casa), tudo vai ficando para depois, para quando estiver fazendo sol.

Num documentário recente, descobri que a Planície Padana – onde vivemos! – foi eleita pela equipe inglesa que produziu o documentário, como uma das cinco regiões com o pior clima do mundo, perdendo apenas para algumas localidades orientais com um nível alto de poluição e mudanças drásticas do clima. Estaria aí a explicação para a ranzinzice atávica local? Não sei. Hoje está chovendo e estou sem vontade de descobrir. Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe. Aliás, estou num mau humor brabo. Tchau!

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Thursday, May 12, 2016

Saindo do forno

Em 2013 publiquei o livro “Carta da Itália”, onde reuni diversos aspectos do dia a dia na Itália. Um guia que me teria sido útil quando cheguei por aqui.

Este ano decidi publicar um livrinho que tinha escrito para minhas filhas há vinte anos. É um livro de estorinhas divertidas que contava para elas antes de dormir, que tinha ficado inacabado; algumas estórias não tinham sido concluídas e resolvi terminá-las, ainda que as meninas não estejam mais aqui para ouvi-las.

Nas páginas do site do Clube de Autores (a editora) é possível ler as primeiras páginas dos livros. Dê uma lida e, se tiver interesse, compre por lá mesmo.




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Thursday, April 28, 2016

A lenda de San Colombano







Colombano, o monge irlandês que entre tantas outras igrejas e monastérios, construiu também a abadia e o monastério de Bobbio, na província de Piacenza (abadia em torno da qual se desenvolveu a cidade) era cercado por lendas e mistérios, apesar do seu rigor monástico.

As lendas que resistem até hoje:

Um dia o diabo, talvez para chamar a atenção, colocou em mostra na vizinhança de Bobbio, uma belíssima grade de ferro. Muitos ferreiros correram para ver e tentaram produzir uma grade igual, mas o segredo na confecção dos nós e a fineza do trabalho era impossível de imitar. O diabo sorria. Colombano, então, idealizou a construção de uma ponte sobre o rio Trebbia, em cujas margens se encontra a cidade. Infelizmente o monge não conseguiu coletar todo o dinheiro que necessitava para construir a ponte – que por si era considerada uma coisa do diabo, pois ousava unir duas partes divididas por Deus e pela natureza. Naquele momento o diabo se apresentou: “se você me prometer deixar a primeira alma que passar sobre a ponte, eu te ajudo a construi-la”. Ao que o monge retrucou: “o primeiro ser que passará sobre a ponte será teu.” Assim o demônio, acreditando ter derrotado o seu adversário, meteu a mão na massa e construiu a ponte.


Uma vez concluída, Colombano jogou sobre a ponte um pedaço de pão e deixou que um cão que ele trouxera corresse para abocanhar o pão. Com amargura e desilusão, o diabo rangeu os dentes e procurou com os olhos em chamas o autor do odioso engano. Viu o monge, seguiu-o e insultou-o. E o santo, paciente, prosseguiu o seu caminho como se nada tivesse acontecido. O que só piorou a raiva do outro que aumentou os insultos e injúrias.

Quando chegaram em um caminho que conduz ao Monte Penice, encontraram uma mulher que carregava um pouco de arroz no avental. Sem dizer nada, Colombano pegou um punhado e jogou contra o seu perseguidor. “Oh! milagre!” os grãos de arroz invés de o atingirem, se transformaram em pedras pretas e, maravilha! As pedras formaram grutas assustadoras e cresceram quase a precipitarem. Essas rochas pretas existem ainda e se chamam “pedras do diabo”.

 


Algum tempo depois, entre os bobbienses espalhou-se de boca em boca essa outra grande novidade: “O santo fabricou um moinho branco, transparente, um belíssimo moinho branco que parece de gelo.” O demônio se uniu aos curiosos e foi vê-lo. Ficou admirado e propôs ao proprietário: “Façamos uma troca, você me dá o moinho e eu lhe dou a grade que nenhum ferreiro jamais conseguirá imitar.” Colombano, que desejava a grade há tempos, concordou e o contrato se concluiu.


Por que sim ou por que não, o certo é que um vento quente começou a soprar e o moinho, que era realmente de gelo, quebrou e derreteu entre o estupor geral. O diabo, ofendido, riu sarcasticamente ao monge: “Eu te darei a minha grade do mesmo jeito, se você conseguir transportá-la somente com a ajuda do teu asno.” Aquela obra-prima era muito pesada e constituída de uma única peça, mas o santo a dobrou miraculosamente em quatro partes e, sem a menor fadiga, a carregou sobre a garupa do seu paciente burrico.


No meio do caminho Colombano encontrou um velho camponês que semeava ervilhas. Olhou-o com benevolência, fechou-lhe os olhos em um sono profundo, fez brotar e amadurecer as ervilhas e prosseguiu tranquilamente o seu caminho. O demônio, ao contrário, seguia com crescente irritação os rastros que o asno tinha deixado sobre o terreno, mas seguia uma pista falsa, pois o santo, para fazer perder as suas pegadas, havia virado ao contrário as ferraduras do asno. A um certo ponto, contudo, o diabo percebeu o engano e retornou sobre seus passos, cego de ira e correndo. Encontrou o velho camponês e perguntou: “Você viu um homem com um burrico carregando uma grade?” Ao que o camponês respondeu: “Sim, eu os vi enquanto semeava estas ervilhas.” E com prazer lhe indicava que a ervilha era já madura. O diabo, então, para poder correr mais veloz, jogou com raiva no lugar do milagre as enormes pedras pretas que carregava para atirar contra Colombano e correu, correu, esperando poder alcançá-lo para arrancar com a força a sua grade. O diabo nada conseguiu pois a legendária grade já tinha sido religiosamente escondida no subterrâneo do convento, onde, muito admirada, se encontra até hoje. Se diz que, por cerca de um século, a grade servia de custódia ao precioso espólio de San Colombano.



 O diabo não venceu uma. A grade existe ainda e a ponte é uma das atrações da região. Estudiosos de arte a identificaram como sendo uma das imagens de fundo da obra prima de um certo pintor, um quadro chamado Monalisa.