Saturday, May 17, 2008

Para Reflexão





























O excesso de blogagens coletivas está provocando a banalização de temas importantes. Acabou-se por perder o impacto de muitos blogs escrevendo sobre o mesmo assunto no mesmo momento. E, como escrevi acima, são temas importantes. A impressão que fica é que nada acontece depois. O que as pessoas fazem com as informações? Qual é a finalidade de uma blogagem coletiva? Além da satisfação pessoal de ter participado de algo importante (ou que parecia ser importante) que resultados práticos produzem? Afinal, o que muda após uma blogagem coletiva?

Este blog fala de coisas amenas, quase zen, sobre o cotidiano de um expatriado vivendo na Itália, com observações muito pessoais. Honestamente não gosto de memes, correntes ou blogagens coletivas. Apesar disso tenho participado de algumas, desviando o foco do objetivo deste blog. Isso porque acredito na conscientização como instrumento de mudanças e é esse o resultado que espero quando participo de alguma blogagem coletiva: conscientizar para mudar. Talvez seja apenas um devaneio, mas quem lê este blog está habituado a esse meu jeito sonhador.

A causa ecológica é de fundamental importância porque nos atinge diretamente. Mesmo aos incrédulos, posso afirmar que ainda fazemos parte da natureza. Vem aí uma nova blogagem coletiva: 5 de junho é o Dia Mundial do Meio Ambiente. Para evitar que a data não receba a importância devida, o Faça a Sua Parte decidiu promover uma série de debates. São temas ligados ao meio ambiente e que poderão nortear os leitores que quiserem participar da blogagem coletiva. Ou, pelo menos, servirá para estimular uma visão mais ampla sobre o argumento.


MAIO

22 e 23: Biodiversidade: sem flora e sem fauna?
24 e 25: Cerrados: bioma ou necroma?
26 e 27: Florestas, até quando haverá uma?
28 e 29: Educação Ambiental: a quem educar?
30 e 31: Aquecimento Global: mito ou realidade?

JUNHO

01 e 02: De quem é a culpa: do Legislativo, do Executivo, ou nossa?
03 e 04: Meio Ambiente Humano: somos parte da natureza?
05 e 06: Blogagem coletiva sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente
07 e 08: Mar: Origem da vida?
09 a 12: Tecnologia e Meio Ambiente: há futuro na ciência?
13 e 14: Consumo sustentável: o que e como fazer?


Reflita. Dê a sua opinião. Participe.
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Tuesday, May 13, 2008

ZTL - II













A preocupação com a qualidade de vida dos moradores dos centros urbanos vem aumentando. As chamadas Zona a Traffico Limitato (ZTL) começam a fazer parte do cotidiano de muitas cidades, obrigando moradores e visitantes a uma rotina que nem sempre agrada, mas que tem se tornado essencial.

A ZTL compreende uma parte do centro da cidade, normalmente um cinturão que envolve o centro histórico. Dentro dessas zonas o trânsito é permitido aos moradores, aos meios de transporte público, a quem trabalha na zona e aos veículos de entrega previamente autorizados. Livres de circular, as bicicletas, mas em algumas ruas mais movimentadas nem mesmo elas e, em dias de feira, a bicicleta deve ser conduzida à mão, sob risco de multa.

Moradores das outras áreas da cidade e visitantes, devem estacionar os carros nas imediações e ir a ou de ônibus. O resultado é que os comerciantes acabam perdendo clientela, os restaurantes melhores fecham e as ruas que delimitam a ZTL acabando absorvendo todo o tráfego de quem não pode entrar, concentrando a poluiçãoinclusive sonorapara o desespero dos moradores das ruas outrora pacatas.

O risco de transformar o centro histórico em cidade fantasma cresce à medida que visitantes e moradores de outros bairros encontram dificuldades para atingir a zona central da cidade e muitos comerciantes estão preferindo transferir-se para os bairros e periferia, pulverizando o comércio onde existe concorrência, além de perder a vantagem do shopping concentrado. Os cinemas também começam a fechar, principalmente depois que o advento das multisalas começou a invadir a periferia. Pequenos centros comerciais vão mudando a geografia dos bairros, sem, contudo, conseguir os mesmos resultados econômicos dos centros históricos. Lojas que abrem e fecham depois de um ano não são novidade por aqui.

A necessidade de se preservar os centros históricos e melhorar a qualidade de vida dos residentes, acaba encontrando soluções que geram outros problemas que as prefeituras vêm tentando resolver, buscando harmonizar todos os interesses. Mas alguns anciãos não encontram os comerciantes de confiança de um tempo. Os centros históricos acolhem a maioria dos anciãos da cidade, os mais antigos moradores das cidades, quando ainda não existiam os bairros e periferias. E a locomoção dos mais idosos para fora da zona central nem sempre agrada.

A ZTL é o choque entre o futuro e a história; entre o progresso e as tradições locais. Qual a saída?

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Tuesday, May 06, 2008

Zona a Traffico Limitato (ZTL) - I


















Em algumas ruas do centro, onde o trânsito de pedestres é mais intenso, é proibido circular em bicicleta.

Wednesday, April 30, 2008

Absurdo!

O vice-ministro da Economia Vincenzo Visco ordenou a Agenzie Delle Entrate (o Fisco italiano) a tornar públicas as declarações de renda (IRPF) de todos os italianos, com base nas declarações de 2006. Segundo o vice-ministro, a decisão está fundamentada numa lei de 1973.

A autoridade que tutela a privacidade do cidadão italiano (Il Garante dela Privacy) mandou bloquear o site, após algumas horas em que era possível consultar a renda do vizinho, dos políticos, ou de qualquer outro cidadão italiano.

A notícia tinha sido antecipada pelo jornal Italia Oggi, que ensinava os cinco passos para consultar os dados no site do Fisco.

Que exista tal lei há 35 anos já é algo que assusta; tornar os dados acessíveis com apenas cinco cliks do mouse, no conforto de casa, anonimamente, é algo que deve ter deixado muito mafioso feliz da vida. “Você ganhou 1.000 e só me pagou 10. Quero os outros 490.” Isso sem falar nos outros problemas que cada um dos leitores deve estar imaginando.

No final da manhã Visco já havia decidido suspender tais informações, mas não sem antes declarar que estava tudo pronto para ir ao ar em janeiro e que só esperou as eleições passarem para cumprir uma ação que ele julga democrática. Não sei se vai rolar briga de cachorro grande ou se vai acabar tudo em pizza.

Só espero que o presidente Lula não tenha o hábito de ler este blog.
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Saturday, April 26, 2008

Chuvinha

Eu moro em Piacenza e Piacenza fica na Planície Padana (Pianura Padana). A característica da Planície Padana é ser do contra. Não me refiro à atitude das pessoas, mas ao clima. No verão, os ventos que sopram por toda a Itália não refresca a região, que, úmida, torna a vida um inferno. No inverno, a neve que alegra turistas e paralisa tudo, deixa um círculo limpo e úmido em torno à cidade. Primavera? Onde? A temperatura fica oscilando entre os 28 ºC e 2 ºC, matando as flores e os pernilongos que se aventuram nesse período.

alguns dias uma chuvinha chata tem frustrado os planos dos primeiros pic-nics da temporada e vem azedando o humor piacentino. Chuva mesmo, com relâmpagos e trovoadas, aquela que vira um toró de alagar as ruas e deixar em pânico a Defesa Civil, vi uma três ou quatro em quase nove anos. O normal por aqui é aquela chuvinha que não pára por dias, ou fica se alternando com momentos de sol opaco. Como em todo fim de verão, no início de setembro haverá uma chuva de granizo tão intensa, que as estradas ficarão paralizadas por algumas horas.

Piacenza fica apenas a 68 metros acima do nível do mar. Anos atrás um político sugeriu que se abatessem algumas montanhas, para fazer com que o vento do mar escoasse pela Planície Padana. Foi a carreira política mais breve da região. Mas eu entendo, a Planície Padana é circundada por montanhas. Partindo do nordeste, percorrendo todo o norte da planície até o sudoeste, estão os Alpes; onde estes terminam começam os Apeninos, que ocupam todo o sul até quase todo o leste, deixando apenas uma única saída em direção ao mar Adriático, no extremo leste da planície. Olhando do alto (ou do Google Maps) as montanhas formam um “U” em volta de Piacenza e região.

Os camelôs africanos, que durante o ano vendem bolsas e cintos de grife falsificados, sempre de olho na chegada da polícia, enchem os bolsos no período das chuvas vendendo guarda-chuvas e sombrinhas a preços irrisórios. A vida útil do material também é irrisória. No período de chuvas seguinte, estarão eles vendendo a mesma mercadoria aos mesmos passantes. Apesar de comprarmos sombrinhas e guarda-chuvas em quantidade superior às nossas necessidades, quando chove descubro não haver nenhum guarda-chuva disponível e saio desprovido até o primeiro camelô. Tendo absorvido a ironia dos italianos, o camelô tem sempre uma piadinha pronta sobre a minha banhada condição.

Mais alguns dias e o clima muda, trazendo temperaturas saarianas e provocando um arrependimento pelas imprecações primaveris. O verde cobrirá as árvores hoje tímidas; as sorveterias oferecerão uma infinidade de sabores; um colorido de flores e pássaros irá invadir os dias ensolarados; o perfume e a algazarra da primavera finalmente transformará o clima em festa e os pernilongos poderão invadir tudo calmamente. Calmamente os policiais caminharão, para que o camelô tenha tempo de recolher a mercadoria.

Quando esse período chegar, vou fazer uma oferta pelo estoque encalhado de guarda-chuvas de algum camelô. E esperar que na próxima temporada de chuvas eu possa, finalmente, caminhar pela chuva sem encharcar-me. Com um guarda-chuva todo meu.

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Monday, April 21, 2008

Dia da Terra













Blogagem Coletiva


A Terra foi fundada muitos anos atrás, mas naquela época se chamava Água. Depois, alguns peixes dissidentes resolveram criar pernas, caminhar pela terra e ganhar o pequeno mundo feito de terra mais ou menos firme. Como castigo, perderam a capacidade de respirar na água, pois os peixes previam que algo de ruim estava para acontecer. Os rebeldes rebatizaram o planeta com o nome de Terra, numa demonstração de que uma minoria arrogante poderia decidir os destinos do planeta. Por fim, aprenderam a dominar o fogo, inventaram a roda, o telefone celular, a esbórnia aos sábados e o churrasco na ressaca dos domingos.

No início os aerantas se alimentavam de bananas. [Aeranta é o nome de uma orquídea, que, como se sabe, é uma bonita epífita que necessita de pouco mais que água e ar e é, também, como os peixes chamam esses bizarros seres auto-destrutivos.] Com o tempo, desenvolveram a capacidade de comer qualquer coisa e produzir toneladas de resíduos que levam séculos para se decompor. Como a disponibilidade de comida se alastrou através das redes de supermercados e dos mac donald’s da vida, a alimentação deixou de ser um problema e, como acontece com as demais espécies em fases de abundância alimentar, perdeu o poder sobre o controle da natalidade. A procriação em grande escala provocou a explosão demográfica dos aerantas, que se viram obrigados a destruir florestas para construir cidades e plantar soja. De quebra, exterminaram diversas espécies e vão continuar exterminando enquanto houver outras espécies.

O futuro dos aerantas é se tornarem bárbaros. Bárbaros inteligentes que dominarão bárbaros menos inteligentes, mas sempre bárbaros. Analisando a evolução das espécies, os peixes acreditam que os futuros aerantas mudarão de forma, com cabeças minúsculas dotadas de grandes bocas. O resto do corpo deverá ser composto de uma enorme barriga com órgãos genitais gigantescos. As pernas provavelmente serão substituídas por algum aparato locomotor movido pelos próprios gases produzidos. Os aerantas aprenderão a flutuar, utilizando os mesmos gases produzidos nas imensas barrigas que lhes servirão de combustíveis. Tocar a terra será impossível e perigoso. Uma massa homogênea e esburacada de resíduos tóxicos fundidos e ferozes ratos <