Saturday, January 30, 2016

O tempo



Ah, o tempo.

Tudo o que fazemos é no presente, o único tempo que nos é permitido. Somente agora podemos mudar tudo, projetar o futuro, reviver o passado e reaflorar sentimentos. Velhos e crianças ao mesmo tempo. Difícil separar os tempos do tempo, quando as emoções ressurgem atuais nas lembranças. Mas, se os sentimentos têm a mesma intensidade, é correto achar que o passado passou?

Vivemos como podemos, quase nunca como planejamos. Agora é o tempo de viver, de se arrepender, de se orgulhar, de sorrir, chorar, esquecer, amar, perdoar, acertar, errar e se apaixonar. De novo e de novo e de novo. Antes que o presente vire passado.

Mais que a paz, todos buscamos a felicidade.

Acabamos de entrar no 30º ano.

Grazie!

Thursday, December 24, 2015

Natal 2015







Boas Festas!
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Wednesday, December 09, 2015

Presente de Natal

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Na dúvida sobre o que dar de presente neste Natal?

Que tal um livro? E que tal um que fale sobre a vida na Itália? Pois então fica a minha sugestão: o meu livro "Carta da Itália - um passeio pelo dia a dia italiano".

Compre antes que o Natal acabe.

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Grazie e boa leitura!

:D

Friday, December 04, 2015

Lição de italiano - Boh


Boh não é apenas uma interjeição da língua italiana para exprimir desconhecimento, dúvida, indiferença ou reticência (pode ser traduzida como “sei lá!” e a pronúncia é bô), geralmente usada nas respostas. É uma parte importante da personalidade cultural italiana, como sempre, seguida de uma linguagem corporal apropriada.

Boh, non ne so niente io...! [Sei lá, não sei de nada, eu…!] Seguida de uma expressão de perplexidade.

É a palavra mais divertida da língua italiana, muito usada – também – para concluir um argumento que não merece ser prolongado, seja pelos riscos do assunto, seja pela chatice do interlocutor. Pela sua flexibilidade, adaptabilidade, ironia e resolubilidade, deveria ser incorporada a outros idiomas.

“Boh, frase cheia de significado, com um significado incrível, cheio de inteligência e que convive com modernidade e tradição, sem falar do uso no plano prático e teórico.”
Pier Paolo Pasolini

Pode, ainda, exprimir desprezo, reprovação, incerteza ou incredulidade:
Boh, não sei mesmo!
Boh, se ele disse, pode até ser verdade!

Se tivesse crescido e estudado na Itália, boh seria a minha expressão ao final de cada aula de matemática. Boh é a risposta ultima às perguntas fundamentais sobre a vida, o universo e todas as coisas. Prova disso é que em hexadecimal “42” é o código ASCII da letra “B”.

Algum famoso teria dito:
Boh é uma resposta que me deixa satirfeito. Resolveu muitas dúvidas da minha existência.”

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Sunday, August 09, 2015

Tomate datterino




Acho incrível a quantidade de variedades de tomates existentes. Certamente muitos foram desenvolvidos para atender a exigência por novidades do mercado consumidor (nós). Sim, porque não queremos apenas comida, queremos esclusividade, ser o primeiro ou primeira a comentar/falar/escrever/mostrar/postar e parecer superior. Como se isso mudasse algo nesse planeta, que não passa de um microscópico gão de areia no Universo.

Acontece que o universo acaba sempre no meu prato. Ou começa; ainda não entendi bem essa equação de causa e efeito.

O tomate datterino não deve ser confundido com o perino, que se assemelham no tamanho diminuto e na forma ovalada: o perino tem forma de pêra e é mais ácido que o datterino. Este último é muito apreciado no Norte da Europa por ser adocicado e só agora faz sucesso na terra da pizza. Pode ser facilmente encontrado nos supermercados, o que tem estragado a festa do poucos e resistentes quitandeiros, que o vendiam antes como raridade e preço muito mais alto.

Se for comprar uma confecção para provar, compre duas: uma pra fazer a salada e outra para devorar enquanto faz a salada. Minha sugestão: tomatinho datterino, rúcula, Mozzarella di Bufala Campana DOP e pão. Sem tempêro, sem nada.

:)

Sunday, July 26, 2015

Receita de Tiramisù



Todas as tardes de sábado ele caminhava até o café da praça e fazia a pausa mais longa da semana. Passava horas lendo e bebericando vinho branco, sempre na mesma mesa ao ar livre, com vista para as estátuas da Piazza Cavalli, em Piacenza. No final, pedia um café e um pouco de tiramisù. Era nesse momento que algum conhecido podia se aproximar e trocar uma prosa.

Você vai precisar de:
6 ovos
150 g de açúcar de confeiteiro (glaçucar) com baunilha – açúcar vanille
250 g de mascarpone
Biscoitos savoiardi
Café pronto
1 copo pequeno de vinho Marsala
Cacau em pó
1 pitada de sal



Trabalhava em algum banco, se sabia. Era sempre em trajes formais muito bem passados. Só os sapatos pareciam sofrer com aquele corpo alto e sedentário. Era casado, se presumia, sempre com a aliança enorme, como enorme eram as suas mãos. Transmitia a nítida impressão de só se sentir à vontade no escritório que deveria ocupar. Uma pasta de trabalho era a companheira fiel do todos os dias. Absolutamente todos.

Bata as gemas com o açúcar até formar um creme denso e quase branco (se for difícil achar o açúcar vanille, compre um pacote de glaçucar, duas ou três vagens de baunilha e coloque em um vidro com tampa. Depois de quinze dias, basta peneirar). Adicione o mascarpone e o copinho (uns 50 ml) de Marsala e bata até que o creme fique homogêneo e aveludado.



Durante a semana caminhava passos apressados; devia morar ali pelo centro. Ia e voltava a pé para o trabalho. Parava rapidamente no bar da praça para o café depois do almoço; trocava duas ou três palavras gentis com as senhoras do bar e partia veloz. No final da tarde, chegava no bar como se tivesse hora marcada e medo de se atrasar. Tomava um cálice de vinho branco em pé, no balcão e desaparecia pelas ruas do centro com sua pasta na mão.

Prepare o café e ponha em uma bacia funda. Bata as claras com uma pitada de sal, formando uma neve consistente. Junte as claras em neve com o creme batido anteriormente e misture bem – sem bater.

O café nas manhãs de domingo também era tomado no balcão, em pé. E sumia até segunda-feira. Vez ou outra era visto em algum ponto de ônibus, sóbrio e compenetrado. Um sorriso raro mas afável, óculos e cordialidade. A sua voz pouco se ouvia, um ar distante e destacado ajudavam a manter distâncias.

Em uma forma ou pirex, cubra o fundo com uma camada do creme. Passe rapidamente cada biscoito no café e coloque lado a lado na forma (atenção: os savoiardi se desmancham facilmente quando molhados, devem ser colocados imediatamente na forma, um por um). Despeje metade do creme batido, faça outra camada de biscoitos molhados no café e cubra tudo com a outra metade do creme. 



“Cadê o Senhor do Banco?”, pareciam se perguntar os frequentadores do bar e do centro da cidade. Ninguém sabia o que teria acontecido, ou porquê sumira há dias. A primeira vez em... Quantos anos? Ninguém conhecia sequer o nome dele, reservado que era. O “Senhor do Banco”. Ilações e conjecturas não foram formuladas, que um senhor assim respeitável não suscitava suspeitas. Quando reapareceu tinha a pele ligeiramente bronzeada. Ligeiramente. As estátuas da Piazza Cavalli foram as únicas a restarem impassíveis. A rotina voltava ao normal e a cidade pareceu suspirar aliviada.

Cubra a torta com uma mais que generosa camada de cacau peneirado e leve à geladeira por seis horas. O ideal é fazer à noite para o dia seguinte.



Curiosidades: O Tiramisù ("levanta-me o moral", em tradução livre - quem nunca tomou gemada?) é um doce recente, presumivelmente do fim dos anos sessenta. A sua origem também não é certa, sendo reivindicada por mais de uma região italiana (Lombardia, Vêneto, Toscana...). Assim sendo, não existe uma receita “original”, mas todas se parecem. O Marsala é um vinho licoroso da Sicília, mais precisamente da zona de Trapani (Marsala é uma cidade da província de Trapani). O Mascarpone é um queijo da região Lombardia, com origem em algum ponto entre Milão e Pavia, onde existia a “cascina Mascherpo” [“cascina” é o aglomerado rural que compreende a casa, estábulo, paiol e queijaria; Mascherpo é um sobrenome comum naquela zona].