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Thursday, April 11, 2019

Estação Central de Bolonha




Trem que parte, trem que chega. Gente que vai e vem, que volta e que não volta. As pessoas, os trens, sempre em movimento. A estação, não. A estação permanece ali, sempre imóvel. Abriga viajantes, indica caminhos e destinos. A estação não atrasa nunca, ao contrário de trem e gente.

A estação de Central Bolonha é sempre frenética, Bolonha é cidade grande. Foi em 1859 que os bolonheses passaram a contar com a possibilidade de visitar Piacenza, incialmente, e o resto da Itália, depois. Aliás, na época eram necessárias seis horas para percorrer os 147 quilômetros da linha de ferro entre as duas cidades. Quantos gatos pingados teriam comprado o bilhete naquela época? Hoje são mais de cinquenta e oito milhões de viajantes por ano que entram e saem de lá. E a estação, que acabou sendo engolido pela cidade que cresceu em torno dela, abandonou a periferia para ser inserida no que se tornou o centro da cidade.

Ampliações e reformas adequaram a estação às diversas novas realidades. Duas foram as mais importantes: a reconstrução pós-guerra e aquela que se seguiu depois do atentado do dia 2 de agosto de 1980. Uma mala explodiu na sala de espera da segunda classe, provocando 85 vítimas fatais e mais de 200 feridos. Um grupo de pessoas que aguardava o ônibus do lado de fora, próximo aos táxis, foi levada pela condução que chegou pontual, pouco depois da tragédia. O ônibus 37 acabou transformando-se num imenso carro fúnebre e tornou-se um dos símbolos do ataque. O outro, mais famoso, é o relógio, que marca a hora exata da explosão: 10:25h.

Apesar das condenações, anos mais tarde, ninguém assumiu ou confessou qualquer participação no atentado. Os mais jovens, pouco ou nada sabem. Os mais velhos, preferem esquecer. Só não conseguem porque o relógio está lá. Só não conseguem porque a memória resiste.

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Friday, September 28, 2018

Prepare o seu voto - eleições 2018

Este ano o que sobra é candidato para presidente da república, escolha o seu, escolha o certo. Mas não podemos esquecer que devemos eleger bons senadores e bons deputados, assim como governador e deputados estaduais.

Como a eleição para os cargos executivos – presidente e governador – pode ocorrer em dois turnos, caso nenhum dos candidatos obtenha mais de 50% dos votos válidos, é muito importante deixar essa história do “voto útil” de lado, pelo menos no primeiro turno. Se todo mundo votar no candidato que acredita ser o melhor, a eleição fica mais equilibrada e o seu candidato se fortalece, mesmo que não vença a eleição. O vencedor vai ter que considerar quantos eleitores escolheram as propostas do outro, e o governador e o presidente, serão governador e presidente de todos, e não somente dos eleitores que os votaram. Repito: é muito importante votar no candidato que você acha o melhor. O melhor que irá governar por quatro anos, mesmo que tome medidas desagradáveis.

E aqui a solução é informar-se. Não se deixe levar pelas pesquisas, não vote em um candidato apenas por que as pesquisas apontam que será o vencedor. Busque todas as informações disponíveis e pense bem no que você espera do seu governador e do presidente. Não tem que ser simpático/simpática, bonito/bonita, jovem ou o que fala melhor. Informe-se sobre quais são as suas propostas.

Aproveite para informar-se sobre o passado dos seus candidatos, o que fizeram, quem ele defende e qual as melhorias propostas. Claro que isso vale também – e principalmente – para os candidatos a deputados estaduais, deputados federais e senadores. Se você é empresário/empresária, veja se o seu candidato apoia o seu setor. Se, ao contrário, você é empregado/empregada, veja quem votou em leis que prejudicam a classe trabalhadora. Depois, pergunte-se se era isso que você queria, se está satisfeito/satisfeita com o trabalho do seu candidato e se quer que ele/ela seja o seu representante, o/a representante do que você deseja. Se puder, evite votar em quem vive de política. Político não é profissão e quem aparece de quatro em quatro anos distribuindo sorrisos e abraços, ou (pior!) dando alguma coisa em torca do seu voto, vai esquecer de você pelos próximos quatro anos. Do mesmo modo, não reeleja político que nunca apresentou projeto, que dorme no plenário e está lá apenas para fazer número, ganhar sem fazer nada e dar emprego a parentes e amigos. Se ficar na dúvida, escolha outro candidato. E depois tenha orgulho de dizer que votou com consciência. A sua consciência.

Se você não fez o cadastro biométrico, é mais provável que o seu título tenha sido cancelado e que você vá ficar de fora das eleições. Se você mora no exterior, lembre-se de que só pode votar para presidente da república e que o cadastro biométrico não vale para expatriados. Em ambos os casos – quem vota no Brasil e não fez o cadastro biométrico e para quem vota no exterior – é aconselhável consultar o site do TSE para confirmar se está apto a votar e a seção de votação. E não se esqueça de justificar o voto, no caso de se encontrar fora do domicílio eleitoral.

A probabilidade de haver segundo turno é muito grande. Portanto, escolha o candidato/a candidata do coração e deixe o voto útil para o segundo turno.

Calendário eleitoral:
7 de outubro – 1º turno
28 de outubro – 2º turno

O TSE lembra:
1.     a) Facultado ao eleitor que estiver ausente de seu domicílio eleitoral — inclusive o transferido temporariamente para votar em trânsito — justificar sua ausência na votação nas mesas receptoras de votos ou nas de justificativas, instaladas para esse fim, no mesmo horário reservado para a votação.
2.     b) Vedado ao eleitor portar aparelho de telefonia celular, máquina fotográfica, filmadora, equipamento de radiocomunicação ou qualquer instrumento que possa comprometer o sigilo do voto, devendo a mesa receptora, em caso de porte, reter esses objetos enquanto o eleitor estiver votando (Lei nº9.504/1997, art. 91-A, parágrafo único).
3.     c) Permitida a manifestação individual e silenciosa da preferência do eleitor por partido político, coligação ou candidato (Lei nº9.504/1997, art. 39-A, caput).
4.     d) Vedada, até o término da votação, a aglomeração de pessoas portando vestuário padronizado, bem como bandeiras, broches, dísticos e adesivos que caracterizem manifestação coletiva, com ou sem utilização de veículos (Lei nº9.504/1997, art. 39-A, § 1º).
5.     e) Vedado aos servidores da Justiça Eleitoral, aos mesários e aos escrutinadores, no recinto das seções eleitorais e juntas apuradoras, o uso de vestuário ou objeto que contenha qualquer propaganda de partido político, de coligação ou de candidato (Lei nº9.504/1997, art. 39-A, § 2º).
6.     f) Vedado aos fiscais partidários, nos trabalhos de votação, o uso de vestuário padronizado, sendo-lhes permitido tão só o uso de crachás com o nome e a sigla do partido político ou coligação (Lei nº9.504/1997, art. 39-A, § 3º).

Boa eleição a todos!

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Saturday, June 02, 2018

Feriado italiano - 2 de Junho Festa della Repubblica



Festa della Repubblica.
Nos dias  2 e 3 de junho de 1946 os italanos participaram do referendo que escolhia entre a manutenção da monarquia e a implantação da república. Venceu a república, com 12.717.923 votos a favor contra os 10.919.284 obtidos pela monarquia, que sustentava o sistema ditatorial vigente. No dia 10 de junho do mesmo ano, a corte suprema italiana declarou o nascimento da República Italiana.

 
Cédula eleitoral do referendo

Umberto II di Savoia, então rei da Itália, para evitar uma guerra civil entre monarquistas e republicanos, aconselhado a deixar Roma “por pouco tempo”, esilou-se em Portugal. Umberto II assumiu o trono em 9 de maio de 1946, quando seu pai, Vittorio Emanuele III, abdicou. Foi o reinado mais breve da história italiana (um mês) o que lhe valeu o apelido de “Rei de Maio”. Por aqui instalou-se a Assembleia Constituinte, encarregada de redigir a nova constituição, promulgada e publicada em edição extraordinária em 27 de dezembro de 1947. Com a entrada em vigor em 1º de janeiro de 1948, a constituição proibia a entrada na Itália dos descendentes do sexo masculino de Umberto II. Tal decisão foi revista e cancelada em 2002.


 Manifestante festejando a República

Alcide De Gasperi, Primeiro Ministro desde 1945, foi declarado chefe de Estado, mandato que durou até 28 de junho, quando a Assembleia Constituinte elegeu Enrico De Nicola como Primeiro Ministro. De Gasperi foi o último Premier da monarquia e o primeiro da república.

Como em qualquer lugar no mundo, muita gente por aqui continua monarquista, mas a maioria é por acreditar ter o rei na barriga. A verdade é que o país é dividido em pequenos borgos, onde castas não se misturam e a juventude prefere viver no exterior que enfrentar os dogmas herdados da monarquia. O país sempre enfrentou – e enfrenta, ainda – problemas como racismo e xenofobia (como nós, brasileiros), mas não chega a ser um problema. Há a esperança de que um dia as novas gerações voltem a viver aqui e ensinem a tolerância e a compreender diferenças. Até lá, pode-se esconder tudo sob o tapete. Como nós…

Tem quem diga que o melhor do 2 de Junho é o fato de ser feriado. Prefiro me divertir e achar curioso como esses caras (Corpo dei Bersaglieri) conseguem correr e tocar ao mesmo tempo. E aonde vão com tanta pressa.



Tuesday, August 29, 2017

Bettola - provícia de Piacenza e berço de Colombo




A pequena cidade de Bettola, nas Colinas Piacentinas, conta com pouco mais de três mil habitantes e está a 329 metros acima do nível do mar. O clima não chega a ser como nos Alpes, mas a geografia do lugar e o rigoroso inverno obriga a comunidade a considerar Bettola como sendo uma localidade de montanha.


Na praça principal, dedicada a Colombo, encontra-se uma estátua do navegador e o motivo da homenagem é bem específico: os bettolenses consideram Colombo um cidadão da localidade. Tal fato gera não pouca polêmica com Gênova, a cidade tida como berço do descobridor. O próprio Colombo não ajudou a esclarecer suas raízes, tendo deixado poucos documentos e nenhum que indique o local de nascimento. Quando mudou-se para a Espanha, Cristoforo Colombo tornou-se espanhol para todos os efeitos, chegando mesmo a mudar o nome para Cristobal Colòn. Apesar de a sua origem mais acreditada ser a cidade lígure de Gênova, é quase certo que a família do navegador fosse realmente de Bettola, mais precisamente de Pradello, um distrito da cidade, onde existe uma torre medieval que desde sempre é chamada Torre dos Colombo, onde muitos garantem ter nascido o grande descobridor.


Polêmicas à parte, Bettola é uma cidade agradável e de boa comida. “Pisarei e fasò”, “anolini in brodo” e “salame cotto” são alguns dos pratos típicos da região, assim como o vinho Gutturnio, um tinto frisante muito apreciado por aqui. Cortada ao meio pelo riacho Nure, oferece um clima fresco durante o verão abafado da província. Típico borgo agrícola, a cidade é circundada por vinhedos, campos e árvores de castanhas, nozes e alguns raros exemplares de carvalho de cortiça.



Desenvolvido em meados do século V, Bettola era local de descanso na rota comercial entre Piacenza e Gênova. Por volta do ano 1000, o monastério piacentino de San Savino possuía diversas terras e fortalezas na zona, pela posição estratégica de conexão entre a montanha e a planície. O nome da cidade significa “osteria”, local de descanso e etapa aos que subiam ou desciam o vale do Nure. No início do século XX Bettola era um importante centro de trocas para todo o vale, com uma grande feira de animais às segundas-feiras, na praça principal (que nasceu ampla justamente para abrigar a feira).


Um hábito difuso nos restaurantes e trattorias locais é oferecer uma merenda no final da tarde, em substituição ao jantar. Nesse caso, os sabores predominantes se concentram nos produtos locais, como os queijos, a ricotta e os embutidos (salames, coppa, pancetta) acompanhados da típica “bortellina” ou “torta fritta”, um tipo de massa para pastel frita em banha de porco. Se a merenda for acompanhada por um copo de Gutturnio ou do Ortrugo produzidos na região, não há como não sentir-se bettolense.






 http://www.comune.bettola.pc.it