O Giro d’Italia é a segunda competição
ciclistica europeia em importância, atrás somente do Tour de France. São três semanas com circuitos de até trezentos
quilômetros, entre provas curtas de cronômetro e de longa distância, com
“escaladas” em cidades de montanha. O evento acontece sempre na primavera,
respeitando o calendário das provas na Europa, estabelecido em função do clima:
durante o verão a temperatura exigiria muito dos atletas nas etapas de longa
distância; no inverno, seriam as baixas temperaturas e a neve a impedir a
corrida. O vencedor da edição de 2013 foi o italiano Vincenzo Nibali.
Na
etapa do dia 23 de Maio, Nibali protagonizou uma espetacular vitória ao cruzar
a linha de chegada bem antes dos demais corredores, sob uma tempestade de neve
que obrigou os helicópteros e as motos que transmitem a corrida a permanecerem
aos pés da montanha, no estacionamento. No dia seguinte, 24 de Maio, a etapa
foi cancelada por causa do clima: muita neve, frio intenso e vento forte. No
domingo, 26 de Maio, o Sol e o clima de verão emolduraram o passeio vitorioso
de Nibali. [O
equinócio de primavera antecipou a estação em um dia, iniciando-a em 20 de
Março, mais de dois meses antes. Primavera, capisci?]
Vá
tomando aulas de esquí, compre um camelo e aprenda a andar com meio
guarda-roupa a tira-colo. E, se puder, adote um ex-meteorologista. Sim, “ex”,
pois a profissão está em extinção por falta de colaboração das intempéries,
cada vez mais instáveis e de humor variável. Na dúvida, construa um barco.
A
imprevisibilidade do clima tem tido grande efeito sobre os insetos (os que
sobreviveram, é claro). As formigas aqui de casa enlouqueceram e estão
rejeitando açúcar e comendo água. Sim, comendo; eu não disse que elas
enlouqueceram? Pernilongos? Todos congelados. Borboletas, abelhas e besouros?
Preferiram a África e abandonaram as flores desesperadas que continuam a
polinizar o ar e a rinite alheia. Até os ciclistas se mandaram.
Restaram-nos
as noites frias e os dias saarianos. Dizem que o verão está chegando. Dizem.
.