domingo, outubro 31, 2010

Pronúncia italiana – soletrando em italiano

Tanto para começar, em italiano se diz “fare lo spelling”, quando o verbo correto é “compitare”, que evitaria o uso do auxiliar fare. Depois, ninguém mais usa e pouquíssimos conhecem tal verbo. Acontece que o verbo compitare é defectivo, pois no imperativo só existem a segunda pessoa do singular e a segunda do plural (compita tu, compitate voi). O presente do indicativo é: “io compito, tu compiti, egli compita, noi compitiamo, voi compitate, essi compitano”. O cidadão de uma certa idade não se recorda das lições de italiano e muitas vezes se complica com a conjugação dos verbos; os jovens desconhecem a existência do verbo compitare e acham figo (legal) usar termos ingleses. Assim, adotou-se o “fare lo spelling” e basta. É como se eu passasse a escrever e falar “faça o spelling desta palavra”, em vez de simplesmente “soletre esta palavra”. Sem implicações com essas interferências nas línguas vivas. É somente uma constatação da submissão cultural.

Mas na hora de soletrar restou um bastião do orgulho italiano: eles não usam o alfabeto aeronáutico internacional, como no resto do mundo (Alfa, Bravo, Charlie, Delta, Eco, Fox-troth, Golf, Hotel, Índia, Juliete, Kilo, Lima, Mike, November, Oscar, Papá, Quebec, Romeo, Sierra, Tango, Uniform, Victor, Whiskey, X-ray, Yankee, Zulu), mas nomes de cidades italianas, o que acaba complicando, pois não existem cidades italianas que iniciam por algumas letras e não há um padrão. Quem deve soletrar muito, como as telefonistas – cada vez mais raras – e agentes de viagem, acabaram consolidando algumas cidades e palavras, mas o cidadão comum normalmente se enrola.

Se você vier para a Itália e precisar soletrar o sobrenome, por exemplo, segue uma lista com as cidades e palavras mais usadas:

A come Ancona [ancóna]
B [bí] come Bergamo [bérgamo]
C [tchi] come Como [cómo]
D [di] come Domodossola [domodóssola]
E come Empoli [émpoli]
F come Firenze
G [dji] come Genova [djénova]
H [áka] come Hotel
I come Imola [ímola]
J [djêei] come Jolly [djóli]
K [káppa] come Kappa – (vai entender...) não usa nome de cidade italiana
L come Livorno
M come Milano
N come Napoli [nápoli]
O coem Otranto [ótranto]
P [pi] come Palermo
Q [ku] come Quadro, Quebec – não usa nome de cidade italiana
R come Roma
S come Siena
T [ti] come Torino, Trieste
U come Udine [údine]
V [vi] come Verona, Venezia
W [doppia vú] come Washingron [váshinton] – não usa nome de cidade italiana
Y come Yacht [iót], Yogurt [iógurt] – não usa nome de cidade italiana
Z [dzêta] come Zara [dzára], Zulu – não usa nome de cidade italiana

Por outro lado, usar o alfabeto internacional inventado pelos americanos, também é submissão cultural. Somos farinha do mesmo saco. Sim, americanos, pois usa-se “whiskey” e não “whisky”, A diferença é que whisky é aquele produzido na Inglaterra e na Escócia, enquanto whiskey designa aquele produzido na Irlanda e nos Estados Unidos. Bebendo e aprendendo. Na dúvida, prefira vinho.

Como ficaria o spelling com cidades brasileiras? …Alemãs?

quinta-feira, outubro 28, 2010

Jornal Fato Expresso

Para quem não sabe, morei muitos anos no Embu, também conhecido como Embu das Artes, em São Paulo. Foram muitas idas e vindas, entre Rio, São Paulo e Embu, antes de ir morar em Salvador. Minha mãe, pintora e antiquária, ainda mora lá, assim como meus três irmãos. Foi lá que conheci e casei-me com a Eloá, na época em que eu era sócio do Cláudio Zimmerli, “o alemão do strudel”, que mantém uma barraca de doces alemães na feira de artesanato dos domingos desde o início dos anos 70, além de servir diversos restaurantes e lojas em São Paulo.

Pois bem, o jornal “Fato Expresso”, que revolucionou a mídia embuense encerrou as atividades há alguns anos, mas o Márcio Amêndola e equipe jamais se conformaram. O resultado é que o jornal voltou em versão on-line e, imaginem, me convidaram para participar do projeto. Não tenho tempo nem para dar uma mudada no visual do blog, que dirá ter uma coluna semanal no jornal. Mas o Márcio não aceita não como resposta e o resultado é que estou lá. Ainda está tudo no início, mas o jornal não é de ontem.

Se os embuenses pensaram que estavam livres de mim…
:)

sábado, outubro 23, 2010

A dieta mediterrânea

Cada vez que a Esquadrilha da Fumaça se apresenta a imprensa a exalta como “uma das melhores do mundo”. Os italianos são menos modestos e consideram as “Frecce Tricolori” (Flechas Tricolores) a melhor equipe militar aérea acrobática. Cada país tem a sua equipe e cada uma é considerada a melhor. Os entendidos de aeronáutica militar são quase unânimes em afirmar que os melhores pilotos são os egípcios, israelenses e russos, mudando somente a posição hierárquica. Com a comida acontece o mesmo. Qualquer Nutricionista famoso em visita ao Brasil irá declarar que a dieta brasileira com feijão, arroz, carne e salada é perfeita. Exatamente o mesmo discurso que terá feito na semana anterior no Japão, França ou Grécia, mudando apenas os alimentos.

Os italianos se vangloriam da dieta mediterrânea que caracteriza a região. E com razão, quando a dieta é levada a sério. A dieta mediterrânea é um modelo nutricional baseado no consumo de pão caseiro, frutas, verduras e legumes da estação, cereais, peixe, ervas aromáticas, azeite de oliva e vinho. Paradoxalmente os habitantes da zona onde essa dieta é mais difusa (Itália, Grécia, Espanha e a França setentrional) consomem uma quantidade relativamente alta de gorduras, mas têm, contudo, índices de doenças cardiovasculares muito inferiores em relação a outros países. A explicação é que a gordura animal ingerida é compensada pelo azeite de oliva, que, segundo alguns estudos, diminuiria os níveis de colesterol no sangue. Nutricionistas italianos defendem que o consumo moderado de vinho durante as refeições atue como um fator protetivo, provavelmente por causa dos antioxidantes contidos no vinho, especialmente o tinto. Segundo a pesquisa LYON, realizada pelo American Heart Association (AHA) a dieta mediterrânea reduz em 50% a taxa de mortalidade por doenças coronárias.

Os alimentos sugeridos e que encontro na casa de quem leva a sério a própria alimentação, não deveriam faltar nas demais casas. Erva-doce (que no Rio chamamos “funcho”), de preferência fatiada crua, sem sal e com um fio de azeite; verduras verde-escuro (taráxaco, rúcula, couve, espinafre, etc.) cruas; leguminosas como vagem, fava, lentilha, grão-de-bico, etc. O feijão branco gigante não pode faltar; frutas da estação em grande quantidade; peixes pequenos ou médios da região, pois os peixes maiores acumulam metais pesados (como o mercúrio) até serem pescados. Uma sugestão especial é o polvo, que se congelado antes fica mais fácil de cozinhar; azeite de oliva com moderação; pão caseiro sem a adição de gordura animal, com pouco sal e, de preferência, com farinha integral e outros cereais além do trigo; as ervas aromáticas ajudam a acentuar o sabor quando se cozinha com pouco sal. Uma sugestão pessoal é a adição de uma pitada de canela, mas os italianos não saberiam viver sem alecrim e sálvia. Outras ervas são comumente usadas, mas será quase impossível encontrar um prato de carne ou peixe sem alecrim; quanto ao vinho, os especialistas recomendam o tinto. Uma dose para as mulheres e duas doses para os homens. O que não significa que, vez, ou outra, não se possa sair da dieta e deliciar-se com os queijos e embutidos tentadores que às vezes temos que afrontar.

No momento em que escrevo esta carta estou fazendo uma santa feijoada (juro!). Sou onívoro e consciente de que comemos carne demais, mas confesso que meus hábitos alimentares mudaram muito nesses anos de Itália. Continuo acreditando que a Esquadrilha da Fumaça está entre as melhores do mundo e, pensando bem, feijão, arroz, carne e salada é uma alimentação bem completa. Quem sabe a partir de segunda-feira nos animamos e começamos uma dieta? Topa?

quarta-feira, outubro 20, 2010

Cadê o sossego que estava aqui?

Nos últimos dias venho recebendo uma enxurrada de e-mails solicitando/exigindo que me engaje nesta ou naquela campanha para presidente. Alguns poucos leitores deste blog, muitos conhecidos, uma enormidade de desconhecidos e dois amigos cobram uma minha posição antes do segundo turno da eleição presidencial. Muitos links, PPS, correntes, notícias falsas, notícias verdadeiras, meias verdades e sugestões de leitura. Os dois principais links (este aqui e mais este outro) são blogs que não leio e que vou continuar não lendo.

Informo a todos que este não é um blog político. Escrevo amenidades – na maioria das vezes – e futilidades. Também não aceito patrulhamento político e não abro mão da lei que me dá o direito de manter meu voto secreto. A Internet está repleta de gente que escreve bem sobre política. Aos dois amigos, mandei um e-mail esclarecendo e solicitando que parem de me encher o saco – somos amigos e posso me permitir a tratá-los como amigos –, aos ilustres desconhecidos, tenho sistematicamente classificado os e-mails como spam. Aos leitores deste blog já deve ter ficado clara a minha posição. Espero que continuem acompanhando as amenidades e futilidades que escrevo. :)

Votem com consciência. Daqui a pouco tudo passa e voltamos à normalidade.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Pagando mico na Itália

Recentemente minha cunhada Valéria e o marido Roberto estiveram nos visitando, numa escapada veloz do roteiro do grupo de excursão com o qual fizeram um giro pela Europa. Além da satisfação imensa em recebê-los – apesar da visita de médico – alguns detalhes da viagem deles me chamou a atenção, curioso que sou.

Primeiro eles reclamaram da comida. Afirmaram ter comido mal praticamente durante toda a viagem, mesmo tendo passado uma semana na Itália. Se lamentaram que na Suíça não aceitaram o cartão de débito que estavam utilizando e descobriram que o cartão telefônico que compraram no aeroporto no Brasil por 20 dólares (para 20 minutos de conversação) não funcionava bem e custou caro demais. Também faltou informação sobre o “tax free”. Trouxeram bagagem demais, o que inviabiliza certas compras. Mas gostaram de conhecer a nossa casa, a cidade e de comer bem. Acho que também gostaram de nos ver e às sobrinhas, mas estou aguardando que nos mandem as fotos antes de me pronunciar com mais veemência.

Se você estiver preparando uma viagem à Itália, algumas dicas podem ser úteis. Antes de fazer as malas, certifique-se de que você irá realmente necessitar de toda a roupa que pretende colocar na mala. Roupas de baixo ocupam pouco espaço e nunca são demais, mas escolha apenas um par de sapatos confortáveis e chinelos, além do sapato usado para a viagem. Mais espaço na mala permite não extrapolar o limite e evita pagar peso extra na volta. Verifique cuidadosamente o roteiro da viagem e procure se informar sobre os hotéis e restaurantes existentes na zona.

Ao desembarcar no aeroporto, procure uma agência de “tax free”, que normalmente fica perto da “dogana”, e pegue alguns formulários. Se tentarem lhe vender os formulários, passe a outra agência – que normalmente são três balcões simples, um ao lado do outro. Use os formulários nas lojas que não os tiverem e peça ao próprio vendedor para preenchê-los. No dia da viagem de volta, coloque todas as suas compras em uma mesma mala e avise ao fazer o check-in. Eles irão lhe devolver a mala, já com os devidos adesivos para ser despachada pela dogana. Dirija-se imediatamente à dogana e, sem abrir a mala – a menos que eles exijam – mostre passaporte, bilhete de embarque, notas ficais e formulários de “tax free” devidamente preenchidos. A mala será embarcada por lá, com todas as compras dentro, repito. Depois, dirija-se ao balcão de “tax free” com os documentos carimbados pela dogana para reaver o imposto sobre compras. Lembre-se de que você poderá ter que pagar o ICMS ao chegar no Brasil, ao retirar a bagagem.

Os restaurantes sugeridos pelos guias costumam oferecer vantagens aos guias. Não canso de repetir que na Itália se come bem é nas “trattorias”, que são restaurantes mais simples que oferecem a comida típica do local com produtos da estação. É muito comum encontrar uma placa escrito “menu fisso €12,00”, ou valores que não ultrapassam os 15 euros. São os pratos sugeridos pela casa com o que há de mais fresco na feira da cidade e que incluem um prato de massa, um prato de carne com salada ou legumes, água ou um copo de vinho e café. Alguns oferecem também a sobremesa. E o cliente sai satisfeito por ter saboreado um prato típico da região por um preço razoável. A regra é simples: como a hora do almoço vai das 11:30 às 14:00 horas, mas ninguém chega antes do meio-dia, espere até às 12:15. Se os operários começarem a chegar aos bandos, entre depressa. Os demais trabalhadores também virão, mas não é raro que o alto escalão local tenha mesa reservada.

Quanto aos cartões de débito, não há nada a fazer, senão ter um pouco de dinheiro vivo – euro – que na Suíça é aceito sem problemas (exceto moedas), mas saiba que o troco virá em francos suíços. Quanto ao mico do cartão telefônico, saiba que em qualquer tabacaria italiana você encontra cartões telefônicos internacionais a partir de cinco euros por duas horas de conversação. Peça “scheda telefonica per il sudamerica” [skêda telefónica per il sudamerica], raspe o código secreto e siga as instruções.

Se você ainda não conhece, visite o Minube e digite o seu destino. Lá você encontrará dicas preciosas de onde comer, sugestões de passeios e roteiros que os guias não frequentam. Enfim, informação local de quem mora ou já visitou a cidade.

Pensando bem, lembro que antes de vir para a Itália cheguei a comprar uma “habilitação internacional” que me custou 150 reais onze anos atrás. Na primeira vez que um guarda me parou, ofereci a minha Habilitação Internacional, traduzida em umas dez línguas, inclusive o árabe. O agente desdobrou aquele documentão, olhou pra lá, pra cá, franziu a testa, dobrou, devolveu-me e informou: “Eu quero a sua habilitação brasileira, que isso aqui não serve pra nada.” Com a habilitação brasileira pode-se alugar um carro, viajar e guiar sem problemas por um ano. Para evitar acidentes, pegue um dicionário, visite esta página e familiarize-se com as placas de trânsito.


Bom passeio e boa viagem!

sexta-feira, outubro 08, 2010

Mulher objeto

Numa antiga carta escrevi: “Eu era muito possessivo, até que um dia completei 16 anos e a coisa mudou.” A insegurança é inerente à adolescência, mas um dia a gente cresce e descobre que é dono da própria vida. O passado é um professor que ensina somente o que o aluno tem capacidade para aprender. Portanto, descarregar a própria culpa em fatos ou situações controladas por terceiros é imaturo e incapacidade de discernimento. Claro que cada caso é um caso e situações dramáticas criam traumas graves, mas as exceções devem ser tratadas como tais. Em pleno 2010 me assusto com a quantidade de adultos que ainda não completaram 16 anos. Seres humanos que tratam outros seres humanos como se fossem objetos de sua propriedade. Poderia viver outros 200 anos e tenho certeza de que ainda me assustaria com tal atitude.

O nome Sarah Scazzi não é apenas a vítima mais recente da espetacularização mórbida da mídia italiana, mas também um dos recentes casos da violência contra as mulheres na Itália. No dia 26 de Agosto ela e a prima Sabrina deveriam encontrar-se às três da tarde para ir à praia, a 18 quilômetros da rua onde ambas moravam. O tio agricultor, pai de Sabrina, que vinha insistentemente insinuando-se à sobrinha, voltou mais cedo naquele dia e, como premeditado, teria permanecido em uma garagem próximo à sua casa onde – não se sabe exatamente como, se com a força ou não – teria entrado com a sobrinha. Após a menina, de apenas 15 anos, recusar-se mais uma vez ao tio, foi estrangulada. Morta, foi violentada, seu corpo foi jogado em um poço, coberto com pedras e sua roupa e celular foram queimados. Celular que o próprio tio “encontrou” há poucos dias, ajudando a polícia a decifrar o mistério, fazendo-o confessar depois de 10 horas de interrogatório, indicando, inclusive, o local exato em que escondera corpo. Terrificante.

Na semana passada uma família paquistanesa só não recebeu a mesma repercussão, talvez por ser estrangeira, mas também foi vítima da violência contra as mulheres. O filho tentou matar a irmã que se recusava a casar-se com um homem escolhido pelo pai, hábito cultural ainda muito praticado nos dias de hoje. A mãe, tentando defender a filha, acabou sendo morta pelo próprio marido. A filha continua internada e talvez sobreviva. A dignidade da família foi preservada mas já não faz nenhuma diferença, pois a família não existe mais. Nos últimos anos desenvolvi um certo medo de ler jornais ou ligar a TV. Se o faço é porque ainda acredito que existam notícias boas e que nem tudo está perdido. Mas a minha ingenuidade tem limite.

A parte mais vil desse comportamento é que raramente tudo acontece às escondidas. Tem sempre alguém que viu, sabe, intui, desconfia, é conivente ou prefere não se intrometer. A lista de mulheres e crianças vítimas de abusos ou violências na Itália cresce assustadoramente. Muitas vezes a vítima sente vergonha em contar para alguém, ou foi ameaçada para não falar; outras, esperam que tudo se resolva sem maiores consequências, (sentindo-se culpadas) acham que não é tão grave assim e que conseguirão encontrar um modo de sair da situação. A vítima de uma agressão não deve se sentir culpada e deve denunciar imediatamente e diretamente à polícia, pois muitos familiares procuram minimizar a situação (“viu, sabe, intui…”). Na Itália, para os casos de abusos contra menores, existe o “Telefono Azzurro”. Basta discar gratuitamente de qualquer telefone o número 19696, se for menor em busca de ajuda, ou 199-151515 para os adultos que queiram denunciar situações de risco ou abuso sobre menores. Às mulheres o número a chamar é o 112, número dos Carabinieri, a polícia militar italiana. Mas também existem centros de apoio que acolhem e apoiam as vítimas da violência. Os mais ativos são os centros nacionais anti-violência AQUI e AQUI, e a associação “Non da sola”.

Segundo o Instat, o instituto italiano de estatística (dados de 2006), 6 milhões e 743 mil mulheres entre os 16 e 70 anos, 31,9% da população feminina italiana, declarou ter sido vítima de violência física ou sexual ao menos uma vez na vida, sendo que 14,3% teria sido vítima do próprio marido/companheiro/convivente. Mais: O próprio Instat afirma que 93% da violência do cônjuge não é denunciada. Estarrecedor, mesmo para um garoto de 15 anos possessivo, mas que nunca foi violento.

Eu, que desde sempre fui contra a violência, contra a pena de morte, a favor do "paz e amor, bicho!" e tornei-me pai de duas moças solares, temo pela incolumidade das minhas três garotas (tem a Eloá, também), tanto quanto temo pela minha reação em caso de violência contra elas. Sei que a situação não é apenas italiana e que em muitos outros países as mulheres encontram-se em situações piores, mas em pleno século XXI esse tipo de situação não deveria encontrar-se fora de controle num país do chamado “Primeiro Mundo”. Ou será que sou ingênuo demais e ranzinza além da conta?

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Atualização:
No caso da menina Sarah Scazzi, o tio foi condenado a pouco mais de quatro anos por ocultamento de cadáver e obstrução à justiça. A história de que ele teria se insinuado à sobrinha e que seria o autor do crime, foi inventada por ele para cobrir a esposa e a filha. A menina foi estrangulada pela prima e pela tia por ser culpada de atrair a atenção de um rapaz mais velho, com quem a prima (22 anos) sonhava ter uma relação. A menina não foi estuprada. O tio jamais se insinuou. A tia e a prima cumprem pena de prisão perpétua.

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POST SCRIPTUM


Borboletas nos Olhos comentou:

"O mais doloroso é que todos esses fatos, graves e reveladores, são tratados isoladamente e não como resultado de uma cultura em que a mulher é, como você bem definiu, um objeto. Mas não é a resposta do medo e sim a resposta da educação, do respeito à diversidade, a valorização da mulher que vai mudar esta realidade."

Era a parte que faltava no meu texto. Obrigado.