Saturday, October 23, 2010

A dieta mediterrânea

Cada vez que a Esquadrilha da Fumaça se apresenta a imprensa a exalta como “uma das melhores do mundo”. Os italianos são menos modestos e consideram as “Frecce Tricolori” (Flechas Tricolores) a melhor equipe militar aérea acrobática. Cada país tem a sua equipe e cada uma é considerada a melhor. Os entendidos de aeronáutica militar são quase unânimes em afirmar que os melhores pilotos são os egípcios, israelenses e russos, mudando somente a posição hierárquica. Com a comida acontece o mesmo. Qualquer Nutricionista famoso em visita ao Brasil irá declarar que a dieta brasileira com feijão, arroz, carne e salada é perfeita. Exatamente o mesmo discurso que terá feito na semana anterior no Japão, França ou Grécia, mudando apenas os alimentos.

Os italianos se vangloriam da dieta mediterrânea que caracteriza a região. E com razão, quando a dieta é levada a sério. A dieta mediterrânea é um modelo nutricional baseado no consumo de pão caseiro, frutas, verduras e legumes da estação, cereais, peixe, ervas aromáticas, azeite de oliva e vinho. Paradoxalmente os habitantes da zona onde essa dieta é mais difusa (Itália, Grécia, Espanha e a França setentrional) consomem uma quantidade relativamente alta de gorduras, mas têm, contudo, índices de doenças cardiovasculares muito inferiores em relação a outros países. A explicação é que a gordura animal ingerida é compensada pelo azeite de oliva, que, segundo alguns estudos, diminuiria os níveis de colesterol no sangue. Nutricionistas italianos defendem que o consumo moderado de vinho durante as refeições atue como um fator protetivo, provavelmente por causa dos antioxidantes contidos no vinho, especialmente o tinto. Segundo a pesquisa LYON, realizada pelo American Heart Association (AHA) a dieta mediterrânea reduz em 50% a taxa de mortalidade por doenças coronárias.

Os alimentos sugeridos e que encontro na casa de quem leva a sério a própria alimentação, não deveriam faltar nas demais casas. Erva-doce (que no Rio chamamos “funcho”), de preferência fatiada crua, sem sal e com um fio de azeite; verduras verde-escuro (taráxaco, rúcula, couve, espinafre, etc.) cruas; leguminosas como vagem, fava, lentilha, grão-de-bico, etc. O feijão branco gigante não pode faltar; frutas da estação em grande quantidade; peixes pequenos ou médios da região, pois os peixes maiores acumulam metais pesados (como o mercúrio) até serem pescados. Uma sugestão especial é o polvo, que se congelado antes fica mais fácil de cozinhar; azeite de oliva com moderação; pão caseiro sem a adição de gordura animal, com pouco sal e, de preferência, com farinha integral e outros cereais além do trigo; as ervas aromáticas ajudam a acentuar o sabor quando se cozinha com pouco sal. Uma sugestão pessoal é a adição de uma pitada de canela, mas os italianos não saberiam viver sem alecrim e sálvia. Outras ervas são comumente usadas, mas será quase impossível encontrar um prato de carne ou peixe sem alecrim; quanto ao vinho, os especialistas recomendam o tinto. Uma dose para as mulheres e duas doses para os homens. O que não significa que, vez, ou outra, não se possa sair da dieta e deliciar-se com os queijos e embutidos tentadores que às vezes temos que afrontar.

No momento em que escrevo esta carta estou fazendo uma santa feijoada (juro!). Sou onívoro e consciente de que comemos carne demais, mas confesso que meus hábitos alimentares mudaram muito nesses anos de Itália. Continuo acreditando que a Esquadrilha da Fumaça está entre as melhores do mundo e, pensando bem, feijão, arroz, carne e salada é uma alimentação bem completa. Quem sabe a partir de segunda-feira nos animamos e começamos uma dieta? Topa?

11 comments:

Erica Moreira said...

Oi Allan,

Obrigada por passar pelo meu blog. A verdade é que eu procuro não escrever coisas negativas no blog, porque se torna chato e são coisas que não tem nada a ver com ninguem, mas estou no momento tão saco cheio desse povo que já nao consigo mais. Só para vc ter idéia terei que fazer causa contra a empresa onde trabalho. Mas é isso aí, vivendo e aprendendo! Quem sabe quando eu voltar a morar no Brasil tudo vire fichinha...

Aliás, eu e meu marido iremos em fevereiro passear, matar a saudade e respirar outros ares.

De qualquer modo vc tem razão. Nao devo me contaminar!

Bacio e tks

deniserangel said...

Allan,
considero deliciosa a dieta mediterrânea, mas confesso que tenho preguiça de cozinhar. O nosso tradicional arroz com feijão e verduras tem sido meu trivial, e de vez em quando, um macarrão ou pizza, que adoro.
abraço, garoto

Anonymous said...

Estou obeso. Quando quero ser indulgente comigo mesmo, digo que nos anos recentes passei a ter sobrepeso, um eufemismo de gordo.
As pessoas, mais indulgentes comigo do que eu mesmo, dizem que não estou obeso, mas sei que estou e começarei imediatamente, quer dizer, na próxima segunda-feira, a fazer uma dieta.
Manoel Carlos

Ana Maria said...

Eu topo!
Adoro alimentação mais saudável! Nos últimos meses comi muita besteira, mas agora quero voltar a por em prática tudo que aprendi com a reeducação alimentar. Com horário de verão fica ainda melhor, dá para caminhar mais, com dia claro.

O problema do arroz com feijão é que muitos enchem de sal, óleo e porco morto, aí deixa de ser tão saudável!!

Lili Detoni said...

Oi, amigo!!! Claro que eu topo! Amo comidinhas saudáveis e tudo o que é integral!
Mas, passei por aqui para lhe agradecer pelos links sobre as bonecas que estou curtindo fazer! Estou pesquisando, inventando e logo terei mais fotos para postar!
Grazie!!!!
Lili.

Borboletas nos Olhos said...

Eu já resolvi meu problema com comida: gosto! Bjs

LisAnaHD said...

Toda dieta pode ajudar a pessoa a emagrecer ou a engordar; apenas depende do tanto de calorias ingeridas. Tive uma professora magra que almoçava todos os dia sanduíche do McDonalds... uma colega de trabalho que comia pelo menos 3 vezes na semana pizza... tudo depende da qtidade que a pessoa consome. Sei de gente que engordou após aderir a uma dieta vegetariana.

myra said...

cada vez que venho te ver, aprendo algo...infelizmente eu nao gosto e nao sei cozinhar...mas como mais ou menos - espero - bem...
abraço

Georgia said...

ahahhahahah, e a feijoada ficou boa?

Eu tb mudei bastante meus hábitos alimentares e adoro salada com erva doce.

Boa semana

Ana Maria Marques said...

Eu amo a tradicional refeição brasileira com feijão, arroz, carne e salada. Feijoada eu também adoro, mas como muito raramente. Procuro fazer uma dieta a mais saudável possível porque meu corpo exige. Não consigo me encher de porcaria. Passo super mal.
Beijos

Luma Rosa said...

Não faltaram orégano e manjericão na lista?

Só o fato de não comer muita carne vermelha, dando preferência para peixes e frutos do mar, a saúde melhora horrores, principalmente os crustáceos que além da riqueza em cálcio, possui componentes antioxidantes!

Coincidentemente escrevi sobre cozinha no blogue neste início de semana, porque as pessoas não acreditam que eu goste de cozinhar "verdadeiramente". Se pudesse passava o dia todo, todos os dias inventando "Histórias na Cozinha".

Também tenho uma teoria sobre as refeições rápidas - porque não me satisfazem - que preciso sentir o cheiro, a textura, a carne dos alimentos antes de sentir seu sabor!

A dieta mediterrânea para mim é a melhor, por sua variedade de ingredientes e cor.

Não fico com "invejinha"! Sempre faço feijoada, mas faço feijoada light, pode? (rs*)

Boa semana! Beijus,