Tuesday, June 21, 2011

Inventando necessidades


Faz o jantar hoje, filha?

Pra quê a gente tem que comer, hein? Quem inventou essa história? Seria tão bom se a gente vivesse de ar.

Quer virar orquídea?

Até que não seria má ideia.

Imóvel em cima de uma árvore ou num xaxim, chuva, poeira, sol forte

Mas se a gente não tivesse aprendido a comer a gente seria mais livre. A gente não sente necessidade do que não conhece. O que os olhos não veem…

A gente, a gente! Saco vazio não pára em . E não sei se os inventores e o pessoal do marketing concordariam com você.

Como assim?

São as invenções que nascem das necessidades, e não o contrário. Às vezes a necessidade pode até ser estimulada ou inventada, mas será sempre a necessidade a vir primeiro.

Claro que não! As pessoas inventam as coisas e os outros aprendem a usar, consumir. E passam a ter necessidade.

Hum, então tive uma ideia: vou inventar um gerco portátil.

E que diacho é um gerco?

Um instrumento que serve para polgar o menefisto.

Eu conheço “googlar”, “deletar” e outros babados, mas não tenho a menor ideia do que é polgar e menefisto. Explica.

Ah, nem vem! Eu vou invetar o gerco portátil, quem quiser que invente o polgar e o menefisto! Eu quero é ficar rico. Vai fazer o jantar, vai.
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Monday, June 20, 2011

Milano Summer School 2011

Começou dia 14 de Junho e vai até 9 de Agosto.
Programe-se e participe!


Friday, June 17, 2011

Mario Biondi

Maro Biondi é um gigante branco com voz de black music. Faz sucesso por aqui, com a sua voz calma e grave. Prefiro quando canta em inglês. Confira:





Sunday, June 12, 2011

Virei viado

Não, não sou homofóbico. O “viado” do título nada tem a ver com a sexualidade, minha ou alheia. Evito usar termos racistas ou derivados de preconceitos, como “judiar” ou “denigrir”, por exemplo, mas de maus hábitos e boas intenções todos somos vítimas.

Nos primeiros anos de Itália, quando ouvia alguém dizer que um produto de determinada região era superior ao de outro lugar, ficava curioso, procurava confrontar e decreteva: “Isso é coisa de viado!” Com a tecnologia do nosso tempo, é possível reproduzir qualquer produto em qualquer lugar, pensava eu. Pois o tempo passou, aprendi a degustar com calma, trabalhei oito anos em uma cooperativa de supermercados como gerente de produtos frescos (queijos, iogurtes, massas frescas, salames e demais embutidos, etc.), fiz diversos cursos (sim, Slow Food também), visitei muitos fornecedores, estudei, debati e aprendi muito.

Lembro do fornecedor de Mozzarella Di Bufala Campana DOP que chegava às sete da manhã, junto comigo, para descarregar o produto fresco e com prazo de validade de seis dias. Nos trazia sempre uma confecção grande na cabine do furgão para não esfriar, diretamente de Nápoles. Era o nosso café da manhã três vezes por semana. Dos inúmeros queijos que tive o muito prazer em degustar, o Ragusano é o meu preferido. Dentre os embutidos, o Culatello di Zibello é, sem dúvida, a melhor especialidade gastronômica que já provei. O porquê de tanta qualidade se deve à seleção e criação dos animais que um dia perfumarão a nossa mesa, ao clima particularmente úmido da região e a uma preparação cuidadosa e artesanal.

Noutro dia, na “XXVI Festa del Culatello di Zibello”, ouvi uma senhora respondendo à filha que perguntava o que fosse o tal culatello. Quando a senhora esclareceu que se tratava de um presunto, olhares afiados cortaram-lhe a alma. O culatello é a parte mais nobre da coxa traseira do porco, na parte interna. É o corte macio do que viria a ser presunto. A maioria dos presuntos crus produzidos no Brasil não se comparam com a suavidade dos presuntos crus italianos. Também existem produtos ruins por aqui, mas é mais fácil encontrar presuntos crus italianos que respeitem o delicado paladar dos consumidores. Só que o culatello não é um presunto, é culatello.

Em Fevereiro estive na Costa Amalfitana, vizinha a Nápoles e produtora de mozzarella di bufala. Lembrei do sabor da mozzarella daquelas manhãs no trabalho e fiquei surpreso ao descobrir que consumida ali, poucas horas depois de produzida e ainda morna, era ligeiramente superior. Nada que um paladar habituado a sabores fortes possa identificar. São sutilezas gustativas que enaltecem o próprio paladar e alegram os bolsos dos produtores. É uma troca justa.

Se você pretende vir à Itália passear de gôndola, venha. Apenas considere que existem outras descobertas que podem deixar recordações diferentes. Como visitar a pequenina Zibello e provar o que para muitos é o rei dos embutidos, o Culatello di Zibello. Emoção garantida ou seu paladar de volta.

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Sunday, June 05, 2011

Glam

As discotecas fazem muito sucesso por aqui. Ainda. Não existem boites e as opções de lazer – construídas pelos homens – devem oferecer música e ambientes fechados, ou funcionarão três meses por ano. , ainda, o problema da paz pública, o que as faz se instalarem em zonas desabitadas. Além disso, as discotecas são opção para os jovens a partir dos 16 anos; gasta-se pouco, passa-se a noite e tem-se a impressão de já ser adulto. Até que um dia o adulto descobre que não é divertido ser mais um no meio daquela multidão doida para ser adulta, abdicando-se da música em volume lobotomizante até que os filhos (ou filhas, no meu caso) atinjam a idade de frequentar discotecas. Mas a partir de então, seremos apenas motoristas.

Ela ensaiava há tempos uma tática que me demovesse da decisão de frequentar discoteca depois dos 18. A ocasião apareceu com a festa da amiga. Reapareceu, pensando bem, pois a festa da escola do ano passado não contou com a presença dela, ainda com 15 anos. A animação nem era tanta e resolvi ceder. Não sem antes deixar claro que a próxima vez seria aos 18 (esperando que nenhuma outra amiga resolva comemorar o aniversário em uma discoteca antes).

Oito da noite. Um bando de meninas invade o apartamento e se entrincheira no quarto dela. O barulho dos saltos altos no pavimento de madeira se funde com o ininterrupto tagarelar. A porta fechada não encobre o barulho das granadas e metralhadoras. Às dez e quinze a tropa sai pronta para abater o inimigo, qualquer que seja ele. Uma parte se despede e desce para esperar o pai motorista de uma delas; as restantes me olham radiantes, esperando os elogios que prontamente chegam. A irmã mais velha saiu há mais de uma hora, com destino mais tranquilo e um sorriso maroto de quem passou por isso. As senhorinhas vestidas de noite, maquiadas e equilibradas sobre saltos muito altos me apressam, como se eu não tivesse passado a noite esperando para levá-las.

Deixo-as na frente da discoteca Glam, em Sarmato, a 18 quilômetros de casa, e descubro que todas conbinaram vestir-se do mesmo modo. A caravana de pais não se atreve a entrar no amplo e engarrafado estacionamento, sob pena de ficar preso até às duas da madrugada, limite dado às debutantes disco. Volto no horário marcado, como todos os outros pais. As senhorinhas não parecem tão entusiasmadas nem tão elegantes como na chegada. Pela quantidade de meninas mancando imagino que uma epidemia abateu-se nos saltos altos da discoteca. O grupinho finalmente encontra o carro à entrada do estacionamento, comigo dentro. Ela está abatida e desiludida; os adultos não frequentam o lugar; os pés doem e há uma ponta de inveja da irmã mais velha: não há uma irmã mais nova para o futuro sorriso maroto. consegue murmurar: “Nunca mais!”
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Friday, June 03, 2011

Bêbado dos diabos

Ele estava alihoras. Balançava a rede com a ponta do . Pássaros, carros, tratores, motos, aviões e trens não o acordavam. o canhão para espantar os pássaros da plantação ao ladoaquele treco à direita no vídeo é um canhão espantalho – o fazia mover-se.

...Para tomar outro gole!