A ineficiência dos correios italianos já me provocou muitas dores de cabeça. Os amigos e os muitos livros perdidos sabem bem disso. A querida Lucia e o André, carinhosamente se preocupam para que as coisas não aconteçam com atrasos.
Por aqui os comerciais de Natal iniciaram com Novembro e o frio desses dias colaboram para o clima da época. O cartão antecipado finalmente me faz sorrir.
Brigadão, Lucia e André.
E Feliz Páscoa!
:D
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A Itália vista por um brasileiro. As diferenças culturais, descobertas e sabores, com uma pitada de bom humor (às vezes).
Monday, November 28, 2011
Monday, November 21, 2011
A pós-democracia italiana
O economista Mario Monti, notório defensor do mercado livre, assumiu o cargo de primeiro ministro italiano para cumprir uma tarefa que não depende dele: salvar a Itália – e a Europa – da bancarrota.
Monti é amigo íntimo do ex-primeiro ministro italiano de esquerda Romano Prodi, e alto expoente das comissões europeias que tratam de Economia, tendo sido batizado “o homem dos poderes fortes” Por Marco Panella, líder dos radicais da esquerda, apelido que foi lembrado nesses dias por Umberto Bossi, líder da extrema direita italiana. O novo primeiro ministro italiano é bem visto por banqueiros e grandes indústrias, mas não era um político até 16 de Novembro último, quando foi nomeado senador vitalício, num subterfúgio que faz parte das prerrogativas do presidente da república e que permitiu ao congresso aceitá-lo como chefe de governo. Porém, o voto de confiança do congresso italiano – necessário para que o novo primeiro ministro assumisse – que produziu a quase aclamação de Monti à frente do novo governo (556 votos a favor e 61 contra, na Câmara dos Deputados, e 281 votos a favor e 25 contra, no Senado), não deve criar falsas ilusões. A alternativa à demissão de Sílvio Berlusconi era a dissolução do congresso pelo presidente da república e a convocação de novas eleições, o que provocaria trágicas consequências neste momento delicado da economia europeia, além de colocar em risco a reeleição de diversos componentes da casta política.
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Monti é amigo íntimo do ex-primeiro ministro italiano de esquerda Romano Prodi, e alto expoente das comissões europeias que tratam de Economia, tendo sido batizado “o homem dos poderes fortes” Por Marco Panella, líder dos radicais da esquerda, apelido que foi lembrado nesses dias por Umberto Bossi, líder da extrema direita italiana. O novo primeiro ministro italiano é bem visto por banqueiros e grandes indústrias, mas não era um político até 16 de Novembro último, quando foi nomeado senador vitalício, num subterfúgio que faz parte das prerrogativas do presidente da república e que permitiu ao congresso aceitá-lo como chefe de governo. Porém, o voto de confiança do congresso italiano – necessário para que o novo primeiro ministro assumisse – que produziu a quase aclamação de Monti à frente do novo governo (556 votos a favor e 61 contra, na Câmara dos Deputados, e 281 votos a favor e 25 contra, no Senado), não deve criar falsas ilusões. A alternativa à demissão de Sílvio Berlusconi era a dissolução do congresso pelo presidente da república e a convocação de novas eleições, o que provocaria trágicas consequências neste momento delicado da economia europeia, além de colocar em risco a reeleição de diversos componentes da casta política.
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Sunday, November 13, 2011
Thursday, November 10, 2011
BookCrossing - incentivo à leitura
A querida Luma, sempre em movimento e sempre movimentando, convidou-me para divulgar o BookCrossing Blogueiro que iniciou-se no dia 8 de Novembro. Na realidade nem precisava ter convidado, pois já havia decidido que participaria.
Trata-se de uma iniciativa cujo objetivo é incentivar a leitura. É tudo muito simples, basta escolher um ou mais livros que você já leu e que não pretende reler, colocar uma etiqueta informando que o livro (ou livros) pode e deve ser lido por quem o encontrar e deixá-lo em algum local público. Como alternativa, pode-se levar o livro a alguém, a uma instituição (biblioteca pública, hospital, asilo, etc.) ou trocar com os amigos. O importante é não deixar um livro que pode ser aproveitado acumulando poeira e mofo em um canto qualquer.
Dê uma passada na Luma, informe-se e participe. Essa saudável prática não tem data para começar e muito menos para acabar.

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Trata-se de uma iniciativa cujo objetivo é incentivar a leitura. É tudo muito simples, basta escolher um ou mais livros que você já leu e que não pretende reler, colocar uma etiqueta informando que o livro (ou livros) pode e deve ser lido por quem o encontrar e deixá-lo em algum local público. Como alternativa, pode-se levar o livro a alguém, a uma instituição (biblioteca pública, hospital, asilo, etc.) ou trocar com os amigos. O importante é não deixar um livro que pode ser aproveitado acumulando poeira e mofo em um canto qualquer.
Dê uma passada na Luma, informe-se e participe. Essa saudável prática não tem data para começar e muito menos para acabar.

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Sunday, November 06, 2011
Chato Gastronômico
▬ Hum… Tá faltando uma pitadinha de syrkol seco.
▬ Diachoé syrkol?
▬ É um fungo que nasce sobre as raízes dos carvalhos no oeste do Canadá. E só lá.
▬ Pra mim tá bom assim mesmo.
Algumas pessoas têm a capacidade de estragar momentos mágicos com um único comentário inocente. No início você nem percebe, mas lá pelo terceiro tempero que falta, a luz vermelha que identifica a chatice começa a piscar e não para mais. Certa vez vi uma mulher jogar os talheres no chão e – visivelmente enraivecida – comer um filé com as mãos. A cena, ao contrário do que se poderia imaginar, provocou um alívio geral no restaurante: o acompanhante dela tinha passado o jantar inteiro corrigindo-a e se lamentando de tudo.
À mesa corremos o risco de deixar transparecer que o processo de civilização ainda há muita estrada a percorrer. Ou muito feijão com arroz a comer. Comportar-se de maneira educada diante da comida imóvel é – no mínimo – sinal de superioridade e inteligência, mas os exageros provocam risinhos pelas costas e escárnio dos últimos a sair. Ser diplomático não chega a salvar a vida de ninguém, mas pelo menos garante-se o convite para o próximo jantar. Na Itália se diz: “chi si acontenta, gode”; ou seja, quanto mais exigente for o paladar, mais difícil será satisfazê-lo. Sou um que se contenta com a simplicidade e vou elogiar o seu jantar. Convide-me e comprove.
Há algum tempo uma mania que se alastra rumorosamente pela Itália vem devorando a minha paciência: os falsos especialistas. Achar que todo italiano é um bom gourmet e um sommelier de classe é como acreditar que todo brasileiro é bom de bola e sabe fazer a melhor caipirinha do mundo. Invariavelmente, o chato gastronômico é a mesma pessoa que comenta sobre a gravata errada do personagem no melhor do filme e te faz perder o fio da meada. Ou seja, chato é chato em qualquer ocasião, mas quando o chato de plantão é, também, um gastrônomo farsante, o risco de estragar o meu jantar e a minha paciência pode me levar a usar o vidrinho de cicuta que trago sempre escondido para tais ocasiões.
Tudo isso como preâmbulo de um único pedido. Aliás, uma súplica aos mais exigentes: deixem-nos comer em paz! Ofereçam os vossos conhecimentos aos vossos semelhantes e riam de nós. Somos pessoas simples e não nos chateamos. [Sei que não estou sozinho nessa mesa.]
Eu realmente me contento com pouco e não tenho um paladar refinado. Aprecio comida simples (elogio até salada de chuchu) e não tenho o menor interesse em saber que ingredientes compõem o prato que você me servirá. Sim, fiz muitos cursos com os diversos consórcios de produtos típicos italianos, Slow Food, Piacenza Food Valley, escolas de hotelaria e tantos outros organismos, mas aprecio quem aprecia a simplicidade. Ostras cruas? Basta que sejam frescas, sal e limão. Quem quiser algo mais sofisticado, que vá jantar no oeste do Canadá. E fique por lá.
PS – Aldo, vivo sonhando com gnocchi de mandioquinha da Virgínia.
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