domingo, maio 29, 2011

Trilha sonora italiana - Rino Gaetano

Rino Gaetano viveu apenas 31 anos, mas marcou a música italiana com canções inteligentes. É considerado um dos grandes e há todo o mérito de sê-lo. Toca muito pouco nas rádios, mas uma das suas canções faz parte do repertório de todo cantor da terra do Culatello di Zibello. Se você não conhecia Rino Gaetano, tenho prazer em lhe apresentar. Para o Culatello di Zibello vou ficar esperando você por aqui. :)



Ou, se preferir, na voz de Giusy Ferreri:

quinta-feira, maio 26, 2011

O insatisfeito eleitor europeu



Idependentemente da posição política, os eleitores europeus estão mandando uma mensagem clara aos seus governates: Estão insatisfeitos pela gestão da crise e pelo preço que estão tendo que pagar para sair dela. Além das derrotas impostas nas urnas, o outro dado que corrobora o mau humor do eleitor europeu é o número de abstenções.

Continua aqui.
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domingo, maio 22, 2011

Sagitário

Um dia a astrologia será respeitada como qualquer outra ciência.
Agora você exagerou!
– É verdade! Assim como a meteorologia era vista como adivinhação e hoje é respeitada… Quando acerta.
Que bobagem, querida. A meteorologia se baseia em informações sobre a movimentação das massas de ar, com satélites e dados estatísticos.
– …E a astrologia é feita com informações sobre a movimentação e os ciclos dos planetas. E muitos planetas também têm satélites.
– …Ai!

Que bela tábua de frios!
Me passe o pão.
Vinho. Quero mais vinho.

– De que signo é seu namorado?
Garanhão.
Não existe. Fala sério, vai!
Eu não acredito em horóscopo. Somos nós quem decidimos a nossa vida, não as estrelas.
– Houve época em que todos acreditavam que a terra era plana e o centro do universo.
– Tem jeito não. Eu até respeito religião, mas não entendo quem acredita em horóscopo.
Pois saiba que existem os astrólogos sérios e os charlatães. E os sérios costumam acertar as previsões.
– “Costumam”?
Assim como a meteorologia.

provou essa bresaola?
– Boa, mas o speck é melhor.
Garçom, mais pão, por favor.
Vinho. Quero mais vinho.

Vocêrespeitareligião?
Me incomoda a institucionalização da . São as religiões as culpadas por grandes equívocos e guerras, não a fé.
– E você não acredita que a mesma mão que criou as estrelas criou também a capacidade de ler o destino nelas?
Estrelas piscam; não escrevem nada que possa ser lido.
– É necessário saber ler nas entrelinhas. Cada um de nós tem uma capacidade diferente e é preciso saber respeitar o que não entendemos. Nada de bruxarias, mas capacidades que somente uns poucos desenvolveram. Somos todos parte de uma grande energia e cada um é um pedaço diferente do quebra-cabeças.

Poderia passar a eternidade nessas colinas piacentinas, comendo frios e tomando vinho.
– Se continuarmos comendo desse jeito, vamos acabar morrendo mesmo. Prova essa coppa: é uma delícia!
– Se é pra morrer, que seja de barriga cheia e a alma feliz. Vinho. Quero mais vinho.

– E o seu namorado?
– Ex. É de Gêmeos. Não combina com Áries.
Vocês formavam um belo casal. Espero que você não tenha enchido a cabeça dele com essas bobagens astrológicas.
Ele tinha outras bobagens pela cabeça. O que você vai fazer nesse fim de semana?
– Vou à Roma para cuidar dos últimos detalhes da convenção.
Sozinha?
Sim. O Cesare tem que trabalhar no sábado.
– O garanhão vai estar sozinho? Me dá o número dele.
Ele também é de Gêmeos.
Ele mais parece um deus.
vem você metendo Deus na conversa.

provou esse culatello di Zibello?
Divino, menina. Divino!
Divino!
Garçom, mais culatello!
Mais pão!
Mais vinho!
Divino!
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quinta-feira, maio 19, 2011

Horto na varanda - uma revolução de consumo

Você sabe o que é aquapônica? É um incrível e simples sistema sustentável para a sua horta de apartamento! Basta alimentar os peixes e deixar que eles se ocupem da horta no balcão do seu apartamento, na varanda da sua casa, na laje do prédio, no quintal ou onde você quiser, mesmo num espaço reduzido. Pois a coisa é muito mais simples e custa muito mais barato do que se imagina.

A Lucia e o André, dois cientistas sempre preocupados com a sustentabilidade [além de fotógrafos, mergulhadores, eternos viajantes, sempre ativos e muito simpáticos], instalaram um sistema e disponibilizaram o passo a passo para quem quiser deixar de ser consumidor para ser produtor do que se põe à própria mesa, ao menos em parte.

Melhor que adquirir produto bio, só produzindo o próprio alimento, sem agrotóxicos, transporte que gera poluição, atravessador e outras conversas. Vejo o passo a passo aqui. Eles estão ensinando e convidando a cada um de nós a fazer a sua parte. Não há mais desculpa para o início da revolução de consumo. Participe! :)

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domingo, maio 15, 2011

Um copo d'águ'aí

– Me dá um copo d’água.
– Mineral ou da torneira? Com gás ou sem? Tem a mineralizada, a da máquina de refrigerante, filtrada, ozonizada, em garrafa de vidro ou de plástico… Enfim, que água vai?
– Molhada.

A Promotoria Pública de Turim mandou analisar as jarras filtrantes tão na moda desde que escrevi sobre elas (será culpa minha?). A notícia, divulgada pela Vanity Fair, está tendo os quinze minutos de glória pelas informações (sic) divulgadas. O laboratório que analisou as jarras de diversas marcas concluiu que a água pode ser danosa à saúde do consumidor. Segundo a revista, o Ph passaria de 6,5 a 9,5, fazendo com que a água deixasse de ser potável. Além disso, os níveis de alguns elementos como a prata, sódio e potássio seriam superiores aos da água da torneira. Segundo o Promotor Raffaele Guariniello, os níveis encontrados “não são perigosos, mas com certeza a água não melhorou.”

– Me dá um copo d’água que passarinho não bebe.
– Olha que essa água não mata a sede.
– E quem disse que eu quero que ela morra?

Quando compramos a nossa jarra a alguns anos, li atentamente o certificado de qualidade que atestava a redução de calcário e a melhoria da água, sem riscos à saúde. Como é possível que dois órgãos que utilizam os mesmos métodos cheguem a conclusões tão antagónicas? Fácil; quem analisou a água e emitiu o primeiro atestado o fazia sob encomenda das jarras filtrantes; já no segundo caso, tudo partiu de uma denúncia da federação dos engarrafadores de água, um mercado muito importante e que paga muito imposto. Porquê o consumidor tem que ser sempre enganado pelo resultado de análises pagas pelos interesses de quem perde mercado ou quer ganhar? Beber um copo d’água deveria ser um ato mecânico, sem medos ou receios. Água é água. Ou deveria ser. Na dúvida, melhor uma loira estupidamente gelada. Se é pra morrer, que seja com prazer.

– Me dá um copo d’água mineral, natural, em garrafa de vidro, engarrafada na última semana nas proximidades, alcalina, sem tanto marketing que é pra custar pouco, transportada e armazenada em local escuro para evitar fungos, sem tanta informação no rótulo – que água é água – e fresca.
– Tem não.
– …Dá uma cervej’aí.
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sábado, maio 14, 2011

Problemas com os comentários

O Blogger andou consertando alguns problemas e causou outro. Os últimos comentários foram cancelados e não consegui recuperá-los.

Se o seu comentário desapareceu, saiba que ele não foi deletado por mim. Foi uma vítima colateral. Peço desculpas em nome do sr.Blogger, um sujeito bonzinho que me hospeda desde 2004 e que nunca tinha causado nenhum dano antes.

Tome um café por minha conta e volte sempre.

terça-feira, maio 10, 2011

Lição de italiano – Tratamento

Uma lição que necessita uma atenção especial diz respeito ao tratamento em italiano. Não que seja complicado ou difícil, mas é preciso observar a concordância e a formalidade social.

A regra básica ensina ao uso do tratamento de cortesiaLei”, sempre com “L” maiúscula, que difere de “lei” (ela), toda vez que falamos com alguém que não seja íntimo, mesmo em alguns ambientes de trabalho. O Lei é como o nosso Vossa Mercê, ou Senhor/Senhora, em português. Usa-se a forma Lei até que o mais velho entre os interlocutores ou o superior hierárquico proponha a informalidade do tu (tu, você), também chamado forma familiare. A diferença é que esse tratamento de cortesia não é uma opção, mas obrigação. Uma formalidade que guia as relações sociais. Caso se decida a tratar por tu, o descortês irá ouvir uma frase do tipo: “Nós nunca jantamos juntos. Nos tratemos por Lei.” E alguém vai ficar com cara de tacho.

É necessário recordar que Lei é na terceira pessoa do singular, portanto, “Lei è, Lei va, Lei sta, Lei sente, come va?, come sta?, cosa ne pensa?...,” e nãoLei sei, Lei vai, Lei stai, Lei senti, come vai?, come stai?, cosa ne pensi?...” O tu pede o uso do nome, o Lei exige o uso do sobrenome.

Um erro muito comum é dar buongiorno (bom dia) a uma pessoa que tratamos por tu ou ciao a alguém a quem tratamos por Lei. O ciaoque se usa quando se chega e quando se vai – é um cumprimento reservado a parentes e amigos, do mesmo modo que o buongiorno ou buonasera e arrivederci são reservados ao tratamento formal. Mais formal que o Lei é a forma Voi, pouco usado hoje em dia (vós). E não adianta esclarecer que o tratamento informal não exclui o respeito nem amplia a liberdade. Essa regra funciona no Brasil, não na Itália.


Vá treinando:

Ciao ragazzi! [tchao ragatz_tzi!] – Olá, pessoal!
Buongiorno a Lei [buondjiorno a lei] – bom dia ao senhor/senhora (em resposta a um bom dia)
Arrivederci [ar_rivedertchi] – até nos revermos
ArrivederLa [ar_rivederla] – até rever o Senhor/a Senhora (normalmente dito por um comerciante mais cortês. Repare que o “L” é maiúsculo)


Para entender bem a diferença entre as duas formas, imaginamos um convite ao Giuseppe Ferrari para um jantar (Porquê você não vem jantar com a gente, Giuseppe?):
Tratamento familiar: Perché non vieni a cena com noi anche tu, Beppe?
Tratamento de cortesia: Perché non viene a cena con noi anche Lei, signor Ferrari?
Repare que no tratamento familiar posso usar o apelido (Beppe) e no tratamento de cortesia uso o sobrenome.


Vá treinando.
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