Saturday, October 03, 2009

Colocando a pizza no forno

Reproduzo aqui o primeiro post da minha breve participação no OPS!

Todos os sábados esta coluna será dedicada à Itália, um país que atrai muita atenção e curiosidade, não só pela grande quantidade de descendentes de italianos que vivem no Brasil, mas também pela história e cultura. Muito do que essa cultura produziu faz parte do cotidiano de muita gente que nem se dá conta, num processo que acaba fundindo e modificando cada cultura, que é a evolução natural do conhecimento humano. Obviamente quem não conhece a Itália ou só esteve por aqui a turismo tem uma visão apenas parcial, adquirida por pequenas experiências típicas do turismo ou através dos meios de comunicação e das artes, incluindo o cinema, que é diferente da visão do imigrante. Portanto, as impressões publicadas nesta coluna podem surpreender, pois serão as impressões de quem vive aqui e serão sempre impressões pessoais. As minhas. Espero satisfazer um pouco dessa curiosidade e oferecer informações concretas sobre esse país fascinante, rico pela mistura de costumes dos povos que por aqui passaram, mas ainda muito fechado ao novo. Se, de quebra, você se divertir, aí sim vai valer à pena.

Chegando na Itália a primeira coisa que surpreende é a imagem equivocada que criamos dos lugares que não conhecemos. Rapidamente nos damos conta dos estereótipos e clichês que não se confirmam. As referências que acreditamos haver, não correspondem à realidade do dia-a-dia e, à medida que o brilho das novidades começa a ficar opaco, uma sensação de estar no lugar errado começa a incomodar.

A distribuição de qualidades como a inteligência, a diplomacia e a tolerância, não obedece a nenhuma regra econômica nem respeita as fronteiras geográficas. A distribuição de defeitos, também não. Na Itália, assim como em todo o resto do mundo, existem desde pessoas mal-educadas, ignorantes e obtusas até as pessoas solares, brilhantes e agradáveis que todos esperamos conhecer. Muito embora eu tenha a impressão de ter encontrado por aqui alguns descendentes dos Neandertais, que, de alguma forma, teriam sobrevivido e evoluído de um modo muito similar ao Homo Sapiens. “Primeiro Mundo” é uma expressão utilizada apenas para caracterizar países com resultados econômicos superiores aos demais.

Preços que aumentam achatando os salários; impostos, impostos e mais impostos; políticos jurássicos que envergonham os eleitores; exames pelo INPS que levam anos para acontecer; corporativismo e poluição alarmantes; desigualdade social; desemprego e alugueis cada vez mais altos; corrupção endémica e generalizada; greve na segurança pública e o crime organizado cada dia mais organizado. Tudo isso lhe soa familiar? Bem-vindo à Itália! E, sim, aqui se chama INPS. Vá fazendo as suas malas: essa viagem virtual está apenas começando.

7 comments:

Rafael Reinehr said...

E eu, sentindo sua falta...

Por falar em pizza, é o que mais temos nos noticíários por aqui.

Hoje tentei fazer uma focaccia mas, como estava com preguiça de fazer a massa na mão, coloquei na panificadora para misturar e deixar descansar. Não deu certo. Ficou abatumada e minhas escolhas do recheio também não foram as melhores...

Quem sabe da próxima vez.

Um abraço fraterno.

evipensieri said...

Pois é Allan. Acabei de voltar e tudo o que vi e ouvi lá me pareceram bem familiar.

Bjs.
Elvira

Lunna said...

Engraçado porque a maioria das pessoas sempre me perguntam: lá é muito diferente daqui? Eu sempre acabo rindo antes da resposta e depois digo "depende do ponto de vista, se você olhar bem de perto, vai perceber que é tudo a mesma coisa. Se olhar de longe vai achar que é diferente e se olhar daqui, a partir de você, vai achar uma maravilha". kkkkkkkkkkkk
Beijos

anamaria said...

não vejo a hora dos sábados chegarem para viajar pela Italia!!

Izabel said...

Pois é...eu já vivi situação parecida, pois morei fora do Brasil por 5 anos e bem sei o quanto é diferente ser "turista" e ser morador.

Vou acompanhar sua tragetória, desejando-lhe sempre muita luz e boa sorte.

abraços

Michelle said...

Pq vc não volta pro Brasil???? Já que é tão ruim assim, não justifica vc ficar aí. Parece que trocou 6 por meia dúzia!

Allan Robert P. J. said...

Michelle,

Sim, um dia voltarei a viver no Brasil. Mas estarei sempre consciente de que qualquer lugar no mundo oferece experiências - negativas e positivas - singulares e irrepetíveis. Aproveitar as coisas boas e não se chatear com as ruins é uma qualidade que só pode ser desenvolvida aos poucos.

"6 por meia dúzia"? Não, aqui tudo é diferente. Essa diferença é o que nos convida a comparar e a descobrir pontos em comum. Viver fora significa conhecer e absorver uma cultura diferente, mas sem abrir mão da própria cultura. Algo que só entende quem migra.

Obrigado pela sua visita e pelo comentário! :)

PS - Esse post foi escrito e publicado originalmente em dezembro de 2007, quando fui convidado a participar do Ops!