Sunday, February 25, 2018

Vento siberiano




(imagem gentilmente surrupiada da Internet)


Quando a minha ideia de inverno era o frio de Petrópolis e os panos congelados nas manhãs geladas do Embu, não entendia bem a expressão “frio siberiano”. O que poderia ser mais frio que a brincadeira de deixar panos de prato no muro da varanda de noite, e verificar, na manhã seguinte, que o orvalho e o frio tinham congelado os panos? Nada, é claro!

A nossa primeira neve em Piacenza me conheceu de mau humor, apesar das meias de lã – que pinicavam e, talvez por isso – do casaco pesado, cachecol, luvas e uma dose generosa de conhaque. Com o tempo, me habituei. Para ser honesto, tornei-me muito tolerante ao frio. Me visto mais leve que a maioria dos piacentinos e abandonei os cachecois anos atrás. Prefiro chocolate quente ou… Conhaque.

O único problema é quando o jornal anuncia que “uma frente fria está chegando da Sibéria, trazendo vento e…”

Gente, vento da Sibéria é um negócio ruim. Muito ruim. Dói. Nem precisa de neve. É uma daquelas experiências que nos faz refletir sobre a necessidade da vida na Terra. E foi esse vento que nos abraçou nessa manhã (a mim e ao Shiva, o pitbull que adotamos em setembro). Nem estava tão frio assim – segundo os termômetros e o serviço de meteorologia –, mas a temperatura do vento era desfavorável a qualquer forma vivente. Sim, é possível medir a temperatura do vento. E nem precisa de termômetro. Eu conheço dois modos práticos de fazer isso. O primeiro é bastante simples: basta cronometrar em quantos segundos a orelha congela, ao sair na rua. Se o tempo for superior a três segundos, está acima dos doze graus negativos (ou seja, dez, oito graus negativos). Hoje as minhas orelhas congelaram quando abri a porta do prédio, o que corresponde a menos vinte, ou mais. No segundo método empírico, você vai precisar de um cão como o Shiva, que adora passear e quer sempre ficar na rua. Se o cachorro sair, fizer cocô e xixi rapidinho, te olhar com cara de coitado e caminhar apressado de volta para casa (apesar do capote reforçado), Pode apostar, a temperatura do vento está por volta dos vinte e cinco graus negativos. Como está o frio lá fora agora? Sei lá!. Abri a porta que dá para o balcão da cozinha e o Shiva baixou a cabeça e correu para debaixo das cobertas.

Se você gosta de frio, fica aqui a minha sugestão: vá para Petrópolis, Embu ou Serras Gaúchas, no inverno; viaje para a Argentina ou Chile em agosto, mas evite qualquer contato com o tal “frio siberiano”. Ou você vai ficar de mau humor. Com ou sem meias de lã.

8 comments:

João Menéres said...

Apreciei a forma como narra o frio daí !

Um abraço.

marcelo said...

Depois de conhecer o inverno canadense passei a gostar muito mais dos verões aqui do Sul do mundo... Frio e neve são bons para quem está de férias... Abraço!

Dani Bispo said...

Olha eu adoro o seus textos! Morro de rir com eles! Bom apesar das previsões o tal frio siberiano não chegou aqui embaixo em Rimini. Também sou super resistente ao frio (bem mais que muitos italianos) mas o tal vento siberiano uma vez em Roma, me fez repensar se realmente gosto do inverno. Ótimo reflexão
Abraços
Dani Bispo
abolonhesa.com

Sissym Mascarenhas said...



Allan,

Por que estou rindo tanto de seu otimo texto?

O menor grau que vivi foi recentemente na Alemanha, -2C.
Achei pior quando havia vento frio, aí sim, pode estar +2C que parece -20C. O tal vento. E este aí, o Siberiano, deve ser um tigre brabo mesmo. Um dia, na serra de Petropolis, bati queixo no carro, descobrimos que foram miseráveis 6C.

Tenho um amigo que foi morar recentemente no Canada, olha, ele é um homem praiano, reclama muiiiiito de onde está por conta do frio. Deve estar agonizando, mas a necessidade o obriga a ficar.

Esta sua frase : É uma daquelas experiências que nos faz refletir sobre a necessidade da vida na Terra. É OTIMA! Vou lembrar sempre.

Bjs

Georgia Aegerter said...

Ninguém merece este frio que tb anda por aqui. Esta manhã ao levantar as 10 hs, pois estamos há uma semana acamados vimos que caiu neve.
Uma noite fria de menos 3 graus. Mas o pior frio que já vivi por aqui nestas terras germanicas foram -17 graus na Floresta Negra. Lá sim cai neve como na Sibéria: em toneladas.

Forte abraço.

Sissym Mascarenhas said...

Hoje o Jornal mencionou o frio siberiano que está incomodando os europeus. Disse que na montanhas italianas chegaram a -40!
Uiiiii

João Menéres said...

E até nevou em Nápoles...
Nem o Vesúvio evitou a neve !
Aqui, com 7º de mínima, a humidade e o vento, faz parecer que vamos para a Sibéria.

Ab.

Menina Marota said...

Se vier para Portugal o tempo é ameno. O tal "frio siberiano" que também por aqui anunciaram nem deu para colocar mais um casaco. Lareira acesa e... chocolate quente.
Ah... e conhaque apesar de não beber, só se for Martell que, por acaso, é o meu sobrenome. ;)

Menina Marota versus Otília Martel :)