Sunday, January 12, 2014

Danilo

Ele chegou na quinta-feira, pouco antes do meio-dia. Cresceu treze anos. Sorriso aberto, abraço afetuoso de saudade acumulada e lembranças esquecidas. Almoço com a Luiza, cochilo no sofá e depois demos uma longa volta pelo centro. “Muito bonita, essa cidade. Gostei.” Esticamos até o mercadinho, que ele gosta de panetone. Esticamos mais um pouco que ele tinha que provar a focaccia di Recco. “Nossa, que delícia!”. Espontâneo como um primo, feliz como a juventude.

Contou de parentes e de lugares que conhecemos. Espiou como se faz massa com abobrinha, comeu e gostou. Tomou cerveja: “Recusar cerveja é falta de educação. Não oferecer, também.” Contou de gente e lugares que conheceu. Descobriu a capacidade de se adaptar, de tolerar e de bater forte na hora certa. Cresce e amadurece sem deixar de sorrir. Tomou vinho, olhamos fotos. Espiou a receita de massa com limão, comeu e gostou. Elogiou o meu feijão: a abastinência de cinco meses da popular leguminosa pode ter influenciado no julgamento, porém, o código de sobrevivência da minha autoestima confirmou a sinceridade dele. Fiquei com o elogio.

Me entusiasmo com quem – como eu – já acorda de bom humor. Com o canto do olho notei intuitivamente o clarão na janela, um segundo Big Bang, quando ele e as duas primas reuniram as personalidades solares em volta da mesa (por que será que família combina com cozinha?). Fotos, passeios, receitas, planos. O futuro geólogo vai mineirar o mundo. Ou ficar rico fazendo biscoitos. ...Se sobreviver a tantas noitadas e noites insones em aroportos e rodoviárias.

Vai, Danilo, exporta teu sorriso por esse mundo adentro. Mas volte, que primo que é primo sempre volta. Volte para novas receitas, para nos fazer provar as tuas, contar dos planos realizados, provocar outros big bangs, elogiar a nossa comida, conhecer novos vinhos e lugares, deliciar-se com novas descobertas e cochilar no sofá. E traga biscoitos. 
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16 comments:

Denise Rangel said...

Allan, que jeito bacana e lírico de descrever a passagem de alguém querido em tua casa! Fiquei pensando no fato de cozinha ser lugar de reunir a família. Infelizmente, a maioria dos apartamentos não têm espaço na cozinha. A sala, com tevê, rouba estes momentos tão singulares. Observo que, na casa de mamãe, as visitas vão direto pra cozinha, enorme. Lá, realmente, é o coração da casa.
Quem sabe não é a hora de desligar a tevê e tornar a sala o coração da casa... Valeu a reflexão!
Ótimo domingo!
Abraço, garoto

myra said...

que beleza este teu primo, um sol!!!e voce e um mestre em faze-lo provar todas estas coisas gostosas! tenho saudades!!!!!!!!!
um beijoa

Bruxa do 203 said...

Rever familiares, principalmente aqueles que não víamos desde pequenos, é uma experiência única!

Gosto de pessoas que sabem elogiar e se adaptam com facilidade.

Danilo said...

Que delicia de texto Allan! Fiquei pensando em mil manieras de agradecer, mas nada que eu diga vai bater esse texto que você escreveu. Muito obrigado a vocês por esses três dias (que passaram voando) e por todos os ótimos momentos juntos! Foi uma delicia re-conhecer vocês, que delicia de familia!! Ja deixaram saudades!! Volto assim que possível, e trago biscoitos!!
Muitos abraços a todos!!

Allan Robert P. J. said...

Denise, a cozinha é o útero da família. Precisamos recuperar o hábito de encontrar também os amigos na cozinha. :)

Myra, como receber alguém querido sem fazer provar os nossos segredos? :)

Bruxa, gosto de receber os amigos, também. Receber gente em casa é viver. :)

Danilo, esperamos a sua volta. :)

Dayanne Guerra said...

Família, combina com carinho e cozinhar é um gesto de carinho, logo comer é algo para se fazer com quem se gosta. Tem tudo a ver. : ) Uma delicia te ouvir falar desta visita...

author casulo-online said...

Melhor que a visita, deve ser o anfitrião, para ter até poetizado a estadia. Bonito!

Cíntia Anira said...

Oi Allan, fiquei muito contente com sua visita lá no blog. Obrigada por nos explicar o que significa "in brodo". Nada como aprender com alguém que vive na Itália. Grande abraço, Cintia de Estocolmo

Paula Oliveira said...

Fiquei pensando no que comentar sobre como é bom ter uma visita assim e um anfitrião desses, mas eu queria mesmo dizer que vc escreve muitíssimo bem. Belo texto.
Beijo

Anonymous said...

tio,
se eu for aí vc faz gutiguti ni mim também?

pedro luis

Allan Robert P. J. said...

Dayanne, Cozinhar em família é mais gostoso. :)

Asulo-online, valeu a visita e o elogio! O anfitrião depende sempre da visita. ;)

Cíntia, espero te ver mais vezes por aqui. Obrigado pelo link. :)

Paula, obrigado pela gentileza. Os meus leitores e leitoras é que são especiais. :)

Pedro Luis, eu não tenho um sobrinho com o seu nome. :P

Léia Silva said...

Pelas tuas descrições o Danilo é o tipo de pessoa que vale muito a pena ter por perto!
Visita como ele é bom demais!
Um abraço
Léia

Allan Robert P. J. said...

Léia, o Danilo é um daqueles primos (das meninas) que fez com que se criasse a frase "primo é um irmão que escolhemos".

:)

Lúcia Soares said...

Allan, lindo, lindo seu texto.
Você já leu "O arroz de Palma"? Ocorreu-me, pelo que vc falou de cozinha/família/aconchego que poderá gostar do livro. O autor é Francisco Azevedo e a história começa em Portugal.
Abraço!

Bah said...

Se um dia a gente se conhecer pessoalmente, quero uma descrição dessa auhauahau

Kisu!

Thais Miguele said...

Família e cozinha... os prazeres inerentes à vida.