Sunday, May 19, 2013

Gli Alpini



Originalmente o Corpo dos Alpinos era a infantaria de montanha do exército italiano, fundada em 1872. Desde então, o termo “alpino” tornou-se sinônimo de todo militar especializado em ações de montanha. Acabou tornando-se uma confraria masculina, que reúne militares de montanha da ativa e da reserva.

Parece que algo acontece quando os alpinos se reúnem e endossam o característico chapéu verde com a pena no lado esquerdo. Pessoas comuns se transformam em honestos servidores, prontos à competição de solidariedade – coisa incomum por aqui. Talvez seja o efeito do controle mútuo, talvez seja a lembrança da experiência positiva partilhada durante o serviço militar, talvez seja somente a vontade de encher a cara e divertir-se. Seja qual for o motivo, os alpinos não passam despercebidos – nem silenciosos – e a presença deles é sempre uma festa.

Uma vez por ano os alpinos se reúnem em uma cidade. Em 2013 foi a vez de Piacenza acolher os mais de quatrocentos mil alpinos, que não deixaram os moradores do centro dormir por três noites. A cidade começou a preparar-se dois meses antes e não faltou alojamento, banheiro nem vinho e cerveja. Todas as praças, escolas e espaços públicos foram transformados em acampamentos. Nenhuma rua do centro histórico ficou impune e os comerciantes estão tendo câimbras de tanto sorrir. Somente o percurso do desfile do dia 12 de Maio foi poupado. Em compensação, o desfile durou exatas doze horas. Moramos num primeiro andar da principal avenida do centro, mas estávamos ocupados demais aproveitando a festa para assistir todo o desfile.

No chapéu alpino, a pena preta de corvo é reservada à tropa; a marrom, de águia, aos suboficiais e oficias menores; a branca, de ganso, aos oficiais superiores e generais. Nos dias de festa as patentes são esquecidas, em nome da confraternização e do copo cheio. Cada grupo traz suas manias, corais, bandinhas, fanfarras e alegria. Difícil não se deixar contagiar. Pergunte aos comerciantes piacentinos. Muitos estão planejando uma excursão a Pordenone, sede da festa no ano que vem. Talvez lhes faça companhia.

“Di qui non si passa.”


16 comments:

Penélope said...

Muito bom conhecer histórias, fatos de um pais tão lindo e tão amado que desejo tanto conhecer...adoro suas escritas, Allan... tenha um lindo domingo...
beijos, Márcia...
maniasdapenelope.blogspot.com.br

Inaie said...

que delicia esse post! Me arrepiou...
E eu imagino a farra que não deve ter sido essa confraternização. Se italiano já é barulhento no dia a dia, imagina nessa farra toda aí!

Thais Miguele said...

Gente unida por um bem comum que faz bem de verdade é sempre contagiante.

Georgia Aegerter said...

Com certeza, Allan!

Boa semana

myra said...

mas tbem ali no norte sao bastante racistas ou nao, Allan?
otimo texto explicativo!
um gde abraco

Vincenzo said...

Oi Allan, você descreveu muito bem o que significa "alpino" no imaginário dos italianos... alpino não è sou um militar mas uma especie de instituição.
Posso imaginar o barulho (eles costumam beber muito :) ), aqui no sul, onde eu moro não é muito comum uma reunião assim.
abraço
V.

lili said...

Dá para não amar esse país?

Sissym said...

Allan,

Acho que cidades pequenas aproveitam mais os dias especiais para realizarem festas tradicionais.
Eu fiquei me lembrando de uma cidadezinha que morei uns anos no litoral do Rio. era comum, por exemplo, as procissoes.

O seu texto está otimo, tive a sensação de ver o que deseja explicar.

beijos

Debby said...

Que legalll
Mas juro que viajei legal... e a primeira imagem que me surgiu na mente foi a do chocolate alpino, que eu adoro. kkk

Mas achei fantástica essa tradição, não conhecia !
Bjs
Debby :)

denise rangel said...

Allan,
No início da leitura, já pensei em chocolate, obvio! :)
Muito interessante. Pelo visto, vocês nem se incomodam tanto com o barulho, já que pretende unir-se a eles na próxima festa, ahah.
As ruas são bem estreitas, né?
abraço, garoto

Teresinha said...

Olá Allan,
Que delicia de post. Ver o quanto o povo dessas cidades pequenas curtem e comemoram com vigor algumas datas.
TUdo de bom.

Luma Rosa said...

Oi, Allan!!
Acho que mais um pretexto para beber!! E depois de uns goles, os mais velhos ficam saudosistas. E os mais jovens do que se lembram? Pode ser uma forma de reafirmação do sentimento que no passado unia os italianos e que agora dividem o norte do sul. Lembrando-os que unidos formam a pátria italiana!
Se não pode com eles Allan, junta-se à eles!!
Beijus,

Misturação - Ana Karla said...

Allan, bom dia!
Esse post é contagiante e as imagens no vídeo só me encheu de curiosidade.
Xeros

Claudinha ੴ said...

Olá Allan!
A diversidade cultural me encanta! Estas reuniões fazem 'aquela' bagunça, mas são necessárias de vez em quando para renovar os sorrisos e as lembranças.
Abraço!

Anonymous said...

Imagino o vazio depois de três dias de intensa e ruidosa manifestação de alegria.
Manoel Carlos

Bruxa do 203 said...

Bem animados! Parece coisa que a gente só vê na tv a cabo, mas é real. Quem sabe no ano que vem...