Monday, October 15, 2012

Lava roupa todo dia



Os mercadinhos chineses e africanos são um alívio para estrangeiros na Itália. Onde encontrar o dendê, camarão seco, aipim, polvilho e suco de maracujá, senão nas lojas de produtos étnicos? Até xuxu encontrei noutro dia. Os chineses costumam ter um pouco de tudo e é para lá que eu vou quando acaba a farinha de mandioca ou quero pesquisar sabores diferentes, curiosar frutas e me espantar com congelados misteriosos.

Detalhes do cotidiano vão nos ensinando a adaptar (feijoada sem paio), nos levam a descobertas e nos guiam na absorção de uma nova cultura, que não substitui a nossa, mas se adiciona a ela. Porém, algumas coisas ficam sem alternativas. Como secar a roupa na meia estação é um mistério mais misterioso que os animais congelados no mercadinho chinês. O problema não existe durante o verão, quando bastam poucas horas para enxugar as cobertas do inverno; mesmo no inverno, basta ter um varal dobrável perto do aquecedor (e lembrar de deixar a janela aberta para livrar-se da umidade) que a roupa vai secar até quase virar pó. Outono e primavera são péssimos para lavar roupa. Quer dizer, lavar pode, o difícil é secar sem uma secadora. Dias úmidos, neblina, temperatura indecisa e aquecedores desligados: haja roupa!

É no outono que os solteiros vão estar sempre de pulover. Morando sozinhos, tendem a evitar trabalhos inúteis, como passar a camisa inteira. Só o colarinho e punhos são cuidadosamente passados, o resto a malha cobre. Mesmo no escritório ou no restaurante, onde a temperatura não combina com roupa de frio. É na primavera que acontece o lançamento das roupas amassadas chiques, pelo mesmo motivo do outono. Todo o guarda-roupa devidamente estendido por dias até secar.

Enquanto tiver roupa limpa, vamos evitando comprar uma secadora. Mas se o aquecedor não for aceso logo...


PS – O xuxu ficou no mercadinho, que saudade também tem limite.
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9 comments:

myra said...

na China, meu neto comia, e ficava doente...
enquanto à roupa, é isto mesmo:))))
abraçao!

cantinho da Nany na Italia 1 said...

Morra de ri com essa!! quando minha mae veio me visitar mes passado, trouxe 5kg de charque, varias caixinhas de leite de coco, fubà de milho,maracujà,minha irma ria tanto, dizia eu n vou levar essa mala! pq se abrirem vao dizer, q diabos è isso? vinheram da feira foi? kkkkk meu marido Italiano, simplesmente amou charque frito acebolado com cuscus ao leite de coco. pense como o bixinho come? fica ate ruim de levantar da cadeira depois kkkkkkkkkkkkkkk, me acabo de ri!!!1

Georgia Aegerter said...

Allan, sempre que dá passo tb no mercadinho chinês que tem numa outra cidade aqui perto.
O que mais compro por lá é aimpim e inhame, nao resisto. A turminha aqui em casa adora uma sopa de inhame.

Agora qto a secagem isso era uma tortura, sempre fiz assim pertinho do aquecedor. Com a chegada dos filhos resolvemos comprar uma secadora pra faciliar o dia porque ninguém é de ferro.

Boa semana

Sissym said...

Sobre mercadinhos chineses: a minha irmã disse que visitando um país (mui caro) na Europa teve a sorte de comer bem e barato comida rapidinha asiática.


Sobre lavar roupas.... hummm... fiquei imaginando o odor dos jeans... arghhh... isso tem aqui tambem!

Bjs

maray said...

esses mercadinhos chineses fizeram minha alegria quando estive pela europa. Os únicos que abriam nos domingos e até altas horas todo dia. Gente em viagem sempre esquece alguma coisa. Eles são a salvação.
quanto à roupa, pastei um bocado pra comprar aqui uma lavadora que NÃO secasse também. (e que custa muito mais). Pra que alguém insiste em vender lavadoras que secam num país como o nosso? Meia hora no varal seca até cobertor de lã! Fora que não há secadora no mundo que deixe aquele cheirinho "de sol" nas roupas...

Lu Guedes said...

Você me brindou com um belo punhado de lembranças. Em Gênova tinha a tia Oi. Sei lá qual era o nome dela. Pra mim era "signorina Ciao" e seu mercadinho de coisas. Mil e uma coisas. Adorava entrar lá e ficar a olhar todas aquelas milhares de coisas empihadas e ela sempre dizendo "ciao".

bacio

Anonymous said...

Caro Allan, esta é a globalização virtuosa, de permanente aprendizado entre viventes de culturas tão distintas.
Adoro viajar e acho que as viagens me transformam.
E quando não viajo, venho aprender aqui e aproveito para rir um pouco.
Manoel Carlos

Roseane Viana said...

Eu adoro os mercados asiáticos.

ines bachiega said...

saudade de passar por aqui e curtir seu texto delicioso!
abraço!