domingo, julho 31, 2011

Paccheri e limone all'Eloá


A diferença entre um cozinheiro e um chef é a língua: como a cozinha francesa tornou-se referência culinária, o termo chefforma reduzida de chef de cuisine – ganhou um significado elitista para indicar o cozinheiro que monta o menu, adapta e cria receitas, além de treinar e controlar os demais cozinheiros. A Eloá é uma chef dinâmica que não se conforma com a rigidez de alguns pratos. Existem muitas receitas de massa com limão, mas a maioria usa creme de leite e a Eloá queria um prato mais suave; em vez de creme de leite, iogurte branco magro. Também eliminou a pimenta do reino branca que confundia o paladar e adicionou uma pitada generosa de açúcar para quebrar a acidez do limão. Pronto!, acabara de criar o nosso prato preferido desse verão.
 
Ingredientes para quatro pessoas:
500 g de paccheri
1 cebola média
1 limão de Sorrento
Iogurte magro
Parmigiano Reggiano
Sal
Açúcar
Manteiga
1 garrafa de Malvasia
 


Leve ao fogo uma panela com água e deixe ferver. Se a panela estiver tampada a água ferverá mais depressa. Ponha a cebola picada em uma frigideira grande com um pouco de manteiga e deixe dourar.


Raspe a casca do limão e reserve. Enquanto a cebola começa a dourar, esprema o suco do limão em uma vasilha.


Junte à cebola uma pitada de três dedos de açúcar, o suco do limão e uns 300 g de iogurte branco magro. Deixe começar a ferver e apague o fogo.


Quando a massa estiver al dente reacenda o fogo da frigideira, recolha a massa com uma escumadeira larga e coloque na frigideira.


Adicione a casca do limão ralada anteriormente.


Junte – sem cerimôniaum punhado de Parmigiano Reggiano ralado na hora.


Ponha uma concha da água de cozimento do macarrão.


Uma vez adicionados todos os ingredientes, a massa deve saltear.


Sirva na própria frigideira para não esfriar e ofereça a garrafa de Malvasia como acompanhamento. (E lembre-se de dar os parabéns à Eloá, depois de provar a receita.)

segunda-feira, julho 25, 2011

Trilha sonora italiana - Paolo Conte

O advogado, cantor, compositor, pianista e boêmio Paolo Conte é "A" referência do jazz italiano. Um dos maoires compositores italianos, com diversos sucessos interpretados por gente como Adriano Celentano, Gigliola Cinquetti, Astrud Gilberto, Patty Pravo, Shirley Bassey, Mia Martini, Malika Ayane e muitos outros.

Se você gosta de música de qualidade, sugiro um mergulho no mar profundo e divertido de Paolo Conte.

domingo, julho 17, 2011

Onde comer na Itália

Toda vez que algum conhecido, amigo ou parente programa uma viagem à Itália, recebo uma solicitação de dicas sobre onde se hospedar e onde comer. Com o início da alta estação a quantidade de e-mails que recebo aumenta, junto com a responsabilidade pelo sucesso da viagem de alguém que estimo. Raramente posso oferecer um auxílio à altura da expectativa de amigos e parentes. A maioria das minhas viagens dura um dia, normalmente a trabalho e nem sempre tenho tempo para almoçar. Hospedar-me em hotéis? Raridade.

Eis algumas sugestões para a sua primeira viagem ao país da pizza.

Como quase não faço uso de hotéis e, portanto, possuo pouca experiência direta, sugiro acessar os seguintes sites: Hotel.pt, Minube e Trivago. Há, ainda, a opção de um cruzeiro marítimo, o que resolve o problema de hospedagem e de onde comer. Durante o período entre Julho e Agosto os preços sobem muito, o calor costuma incomodar e a qualidade dos serviços não é garantida. Se puder, programe suas férias para Junho ou Setembro. Os hotéis costumam trabalhar com reservas e quem não planeja antes corre o risco de não encontrar onde dormir durante a alta estação. Outra dica é pesquisar na Internet as opções de hospedagem nas cidades que se deseja visitar. Digite “hotel”, “albergo” ou “bed and breakfest” ao lado do nome da cidade. Informe-se antes se o hotel estará aberto no período da sua viagem. De um bed and breakfeast (B&B) a um cinco estrelas os preços podem variar. E já que podem, variam muito.

Onde comer é mais fácil para quem vive aqui, mas mais complicado para quem vem para fazer turismo. Quando estou fora de Piacenza, costumo procurar uma trattoria ou osteria fora dos circuitos turísticos no almoço. Normalmente são restaurantes mais ou menos rústicos que oferecem pratos típicos com produtos da estação. O que comer vai depender da região, cidade ou vilarejo. Se, por exemplo, estiver na zona de Livorno durante o Inverno, vou escolher um cacciucco livornese (sopa de peixe muito saborosa), mas durante o verão prefiro um peixe na grelha. Nas montanhas do norte come-se polenta com javali durante todo o ano, mesmo no Verão. Enfim, entre e peça sugestão ao garçom. A maioria das trattorias e osterias servem de dois a quatro escolhas de primeiro prato (massa ou risotto) e outros tantos de um segundo prato (carnes ou peixe) com contorno (verduras, batatas, etc.). Tudo por um preço que varia entre €10,00 e €20,00, anunciado por um cartaz à entrada do restaurante sob o titulo MENU FISSO. Mas, atenção: a enorme maioria só oferece o “almoço executivo” italiano no almoço (!). Evite os restaurantes próximos aos pontos turísticos. A frequência neles exclui os habitantes locais, pois nem sempre a comida é fresca e, provavelmente, o prato típico não será feito “a regola d’arte”. Entre o vinho da casa desconhecido e meia garrafa (mezza bottiglia) de vinho da região, fique com a segunda opção.

À noite procure o restaurante indicado pelo pessoal do hotel e peça conselho sobre o que comer. Em uma viagem a San Benedetto del Tronto jantamos duas vezes no mesmo restaurante – a terceira vez foi cancelada por não termos feito reserva (prenotazione). Na primeira vez pedimos antipasto misto di mare, mais primeiro e segundo pratos (que devem ser informados ao garçom ao mesmo tempo); na segunda vez pedimos apenas o antipasto misto di mare, pois ninguém conseguiu comer toda a comida no primeiro jantar. Pizza, focaccia, piadina ou sorvete são alternativas bem italianas para o jantar (sim, sorvete. Mesmo sob a neve do Inverno).

Você não precisa restringir-se aos restaurantes econômicos, apenas lembre-se de consultar os preços nos cardápios fora da porta do restaurante e de somar os preços de antipasti, entrate, primi piatti, secondi piatti, contorni, dessert, vini e coperto. Mesmo que você opte por apenas um prato de massa e vinho, o “coperto” estará sempre presente na conta. O coperto é uma taxa por pessoa que não inclui o antipasto. Alguns restaurantes até oferecem pão ou antipasto, mas é somente uma cortesia não obrigatória. Se à entrada do restaurante houver o símbolo do Slow Food, significa que a qualidade da comida é ponto de honra da casa, que os produtos são frescos, da estação, produzidos na região e que a comida é típica da zona. Caso visite Turim, Gênova, Bolonha, Milão, Monticello, Pinerollo e Asti (em breve, Piacenza) vale a pena ir conhecer o Eataly e aproveitar para comer em um dos restaurantes dos mercados. Em alguns deles é possível observar todo o processo da preparação da massa na sua frente

Há algum tempo um casal de japoneses virou noticia por ter pago € 600,00 (seiscentos euros!) por um almoço em um restaurante de Roma. A mesma conta, apresentada a um casal italiano não sairia por mais de € 80,00; em cidades turísticas alguns restaurantes possuem dois cardápios: um para os locais e outro para turistas. Apesar desses fatos, a maioria dos comerciantes age com honestidade. De qualquer forma, confira sempre os preços antes. E aproveite a viagem.
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sábado, julho 16, 2011

O "Faça a Sua Parte" continua vivo

A leitora Nenna Falchi deixou um comentário neste post aqui, lamentando a inatividade do blog Faça a Sua Parte. Encaminhei o comentário dela ao grupo de discussão do “Faça” e o resultado é uma nova etapa do blog, iniciando com o questionamento sobre a decisão de cada um de contribuir para um mundo melhor, procurando fazer cada um a sua parte. Pessoalmente acho muito positivo toda discussão sobre a eficácia do trabalho formiguinha, mas acredito ser mais importante ainda continuar fazendo, pois os hábitos saudáveis e sustentáveis poderão mudar a situação.

Faça como a Nenna: Visite e leia o Faça a Sua Parte. Comente, discuta, participe e leve adiante suas propostas. Afinal, esse mundo é nosso, mas é só esse.
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quinta-feira, julho 14, 2011

Idelber Avelar

Quando “O Biscoito Fino e a Massa” fechou, muita gente lamentou. O endereço do blog do Idelber foi retirado das blog list com má vontade e um balançar de cabeças. O que pouca gente sabe é que o Idelber continua postando. E muito. Desde Maio o acompanho no novo endereço na Revista Fórum e garanto que ele continua tão bom como sempre. Se você não sabe quem é o Idelber Avelar, está perdendo parte do que a rede tem de melhor.

Confira aqui.
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domingo, julho 10, 2011

Hemingway e o rio Trebbia


Em cada canto deste mundo onde o escritor pisou, os 50 anos da sua morte foram revividos com uma certa intimidade. Nós planejamos uma ida ao Trebbia. Em 1918 Ernest Hemingway embarcou de Gênova para voltar para casa. Sim, a guerra. Retornou à Itália em outras oportunidades menos dramáticas, tendo visitado Piacenza mais de uma vez. O caminho entre Piacenza e Gênova – o porto do qual embarcava para voltar para casaera a atual SS45 (Strada Statale 45), mais conhecida pelos habitantes como Valtrebbia, a estrada do vale do rio Trebbia.

Na primeira vez que o escritor passou pela Valtrebbia, durante a Primeira Guerra, ficou tão impressionado que escreveu uma nota: “Hoje conheci o vale mais bonito do mundo.” Talvez Hemingway estivesse sob forte carga emotiva, tendo testemunhado algumas das atrocidades provocadas pela guerra; é possível que tenha exagerado com a degustação dos vinhos da região de Piacenza; quem sabe, fora apenas uma gentileza a algum habitante; ou, como acreditam os moradores e todos aqueles que visitaram a Valtrebbia, simplesmente registrou a própria sensibilidade num pedaço de papel.

A frase ficou famosa e hoje é usada para divulgar as belezas da Valtrebbia. Muitas lendas se criaram envolvendo Hemingway e a pesca de trutas no rio. Ninguém sabe ao certo se ele realmente pescou ali, pescador que era, mas houve quem garantisse ter visto o escritor às margens do Trebbia com sua vara de pescar. Mesmo aos não escritores a beleza do vale não é indiferente. Vilarejos e sinos aqui e ali que seguem o percurso cheio de curvas do rio e que sofrem com as cheias repentinas. O Trebbia é – como Hemingway foi – testemunha de fatos hostóricos e de um cotidiano simples dessa gente, acostumada com o rigor do inverno piacentino e com o hábito de providenciar o próprio alimento. A água límpida viaja as montanhas em curvas, pedras, tons de verde transparentes e muitas lendas.
 
Guerras, romances, vinhos e estórias de pescador. O Trebbia desce sinuosamente um vale realmente muito bonito; talvez seja mesmo o mais bonito do mundo. A frase que virou slogan foi a única coisa que Hemingway escreveu sobre o rio e seu vale, mas quem sou eu para discordar de Hemingway?




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