Toda vez que algum conhecido, amigo ou parente programa uma viagem à Itália, recebo uma solicitação de dicas sobre onde se hospedar e onde comer. Com o início da alta estação a quantidade de e-mails que recebo aumenta, junto com a responsabilidade pelo sucesso da viagem de alguém que estimo. Raramente posso oferecer um auxílio à altura da expectativa de amigos e parentes. A maioria das minhas viagens dura um dia, normalmente a trabalho e nem sempre tenho tempo para almoçar. Hospedar-me em hotéis? Raridade.
Eis algumas sugestões para a sua primeira viagem ao país da pizza.
Como quase não faço uso de hotéis e, portanto, possuo pouca experiência direta, sugiro acessar os seguintes sites:
Hotel.pt,
Minube e
Trivago. Há, ainda, a opção de um
cruzeiro marítimo, o que resolve o problema de hospedagem e de onde comer. Durante o período entre Julho e Agosto os preços sobem muito, o calor costuma incomodar e a qualidade dos serviços não é garantida. Se puder, programe suas férias para Junho ou Setembro. Os hotéis costumam trabalhar com reservas e quem não planeja antes corre o risco de não encontrar onde dormir durante a alta estação. Outra dica é pesquisar na Internet as opções de hospedagem nas cidades que se deseja visitar. Digite “hotel”, “albergo” ou
“bed and breakfest” ao lado do nome da cidade. Informe-se antes se o hotel estará aberto no período da sua viagem. De um bed and breakfeast (B&B) a um cinco estrelas os preços podem variar. E já que podem, variam muito.
Onde comer é mais fácil para quem vive aqui, mas mais complicado para quem vem para fazer turismo. Quando estou fora de Piacenza, costumo procurar uma trattoria ou osteria fora dos circuitos turísticos no almoço. Normalmente são restaurantes mais ou menos rústicos que oferecem pratos típicos com produtos da estação. O que comer vai depender da região, cidade ou vilarejo. Se, por exemplo, estiver na zona de Livorno durante o Inverno, vou escolher um cacciucco livornese (sopa de peixe muito saborosa), mas durante o verão prefiro um peixe na grelha. Nas montanhas do norte come-se polenta com javali durante todo o ano, mesmo no Verão. Enfim, entre e peça sugestão ao garçom. A maioria das trattorias e osterias servem de dois a quatro escolhas de primeiro prato (massa ou risotto) e outros tantos de um segundo prato (carnes ou peixe) com contorno (verduras, batatas, etc.). Tudo por um preço que varia entre €10,00 e €20,00, anunciado por um cartaz à entrada do restaurante sob o titulo MENU FISSO. Mas, atenção: a enorme maioria só oferece o “almoço executivo” italiano no almoço (!). Evite os restaurantes próximos aos pontos turísticos. A frequência neles exclui os habitantes locais, pois nem sempre a comida é fresca e, provavelmente, o prato típico não será feito “a regola d’arte”. Entre o vinho da casa desconhecido e meia garrafa (mezza bottiglia) de vinho da região, fique com a segunda opção.
À noite procure o restaurante indicado pelo pessoal do hotel e peça conselho sobre o que comer. Em uma viagem a San Benedetto del Tronto jantamos duas vezes no mesmo restaurante – a terceira vez foi cancelada por não termos feito reserva (prenotazione). Na primeira vez pedimos antipasto misto di mare, mais primeiro e segundo pratos (que devem ser informados ao garçom ao mesmo tempo); na segunda vez pedimos apenas o antipasto misto di mare, pois ninguém conseguiu comer toda a comida no primeiro jantar. Pizza, focaccia, piadina ou sorvete são alternativas bem italianas para o jantar (sim, sorvete. Mesmo sob a neve do Inverno).
Você não precisa restringir-se aos restaurantes econômicos, apenas lembre-se de consultar os preços nos cardápios fora da porta do restaurante e de somar os preços de antipasti, entrate, primi piatti, secondi piatti, contorni, dessert, vini e coperto. Mesmo que você opte por apenas um prato de massa e vinho, o “coperto” estará sempre presente na conta. O coperto é uma taxa por pessoa que não inclui o antipasto. Alguns restaurantes até oferecem pão ou antipasto, mas é somente uma cortesia não obrigatória. Se à entrada do restaurante houver o símbolo do
Slow Food, significa que a qualidade da comida é ponto de honra da casa, que os produtos são frescos, da estação, produzidos na região e que a comida é típica da zona. Caso visite Turim, Gênova, Bolonha, Milão, Monticello, Pinerollo e Asti (em breve, Piacenza) vale a pena ir conhecer o
Eataly e aproveitar para comer em um dos restaurantes dos mercados. Em alguns deles é possível observar todo o processo da preparação da massa na sua frente
Há algum tempo um casal de japoneses virou noticia por ter pago € 600,00 (seiscentos euros!) por um almoço em um restaurante de Roma. A mesma conta, apresentada a um casal italiano não sairia por mais de € 80,00; em cidades turísticas alguns restaurantes possuem dois cardápios: um para os locais e outro para turistas. Apesar desses fatos, a maioria dos comerciantes age com honestidade. De qualquer forma, confira sempre os preços antes. E aproveite a viagem.
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