A Itália vista por um brasileiro. As diferenças culturais, descobertas e sabores, com uma pitada de bom humor (às vezes).
quarta-feira, abril 30, 2008
Absurdo!
A autoridade que tutela a privacidade do cidadão italiano (Il Garante dela Privacy) mandou bloquear o site, após algumas horas em que era possível consultar a renda do vizinho, dos políticos, ou de qualquer outro cidadão italiano.
A notícia tinha sido antecipada pelo jornal Italia Oggi, que ensinava os cinco passos para consultar os dados no site do Fisco.
Que exista tal lei há 35 anos já é algo que assusta; tornar os dados acessíveis com apenas cinco cliks do mouse, no conforto de casa, anonimamente, é algo que deve ter deixado muito mafioso feliz da vida. “Você ganhou 1.000 e só me pagou 10. Quero os outros 490.” Isso sem falar nos outros problemas que cada um dos leitores deve estar imaginando.
No final da manhã Visco já havia decidido suspender tais informações, mas não sem antes declarar que estava tudo pronto para ir ao ar em janeiro e que só esperou as eleições passarem para cumprir uma ação que ele julga democrática. Não sei se vai rolar briga de cachorro grande ou se vai acabar tudo em pizza.
Só espero que o presidente Lula não tenha o hábito de ler este blog.
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sábado, abril 26, 2008
Chuvinha

Há
Piacenza fica
Os
segunda-feira, abril 21, 2008
Dia da Terra

Blogagem Coletiva
A
No
O
Os
sexta-feira, abril 18, 2008
Aprendendo a ler

Vivendo há alguns anos na Itália, fica difícil analisar a atual situação do analfabetismo no Brasil. Apesar disso, tenho a impressão de que as coisas não são muito diferentes da época em que ainda morávamos lá (ou, aí), pois é um nosso hábito gastar muito tempo debatendo detalhadamente os grandes problemas nacionais, empurrando as possíveis soluções para um futuro que não chega nunca. As boas intenções se transformam em projetos; os projetos, em propostas parlamentares; as propostas parlamentares passam anos sendo distorcidas por comissões que buscam tirar algum proveito e no fim se descobre que a verba foi utilizada em viagens de turismo de alguns parlamentares.
Na Itália a educação é obrigatória até os 16 anos, mesmo para quem não tem residência fixa, como os ciganos. Há um progeto de lei transitando no Congresso Italiano para aumentar esse limite para 18 anos, mas congresso é tudo igual. Mesmo assim é possível encontrar analfabetos por aqui, normalmente entre os anciãos. O problema é maior quando se trata de estrangeiros, muitas vezes alfabetizados nos países de origens mas absolutamente analfabetos na língua italiana.
Sou do tempo do Mobral. Uma multidão de voluntários que ensinavam a ler e escrever, mas poucos alunos saíam de lá com capacidade de compreender e interpretar textos de uso cotidiano. Produzir um texto escrito, então, nem se fala.
Pouco antes da Bianca nascer, li uma matéria sobre um certo Dr. Glenn Doman e comprei um livro chamado “Como Ensinar Seu Bebê A Ler”. A primeira parte do livro esclarece que o médico operava recém-nascidos com problemas no cérebro e a experiência dele com o mundo dos bebês, esclarecendo que aprender a ler é mais fácil que aprrender a falar. A segunda parte é o método desenvolvido por ele, que usei seja com a Bianca que com a Luiza, que nasceu dois anos e meio depois. O resultado é que tenho duas filhas solares, comunicativas e extrovertidas, que vivem a idade que têm e são absolutamente normais e diferentes entre si. A Luiza chega a ler cinco livros por mês, mas pode passar até dois meses sem ler nada além de sms e revistas juvenis. Já a Bianca lê até três livros por dia, mas também tem seus períodos de recesso, ainda que mais breves que os da irmã.
Temos um casal de amigos com um filho de cinco anos. O garoto possui uma inteligência acima da média. O pai é nigeriano, a mãe, italiana. Até pouco tempo atrás, antes de começar a frequentar a pré-escola, o menino respondia ao pai em inglês, à mãe em italiano e aos avós maternos em dialeto piacentino, que não se parece com nada que eu consiga entender. Depois que começou o período da pré-escola, ele reponde sempre em italiano, apesar do pai continuar falnado-lhe em inglês. Só abriu mão do italiano quando a avó paterna veio passar um mês com eles e viu-se obrigado a responder a avó em ibu, a única língua conhecida por ela.
Em contra-partida, conheço pessoas (muitas, infelizmente) que, apesar do diploma na parede, possuem a mesma capacidade cognitiva de alguns ex-alunos do Mobral. Moral da história: não basta saber ler e escrever para considerar-se alfabetizado. Mas como podemos ajudar a resolver o problema sem esperar pelo governo? Daqui da Itália é possível praticar a adoção à distância. Funciona assim: com um mínimo de 60 euros por mês o cidadão adota uma criança pobre que viva com os pais (ou com um deles) e os missionários se ocupam em pagar parte das contas daquela família, desde que a criança frequente regularmente a escola e não trabalhe. A criança que recebe um auxílio escreve uma cartinha de agradecimento, manda fotos e recebe cartões no Natal. Todos os 60 euros são gastos com aquela família. Há algum tempo fiz um levantamento e descobri que 3% dos italianos que conheço pratica a adoção à distância e que 18% participa de algum serviço voluntário, oferecendo umas poucas horas por semana a alguma causa assistencial. Imaginem se no Brasil existisse um serviço voluntário para combater o analfabetismo? O método do Dr. Glenn Doman poderia ser mais difundido [desaconselho a leitura do livro às mulheres grávida], mas como fazer se os pais são analfabetos ou semi-alfabetizados? O trabalho voluntário é a única saída. E voluntário não significa necessariamente participar de uma ONG ou associação, mas precisa ser organizado, metódico e responsável. É possível obter maiores informações no site Alfabetização Voluntária.
Lembro do programa Vila Sésamo – sesamo, em italiano, é gergelim. “Abre-te gergelim!” – que estimulava o aprendizado da leitura. Infelizmente a TV de hoje está cada vez mais preocupada em índices de audiência, que atraem patrocinadores para sustentar os altos custos operativos. Mas ainda acho que parte da programação deveria ser dedicada a uma educação lúdica, voltada à infância. O problema da educação – e aí entra a alfabetização – está na base. Professores sub pagados, mal treinados e desatualizados acabam se desestimulando. Os pais, cada vez mais empenhados em garantir a sobrevivência, muitas vezes de formas indignas, têm cada vez menos tempo e paciência para a educação dos filhos e a TV só ajuda a piorar o que já é ruim. Talvez se enviássemos um projeto de lei ao Congresso Brasileiro…
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sábado, abril 12, 2008
Ossário
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- Sergio Pininfarina nasceu
- Emilio Colombo nasceu
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- Giulio Andreotti nasceu
- Francesco Cossiga nasceu
- Oscar Luigi Sacalfaro nasceu
- Carlo Azeglio Ciampi nasceu
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