Saturday, November 10, 2007

Outono Postal

Dentre as diversas instituições italianas, os Correios (Poste Italiane) fazem parte daquelas que não gozam da minha credibilidade. Toda a minha correspondência chega com um atraso mínimo de um mês. Para evitar problemas, prefiro autorizar o débito automático em conta corrente de todos os serviços públicos.

Os livros do Alex e do Bia que o Branco me mandou em junho, ainda não chegaram. Se receber antes do Natal, vou considerar um presente. O CD que comprei de uma empresa de Florença, em março, só chegou em julho. Junto com um aviso de cobrança por atraso de pagamento. Caminhando oito horas por dia a 5 km por hora, teria feito o percurso de 460 km que separam Florença de Piacenza – ida e volta – em doze dias. A pé.

A pé, é como parece caminhar o ânimo italiano no outono. O fim do verão em setembro anuncia o início do ano letivo, mas não o do ano fiscal. Os dias ficam curtos demais e tem feito frio demais. Como as férias dos trabalhadores são divididas em duas ou três partes durante o ano e o verão dura pouco, o normal é fazer duas semanas de férias durante o verão. Viagem de lazer depois de 15 de setembro, só para que tem filhos crescidos ou não os têm. Portanto, este é o período em que viajar é muito conveniente. Um cruzeiro pelo Mar Vermelho custa menos da metade do preço de agosto. Países como o Egito, Marrocos ou Tunísia ficam lotados de operários italianos sem filhos e com pouco dinheiro para gastar.

Quem ficou para enfrentar a maratona dos livros escolares, encontrar as botas para a excursão de classe a Veneza e fazer as matrículas nos diversos cursos dos filhos (natação, vôlei ou hip hop), só irá receber os cartões postais dos colegas em férias próximo ao Natal. Se receber.

É verdade, o inverno é muito mais frio que o outono, mas o mau humor já terá passado e os planos para o verão seguinte esquentarão as longas noites frias. O guarda-roupa invernal é definido e elegante, ao contrário da dúvida outonal que desfila pela cidade. Casacos de pele contrastam com as jaquetas jeans ou com o suéter displicentemente jogado sobre as costas. A lembrança ainda fresca das férias de verão e a consciência de ter que percorrer um ano inteiro até a próximas férias que mereçam ser chamadas assim, cria um mal-estar solidário e triste.

O único consolo é que este é o período em que os cartões postais enviados durante as férias começam a ser entregues. Pode-se suspirar e encher a cara de café, que o trabalho nos espera.
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23 comments:

Jussara Gehrke said...

ah Allan... lembrei dos queijos e salames dai, enquanto provo 'panettones fakes'(rsrs) você prova verdadeiros formaggi!!!!

e aqui nao tem o pandoro que eu adoro!

já passei duas vezes o Natal na Italia, as comidas é o que mais fica na memoria, os odores e sabores...

e quanto a receber os cartões postais atrasados penso que é romantico neste mundo fast, lendo seu post fiquei pensando nas correspondencias de outros tempos, esperar o carteiro era uma emoção na minha adolescencia que nenhum jovem vai experimentar mais.

e é bom demais vestir um casaco pra sair de casa, sentir o nariz gelado, se aquecer com um vinho, não reclame!!!!!...rsrs...

beijo
Ju

Ju

Alex Castro said...

putz, os livros tao indo no lombo do burro....

georgia aegerter said...

Allan, essas coisas dao nos nervos nao é mesmo? Pode parecer bonito e romantico como a Jussara ai escreveu, mas olha quem fica esperando...é duro viu.
Em setembro do ano que vem iremos até o Gadarsee. Meu esposo e eu vimos que seria uma distância de Piacenza de quase 114 km, seria isso mesmo? Você saberia nos dizer? Eu fiz a rota pelo www.map24.com e fiz entre Sirmeione e Piacenza. Bem..., se nao for tao longe assim poderemos dar uma esticadinha até sua cidade, para almocar num lugar gostoso e beber um vinho... vai pensando ai, converse com a esposa. Ainda temos muito tempo até lá.

Bom domingo prá vocês

maray said...

Acabei de vir de uma visita ao meu filho, em São Francisco. Ficava triste de tê-lo longe de nós até ver como é a vida por lá e comparar com a daqui. Faça o mesmo, Allan. Leia um jornal daqui, qualquer um. Você vai se sentir melhor, tenho certeza. Esta é uma triste verdade. Mas é verdade. Quisera que não fosse assim :(

Magui said...

Agora estou entendendo o porque dos atrasos no recebimento das corresponêndias que vêm da Itália.Dois meses para chegar daí um cartão de natal.Cáspita!!!!
Em tempo: Nâo sei porqeu mas, ao ler seu texto, lembrei-me dos livros de M Delly

Biajoni said...

CARALHO!!!!!!!!!!
:>/

Yvonne said...

Allan, nem no Brasil dos velhos tempos os Correios eram tão lentos desse jeito.
Beijocas

luma said...

Não se chateie! tome cafezinhos que são sempre bons! Eu sou muito ansiosa para esperar e tem gente que reclama dos correios daqui. Rezar para as encomendas cheguem intactas. Beijus

Sandra said...

Não nos obrigue a achar que telegrama aí é ao som de tambor!!

Beijooooooooooooooooooooooooooossss (será que demoram a chegar, também???)

Flavio Prada said...

Olha, a minha Itália é praticamente a mesma que a tua e aqui a correspondência chega sempre em dia. Por isso acho que voce tinha que falar também dos teus dobermanns que mordem todos os carteiros que aparecem por aí. Certos detalhes fazem a diferença ;-)
Abraços.

Claudio Costa said...

À parte sua observação sobre os 'correios-tartaruga" daí, pareceu-me pertinente a associção entre as mudanças climáticas e o humor das pessoas. As roupas de cores vivas no inverno dão um alento à reclusão quase forçada e preanunciam outro verão. Assim, vivemos de lembranças e planos: de como foram as férias e como gozaremos as próximas. Viver o Imaginário é uma das formas de enfrentarmos o Real.

Leila Silva said...

Credo, que atraso horroroso.
Abraços

Capedonte said...

Esse anoitecer que chega às cinco da tarde, é realmente pertubador. Essa foi a segunda coisa, depois da ausência do mar em Padova no verão, que me fez parar de repente e lamentar "Não estou em casa". Mas agora falta pouco para eu retornar pra Floripa, onze dias. Sol, calor, praias e o sutaque do pessoal de Floripa, me aguardam.

Um grande abraço!

georgia aegerter said...

Allan, já que os correios italianos têm esses problemas na entrega, vou ajudar a solucionar um pouquinho... terca-feira dia 20.11, estarei lancando o meu livro online e você está convidado a aparecer por lá para beber um vinho online conosco.

Entao, até terca-feira

Abracos

Ana Maria said...

Começo a achar os Correios do Brasil a instituição mais confiável que existe. O problema aqui não é atraso na entrega mas o desaparecimento puro e simples das encomendas. Sem falar nos cartões de crédito, que agora são entregues por funcionários dos bancos disfarçados de transeuntes.

Alline said...

Ai, Allan, pois eu achei que a pendenga com o correio italiano era só minha! Eu tô histérica com eles. E de saco cheio de ter que pagar toda santa encomenda que chega pra mim (sendo que já pagaram no Brasil ou eu já paguei o frete no site onde comprei). Sem contar que um sedex enviado do Brasil chegou mais de 1 mês depois...arrghhhhhhhhh!!!
Qto ao outono, eu tô achando lindo. Ainda não tinha vivido um outono na Europa. Só inverno, primavera e verão. As folhas caindo, o frio aumentando mas com dias de sol. Só a escuridão as 5 da tarde que me deixa um pouco melancólica...mas piora, eu sei! Hahahaha.
Beijos

Manoel Carlos said...

Enviei alguns cartões-postais de Bissau, em 1994, ainda não chegaram, será que estão a caminho, via Itália?

david santos said...

Por favor!
Ajuda a que se faça Justiça a Flávia. Se és um ser com sentimentos, ajuda!
Eu jamais invadirei teu blogue, garanto! Mas ajuda.
Repara bem: eu, tu, seja quem for, tem nosso pai, nossa mãe, nosso irmão ou irmã, ao longo de 10 anos em coma, que vida será a nossa?
Se não tivermos a solidariedade de alguém com sentimentos, que será de nós?

TEMPO SEM VENTO

Ah, maldito! Tempo,
Que me vais matando,
Com o tempo.
A mim, que não me vendi.
Se fosses como o vento,
Que vai passando,
Mas vendo,
Mostrava-te o que já vi.

Mas tu não queres ver,
Eu sei!
Contudo, vais ferindo
E remoendo,
Como quem sabe morder,
Mas ainda não acabei
Nem de ti estou fugindo,
Atrás dos que vão correndo.

Se é isso que tu queres,
Ir matando,
Escondendo e abafando,
Não fazendo como o vento:
Poder fazer e não veres
Aqueles que vais levando,
Mas a mim? Nem com o tempo!

David Santos

Branco Leone said...

Essa demora tá de lascar. Isso é ridículo. Vou mandar mais um livro de cada, a ver se desentopeo cano. Se você depois acabar recebendo todos, dá prum pobre. Os livros, claro.

georgia aegerter said...

Você está tao sumido quanto o correio italiano. Estou te esperando lá na Saia.

Bom fim de semana

denise said...

Allan, paciência, menino.Enquanto a encomenda não chega, que tal uma daquelas receitinhas, hein...
ótimo fim de semana
abraço, garoto

www.verbeatblogs.org/linguademariposa said...

Olá, Alan
Voltei de novo.
Menino, pelo menos as pessoas te escrevem. Desde que estou aqui, quase 5 anos, se recebi tres cartas e dois cartoes foi muito.

Quanto ao frio, eu adoro! Nunca vi nordestina mais traiçoeira que essa. Detesto o calor do verao, a multidao que invade todos os lugares. Adoro o vinho tinto, o fondue, as noites diante da lareira escutando música e conversando.... adoro as ruas de Madrid, as árvores nuas...
Hum... mas eu sou romântica por natureza, né? Nao enfrento o dia a dia dos metros cheios nem me preocupo mais com as férias...
Quem sabe é por isso que posso curtir tanto meu momento de vida.
Seu post tem gosto de você, que como sempre escreve deliciosamente.
Beijos

Segunda impressão said...

Caramba! Eu enviei um cartão de natal para um amigo italiano que eu só conheço pela net. Ele fez o mesmo depois de mim. O cartão dele já chegou aqui faz tempos! E o meu nem sinal de vida...Fico até sem graça que acaba parecendo para ele que eu menti. Já se vão quase 2 meses...:(