Friday, July 06, 2007

Etiquetas Italianas

- …Eu sou daqueles que quando começa uma coisa, vai até o fim.

- [Começou. Esse cara tem o poder de me irritar.] Eu, ao contrário, se percebo estar equivocado prefiro parar e avaliar uma alternativa.

- Vocês, extra-comunitários, são muito suscetíveis à direção do vento. Basta aparecer uma proposta diferente e vão vocês. Tenho minhas próprias convicções.

- Não se trata de suscetibilidade, também tenho minhas próprias convicções. Apenas prefiro não dividir o mundo em partes, nem tenho a necessidade de etiquetar as pessoas para conviver com elas.

- Como jornalista, é muito útil selecionar e dividir as coisas, opiniões, pessoas. Por exemplo: noutro dia precisava escrever sobre salames fui falar com o Sr. Ferrari, na feira. A família dele produz salames de qualidadeanos, e é muito melhor ter o nome dele anotado na agenda comosalame”. Outro exemplo: Quando preciso da opinião da esquerda light, te convido para um café.

- Cara, mas se eu votei no Berlusconi?! [Vou dar um na cabeça desse cara pra mostrar que o modo dele de enxergar o mundo é um modo obtuso.]

- Vo… Você não é um progressista?

- É você que não percebe que essa ótica limitada de ver as coisas lhe impõe fronteiras que não existem. O Sr. Ferrari até vende salames, mas não os fabrica. São os irmãos dele que tocam o negócio de família. aos sábados você o encontra na feira. Nos outros dias ele é professor de filosofia na faculdade. [Essa é verdade, mas que vai doer nele, isso vai. Touchê!]

- O… Sr. Ferrari…?

- O único conforto – se é que isso chega a ser um conforto – é que você etiqueta a si próprio quando diz: “Eu sou daqueles que…” Você se impõe limites restritivos e nem percebe.

- Que história é essa?! Eu evoluo, aprendo novas coisas, absorvo novos valores

- Tenho minhas dúvidas. O problema é que quem não é jornalista como você, também divide as pessoas em função do próprio julgamento, com uma agenda imaginária que registra apenas as informações superficiais, coletadas às pressas para poder classificar logo cada novo conhecido. E o outro nem tem a possibilidade de fazê-los mudar de idéia. Uma vez etiquetado, a convicção do juiz não muda.

- Peraí, vocême chamando de obtuso.

- Não se preocupe, reconheço as suas outras características e ainda lhe dou a possibilidade de mudar.

- Quem disse que eu quero mudar? Sou feliz assim!

- [É esse o problema.] Eu sei.

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14 comments:

Yvonne said...

Allan, uma das coisas que mais gosto de ver é pessoas que não têm medo de mudar de opinião. É difícil, mas é enriquecedor. Belo post. Beijocas

D. Afonso XX, o Chato said...

E viva a modernidade, que nos trouxe o "método". abs

Flavio Prada said...

Eu vivo mudando de opinião, ou melhor, eu nunca mudo de opinião.
O senhor Ferrari é igual, nunca está contente. Insiste em aperfeiçoar aqueles carrinhos vermelhos que faz entre um salame e outro.

Ana Maria said...

é uma chatice sem tamanho essa história de ser etiquetada. sem falar que é uma tremenda falta de imaginação, coisa de gente obtusa mesmo.

Carol Timm said...

"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante/ Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo... "

Adorei seu blog! Parabéns!

Vou fazer um link para cá,
assim não perco o caminho...

Abraços,
Carol

Sandra said...

Puxa... Acho que não gostaria de saber a opinião dele sobre mim, então!!!

Beijos

Lenissa said...

Adorei!!!

Capedonte said...

O pior de tudo é que existe gente que passa boa parte da vida querendo ser rotulado de algo. Conheço muitos que se vestem de um jeito, falam de certo modo, cursam toda uma faculdade, só para poderem se dizer e para serem identificados como isso ou aquilo.

Abraços!

Leila Silva said...

Muito bom este diálogo, acordei já tendo que refletir...
abraços

Meg (Sub Rosa) said...

Allan, querido
Mas que post desses que fazem a gente sorrir e dizer : eu també ! eu também sou assim!
:-)
Querido, aproveitando, voc~e sabe me ensinar onde consigo a letra da musica de Chico: Samba pra Vinícius a parte em italiano cantada por Ornella Vanoni?
Beijos e quando vc puder me dizer, OK? eu vou ficar feliz.
Obrigadíssima!
beijos, amigos e "próximos"
Meguita

Georgia said...

Oi Allan, tudo bem?

Que bom que eu vivo fugindo da Síndrome de Gabriela.

"Eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim, vou ser sempre assim, Gabrieeeeeeela..."

Eu nao tenho nada parecido e sou mutante.

Boa semana

Meguita said...

Cio Allan

(Hahahaha, sempre que venho aqui, morro de aprender e rir com seus maravilhosos leitores, que bem gostaria de acrescentar aos meus:-)

Sindrome de Gabriele!!!
Putzgrilo, Georgia, vou incorpot=rar esta, OK? Dou-te os créditos, querida.
===-=-=-Agora o comentário propriamente dito que poderás ler no meu blog;
Mudei o título do post e escrevi:
"Agora, querido Amigo: estás realmente mexendo com a alma da gente, naquilo que temos de mais aparente para os outros: a forma de ser.
Isso eu queria ter dito ontem.
Vemo-nos refletido em ti, em tuas cronache degli cose qutidiani”.

Al più presto, Amico mio e Grazie tante

Vou voltar para o curso de italiano, para não cometer tanti sbagli;-)
Baci
Meguita

Meguita said...

Cio, non!!!!
Ciao!
;-o((((

osrevni said...

Faço o maior esforço pra ser inetiquetável, mas... não dá! Sempre tem alguém que consegue me rotular!