Friday, March 16, 2007

O Poder Coercivo Do Estado

– Dotô, cheguei da Sicília ontem e descobri que eu murrí.

Como eu o estou vendo vivo e ainda não fiquei caduco, explique-se.

– Parece que teve um acidente e o fulano tinha um documento meu e morreu…

Como é que esse fulano tinha um documento seu?

– Sei , dotô! sei que enterraram o ômi aqui em Cremona como se fossi eu, mas euaqui, vivim da silva. que sem documento, e sem documento nesse mundo de Meu Deus ninguém pode ficar.

– Vai ter que providenciar um atestado de vida

– Num pode dar o sinhô mesmo?

Não. Tem uma série de procedimentos que a lei exige para provar que o senhor é o senhor mesmo.

Mas… Dotô! Se euaqui e o sinhômi vendo, por que tem que esperar? O sinhô, digo, o dotô não acredita que euvivo, não?

Não é isso, é que existem esses procedimentos…

– E até eumorto?

Não, o senhor está vivo, mas é como se fosse morto. Ao menos até provar que está vivo.

Então eu posso sair por e aprontar, roubar, matar…?

– Pode, aliás, isso facilitaria as coisas. Era mandar esse agente de polícia dar um tirinho no senhor e estaria tudo resolvido. Ele nem seria processado, o senhor está morto mesmo. Me evitaria um bocado de burocracia

– DOTÔ! EU QUERO MEUS DOCUMENTOS.

Infelizmente vai ter que esperar a questão burocrática ser resolvida. É a lei.

– E se eu der uma banana pra lei, assim ó…

Agente! Prenda este homem por desacato à autoridade!

– E que nome o dotô vai usar pra registrar minha prisão? Vai prender quem? E se me mandarem pra Trieste ou pra Nápoles? Como o dotô vai me achar dentro depois?

Agente, leve este cidadão ao serviço de assistência social. Se ele voltar aqui, atire nele. Na volta, me traga uma aspirina.

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22 comments:

Meguita said...

Allan...
Tem certeza de que na Itália falam assim:-)
OU isso se passou no Brasil e você transportou pra Itália?

Gostar eu gosto. É engraçado. Mas, parece um "causo" em linguagem de "capiau' os sabidíssimos e espertí ssumo matutos mineiros.
Buongiorno.
M.

Yvonne said...

Allan, foi uma brincadeira que me fez pensar no assunto. Já imaginou uma situação dessa? O sujeito é tido como morto, só que está vivo e não pode provar que ele é ele. Deus me livre! Beijocas

luma said...

Allan, aconteceu isso no sul do país (Brasil) E vi agorinha na tv. Acho que teve uma premonição.
O caso aqui foi assim: Um bandido morreu e foi encontrado com os documentos da pessoa que ele havia roubado. Foi dado atestado de óbito com esses documentos. Agora apareceu uma pessoa querendo provar que está viva. Que doideira!!
Bom fim de semana! Beijus

Manoel Carlos said...

Do jeito que as coisas andam, o mundo de ponta-cabeça, eu não me surpreenderia se os vivos obtivessem atestado de óbito e vice-versa.
Ri um bocado.

sandra said...

Adoro quando chego aqui e vejo estas suas histórias!!!

Beijos

D. Afonso XX, o Chato said...

São inúmeros os casos como esse. A Luma referiu um recente. Ter que dar atestado de vida é muito comum na burrocracia. Mas pense no lado positivo: muita gente ganha rios de dinheiro por que nem sempre é obrigado a dar atestado de vida (vide o INSS). Com isso resolve-se o problema das fraudes. abs

Mikas said...

Xiii xoitado se fica perdido na cadeia para sempre... hum tendo em conta também como funciona a segurança social cá em Portugal não sei o que será pior hahaha

georgia aegerter said...

Ri um bocado, viu!!!


Boa semana

maray said...

a burrocracia as vezes diverte. mas só às vezes. Vivo um caso pessoal, ultimamente. Precisando tirar passaporte italiano, eu que nunca fui à Itália já obtive a cidadania, agora só falta o passaporte. Já meu marido, que nasceu na Itália e se naturalizou brasileiro, perdeu a cidadania italiana...então é assim agora: eu sou italiana sem nunca ter estado aí e meu marido italiano não é mais. ..:)

Cláudia said...

Meu endereço mudou para: http://sabiasabeassobiar.blogspot.com
APAREçA!!

Alline said...

Eita que saudade que eu tava de vir até aqui e ler seus causos!
Beijocas

Paulo Nunes Jr said...

Até parece que eu já li esse causo antes aqui no jornal La Repubblica! hehe
As vezes acho que é melhor morrer mesmo que ter que lidar com a burocracia italiana e o non-logics.

Aliás, você acha que o método de segurança aplicado nos estádios ingleses funcionaria aqui?
Hum...?????? Italiano que se preze sempre quer fazer diferente, mais renascentista, porque o ego deles na maioria dos casos(quando não se trata de 'truffa') não permite o plágio, ainda mesmo que funcione.

SACANITAS said...

allanzito! :)

pior eh que mesmo com tanta burocracia a coisa por aqui nao funciona. argh!

beijoooo
:)
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Sandrinha said...

Antes um morto vivo que um vivo morto ....rsrs

Allan estou atrasadinha, mas agradeço as dicas para acentuação, na minha volta para Itália será utilissimo...

A propósito...vou cobrar o cafézinho;0)

Abraços

daiza said...

Que situação! Coitado, cair nos tentaculos da burocracia... beijos

~*Vica*~ said...

Adorei essa, que sarro! Responde a minha enquete no Novos Ares?

Meg said...

Carissimo,
já não está hora de alimenatar o apetite dos famintos leitores nos quais me incluo???
De qualquer forma, beijos para a família inteira.
E um fim de semana, meraviglioso

denise said...

Vim à cata de texto novo e, cadê??
Foi buscar inspiração? Deixa a gente com água na boca e some...
abraço, garoto

Ana said...

hahahahaha Excelente! Amei o sotaque caipira combinado com as cidades italianas... rsrsrs
Bjo

Ana said...

hahahahaha Excelente! Amei o sotaque caipira combinado com as cidades italianas... rsrsrs
Bjo

Ana said...

hahahahaha Excelente! Amei o sotaque caipira combinado com as cidades italianas... rsrsrs
Bjo

Cris Bomfim said...

Hahaha! Muito bom este post...
Provar que se está vivo dever ser muuuuito mais dificil que provar que morreu!!! Sem contar que daria para fazer uma série de posts com as aventurar do vivo-morto!
Tava com saudades daqui!
Beijo