Friday, February 23, 2007

Eolo

Em Ciorlano, um lugarejo medieval na província de Caserta, deu-se início à construção da mais recente “fazenda de vento”. É assim que os habitantes da região Campania, no sul da Itália, chamam as centrais de produção de energia eólica.

A central energética contará com dez torres de aço de 80 metros e cada uma ocupará 150 metros quadrados de terreno. Cada moinho (ou rotor) medirá 72 metros de diâmetro e, juntos, produzirão 60 milhões de Kilowatt por ano, energia suficiente para abastecer uma cidade de 100 mil habitantes.

Para convencer os pouco mais de 500 moradores de Ciorlano, o prefeito organizou uma excursão a Albanella, na vizinha província de Salerno. Lá os ciorlani puderam constatar que os rotores de nova geração produzem pouco rumor e que os cabos que conduzem a energia à central são enterrados, o que reduz substancialmente as emissões eletromagnéticas. Com a nova usina, a Campania passará a contar com 216 fazendas de vento, sendo a região italiana que mais investe nesse tipo de energia alternativa.

A WWF italiana e a Legambiente assinaram um protocolo com a associação dos produtores de energia eólica, para garantir que nenhuma instalação virá a ser construída nas rotas dos pássaros migratórios, as maiores vítimas desse tipo de usina. O prefeito de Ciorlano, o médico Silvio Vendettuoli, tem em mãos um estudo da Universidad de Madrid, que registrou 7250 pássaros mortos por 400 torres eólicas instaladas em Salajones, Izco, Alaiz, Guerinda e El Perdon, na Espanha.

Assim como as usinas hidrelétricas, as fazendas de vento também são consideradas fontes alternativas limpas, por não produzirem resíduos poluentes. Isso permite à empresa de energia vender a eletricidade ao concessionário público local e à rede nacional, que são obrigadas a produzir, a partir de fontes renováveis, parte da energia gerada.

Apesar do impacto ambiental inicial e das consequências à fauna e flora, a energia eólica não produz resíduos tóxicos nem contribui para o aquecimento global. Integrado aos incentivos ficais que o governo italiano oferece para implantar projetos individuais de energia alternativa, as fazendas de vento são a solução às empresas e residências já existentes, oferecendo a possibilidade de reduzir o consumo de combustíveis fósseis não apenas a novos projetos, mas de mudar a situação existente.

Ao que parece, a região Campania está disposta a transformar essa história de fontes renováveis de energia em algo mais que simples palavras ao vento.


Via Diario.
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3 comments:

COSTA said...

Aqui no Brasil o único lugar em que vi pessoalmente um complexo de energia eólica foi no Ceará. Parece ser uma ótima solução. Não sabia desse problema de pássaros serem vítimas daquelas hélices enormes. Uma pena (sem trocadilho!).

Manoel Carlos said...

As hidrelétricas de pequeno porte (HPP) são limpas, mas as imensas, como Itaipu, mesmo não causando impacto na geração de energia, causam muito impacto sócio-ambiental na implantação (no caso de Itaipu, o canal de São Mateus, por exemplo, desapareceu), no caso do Brasil, além das HPP, a alternativa mais razoável seria fotovoltaica, mas insistem em biocombustível, coisa de louco, teremos que desmatar tudo para produzirmos biocombustível. O biocombustível só faz sentido quando a produção se dá com o uso do rejeito do que já é produzido, como bagaço da cana-de-açúcar e casca de coco.

Anonymous said...

O bom é que é muito inteligento, o Pedro. Metido a artista, muito criativo.

Quero aqui me congratular com tuas idéias tão bem descritas. Estimulante saber que o homem hoje busca alternativas que diminua o impacto de mudança climática e ambiental a que estamos submetidos, caso nada seja feito neste sentido. Mesmo Os EUA sendo contra, eu acho que o resto do mundo tem tudo poara viabilizar esta realidade.

Um forte abraço, e desejos de que tua vida seja um salão de festas.

Naeno