Wednesday, March 08, 2006

Alô, Alô, Marciano

Caros e Caras,

Paz e saúde!

“Alô, alô, marciano. Aqui quem fala é da Terra. Pra variar, estamos em guerra…”

Incrível como a canção de Rita Lee e Roberto de Carvalho, que ficou famosa na voz de Elis Regina, nunca saiu de moda!

Semana passada assisti um documentário sobre os discos voadores que os americanos fabricam desde os anos cinqüenta, como pesquisa no desenvolvimento de um avião invisível ao radar. A forma circular impede o retorno do sonar, confundindo o radar. Em 2004 a aeronáutica militar do México informou ter observado e registrado a presença de objetos voadores não identificados no espaço aéreo mexicano. O assunto circulou timidamente entre as notícias dos segundos cadernos de poucos jornais italianos, entre receitas de pratos da estação e informações culturais. Os dois ou três jornalistas que se atreveram opinar sobre o caso, o fizeram sem muita seriedade. Apenas um deles, que responde as cartas enviadas pelos leitores daquele jornal, sugeriu que teria sido uma manobra dos americanos (a difusão da notícia, não o vôo dos ufos) para tentar desviar a atenção das torturas no Iraque.

Ninguém por aqui levou muito a sério a notícia mexicana e, se realmente foi parte da estratégia americana para tirar a tortura praticada pelos seus soldados do centro das atenções, não funcionou. A situação dos iraquianos tem sido um prato cheio para a política italiana, desde então. O assunto, em si, não desperta a atenção da mídia italiana, mas a discussão política em torno dela, sim. Ainda em 2004 o governo italiano – assim, em letras minúsculas mesmo! – determinou que a tortura pode ser considerada crime e tornar-se passível de punição caso ocorra mais de uma vez. A primeira sessão de tortura seria considerada parte do processo investigativo.

Os políticos da oposição querem a retirada imediata dos soldados italianos do Iraque, como fez a Espanha. Os que foram contra o envio de tropas ganharam o apoio daqueles que preferiram calar à época. Romano Prodi, ex primeiro-ministro italiano e ex presidente da Comissão Européia, apoiou discretamente a invasão do Iraque, mas diante das notícias de tortura e da participação da população iraquiana nos conflitos contra os invasores, afirmou que o trabalho dos soldados italianos deixou de ser uma missão de paz e pediu o retorno à casa dos militares. O atual primeiro-ministro Silvio Berlusconi, deixou claro (em outras palavras) que a “Força de Paz” italiana permanecerá no Iraque enquanto houverem soldados americanos por .

Como alternativa às intermináveis notícias iraquianas, que perdem espaço nos noticiários, os desfiles de moda, um novo filme ou festival, a crônica policial e até mesmo os UFOs vão ganhando espaço. Um programa de rádio perguntou aos seus ouvintes quantas pessoas, entre eles, teriam tido contato com ufos e alienígenas. Muitas as respostas clássicas sobre o assunto, como “se vocês vissem a cara da minha mulher quando acorda, teriam a certeza da existência de extraterrestres”, ou “os alienígenas existem e são mais inteligentes que nós. Basta ver que eles preferem não haver contatos com o ser humano”. Mas algumas pessoas ligaram para contar a própria experiência com UFOs e ETs. Dois ouvintes contaram ter tirado fotos de discos voadores (no México e na Venezuela) e que a aeronáutica italiana teria sequestrado as fotos e negativos.

quem reconheça como excesso de presunção acreditar que num universo tão grande não existiriam outras formas de vida inteligente além da nossa. Seria um desperdício. Mas devo confessar jamais ter tido contatos com seres de outros planetas, apesar de ter tido contato com um monte de gente estranha, o que, não raro, me faz refletir e concluir que a expressãovida inteligente” pode ter uma interpretação vasta demais.

Pessoalmente creio que seria muito difícil explicar a uma forma de vida mais evoluída as nossas desigualdades. Ficaria constrangido em falar de torturas, fome, poluição e egüinhas pocotó. Aliás, quem me garante que eles entenderiam a nossa fala? Quem garante que eles têm olhos, ouvidos e um cérebro? Podem ser formas gasosas, pastosas ou líquidas. Quem sabe? Quem, em nome da ciência e da gastronomia, pode me garantir que aquela coisa verde que passei no pão, noutro dia, não era um marciano que agora está tentando controlar meu corpo? É uma dúvida que sempre tive, desde que enviamos aquela placa metálica ao espaço, esclarecendo quem somos e onde habitamos. Perguntei: “Quem garante que eles têm mãos para segurar a tal placa, olhos para olhá-la e a capacidade para ler? Podem observar a tal placa por anos sem entendê-la”. E meu amigo Cássio respondeu: “Tem uma flechinha apontando: ‘This side up”.

Ai, que saudades da Elis!

Ciao.

13 comments:

Gustavo Guilherme BacK said...

Ao menos o governo italiano (com minusculas) é sincero com relação aos métodos que adota, não que isso mereça grande mérito, mas ao menos permite o questionamento da sociedade, enquanto os americanos mascaram suas "técnicas" de interrogatório e tudo quanto mais lhes interessa enquanto fazem cara de santos na terrível luta contra o terror (leia-se, luta pelo ouro negro).

Ana Maria said...

Elis, sempre Elis. Pela voz, lucidez, talento, repertório. Estava à frente do seu tempo. :-)

Milton said...

Também nunca fui abduzido... E viva a Elis!

marcelo said...

Tambem sou parte do coro ao "Viva Elis!" e, como o Milton, nunca fui abduzido.

E quanto `a vida "inteliente" fora da Terra, `as vezes penso: se nem sempre eh facil encontra-la na Terra, quanto mais fora...

De qualquer forma, matematicamente falando, eh quase impossivel nao haver vida fora daqui, mas concordo que esperar que sejam como nos eh demais. Alem disso, seria muito azar...

abraco

Flavio Prada said...

Allan, me espanta que voce ainda tenha dúvidas a respeito dos extraterrestres. Só aqui no meu condomínio tem uma dúzia deles. Em reunião de pais na escola das crianças encontro sempre umas dezenas. Estão por tudo! E aquela pasta verde que voce passou no pão é sem sombra de dúvidas, um deles. Mas nãoi se empolgue, essa hitória de abdução é balela. Esses ETs nunca se misturam, pode esquecer. Melhor assim. Ah, e viva Elis!

Marilia Mota said...

Também sempre achei curiosa essa procura de água em outros planetas como pré-condição de vida inteligente. É uma visão bem antropomórfica essa. Quem sabe?
Por via das dúvidas, melhor deixar de lado a pastinha verde. Se levantou suspeita...

sandra said...

Passei aqui para pedir um favor: dê um beijo imenso na Sra. Allan.

Pat said...

Elis Vive!

Marilia Mota said...

Por favor, Allan, não me leve a mal, mas V. pode me dizer como se prepara panqueca ou crepe? Não o recheio. A massinha mesmo. Sei que V. não é D Benta, mas o que já fiz de receita sua ficou tão bom. E, na verdade, só agora estou aprendendo e tomando gosto com cozinha. Obrigada.

Manoel Carlos said...

Eu não espera saber, em pleno Século XXI, que alguém diz que "a primeira sessão de tortura faz parte do processo interrogatório" e estas bestas dizem, cinicamente, que lutam pela democarcia, pelos direitos humanos, pela liberdade, contra o terrorismo...

Viva said...

Cumequié? A 1ª sessão pode? Isso me lembra aquele infeliz deputado paulistano que disse:" estupra, mas não mata."
Melhor virar marciano...

Leila Silva said...

Eu também registro que nunca vi ETs...E se encontrasse, ainda que compreendessem muito bem português eu tb não saberia explicar as idiotices do nosso planeta.

Anonymous said...

Meu rei, a maior prova que existe seres imteligemtes é que eles jamais fizeram comtato comosco.