Sexta-feira atípica. Até dez dias atrás, o frio nos fazia torcer por dias mais agradáveis. Afinal é primavera. A prima da Eloá veio com a filha aproveitar o clima ameno. Ela mora em Sampa, a filha, nos Estados Unidos. Cobertas e casacos. Carregaram a Eloá pelo Norte da Itália por dez dias. Comeram, beberam (pouco – a filha tem obsessão por água. Já cogitou viagem pra tomar a água local do destino...), foram pra spa, visitaram parentes, saíram da Itália e a festa chegou a fim com um mundo de fotografias, boas lembranças e o coração quentinho.
Segunda e terça foram dias tão cheios e corridos, que
acordei na quarta agradecendo por ser sexta-feira. Não era. Quarta e quinta o
ritmo foi mui, muito maios e perdi a noção do tempo. Nem sabia em que mês
estamos, mas continuava a achar que todo dia era sexta-feira. Ou sábado. Não era.
Hoje, vejam só, não tive um serviço sequer. Girei que nem barata tonta, que
nem.
As hóspedes, que levamos para conhecer Cremona (aqui
pertinho) na semana passada, se agasalharam e se entusiasmaram com a cidade de
Stradivarius e com a nossa Piacenza. Compensaram com o calor pornográfico dessa
semana, daqueles que faz arrepiar o estômago só de pensar em casaco.
Para concluir, minha filha avisou que não vai trabalhar
na segunda-feira.
— Ué, por que, filha?
— Porque tirar folga no feriadão?
— ...Feriadão?
— É, pai. Terça é feriado!
— Que feriado maluco é esse que aparece de repente?
— Festa da República, lembra? 2 de junho de 1946,
quando o povo escolheu num referendo a república e mandou ao exílio a família Savoia
que reinava na Itália.
— Lembro não. Na verdade, eu nem tinha nascido.
Sexta, sábado, domingo, segunda e terça. Cinco dias
imaginando o que fazer para não enlouquecer com esse calor dos inferno.
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