Thursday, February 21, 2013

O melhor de Sanremo 2013


Como sempre, este ano aconteceu o Festival da Canção Italiana (63ª edição), mais conhecido como "Festival de Sanremo". Como sempre, não assiti (melhor dizer que assisti alguns flashes, mas sem muito entusiasmo).

Parece que o festival renasce a partir deste ano, com índices de audiência de até 52%. Boa notícia para os músicos locais e para os anunciantes. O vencedor era mais que esperado: o bom Marco Mengoni, com um segundo lugar que apreciei muito para Elio e le Storie Tese.

Contudo, a melhor parte do festival foi proporcionada pela humorista Luciana Littizzetto, co-apresentadora do festival com o jornalista e apresentador Fabio Fazio. É um monólogo contra o feminicídio, na tradução livre que apresento abaixo:

"Na Itália, em média, a cada dois ou três dias um homem mata uma mulher. Uma companheira, uma filha, uma amante, uma irmã, uma ex. Talvez em família, porque a família não é, obrigatoriamente, um lugar mágico onde tudo é amor. Mata porque considera que a mulher é uma propiedade dele; porque não entende que a mulher pertence a si mesma e é livre para viver como quiser e, até mesmo, de apaixonar-se por outro homem. E nós, que somos ingênuas, frequentemente confundimos tudo com amor. Mas amor não tem a nada a ver com pancadas. O amor com tapas e socos é como a liberdade com a cadeia. Nós, que em Turim nos ressentimos com a nobreza, dizemos que é como passar do risotto à merda.

Um homem que bate na gente, não nos ama. Coloquemos isso na cabeça, salvemos no "hard disk". Queremos crer que nos ame? Queremos crer que nos ame? Bem, então nos ama mal. Não é esse o amor. Um homem que bate na gente é um escroto, sempre. E precisamos entender isso na hora, no primeiro tapa, pois haverá um segundo e depois um terceiro e um quarto... O amor deixa feliz e preenche o coração, não quebra as costelas nem deixa marcas no rosto. Não acreditemos ter sete vida como os gatos, não: temos apenas uma. Não a desperdiçemos."


13 comments:

Thais Miguele said...

Muito concordo!

Meiroca said...

Lucianina disse tudo! Brava!

myra said...

Luciana e genial e fala com a VERDADE!!!!!!
parabens a ela e a voce qe colocou isto aqui!!!!
grande abraco!!!!

Léia Silva said...

Assisti todos os dias e dos 5 que acompanhei, esse foi o meu preferido!
Também fiquei feliz com o segundo lugar do Elio e le Storie Tese.
O monologo de Luciana me fez arrepiar, foi excelente!
Realmente tem que entender imediatamente, no primeiro tapa!
Te desejo um fim de semana cheio de paz.
Léia

Sissym said...

Allan,

Não temos mesmo 7 vidas, precisamos de amor proprio e coragem.

Beijos e muito bom final de semana.

Raphaella Perlingeiro said...

Quando li seu post fiquei feliz em ver este tema vindo à tona. E fico mais emocionada ainda em perceber sua preocupação em divulgar essa mensagem, essa questão.

É fundamental desnaturalizar esse tipo de comportamento criminoso e cruel, tirá-lo das sombras, e lembrar que o respeito à vida humana, qualquer que seja, deve nortear sempre nossas ações.

Bravo.

Inaie said...

tem post seu no gaiola amanhã!!!!

Bruxa do 203 said...

Mensagem realmente necessária.

Todos os anos deixo a tv ligada no festival e vou olhando só algumas partes.

Georgia Aegerter said...

Oi Allan, quer ver se escrevi alguma coisa errada lá na Saia Justa?

Abracos

Nennafalchi said...

A baixinha deu um show! Muito obrigada por compartilhar!!!

Anonymous said...

Deve doer nos italianos ouvir um discurso como esse. Impressiona a estatística - além das notícias que chegam até aqui.

Parabéns por publicar!

Mayra

Roseane Viana said...

Falou e disse, tudo!!!
Bom domingo amigo!

Inaie said...

que coisa mais triste. E o pior é que mulher que apanha geralmente procura outros relacionamentos doentios, se acostuma no papel de quem apanha.
E a violencia domestic acontece em todas as classes sociais, em todas as culturas...infelizmente.