Thursday, July 12, 2012

Como se não bastasse a crise econômica


Finalmente sobrou coragem para denunciar o que todo mundo sabia: a burocracia e a ignorância freiam a economia italiana. Eis alguns exemplos:

Segundo uma matéria do jornalista Carlo Andrea Finotto, do jornal Il Sole 24 Ore e a coluna do jornalista e consultor Walter Passerini no jornal La Stampa, a rede de artigos esportivos Decathlon desistiu do investimento de 30 milhões de euros em Brugherio, próximo a Milão, depois de oito anos de odisseia burocrática. O projeto estava inserido na construção de um parque esportivo público que abrigaria uma loja da rede e a sede da empresa na Itália. Tal investimento geraria 250 novos empregos.

Mais: a Ikea desistiu do investimento de 60 milhões de euros e 300 empregos que faria em Pisa, depois de seis anos lutando contra documentos, a administração pública e inexplicáveis e infinitos controles; o gaseificador da British (empresa de gás) em Brindisi, um investimento de 800 milhões de euros e 1000 novos empregos, também não sairá do papel: depois de 11 anos de tormentos burocráticos a empresa viu-se obrigada a bater em retirada; a Fileni, grande produtora de frango, está desistindo de montar uma nova granja na região de Macerata, por oposição dos comitês populares. A medida vai impedir a criação de 150 novos empregos; a Tecnoplastica, na Valtellina (norte da Itália) pretendia ampliar sua estrutura a 2 quilômetros da sede mas foi impedida. Falta atualizar o plano de uso do solo e a empresa (5 milhões de faturado e 50 dependentes) está avaliando a possibilidade de transferir-se para a Suiça.

São investimentos que fazem diferença no momento que a Itália está vivendo, mas nada parece ser capaz de minimizar a obtusidade administrativa italiana. A lista não se concluiu com os exemplos acima, mas seria impossível completá-la num país com normas tão arcaicas quanto desestimulantes.

Passerini finaliza com uma frase que deveria estimular debates e provocar mudanças: “Não se pode trocar novos empregos por menos saúde e segurança, mas tampouco perdê-los por estupidez”. …Pizza?
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5 comments:

myra said...

gostei do que disse Passerini...voce sempre nos informa de coisas que mtad vezes as pessoas ou nao sabem ou pior, nao ligam...
abraço

Inaie said...

vem pro vietnam e vc vai achar a Itália uma zogue. juro! Só as motos enlouquecidas são parecidas...

Nennafalchi said...

Que absurdo!
Isso sim é que é primeiro mundo.

Sempre achei que a Itália fosse uma democracia; acabo de descobrir que é uma burocracia extremista.

:*

Juliana said...

Allan, sempre digo que se nao fosse pela burocracia muito acirrada a Italia estaria em uma situaçao melhor... infelizmente, coisas simples e faceis de serem resolvidas acabam se transformando em um problema sem soluçao.

Luma Rosa said...

Vai gerar empregos? Deve ser esse o motivo. Cresce a fama de que italiano não gosta de trabalhar... ooops. a fama da burocracia italiana. Até mesmo Gianni Alemanno reclamou da burocracia em relação ao começo das obras de restauração do Coliseu que coloca em risco a segurança do monumento.
Bom restinho de semana!! Beijus,