quarta-feira, abril 25, 2007

Frutas Secas II

Insalata Carasau – para duas pessoas

2 folhas de pão sardo “Carasau”;
4 ovos;
150 g. de salada (alface, acelga, chicória, radicchio ou o que tiver, tudo misturado);
200 g. de tomate cerejinha;
1 dente d’alho;
40 g. de pinoli;
4 filés de anchovas,
Sal;
Pimenta do reino;
2 ou 3 colheres de azeite virgem de oliva.

Cozinhe os ovos e deixe esfriar. Em uma frigideira (já reparou que os italianos usam frigideira para tudo?) com azeite, refogue o alho esmagado – mas não em pedaços – e o pinoli. Quando estiver dourado, retire o alho e adicione a anchova, abaixe o fogo e mexa por um minuto. Em uma tigela, tempere a salada e o tomate cortado em quatro com o sal; junte o azeite com anchovas e pinoli e misture bem. Passe rapidamente o pão em água fria, quebre em pedaços pequenos e divida em dois pratos. Coloque a salada por cima do pão e, por último, os ovos cozidos cortados em fatias. Adicione uma pitada de sal e pimenta do reino sobre os ovos e cubra tudo com um fino fio de azeite.

Esse é um prato que deve ser preparado no momento para evitar que o pão amoleça. O pão Carasau é típico da Sardenha. Um disco de farinha finíssimo e crocante. Na impossibilidade do pão Carasau, substitua com casca de pão francês ligeiramente aquecida ou com chips, aqueles triângulos de milho fritos como batata.
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sexta-feira, abril 20, 2007

Dia da Terra

Mesmo ausente da blogosfera nos últimos dias, voltei para chamar a atenção de uma data especial: dia 22 de abril é o dia da Terra, como bem lembrou nossa amiga Lúcia Malla. Dêem uma passada pelo Faça a Sua Parte e participem das manifestações conscientizadoras que pipocam por toda a rede.

Agradeço o apoio recebido nesses dias e as manifestações amigas. Informo que em breve voltarei com a programação normal.

domingo, abril 15, 2007

Meu Herói, Meu Bandido

Nossa história começou naquele início de noite da primavera carioca. Minha mãe conta que você ameaçava agredir o médico, que entendia a calma dela como um sinal de que o momento ainda não havia chegado. Era a minha estréia nesse mundo e você brigando. Não muito diferente de qualquer outra ocasião em que fosse necessário um mínimo de paciência, um pavio ainda que curto.

Lembro do seu sorriso orgulhoso enquanto minha mãe me levava à casa da Nádia Pacheco, do outro lado da rua Peixoto Gomide, no Cremerí, em Petrópolis, para a minha primeira lição de leitura. Tinha apenas três anos, mas você me havia ensinado a ver as horas e a jogar xadrez, e isso fazia de mim alguém capaz de aprender a ler. Lembro, também, do quarto de brinquedos tão cheio que vez ou outra encontrávamos um pacote esperando ser desembrulhado. Eu, meus irmãos e o exército de amigos necessários para tantos brinquedos. Lembro dos almoços intermináveis aos domingos e a casa sempre cheia de gente, e que os brinquedos não substituíam a sua presença, cada vez mais rara.

Quem tem irmãos nunca está sozinho, mas eu sou estranho mesmo. Sempre vivi no mundo da lua ou nos outros mundos que construía sozinho. Ainda hoje passo a língua no dente que está para cair tentando ajudá-lo e me espanto: o último dente de leite caiu há muitos, muitos anos. E você nem estava para ver. Como também não estava em outras ocasiões importantes.

Apesar de tantas idas e vindas, separações e reencontros, aprendi muito com você. Aprendi como não tratar as mulheres e como não conduzir os negócios. Como destrinchar frango com cara de quem sabe o que está fazendo e ter a capacidade de mudar de idéia, compreender e aceitar a diversidade do mundo. Aprendi que o caminho escolhido deve ser uma trilha, não um trilho. Meus irmãos e a rua trataram de ensinar o resto. Empinar papagaio, jogar bolinha de gude, nadar, andar de bicicleta e trabalhar para pagar as contas. Ser independente foi consequência, não uma lição.

Minha curiosidade me levou cada vez mais longe, mas eu sou estranho mesmo e sempre me senti muito perto. Sempre penso em quem está longe como se morasse na rua de trás e converso conversas imaginárias. Vou a lugares que combinam com alguém e imagino esse alguém ali, a conversar comigo. Vou a cafés que iríamos juntos e passeio por lugares que passearíamos. E isso reduz um pouco esse sentimento de culpa por não ter acompanhado a sua velhice, por não ter tomado um café juntos. Por viver longe e saber da sua morte por telefone.

A imagem mais forte é, talvez, a primeira. Biscoito de cuspe e mate gelado na praia, em Copacabana. Lembro dos meus cabelos, brancos como o sol. Brancos como o seu sorriso.