Sunday, April 09, 2006

Boca De Urna

Caros e Caras,

Paz e saúde!

Receita da melhor pizza do ano. Anote.

Cada partido monta uma lista com os nomes dos candidatos. Caso o partido tenha votos suficientes para eleger alguém, respeita-se a ordem na lista. Ao eleitor cabe escolher somente o partido. É por isso que não faz sentido haver duas cédulas de 20 cm x 40 cm. Eleito, o congresso é quem decide quem será o presidente do Conselho de Ministros – o primeiro-ministro, mesmo! Mas as opções não chegam a representar sangue novo. A disputa é entre o atual primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que ocupou o cargo anos atrás e Romano Prodi, outro ex-primeiro-ministro.

Algum engenheiro maluco deve ter bolado o atual sistema. Não pode ser obra de alguém normal e um engenheiro faz cálculos tão complexos. Um físico, talvez, mas maluco, com certeza. Existem áreas permitidas à propaganda eleitoral, onde foram instalados painéis de zinco com espaços delimitados para cada partido. Cartazes de inimigos históricos lado a lado, democraticamente, como numa praia. Como qualquer publicidade, cada cartaz tem o carimbo de autorização da prefeitura. Nada é grátis por aqui. E os eleitores ainda tiveram que ouvir o primeiro-ministro Silvio Berlusconi chamar de bundão quem votar na esquerda.

O voto e o escrutínio ainda são manuais, com direito a presidente de seção e urna. As cédulas nem ganharam apelido, pela imensa vergonha da incapacidade em modernizar o sistema. Tentei chamá-las de “lençol” e “papiromas desisti ao perceber o ar melindrado das pessoas. Quando alguém me pergunta se é verdade que a eleição no Brasil é informatizada há alguns anos, faço cara de inocente e respondo: “Boh…!” (sei !)

Basta ir à seção, pegar o lençol rosa (ops!) e fazer um “X” na lista escolhida para a Câmara dos Deputados; no papiro amarelo (desculpe!) fazer o mesmo sinal sobre a lista escolhida para o Senado; dobrar as cédulas – essa é a parte mais difícil – e colocá-las na urna; esperar que os votos sejam contados, que as acusações entre os candidatos dêem uma amenizada e começa a parte pior: decidir quem foi eleito. Para permitir a governabilidade do país foi instituído umPrêmio de Maioria”, que possibilitará ao partido ou coalizão mais votada alcançar 55% dos votos válidos. Como o próprio cálculo para definir quem obteve mais votos é complicado, fica a dúvida sobre quem terá a maioria. É uma confusão que torna o processo eleitoral uma questão muito delicada e que serve para afastar o eleitor da escolha do seu representante.

Segundo o matemático Oswald de Souza, as possibilidades que um eleitor saiba exatamente o que acontecerá com o seu voto, pode ser expresso com um percentual negativo, pois todas as alternativas estão erradas. Na melhor das circunstâncias, vai ficar a curiosidade: você imaginou como deve ser o muque do cara que carimba todos aqueles cartazes?

Ciao.

8 comments:

Lucia Malla said...

Simplesmente inacreditavel, Allan. Andei lendo umas coisas do Berlusconi... q q eh isso??? Como ele eh candidato ainda??? Uma pizza e tanto, sem duvida.

marcelo said...

Nesse sentido, somos todos meio parecidos, Brasil e Itália. Apesar de no Brasil termos a eleição informatizada, a falta de memória e, de certa forma, alternativas, são as mesmas.

(ah, o porco deve ser morto, e o esquartejar é parte do limpar...)

abraço

Juliano said...

Manchete na FSP: 'Beslusconi aposta em carisma para ficar no poder.' Eu, com esse carisma, já estava desempregado há tempos.

Um abraço.

Sonho Meu said...

Eta receitinha boa.hehehehe
Bjos,
ME

Sonho Meu said...

Oi amigo,
Vim agradecer o teu comment lá no meu blog.
Um grande abraço.
ME

pisconight said...

HAHAHA
E aos videos do berlusconni que andam a circular na net? Como é que alguém ainda acredita nele?
Embora aqui em Portugal se passe o mesmo...
;)

Anaí Tobias said...

Estou rindo pois meu marido quando chegou em casa reclamou que pior que saber como e em quem votar era dobrar a danada da scheda, e ainda ficou pasmo de ver que se vota com lápis....O tamanho da scheda só faz jus ao titolozinho de eleitor, que parece as carteiras de vacinação das crianças do Brasil!

Ana Maria said...

Allan, a votação com urna eletrônica é mais rápida e prática, mas os nossos candidatos são parecidíssimos com os italianos. :-(