Monday, January 16, 2006

Retalhos Coloridos

Caros e Caras,
Paz e saúde!



Nunca entendi bem por que homens devem usar gravata. Compor a camisa, evitando que esta fique aberta, revelando parte da intimidade masculina não chega a ser uma explicação aceitável (tradições nem sempre mantém a coerência). Nem chega a ser um cachecol, usado para proteger do frio. Por outro lado acho interessante a capacidade humana de transformar tudo em moda, recriar um acessório, transformá-lo em pequenas obras de arte, …e cobrar uma fortuna por isso.

Quem pensa que pizza seja difícil de fazer, nunca tentou. A pizza Margherita é um clássico não na Itália. Anote a receita:
Pizza Margherita:
Massa: 
250 g. de farinha
5 g. de fermento para pão
1 pitada de 3 dedos de sal
1 pitada de 3 dedos de açúcar
1 colher de sopa de azeita extra virgem de oliva
1 copo d’água morna (+ ou - 150 ml)

A minha implicância com a gravata se estende ao cachecol quando usado apenas como acessório de moda, sem enrolá-lo no pescoço, ficando desprotegido do frio. É como se alguém caminhasse carregando os sapatos nas mãos. Cachecol tem uma função. Ou deveria ter, pelo menos na minha cada vez mais ranzinza visão.

Em uma bacia plástica, coloque a farinha formando um pequeno vulcão. Dissolva o fermento na água morna e adicione-o à farinha. Junte o azeite, o sal e o açúcar. Misture bem e amasse sem bater. Quando a massa estiver homogênea e elástica, faça uma cruz no centro com uma facapara ajudar na fermentação – e cubra com um pano limpo. Deixe descansar por uma hora, uma hora e meia, dentro da bacia e longe de corrente de vento (costumo deixar dentro do forno desligado). A massa deve dobrar de tamanho.

É comum, em dias de jogo, ver uma multidão usando cachecóis com as cores dos times. Ficam todos , cobertos da cabeça aos pés e o cachecol do time cobrindo a face. os olhos ficam de fora. Mais curioso ainda é a rebeldia coletiva que domina os italianos e a tentativa de ser mais criativo que o resto da humanidade. Homens de ternos sóbrios e cinzas descem dos trens com longos cachecóis amarelos, brancos ou vermelhos. E nos dias de festa nacional, cachecol com as cores da bandeira, o Tricolor.

Recheio:
200 g. de mozzarella de búfala
100 g. de tomate sem pele e sem sementes
Sal
Manjericão
Azeite de oliva extra virgem

Não deixa de ser criativo o modo como cada um tenta compor o próprio cachecol. Alguns o mantém jogado displicentemente sobre os ombros, sem dar uma volta à frente do pescoço. Outros, escolhem o cachecol mais comprido que encontram (não posso crer que não sejam feitos sob medida) e o enrolam em dezenas de voltas no pescoço. E tem os que costumam dar nós, como se fossem enormes gravatas. No inverno passado reparei um que me pareceu novo: dobre o cachecol ao meio, passe-o em volta do pescoço e, à frente, enfie as duas pontas no laço que se forma. É prático e não fica se desfazendo.

Quando for abrir a massa, acenda o forno e deixe-o à temperatura de 220 ºC. Amasse com um garfo os tomates e adicione uma pitada de sal. Corte a mozzarella em cubinhos, lave e enxugue as folhas do manjericão. Quando a massa estiver no ponto espalhe um pouco de farinha sobre a mesa e abra-a com um rolo de macarrão. Coloque-a na forma de pizza ligeiramente untada com azeite, ajeite-a com os dedos até que a assadeira fique completamente coberta. Com uma colher, espalhe a polpa de tomate sobre a massa, adicione a mozzarella, um fio de azeite e algumas folhas de manjericão. Espalhe bem os ingredientes, deixando a pizza bem colorida. Leve ao forno e deixe até dourar. Sirva com um copo de vinho ou uma cerveja gelada. Abra uma pizzaria e fique rico.

Uso os meus curtos e discretos cachecóis no modo clássico, enrolados com apenas uma volta no pescoço e caídos sobre o peito. Protegem do frio e não me sinto cobaia de algum estilista bizarro. Talvez meus cachecóis nem combinem com as duas princesas que acabam de entrar na sala, enroladas em enormes cachecóis coloridos, que me oferecem beijos gelados do frio da rua e transformam a casa numa algazarra deliciosa. Talvez a minha rabugice seja apenas o sintoma da dificuldade em aceitar todo esse frio em janeiro.

Quer saber? Vou botar um cachecol e sair pra comer uma pizza.

Ciao.

14 comments:

Manoel Carlos said...

Allan, eu entendo pouco de muitas coisas, mas há uma coisa da qual nada entendo: moda; contudo, no ano passado o Brasil fez um jogo amistoso contra uma seleção européia, creio que a República Tcheca. E a televisão contou como o uso da gravata foi disseminado; os tchecos (?) a usavam como um cachecol, uma delegação tcheca foi à França e chamou a atenção, daíi para os franceses fazerem do uso uma moda, foi um pulo, com as adaptações, virou esta coisa desconfortável.
Ainda bem que você avisou que é pra cobrir com um pano limpo, senão... :0)

Daíza said...

Ciao Allan! Bom ano prá vocês também. Eu sou viciada em pizzas e cachecóis, mas odeio gravatas enforcando os colos dos homens, apesar de adorá-las em todas as suas estampas e cores enquanto estão penduradas nos armários.
Um abração

D. Afonso XX, o Chato said...

Deves saber, é claro, que 10 de julho é considerado o dia da pizza exatamente por causa dessa pizza? Foi quando a Rainha Margherita a comeu pela primeira vez (10 de julho de 1889). Tá, podia ter feito outro comentário qualquer, hehehe abração

Flavio Prada said...

Allan, maravilha de post, bem a teu estilo. Eu me identifico nessa coisa de ficar cada vez mais ranzinza. Com os anos se somando eu já perdi até a vontade de perder a paciência. Já abandonei a paciência, não levo mais comigo. Espero que isso seja normal. Bem, agora vou aproveitar tua sugestão e fazer uma pizza de cachecol. Abraços.

Gaspar VS said...

CONTRA CAVACO – VOTAR, VOTAR!!!
CAVACO? – NUNCA MAIS!!!

"Eu nunca me engano e raramente tenho dúvidas."

Cavaco Silva


1) Ele não se vai rir de nós!! Depois de muito tentar ser presidente de todos os portugueses, finalmente "ser califa no lugar do califa".

2) Julga que vai ser primeiro-ministro. (Queria era voltara ser primeiro-ministro: há muito mais dinheiro para distribuir pelos amigos e muito mais a meter ao bolso, com favores aos empresários e aos que querem "suprimir" a burocracia.)
3) Engana os eleitores com messianismos e esperanças irracionais. Foi imbuído por deus [sim o dito é católico! Como não?] para nos guiar e salvar.
4) Se vai pressionar o governo inconstitucionalmente (e eu pessoalmente acredito que depois de estar em Belém o Cavaco muitíssimo, íssimo, íssimo, íssimo, pouco vai fazer, muito menos algo de vagamente controverso), não vai respeitar o juramento de fidelidade para com apresente constituição.
5) As gafes!!! - Tenham dó!
6) A probabilidade de o aguentarmos, com tudo o que ele representa, não só o capitalismo livre, mas a comer de boca aberta, e sendo essa a única razão porque abre a boca, aumenta tremendamente.
7) É nacionalista!!! (Defende a primazia dos portugueses sobre os restantes HUMANOS!)

8) Não é, por isto, Humanista, não defende a igualdade nem a supremacia do indivíduo sobre o todo.
9) É conservador – acredita que o que existe é que deve ser preservado, o que constitui um impedimento à evolução. [Não leu, por certo, o "Cândido" de Voltaire - este mundo em que vivemos não é o melhor dos mundos, é só aquele que temos].

10) É um pacóvio ignorante, [o que não tem nada a ver com Boliqueime porque há pacóvios em todo o lado - é uma opção de vida] que frequentou uma universidade de York semelhante a um politécnico, e que não só é o ídolo da triste direita portuguesa, como também tem a lata de se candidatar ao cargo de mais alto magistrado da nação - é muita areia, não?!

11) Quando foi primeiro-ministro teve desenvolvimento económico... Hô-lá-lá!! Recebia fundos da Europa que gastou a trazer empresas que necessitavam de mão-de-obra barata. Ora, hoje essas empresas foram espontaneamente para outros países, como os de leste, porque lá a mão-de-obra é mais barata. Quando podia ter gasto os fundos europeus em empresas que usavam mão-de-obra qualificada, o que desenvolvia o país e hoje ainda teríamos desenvolvimento económico a sério, o que se manifestaria na qualidade de vida.

12) Cavaco não defende a liberalização do aborto!! Privando as mulheres de liberdade!
13) É defensor do idealismo da sociedade americana!





http://maquiavelicopolitica.blogspot.com/

sandra said...

É preciso uma mulher para explicar o porquê da gravata:

Quando "nosso" homem, gostosinho, lindo, M.A.R.A.V.I.L.H.O.S.O. e amoroso por demais, nos faz uma surpresa boa de fazer um jantar (um macarrão, pizza) a gente o PUXA pela gravata, delicadamente e em nossa direção para que possamos tascar aquele IMENSO beijo!

Simples, não????

Milton said...

Muito bonito este post, principalmente o final com princesas, gelados e pizzas.

Não entendo o uso da gravata. Detesto ter de usá-las para visitar clientes, etc. Ah, e não sei dar nó. Ah, e para mim é uma representação fálica da masculinidade do usuário.

Bem, mudando de assunto te digo que enviei hoje teu Blog de Papel pelo correio.

Grande abraço.

(Pino Daniele faz enorme sucesso nas plagas gaúchas!)

Claudio Costa said...

Duas receitas, enoveladas como os nós das gravatas: pizza e cachecol. Embora o frio das montanhas de Minas não se possa comparar com o inverno de Piacenza, tenho minha reserva de cachecol (simples, é certo, mas caliente, pois que entretecido com lã). Nas viagens à Serra do Caraça, ou ao sul do Brasil, é ótima companhia (sem dispensar a Amélia, claro!). Quanto às pizzas, ah!... tão simples e tão perfeitas!

Ana Maria said...

Eu amo pizza Margherita e adoro cachecol! Tenho vários e olha que moro no Rio. Se vivesse em lugar frio teria uma coleção deles. :-)

Lucia Malla said...

Toda vez q eu passo aqui, me dah uma fome!! Allan, assim vc acaba com a minha dieta!
(Parenteses: eu nao faco dieta. hehehehe!)

Marguerita soa... fantastico! Hmmm...

maray said...

Gosto muito de cachecol. É o que se pode chamar de chiquitito pero cumplidor...aquece sem fazer volume! Bom, conhaque também. E vinho. Deve ser por isso que gosto dos três.
Pizza meu algoz, quero dizer, médico, proibiu.
Nem sempre obedeço.
Beijos!

Pat said...

Muito bom o seu post! Gravata? Detesto... Só tive 1 namorado que usava gravata e não durou... Adoro pizza, de qualquer jeito. Pizza al taglio como em Roma não existe no Brasil (mais um motivo para voltar sempre, hehe). Bjo!

Leila Silva said...

Allan,

O pior é que eu já estava morrendo de fome quando abri esse seu post...QUERO uma PIZZA!
Gravatas? Nunca tinha parado para pensar na inutilidade. E o salto alto, então? E tantas outras badulaqueiras que as mulheres colocam? Em matéria de conforto no vestir homem ganha disparado. Beijos

Guilherme said...

Hehehehe, MUITO bem, bicho...