Agosto acabou.
Durante
trinta e um dias, agosto está em nossas vidas. No resto do ano, longe de
séculos, léguas e lembranças. A vida recomeça com o fim de agosto, com os
temporais e granizo. Tudo é muito forte em agosto. Até a saudade. Agosto é
longo, mas sempre acaba. Restam fotos de viagens, sabores, segredos, novos
perfumes e caminhos descobertos. Férias, trânsito, frasco de protetor solar
pela metade, passe livre de vacinação, caminhar na areia, conselhos ignorados,
peixe devorado à beira mar, água, vinho, cerveja, sonhos. Projetos.
A
Europa toda se organiza para as férias de agosto. Quem escolhe o mar, quem a
montanha, quem os lagos, quem se esconde. Até quem decide ficar em casa precisa
verificar o que vai estar fechado durante as férias e se abastecer com antecedência.
Sempre é preciso se organizar. Escolher destino, reservar hotel, restaurantes,
passeios, lugar na praia (tem muita praia que só tem acesso a pagamento. Se não
reservar antes, vai ficar de fora), planejar orçamento, verificar restrições sanitárias,
revisar o carro, comprar passagens, decidir horário da viagem, enfim, toda uma
vida à parte. E quanto mais caro o lugar (destino, hotel, restaurante), maior deve
ser a antecedência da reserva. Cansados de enfrentar situações desconfortáveis,
muitos optam por julho ou setembro, quando o turismo menor leva, de carona, os
preços para baixo. Pernilongos, não. Pernilongos estão sempre em alta no verão europeu.
Menos nesse ano. Num único dia de qualquer dos verões passados, levei mais
picadas de mosquitos que em todo o verão de 2021. E um – só um mesmo – inseto foi
a vítima do para-brisa nas nossas muitas andanças de agosto. Não é reclamação, é
susto mesmo.
Agosto
acabou e já é setembro.


