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segunda-feira, abril 25, 2022

Bella Ciao - 25 de abril

Hoje, 25 de abril, comemora-se a liberação italiana do nazifascismo. É uma data simbólica, escolhida por ter sido nesse dia, em 1945, que se iniciou a retirada dos soldados alemães e da República de Salo de Milão e Turim, como consequência do rompimento da “Linha Gótica” por parte dos aliados e da resistência italiana.

Neste feriado, assim como no dia 1° de Maio, por toda a Itália ouve-se aquela que se tornou o hino da Resistência: Bella Caio.

Bella Ciao é uma canção que se tornou popular vinte anos após a Segunda Guerra e não chegou a ser cantada pela Resistência italiana, durante a guerra.

A melodia, na verdade, tem origens mais antigas, aparentemente aproveitando-se de partes de outras músicas e adaptando-as. Em 1919, o acordeonista Mishka Ziganoff (Odessa, Ucrânia, 18889 – Nova Iorque, EUA, 1967) gravou o disco “Klezmer-Yiddish swing music”, no qual há uma peça com uma melodia muito próxima à de Bella Ciao, mas não teria sido a única a fornecer inspiração àquela italiana. Do mesmo modo, a letra sofreu – e sofre ainda, dependendo de quem a canta – modificações no tempo. Há, ainda, a versão cantada pelas mulheres emilianas (da região Emilia-Romagna) que iam trabalhar nas plantações de arroz na região Piemonte. Nessa versão, “bela ciao” faz alusão ao fato de perderem a juventude no trabalho no campo. Em poucas palavras, não existe nenhum registro da origem da música. É um canto popular.

O certo é que Bella Ciao é uma tradição inventada. A letra que a tornou famosa foi pensada para unificar as lutas contra os invasores, não faz nenhuma referência a lutas de classes, partidos políticos ou guerra específica, justamente para não excluir qualquer parte. Tornou-se célebre a partir de 1964, após um festival de música em Spoleto, na província de Perugia, região da Úmbria, quando a canção abriu o festival na versão camponesa e foi apresentada na versão partigiana (a resistência formada por civis), no final.

A letra mais cantada é a que segue.

Una mattina mi sono alzato
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao
Una mattina mi sono azalto
E ho trovato l'invasor

O partigiano, portami via
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao
O partigiano, portami via
Ché mi sento di morir

E se io muoio da partigiano
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao
E se io muoio da partigiano
Tu mi devi seppellir

E seppellire lassù in montagna
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao
E seppellire lassù in montagna
Sotto l'ombra di un bel fior

Tutte le genti che passeranno
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao
E le genti che passeranno
Mi diranno "che bel fior"

È questo il fiore del partigiano
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao
È questo il fiore del partigiano
Morto per la libertà

È questo il fiore del partigiano
Morto per la libertà

 

* * *

A seguir, a versão camponesa.

Alla mattina appena alzata
o bella ciao bella ciao
bella ciao ciao ciao
alla mattina appena alzata
in risaia mi tocca andar.

E fra gli insetti e le zanzare
o bella ciao bella ciao
bella ciao ciao ciao
e fra gli insetti e le zanzare
un dur lavor mi tocca far.

Il capo in piedi col suo bastone
o bella ciao bella ciao
bella ciao ciao ciao
il capo in piedi col suo bastone
e noi curve a lavorar.

O mamma mia, o che tormento!
o bella ciao bella ciao
bella ciao ciao ciao
o mamma mia o che tormento
io t’invoco ogni doman.

Ed ogni ora, che qui passiamo
o bella ciao bella ciao
bella ciao ciao ciao
Ed ogni ora, che qui passiamo
Noi perdiam la gioventù

Ma verrà un giorno che tutte quante
o bella ciao bella ciao
bella ciao ciao ciao
ma verrà un giorno che tutte quante
lavoreremo in libertà.

* * *

E a gravação de 1919.


sábado, janeiro 08, 2022

Mazzola - uma história de futebol

Na parede do vestiário do Palmeiras havia uma foto do “Grande Torino”, time italiano de grandes estrelas que colecionava títulos e troféus. O treinador palmeirense, Claudio Cardoso, notou a semelhança do jovem José com Valentino Mazzola, camisa 10 do Torino e da seleção italiana e o apelido ficou. José não era mais José, mas Mazzola.




Valentino Mazzola

Valentino Mazzola foi vítima de um acidente aéreo, em 1949, em que morreu todo o time, naquela que ficou conhecida como Tragédia Superga. O mau tempo, a escassa visibilidade – de apenas 40 metros – e uma provável rajada de vento, levaram o avião que retornava de um jogo amistoso em Lisboa a chocar-se contra a catedral Superga, no topo do morro homônimo, já próximo ao pouso. Comoção na Itália e em toda a Europa. A federação Italiana de Futebol decretou o Torino como campeão italiano, 4 rodadas antes do final, mesmo faltando a certeza matemática do título. Os 4 jogos restantes foram disputados pela equipe júnior do Torino. Em sinal de respeito, os adversários também convocaram os juvenis e o Torino sagrou-se campeão com 60 pontos, 5 à frente da Inter, segunda colocada e a 10 do Milan, o terceiro.

O valoroso capitão do Torino e da Azzurra não deixou apenas torcedores órfãos. Os dois filhos, Sandro e Ferruccio, com 6 e 4 anos, precisaram aprender por conta própria o oficio do pai. Ferruccio, o caçula, rodou alguns times jogando no centro-campo até iniciar a carreira de treinador. Sandro (Alessandro) jogou apenas em dois clubes: no Torino, onde iniciou a carreira e na Inter (Internazionale di Milano). Assim como o pai, Sandro jogava seja como meio-campista que como atacante. Os irmãos jogaram juntos na Inter e na seleção italiana, honrando o sobrenome. Ferrucio faleceu em 2015. Sandro é, talvez, o comentarista esportivo mais respeitado na Itália.

E o nosso Mazzola, o José?

Mazzola - da seleção brasileira campeã de 1958

Bem, o Mazzola brasileiro tornou-se um atacante de todo respeito e, com pouco mais de 17 anos, estreou no time principal do Palmeiras, num amistoso contra o Catanduva, quando marcou dois gols (o mais jovem de toda a história do Verdão). Ao todo foram 85 gols em 114 jogos com a camisa verde, numa média de 0,74 gol por partida. Convocado para a seleção, participou da Copa Roca e dos amistosos em vista do Mundial da Suécia. Em especial, na excursão italiana, quando jogaram contra Fiorentina e Inter. Foi nessa ocasião que os dirigentes do Milan se maravilharam pelo jovem José e decidiram pela sua contratação. Antes, porém, Mazzola jogaria o mundial de 1958, sendo o segundo jogador mais jovem do time, com 20 anos. Foram 4 gols em 8 jogos com a camisa canarinho, entre amistosos, Copa Roca e Copa do Mundo.

Partiu para a Itália logo após sagrar-se campeão em 58. Em sete estações com o Milan, venceu dois campeonatos italianos e uma Champions League, a primeira de um time italiano, diga-se de passagem. Ainda jogou no Napoli, Juventus (vencendo outros dois campeonatos), na Itália e no Mendrisiostar e no Chiasso, da Suíça, antes de pendurar as chuteiras, aos 42 anos e tornar-se comentarista esportivo mais simpático da Itália. Ah, claro, jogou também pela seleção italiana, tendo participado do Mundial de 1962. Como na época a Seleção Brasileira atuava somente com jogadores que jogavam no Brasil, José não foi mais convocado. Sendo descendente de italianos, teve a sua cidadania italiana facilmente reconhecida, o que o permitiu defender a Azzurra. Infelizmente a culpa da eliminação da Itália na Copa de 62 caiu sobre o nosso Mazzola e ele nunca mais seria convocado. José detém o quarto lugar entre os artilheiros da Série A, o campeonato principal da Itália, com 216 gols, e ainda marcou 5 gols em 6 jogos com a camisa da Itália.

Não se assuste se algum brasileiro vivendo na Itália nutrir antipatia por Sandro Mazzola. Muitos acreditam ser ele o nosso Mazzola e ficam com raiva quando Sandro se refere à  seleção italiana como “i nostri ragazzi” (os nossos garotos). Como norma, jogadores italianos devem ostentar o sobrenome na camisa do time e não o apelido, como é comum no Brasil. O nosso Mazzola ficou conhecido, respeitado, amado e idolatrado em terras italianas como Altafini. José João Altafini é o nome da fera. Mazzola é o outro, o italiano.

Sandro Mazzola

sábado, janeiro 01, 2022

Capodanno

 

Todo dia primeiro de janeiro eu saio para fotografa as ruas da cidade. Para ser sincero, saio mesmo é para fumar um charuto e aproveito para fotografar. São sempre as mesmas ruas, os mesmos monumentos, numa espécie de segurança de saber que as ruas estão sempre lá, que pelo menos elas não mudaram. Ou mudaram pouco.

Hoje aproveitei que a neblina diminuiu – teve até sol! – para uma perspectiva diferente.


A neblina, ainda que pouco, vai escondendo os limites









O jardim lá no fundo abriga a estátua de uma mulher nua, com esse frio

Prédio da Polícia Hidráulica (não ria, eles cuidam das cheias dos rios. Entre eles, o Rio Po)

O conservatório Giuseppe Nicolini

Ao lado do conservatório, o Teatro Gioco Vita (teatro de sombras) que completou 50 anos

Essas grades são de um tempo em que ainda não tinha sido inventada a solda. O ferreiro tinha que forjar os furos para entrrelaçar as barras







Minha igrejinha preferida, Santa Maria in Cortina, onde teria sido enterrado o corpo de Sant'Antonino, padroeiro da cidade

Teatro Municipal

Basílica de Sant'Antonino






Vinho quente - vin brulé

Catedral de Piacenza (piazza Duomo), que completou 900 anos
https://cattedralepiacenza.it





Ponto poético

Piazza Cavalli


terça-feira, fevereiro 25, 2020

Melhor aula de História

Gostei tanto desse livro que resolvi recomendar aqui no blog.
Se você ainda não leu "Sapiens: Uma breve história da humanidade", do professor de História Yuval Noah Harari, não desanime, ainda dá tempo.

O livro é exatamente o que diz o subtítulo:  uma breve história da humanidade. "Breve" porque não dá pra contar tudo num único livro, mas é a melhor aula de história que já tive.



 

quinta-feira, abril 11, 2019

Estação Central de Bolonha




Trem que parte, trem que chega. Gente que vai e vem, que volta e que não volta. As pessoas, os trens, sempre em movimento. A estação, não. A estação permanece ali, sempre imóvel. Abriga viajantes, indica caminhos e destinos. A estação não atrasa nunca, ao contrário de trem e gente.

A estação de Central Bolonha é sempre frenética, Bolonha é cidade grande. Foi em 1859 que os bolonheses passaram a contar com a possibilidade de visitar Piacenza, incialmente, e o resto da Itália, depois. Aliás, na época eram necessárias seis horas para percorrer os 147 quilômetros da linha de ferro entre as duas cidades. Quantos gatos pingados teriam comprado o bilhete naquela época? Hoje são mais de cinquenta e oito milhões de viajantes por ano que entram e saem de lá. E a estação, que acabou sendo engolido pela cidade que cresceu em torno dela, abandonou a periferia para ser inserida no que se tornou o centro da cidade.

Ampliações e reformas adequaram a estação às diversas novas realidades. Duas foram as mais importantes: a reconstrução pós-guerra e aquela que se seguiu depois do atentado do dia 2 de agosto de 1980. Uma mala explodiu na sala de espera da segunda classe, provocando 85 vítimas fatais e mais de 200 feridos. Um grupo de pessoas que aguardava o ônibus do lado de fora, próximo aos táxis, foi levada pela condução que chegou pontual, pouco depois da tragédia. O ônibus 37 acabou transformando-se num imenso carro fúnebre e tornou-se um dos símbolos do ataque. O outro, mais famoso, é o relógio, que marca a hora exata da explosão: 10:25h.

Apesar das condenações, anos mais tarde, ninguém assumiu ou confessou qualquer participação no atentado. Os mais jovens, pouco ou nada sabem. Os mais velhos, preferem esquecer. Só não conseguem porque o relógio está lá. Só não conseguem porque a memória resiste.

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sexta-feira, setembro 28, 2018

Prepare o seu voto - eleições 2018

Este ano o que sobra é candidato para presidente da república, escolha o seu, escolha o certo. Mas não podemos esquecer que devemos eleger bons senadores e bons deputados, assim como governador e deputados estaduais.

Como a eleição para os cargos executivos – presidente e governador – pode ocorrer em dois turnos, caso nenhum dos candidatos obtenha mais de 50% dos votos válidos, é muito importante deixar essa história do “voto útil” de lado, pelo menos no primeiro turno. Se todo mundo votar no candidato que acredita ser o melhor, a eleição fica mais equilibrada e o seu candidato se fortalece, mesmo que não vença a eleição. O vencedor vai ter que considerar quantos eleitores escolheram as propostas do outro, e o governador e o presidente, serão governador e presidente de todos, e não somente dos eleitores que os votaram. Repito: é muito importante votar no candidato que você acha o melhor. O melhor que irá governar por quatro anos, mesmo que tome medidas desagradáveis.

E aqui a solução é informar-se. Não se deixe levar pelas pesquisas, não vote em um candidato apenas por que as pesquisas apontam que será o vencedor. Busque todas as informações disponíveis e pense bem no que você espera do seu governador e do presidente. Não tem que ser simpático/simpática, bonito/bonita, jovem ou o que fala melhor. Informe-se sobre quais são as suas propostas.

Aproveite para informar-se sobre o passado dos seus candidatos, o que fizeram, quem ele defende e qual as melhorias propostas. Claro que isso vale também – e principalmente – para os candidatos a deputados estaduais, deputados federais e senadores. Se você é empresário/empresária, veja se o seu candidato apoia o seu setor. Se, ao contrário, você é empregado/empregada, veja quem votou em leis que prejudicam a classe trabalhadora. Depois, pergunte-se se era isso que você queria, se está satisfeito/satisfeita com o trabalho do seu candidato e se quer que ele/ela seja o seu representante, o/a representante do que você deseja. Se puder, evite votar em quem vive de política. Político não é profissão e quem aparece de quatro em quatro anos distribuindo sorrisos e abraços, ou (pior!) dando alguma coisa em torca do seu voto, vai esquecer de você pelos próximos quatro anos. Do mesmo modo, não reeleja político que nunca apresentou projeto, que dorme no plenário e está lá apenas para fazer número, ganhar sem fazer nada e dar emprego a parentes e amigos. Se ficar na dúvida, escolha outro candidato. E depois tenha orgulho de dizer que votou com consciência. A sua consciência.

Se você não fez o cadastro biométrico, é mais provável que o seu título tenha sido cancelado e que você vá ficar de fora das eleições. Se você mora no exterior, lembre-se de que só pode votar para presidente da república e que o cadastro biométrico não vale para expatriados. Em ambos os casos – quem vota no Brasil e não fez o cadastro biométrico e para quem vota no exterior – é aconselhável consultar o site do TSE para confirmar se está apto a votar e a seção de votação. E não se esqueça de justificar o voto, no caso de se encontrar fora do domicílio eleitoral.

A probabilidade de haver segundo turno é muito grande. Portanto, escolha o candidato/a candidata do coração e deixe o voto útil para o segundo turno.

Calendário eleitoral:
7 de outubro – 1º turno
28 de outubro – 2º turno

O TSE lembra:
1.     a) Facultado ao eleitor que estiver ausente de seu domicílio eleitoral — inclusive o transferido temporariamente para votar em trânsito — justificar sua ausência na votação nas mesas receptoras de votos ou nas de justificativas, instaladas para esse fim, no mesmo horário reservado para a votação.
2.     b) Vedado ao eleitor portar aparelho de telefonia celular, máquina fotográfica, filmadora, equipamento de radiocomunicação ou qualquer instrumento que possa comprometer o sigilo do voto, devendo a mesa receptora, em caso de porte, reter esses objetos enquanto o eleitor estiver votando (Lei nº9.504/1997, art. 91-A, parágrafo único).
3.     c) Permitida a manifestação individual e silenciosa da preferência do eleitor por partido político, coligação ou candidato (Lei nº9.504/1997, art. 39-A, caput).
4.     d) Vedada, até o término da votação, a aglomeração de pessoas portando vestuário padronizado, bem como bandeiras, broches, dísticos e adesivos que caracterizem manifestação coletiva, com ou sem utilização de veículos (Lei nº9.504/1997, art. 39-A, § 1º).
5.     e) Vedado aos servidores da Justiça Eleitoral, aos mesários e aos escrutinadores, no recinto das seções eleitorais e juntas apuradoras, o uso de vestuário ou objeto que contenha qualquer propaganda de partido político, de coligação ou de candidato (Lei nº9.504/1997, art. 39-A, § 2º).
6.     f) Vedado aos fiscais partidários, nos trabalhos de votação, o uso de vestuário padronizado, sendo-lhes permitido tão só o uso de crachás com o nome e a sigla do partido político ou coligação (Lei nº9.504/1997, art. 39-A, § 3º).

Boa eleição a todos!

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