Friday, August 26, 2022

Gastronomia e música estrangeira

             Absorver uma nova cultura é fascinante, mas demanda tempo. Passei algum tempo aprendendo a comer pisarei e fasö e tortelli di zucca. Confesso que faltou coragem com a picul ad caval.

Pisarei e fasö é o prato piacentino por excelência. Como manda a tradição, é uma receita pobre, de aproveitamentos. Pisarei é uma massa à base de pão velho e fasö é feijão, no dialeto piacentino. Servido com abundante molho de tomate com cebola e toucinho de porco, está presente em todas as casas e nas muitas festas espalhadas pela província (ô povo pra gostar de festa!). Picul ad caval é carne moída de cavalo com cebola, cenoura, pimentão e, é claro, o “ouro piacetino” pistà ad grass: toucinho batido com alho e salsinha. Já os tortelli di zucca é uma massa recheada com abobora, ricota, grana, salvia, manteiga e noz moscada. Nos casos dos pisarei e fasö e tortelli di zucca, me incomodava o sabor adocicado. Aprendi a gostar e hoje procuro nas festas. Já a picul ad caval não tenho vontade nem coragem de comer carne de cavalo.

Pelo lado cultural, também tive um início de relação conflituosa com Lucio Battisti, o músico que, segundo David Bowie, era o maior cantor pop do mundo, junto a Lou Reed.  Battisti é endeusado por aqui. Merecidamente, concordo agora.

Falecido em 1998 com apenas 55 anos, vendeu 25 milhões de discos. Tendo escrito, composto e produzido para outros músicos, exerceu enorme influência no que veio depois. A parceria com Mogol – grande autor do universo musical italiano (lembra de “Minha História” do Chico?) – foi o auge da sua carreira.

Pesquise Lucio Battisti nessa rede, se tiver curiosidade. Vale a pena. Levei um tempo para dizer isso, mas digo com sinceridade: vale a pena, Lucio Battisti vai ser sempre um monstro sagrado da Música. Da Itália e do mundo.

Deixo aqui a letra e a tradução (minha) de uma das músicas que gosto. Não a que mais gosto, pois sou avesso a listas de preferências.

 

Emozioni

Lucio Battisti e Mogol

 

Seguir con gli occhi un airone sopra il fiume e poi
Ritrovarsi a volare
E sdraiarsi felice sopra l'erba ad ascoltare
Un sottile dispiacere
E di notte passare con lo sguardo la collina per scoprire
Dove il sole va a dormire
Domandarsi perché quando cade la tristezza in fondo al cuore
Come la neve non fa rumore

E guidare come un pazzo a fari spenti nella notte per vedere
Se poi è tanto difficile morire
E stringere le mani per fermare qualcosa che è dentro me
Ma nella mente tua non c'è

Capire tu non puoi
Tu chiamale se vuoi emozioni
Tu chiamale se vuoi emozioni

Uscir dalla brughiera di mattina dove non si vede ad un passo
Per ritrovar se stesso
Parlar del più e del meno con un pescatore per ore ed ore
Per non sentir che dentro qualcosa muore
E ricoprir di terra una piantina verde sperando possa
Nascere un giorno una rosa rossa

E prendere a pugni un uomo solo perché è stato un po' scortese
Sapendo che quel che brucia non son le offese
E chiudere gli occhi per fermare qualcosa che
È dentro me
Ma nella mente tua non c'è

Capire tu non puoi
Tu chiamale se vuoi emozioni
Tu chiamale se vuoi emozioni

 

(Tradução)

 

Seguir com os olhos uma garça sobre o rio e depois

Descobrir-se voando

Deite-se feliz sobre a grama ouvindo

Um descontentamento sutil

E à noite passear com os olhos a colina para descobrir

Onde o sol vai dormir

Perguntar-se por que quando a tristeza bate fundo no peito

Por que a neve não faz barulho?

E dirigir como um louco sem farol à noite para ver

Se é afinal tão difícil morrer

E apertar as mãos para deter algo dentro de mim

Mas que na tua mente não há

Entender você não pode

Tu chame-las se quiser, emoções.

Tu chame-las se quiser, emoções.

Sair do pântano pela manhã, onde não se vê um passo

Para reencontrar-se

Jogar conversa fora com um pescador por horas a fio

A fim de não sentir que por dentro algo morre

E cobrir uma muda verde com a terra esperando que possa

Um dia nascer uma rosa vermelha

E socar alguém só porque foi um pouco rude

Sabendo que o que machuca não são as ofensas

E fechar os olhos para deter algo dentro de mim

Mas que na tua mente não há

Entender você não pode

Tu chame-las se quiser, emoções.

Tu chame-las se quiser, emoções.

https://www.youtube.com/watch?v=prve6-_j834

Monday, April 25, 2022

Bella Ciao - 25 de abril

Hoje, 25 de abril, comemora-se a liberação italiana do nazifascismo. É uma data simbólica, escolhida por ter sido nesse dia, em 1945, que se iniciou a retirada dos soldados alemães e da República de Salo de Milão e Turim, como consequência do rompimento da “Linha Gótica” por parte dos aliados e da resistência italiana.

Neste feriado, assim como no dia 1° de Maio, por toda a Itália ouve-se aquela que se tornou o hino da Resistência: Bella Caio.

Bella Ciao é uma canção que se tornou popular vinte anos após a Segunda Guerra e não chegou a ser cantada pela Resistência italiana, durante a guerra.

A melodia, na verdade, tem origens mais antigas, aparentemente aproveitando-se de partes de outras músicas e adaptando-as. Em 1919, o acordeonista Mishka Ziganoff (Odessa, Ucrânia, 18889 – Nova Iorque, EUA, 1967) gravou o disco “Klezmer-Yiddish swing music”, no qual há uma peça com uma melodia muito próxima à de Bella Ciao, mas não teria sido a única a fornecer inspiração àquela italiana. Do mesmo modo, a letra sofreu – e sofre ainda, dependendo de quem a canta – modificações no tempo. Há, ainda, a versão cantada pelas mulheres emilianas (da região Emilia-Romagna) que iam trabalhar nas plantações de arroz na região Piemonte. Nessa versão, “bela ciao” faz alusão ao fato de perderem a juventude no trabalho no campo. Em poucas palavras, não existe nenhum registro da origem da música. É um canto popular.

O certo é que Bella Ciao é uma tradição inventada. A letra que a tornou famosa foi pensada para unificar as lutas contra os invasores, não faz nenhuma referência a lutas de classes, partidos políticos ou guerra específica, justamente para não excluir qualquer parte. Tornou-se célebre a partir de 1964, após um festival de música em Spoleto, na província de Perugia, região da Úmbria, quando a canção abriu o festival na versão camponesa e foi apresentada na versão partigiana (a resistência formada por civis), no final.

A letra mais cantada é a que segue.

Una mattina mi sono alzato
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao
Una mattina mi sono azalto
E ho trovato l'invasor

O partigiano, portami via
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao
O partigiano, portami via
Ché mi sento di morir

E se io muoio da partigiano
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao
E se io muoio da partigiano
Tu mi devi seppellir

E seppellire lassù in montagna
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao
E seppellire lassù in montagna
Sotto l'ombra di un bel fior

Tutte le genti che passeranno
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao
E le genti che passeranno
Mi diranno "che bel fior"

È questo il fiore del partigiano
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao
È questo il fiore del partigiano
Morto per la libertà

È questo il fiore del partigiano
Morto per la libertà

 

* * *

A seguir, a versão camponesa.

Alla mattina appena alzata
o bella ciao bella ciao
bella ciao ciao ciao
alla mattina appena alzata
in risaia mi tocca andar.

E fra gli insetti e le zanzare
o bella ciao bella ciao
bella ciao ciao ciao
e fra gli insetti e le zanzare
un dur lavor mi tocca far.

Il capo in piedi col suo bastone
o bella ciao bella ciao
bella ciao ciao ciao
il capo in piedi col suo bastone
e noi curve a lavorar.

O mamma mia, o che tormento!
o bella ciao bella ciao
bella ciao ciao ciao
o mamma mia o che tormento
io t’invoco ogni doman.

Ed ogni ora, che qui passiamo
o bella ciao bella ciao
bella ciao ciao ciao
Ed ogni ora, che qui passiamo
Noi perdiam la gioventù

Ma verrà un giorno che tutte quante
o bella ciao bella ciao
bella ciao ciao ciao
ma verrà un giorno che tutte quante
lavoreremo in libertà.

* * *

E a gravação de 1919.


Wednesday, February 16, 2022

Embaçando o mundo

Flutuava o ano de 1.000.0218 a.C. quando, aqui pertinho, naquilo que um dia viria a ser parte da província de Piacenza, mas que ainda eram apenas uns pontinhos de terra naquele mundaréu de água, foi inventada a neblina.

Hoje somos os maiores exportadores de neblina do mundo. E planejamos viagens espaciais para levá-la muito, muito além.

Se você vive onde não há neblina, não sabe o que está perdendo. Também não se perderá, que é a parte divertida. A neblina modifica a geografia, esconde os sorrateiros, camufla sonhos, prega sustos, abraça suspiros.

Nem todo outono e inverno tem neblina. Aliás, ela está ficando cada vez mais rara. A exceção foi esse ano, quando ela começou em novembro e ainda nessas madrugadas de fevereiro vem nos visitar. Gosto de ir às montanhas e colinas da província em dias de neblina. Do alto vê-se todos os vales cobertos por um estrato branco e o céu limpo acima da vida lá embaixo, menos frenética que o normal. Prefiro neblina de noite, quando saio para fumar um charuto e me divirto com os sustos. Meus e dos outros.

Dirigir com neblina é mais perigoso que com neve. Na neve o motorista sabe que tem que ir devagar e obedecer às práticas aconselhadas. Além dos pneus de neve. E, se não souber, a viagem acaba rapidinho. Com a neblina a única prática segura é deixar o carro na garagem.

Hoje amanheceu com uma neblina braba. Felizmente a neve de ontem já derreteu. Aqui na cidade, que nas colinas e montanhas o frio preserva a neve. Vou sair e brincar com a geografia, sonhar com alguma praia ensolarada e suspirar. Escondido na neblina.


Saturday, January 08, 2022

Mazzola - uma história de futebol

Na parede do vestiário do Palmeiras havia uma foto do “Grande Torino”, time italiano de grandes estrelas que colecionava títulos e troféus. O treinador palmeirense, Claudio Cardoso, notou a semelhança do jovem José com Valentino Mazzola, camisa 10 do Torino e da seleção italiana e o apelido ficou. José não era mais José, mas Mazzola.




Valentino Mazzola

Valentino Mazzola foi vítima de um acidente aéreo, em 1949, em que morreu todo o time, naquela que ficou conhecida como Tragédia Superga. O mau tempo, a escassa visibilidade – de apenas 40 metros – e uma provável rajada de vento, levaram o avião que retornava de um jogo amistoso em Lisboa a chocar-se contra a catedral Superga, no topo do morro homônimo, já próximo ao pouso. Comoção na Itália e em toda a Europa. A federação Italiana de Futebol decretou o Torino como campeão italiano, 4 rodadas antes do final, mesmo faltando a certeza matemática do título. Os 4 jogos restantes foram disputados pela equipe júnior do Torino. Em sinal de respeito, os adversários também convocaram os juvenis e o Torino sagrou-se campeão com 60 pontos, 5 à frente da Inter, segunda colocada e a 10 do Milan, o terceiro.

O valoroso capitão do Torino e da Azzurra não deixou apenas torcedores órfãos. Os dois filhos, Sandro e Ferruccio, com 6 e 4 anos, precisaram aprender por conta própria o oficio do pai. Ferruccio, o caçula, rodou alguns times jogando no centro-campo até iniciar a carreira de treinador. Sandro (Alessandro) jogou apenas em dois clubes: no Torino, onde iniciou a carreira e na Inter (Internazionale di Milano). Assim como o pai, Sandro jogava seja como meio-campista que como atacante. Os irmãos jogaram juntos na Inter e na seleção italiana, honrando o sobrenome. Ferrucio faleceu em 2015. Sandro é, talvez, o comentarista esportivo mais respeitado na Itália.

E o nosso Mazzola, o José?

Mazzola - da seleção brasileira campeã de 1958

Bem, o Mazzola brasileiro tornou-se um atacante de todo respeito e, com pouco mais de 17 anos, estreou no time principal do Palmeiras, num amistoso contra o Catanduva, quando marcou dois gols (o mais jovem de toda a história do Verdão). Ao todo foram 85 gols em 114 jogos com a camisa verde, numa média de 0,74 gol por partida. Convocado para a seleção, participou da Copa Roca e dos amistosos em vista do Mundial da Suécia. Em especial, na excursão italiana, quando jogaram contra Fiorentina e Inter. Foi nessa ocasião que os dirigentes do Milan se maravilharam pelo jovem José e decidiram pela sua contratação. Antes, porém, Mazzola jogaria o mundial de 1958, sendo o segundo jogador mais jovem do time, com 20 anos. Foram 4 gols em 8 jogos com a camisa canarinho, entre amistosos, Copa Roca e Copa do Mundo.

Partiu para a Itália logo após sagrar-se campeão em 58. Em sete estações com o Milan, venceu dois campeonatos italianos e uma Champions League, a primeira de um time italiano, diga-se de passagem. Ainda jogou no Napoli, Juventus (vencendo outros dois campeonatos), na Itália e no Mendrisiostar e no Chiasso, da Suíça, antes de pendurar as chuteiras, aos 42 anos e tornar-se comentarista esportivo mais simpático da Itália. Ah, claro, jogou também pela seleção italiana, tendo participado do Mundial de 1962. Como na época a Seleção Brasileira atuava somente com jogadores que jogavam no Brasil, José não foi mais convocado. Sendo descendente de italianos, teve a sua cidadania italiana facilmente reconhecida, o que o permitiu defender a Azzurra. Infelizmente a culpa da eliminação da Itália na Copa de 62 caiu sobre o nosso Mazzola e ele nunca mais seria convocado. José detém o quarto lugar entre os artilheiros da Série A, o campeonato principal da Itália, com 216 gols, e ainda marcou 5 gols em 6 jogos com a camisa da Itália.

Não se assuste se algum brasileiro vivendo na Itália nutrir antipatia por Sandro Mazzola. Muitos acreditam ser ele o nosso Mazzola e ficam com raiva quando Sandro se refere à  seleção italiana como “i nostri ragazzi” (os nossos garotos). Como norma, jogadores italianos devem ostentar o sobrenome na camisa do time e não o apelido, como é comum no Brasil. O nosso Mazzola ficou conhecido, respeitado, amado e idolatrado em terras italianas como Altafini. José João Altafini é o nome da fera. Mazzola é o outro, o italiano.

Sandro Mazzola

Saturday, January 01, 2022

Capodanno

 

Todo dia primeiro de janeiro eu saio para fotografa as ruas da cidade. Para ser sincero, saio mesmo é para fumar um charuto e aproveito para fotografar. São sempre as mesmas ruas, os mesmos monumentos, numa espécie de segurança de saber que as ruas estão sempre lá, que pelo menos elas não mudaram. Ou mudaram pouco.

Hoje aproveitei que a neblina diminuiu – teve até sol! – para uma perspectiva diferente.


A neblina, ainda que pouco, vai escondendo os limites









O jardim lá no fundo abriga a estátua de uma mulher nua, com esse frio

Prédio da Polícia Hidráulica (não ria, eles cuidam das cheias dos rios. Entre eles, o Rio Po)

O conservatório Giuseppe Nicolini

Ao lado do conservatório, o Teatro Gioco Vita (teatro de sombras) que completou 50 anos

Essas grades são de um tempo em que ainda não tinha sido inventada a solda. O ferreiro tinha que forjar os furos para entrrelaçar as barras







Minha igrejinha preferida, Santa Maria in Cortina, onde teria sido enterrado o corpo de Sant'Antonino, padroeiro da cidade

Teatro Municipal

Basílica de Sant'Antonino






Vinho quente - vin brulé

Catedral de Piacenza (piazza Duomo), que completou 900 anos
https://cattedralepiacenza.it





Ponto poético

Piazza Cavalli


Sunday, December 19, 2021

Outono quase inverno

Dia 1 – Cinco e meia da manhã e a grama está congelada. Verde, mas congelada. Em breve sucumbirá à neve, mas só para renascer com o primeiro espreguiçar dos ouriços. Alguns melros imóveis observam a nossa presença. Eles não migram, se adaptam e sobrevivem nesse frio de zero grau. Não voam a essa hora para não gastar a energia que ainda não repuseram, cada passo deve ser comedido. O cão não acha graça em correr atrás de pássaros inertes no chão. Pelo sim, pelo não, caminho em outra direção. O imenso jardim está vazio. Uns cacos de garrafas de cerveja brilham sob a luz dos postes instalados mês passado. Já haviam retirado os bancos, vítimas do vandalismo juvenil. A iluminação, contudo, não inibe a necessidade de extravasar dessa geração com menos horizontes que seus avós. As roseiras plantadas para criar um túnel florido não vingaram. Crescem metro e meio, dois metros, sem conseguir fechar os espaços com aquelas outras, nas bases oposta dos arcos de metal. O extrato de terra é raso, caminhamos sobre um estacionamento subterrâneo.

Dia 2 – Uma fina camada de neve cobre a grama, os telhados, os carros estacionados lá no fundo. Teias de aranha congeladas na grade que separa o imenso jardim do prédio do Arquivo de Estado, que fazia parte do complexo onde hoje é o jardim. Isso aqui era um seminário que foi transformado em quartel. Acho que da época em que as tropas de Napoleão ocuparam a cidade. O frio, dizem, é muito mais antigo. O cão ignora quem foi Napoleão e mija na grama que um dia foi dele. Os melros bicam as raras áreas de grama livres da neve.

Dia 3 – Botas de neve, camisa, malha, colete, casaco e capa de chuva para proteger do frio. Boné. Capote quentinho para o cão. Dez centímetros de neve macia e escorregadia. Brisa gelada. A partir de agora, minha vida depende da velocidade com que eu fecho o ultimo centímetro do casaco. Melros? E quem é besta?

Dia 4 – A neblina aqui – era só o que faltava! – é de lascar. Somente o primeiro poste é visível. O próximo – espero – deve estar logo à frente. O outro lado da rua está lá, eu sei. Apenas não é visível. O Tratado de Genebra me garante o direito de não atravessar a rua para verificar. A neve congelou e o passeio fica crocante. Um vulto enorme e indecifrável aparece a um metro de distância. Um ser enorme me fixa, parado. Dou outro passo lento e descubro que é um parquímetro. Parquímetro? Lascou! Onde fomos parar? Será possível que atravessamos uma dobra temporal do Universo e... Ah, lembrei! Instalaram isso semana passada. Ele mija no parquímetro e o passeio continua, lentamente. Tateamos na neblina em busca de aventuras. Se conseguirmos voltar para casa, festejaremos. Torçam por nós.

 

Sunday, November 14, 2021

Quarta onda da Covid-19 na Itália

Nas últimas 24 horas foram detectadas 7.569 pessoas contagiadas pelo vírus, entre as 445.593 testadas. 36, as vítimas. Sempre há a possibilidade de subnotificação, considerando o número menor (que os cerca de 700.000 dos outros dias) de testes efetuados, o que é normal nos finais de semana. Óbvio que a subnotificação pode acontecer mesmo com uma quantidade maior de testes.

A previsão é do aumento da curva de casos até o Natal, quando se prevê 30.000 novos contágios por dia. A partir desse pico, a tendencia é cair novamente.

76,7% da população acima dos 12 anos completou o ciclo vacinal e a terceira dose, de reforço, tem boa adesão. Apesar da nova onda, os hospitais não registram internações em número superior ao dos últimos meses. A maioria dos casos fatais está na faixa de pacientes entre 30 a 49 anos e são raros os casos de quem tomou duas doses de vacina entre as vítimas.

Com o aumento do contágio, evidenciando o que chamam de “quarta onda”, tenho visto a volta do uso de mascaras nas ruas por pessoas de todas as idades. Ainda não chegamos à situação de quando as máscaras eram obrigatórias, mas a adesão voluntaria incentiva outras pessoas, e isso ajuda a evitar a propagação.

Sim, no-vax não são tão raros, mas é uma minoria realmente pequena. Barulhenta, mas pequena.

E se você quer rir um pouco e não leu tudo o que vem acontecendo na Itália, deixa eu te contar essa: há alguns dias um grupo de no-vax que protestava em praça pública fazia pressão para falar com as autoridades, diante de um dos prédios do poder. As autoridades aceitaram receber alguns representantes, mas, para entrar, precisariam mostrar o green pass – o certificado de vacina. Os três representantes prontamente mostraram e entraram.