Esporte é cultura,
e cada cultura tem o seu. Já me diverti assistindo boiocross no interior da
Bahia, jogando futebol de praia no Rio e vibro muito assistindo o “Six Nations”,
torneio de rúgbi anual entre França, País de Gales, Inglaterra, Escócia,
Irlanda e Itália. A edição do Six Nations deste ano começa no início de
fevereiro. Sim, aprendi a gostar de rúgbi. E muito. Nestes dias de frio, tenho
acompanhado a Copa das Nações Africanas, mas futebol é parte da minha endo
cultura. E antes que me perguntem, estou torcendo pela bola.
Jannik Sinner - jovem campeão no esqui e no tênis
A grande sensação
da temporada é mesmo a versão de inverno dos Jogos Olímpicos, que acontece
entre os dias 6 e 22 de fevereiro deste ano, nas cidades de Milão e Cortina d’Ampezzo,
Itália. A transmissão pela tv incentivou muitos jovens a praticar esportes como
o curling (aquele onde uma “chaleira” deve deslizar sobre o gelo) e outros mais
clássicos, como o esqui alpino. Aliás, o tenista italiano Jannik Sinner é um
excelente esquiador e só optou pelo tênis profissional por causa dos longos
períodos de treinamento no esqui, para participar de campeonatos tão breves,
além de ter aprendido que era mais fácil se recuperar nos momentos difíceis de
uma partida de tênis, que numa descida de slalom gigante, prova em que foi
campeão italiano à idade de 7 (sete!) anos.
Curling
E aqui nasce
uma outra paixão, que são as provas de esqui. Não todas as provas, apenas as
mais breves: descida livre, slalom gigante, slalom e combinada. Alberto Tomba é
o maior esquiador italiano com 50 títulos, entre olimpíadas e campeonatos
mundiais; Federica Brignone ocupa o segundo lugar, com 37 títulos e Sofia
Goggia, com 27 títulos, no terceiro lugar. Tomba encerrou a carreira em 1998,
com 32 anos. Brignone vai completar 32 anos e está voltando de um acidente
terrível durante uma competição em abril do ano passado, quando rompeu os
ligamentos do joelho esquerdo, fraturas com múltiplos fragmentos de tíbia e perônio
da perna esquerda. Está competindo nos diversos torneios que antecedem aos Jogos
Olímpicos, que servem de preparação. Goggia, com 34 anos completados em
novembro, tem muita carreira pela frente, mas vai precisar de muito banho de
sal grosso. Torço por ela pela coragem, qualidade, tenacidade e... Bem, coragem
de novo, vai.
Sim, Sofia
Goggia é uma grande esquiadora. E é muito destemida. Alguém empenhada a dar o máximo, mesmo correndo riscos e, constantemente, um pouco mais que o máximo. Ela coleciona
acidentes importantes e menos importantes. Em 2022, sofreu uma queda durante
uma competição, que acabou vencendo. 24 horas depois, numa outra prova, uma nova
queda a levou ao hospital, a poucos dias das olimpíadas. 23 dias depois, levava
uma medalha de prata nas Olimpíadas. A propósito, Goggia rompeu os ligamentos e
o menisco do joelho esquerdo – pela primeira vez – em 2007, aos 14 anos.
Soffia Goggia - Copa do Mundo 2021-2022
Fevereiro será
um mês insone, assistindo as reprises noturnas do Six Nations e dos Jogos Olímpicos de Inverno,
durante as madrugadas frias. Espero resistir heroicamente, sem criar atritos
com a geladeira. E, se alguém puder, mande uma muda de arruda à Sofia Goggia.
Vou torcer por ela.



