Caros e Caras,
Paz e saúde!
2006 É ano de eleições também na Itália. Infelizmente as eleições acontecerão ainda no primeiro semestre, no dia 9 de abril. A velha regra romana de oferecer ao povo pão e circo vai, aos poucos, adaptando-se aos novos tempos. O pão italiano (com exceção daquele toscano, sem sal) continua bom, mas a chegada do Euro o transformou em artigo de luxo. Já o pouco divertimento grátis que a classe política costuma oferecer em períodos de campanha eleitoral está cerceado pelo calendário.
As xoxas risadas começam em tentar descobrir o limite (se existe) entre centro-esquerda e centro-direita. O italiano médio – essa figura inventada providencialmente para evitar generalizações – divide o mundo entre os de esquerda e os de direita. Ora, se essa divisão ganhou elasticidade e se transformou numa espécie de tarantela do napolitano bêbado (versão italiana do samba do crioulo doido em que se transformaram as alianças políticas brasileiras), o eleitor italiano perde as referências e suas certezas se transformam em dúvidas. Como quem brinca sobre a amarelinha da semana anterior: falta-lhe a clareza de saber se o final é o céu ou o inferno.
A campanha começa oficialmente com o fechamento das câmaras. O primeiro-ministro Silvio Berlusconi, candidato à reeleição, propôs e conseguiu adiar tal evento. Tudo para poder continuar apresentando-se em todo e qualquer programa de televisão, rádio, premiação em guerra de neve e aniversário de boneca, sem ter que respeitar a lei que obriga direito à paridade de acesso aos meios de comunicação entre políticos. A atitude irritou o equilibrado e octogenário presidente italiano, Carlo Azeglio Ciampi, que deu um pito nas emissoras para que elas respeitassem a bendita lei. Os adversários usam as mesmas táticas e se unem para atacar o atual governo, enquanto se engalfinham (ainda se usa esta palavra no Brasil?) para descobrir quem será o representante da oposição.
Berlusconi aproveita da confusão e diz ter ficado cinco anos sem poder aparecer na Tv por estar trabalhando; afirma ter um enorme crédito à frente das câmeras que pretende resgatar agora; promete um voto de castidade durante a campanha e depois volta atrás (há quem acredite que se referisse à esposa, há quem acredite que se referisse ao povo); faz alarde ao anunciar uma deposição espontânea à corte que investiga o escândalo do banco central italiano, envolvendo líderes da esquerda, mas o conteúdo é tão vago que a declaração é arquivada. Flashes, luzes, refletores e microfones. O que importa é a exposição na mídia. E todo mundo acusa todo mundo. Tem-se a impressão de estarem escolhendo o novo chefe da cadeia.
A candidatura gira em torno do veteraníssimo Romano Prodi e do próprio Berlusconi, que já avisou que não larga o osso de jeito nenhum. Sem uma proposta inovadora ou mesmo uma cara nova que rejuvenescesse o espetáculo, o público cochila na plateia. A novela requentada se arrastará em todos os canais mesmo durante a campanha. No lugar do pão, sal de fruta.
Brasil, Itália ou qualquer outro rincão de língua latina: por que será que nossos políticos têm sempre tão pouca classe durante a campanha e tanta sujeira embaixo do tapete depois dela?
Ciao.
Porque eles são hábeis em manter a classe média satisfeita. Ah, ainda se utiliza a expressão por aqui. abração
ResponderExcluirCampanhas políticas são iguais em qualuqer lugar do mundo. Mesmo aqui, no organizado Canadá, tem baixaria, acusações mútuas, etc.
ResponderExcluirabraço.
Ladrão é igual em qualquer país... Aqui temos um bêbado, com cara de Gnomo, que adora gastar nosso dinheiro enchendo a cara de uisque importado e viajando com a jacu da esposa!!!!!
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ResponderExcluirÉ mesmo, um circo de horrores!
ResponderExcluirD. Afonso XX! Mas que classe média, no Brasil, eles deixaram satisfeitas? Ainda temos classe média?
Mais achatada e reduzida, impossível.