A Georgia, do blog Saia Justa convidou os leitores a descobrir onde ela e a família iriam comemorar o aniversário dela. Acertei e ela, gentilmente, enviou-me uma lembrança da bela Side, na Turquia.
O cartão postal inserido no pacote não faz jus à realidade. Sugiro ir conferir pessoalmente. Os docinhos que tanto caracterizam aquela região estavam ótimos! Pena que se “volatilizaram” assim que abri a caixa. Pensei em fazer uma foto antes-e-depois, mas a cena do “depois” não poderia ser mostrada em horário infantil. :)
Obrigado, Georgia.
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A Itália vista por um brasileiro. As diferenças culturais, descobertas e sabores, com uma pitada de bom humor (às vezes).
Thursday, March 24, 2011
Monday, March 21, 2011
Uma Mulher para Admirar e Respeitar
A Borboleta convidou-me para escrever sobre uma mulher para admirar e respeitar. “Tarefa difícil”, alertei, pela quantidade de homenagens e pela qualidade das homenageadas. Além disso, não gosto de listas de preferências por acreditar que sejam mais restritivas que enaltecedoras, por duvidar da minha memória e para evitar sentimentos feridos.
Como o convite não previa declinação, optei por relatar o caso de alguém que conheci há muitos anos e que me comoveu. O resultado foi publicado no blog Eu Sou a Graúna.
Que em breve não haja a necessidade de um Dia Internacional da Mulher. Até lá, que o mês de Março traga sempre bons exemplos e novas atitudes.
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Como o convite não previa declinação, optei por relatar o caso de alguém que conheci há muitos anos e que me comoveu. O resultado foi publicado no blog Eu Sou a Graúna.
Que em breve não haja a necessidade de um Dia Internacional da Mulher. Até lá, que o mês de Março traga sempre bons exemplos e novas atitudes.
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Friday, March 18, 2011
Trilha sonora italiana - Adriano Celentano
Confesso que não conhecia o Adriano Celentano antes de vir morar na Itália. Acontece que este milanês é um dos monstros da música italiana, inicialmente como cantor de rock, depois pop e, atualmente, romântica. Atuou em muitos filmes, é compositor, diretor, ator e empresário.
A primeira experiência foi com a banda Rock Boys, em 1956, influenciado pelos primeiros passos do rock de Bill Haley and his Comets. Desde então não parou de produzir sucessos, como "Il ragazzo della via Gluck", "Azzurro", "24.000 Baci" e tantos outros. Chamado "Il Molleggiato" [de molas] pelo modo de dançar, crítico ácido da situação política italiana, da situação muiscal italiana, ou qualquer outra situação italiana que precise de um puxão de orelhas.
Só mesmo Celentano para dançar com a apresentadora Raffaella Carrà - no vídeo abaixo - com uma sua música em um verdadeiro "virunduns" italiano: a letra é um falso inglês onde ele não diz absolutamente nada. (O vídeo com melhor qualidade você pode ver aqui) A canção se chama "Prisencolinensinainciusol".
Ouça uma canção que fez muito sucesso por aqui, dessa última fase romântica deste velho leão, "L'Emozione non ha voce":
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estilo italiano
Sunday, March 13, 2011
União da Itália - 150 anos
Este ano comemora-se os 150 anos da União da Itália. 17 de Março será feriado nacional, mas somente em 2011. Giuseppe Mazzini, Camilo Benso (conde de Cavour), Vittorio Emanuele II e Giuseppe Garibaldi são considerados os “pais da pátria”.
Tudo começou muito depois do Império Romano, durante o Congresso de Viena de 22 de Setembro de 1814, quando as quatro potências, Áustria, Grã Bretanha, Prússia e Rússia, após derrotarem Napoleão Bonaparte, decidiram retornar à organização política europeia antes da campanha napoleônica, com dois princípios básicos na execução do Congresso: o princípio de equilíbrio, para impedir que um país pudesse impor-se sobre os demais, e o princípio da legitimidade, com o qual foram restaurados os tronos das dinastias que reinavam antes de Napoleão, reforçando o absolutismo monárquico e, ao mesmo tempo, impedindo a difusão das ideias franceses.
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Acontece que o território italiano era ocupado pelas monarquias dominantes. As medidas antiliberais que negavam o princípio de nacionalidade do povo soberano acabaram por estimular os movimentos e confrarias secretas. A organização que na Itália se rebelou mais ativamente foi a Carboneria (da receita para spaghetti alla carbonara, lembram?), que acabaram derrotados. Giuseppe Mazzini, membro da Carboneria, promoveu uma insurreição que não chegou a convencer o povo. Ele defendia que a união da Itália deveria vir da massa, sem o apoio externo ou de um soberano. Seu sonho era ver uma Itália “livre, independente e republicana”. A partir de então, com a entrada de outros personagens e com um ritmo diferente do imaginado por Mazzini, a luta pela união italiana ganhou forma até que em 20 de Setembro de 1870 Roma foi tomada e o Estado Pontifício perdeu o poder. Vittorio Emanuele II, proclamado rei da Itália em 17 de Março de 1861, transferiu a capital para Roma em Julho de 1871.
“Feita a Itália, é necessário fazer os italianos”. Bom, esta frase de Ferdinando Martini de 1896 não poderia ser mais profética. Enquanto um brasileiro bate no peito ufanista e diz “sou brasileiro”, na península em forma de bota o cidadão é napolitano, milanês, piacentino ou qualquer outro gentílico, com o cuidado de esclarecer se da cidade ou de alguma localidade da província: “eu sou piacentino de Bettola”. Ou seja, o italiano se identifica antes de mais nada com a cidade; depois, com a região e só por último com o país. Não existe o sentimento de união nacional. Curioso como muitos se sentem mais europeus que italianos.
Exemplos? Aldo Montano, esgrimista italiano, levantou a bandeira da cidade de Livorno ao ganhar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004. Ao mostrar a medalha no pescoço, havia escrito o prefixo telefônico da cidade nas mãos exibidas aos jornalistas: 0586; o partido de extrema direita Lega Nord renega o hino italiano e propõe substitui-lo, por entender que o texto do atual hino não representa o país e submete todo o poder a Roma, por causa de um trecho que diz “schiava di Roma” (escrava de Roma. Na realidade, mais pela submissão que o texto representa que pelo texto em si); “A Itália acaba em Módena” é uma expressão corrente aqui no centro-norte italiano; os dialetos locais são defendidos e preservados com unhas e dentes, apesar dos jovens não demonstrarem a intenção de perpetuá-los. Outros 150 anos não bastariam para citar todos os exemplos.
Me impressiona sentir toda essa animosidade. Não que fosse novidade, pois no Brasil não é muito diferente e o preconceito contra nordestinos no sudeste, por exemplo, é algo tão triste quanto palpável e cotidiano; mas o meu desconhecimento do mundo sempre me fez acreditar que, apesar das divergências internas, o país, depois de tanta luta, possuísse aquele sentimento peculiar que faz de um povo uma nação. Só conhecendo bem esta terra para entender que após a queda do Império Romano as pessoas comuns se fecharam em borgos, cidades fortificadas, pequenos reinados e comunidades que se protegiam. Os conflitos internos eram deixados de lado se o momento era de defender a cidade ou castelo. Os invasores – e foram muitos – deixaram como herança o hábito de olhar desconfiado aos forasteiros. Mesmo depois de tanto tempo a desconfiança persiste.
Talvez tudo tenha começado errado, os “pais da pátria” também tinham lá suas divergências. Mas está passando da hora dos italianos deixarem de lado esse sentimento provinciano para fazer parte de uma única nação, como um dia sonhou Ferdinando Martini.
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história e geografia
Friday, March 11, 2011
Pesquisa sobre brasileiros na Itália
O Rodrigo Zanetti é um jornalista que veio para a Itália fazer um master em Relações Internacionais. A sua pesquisa procura avaliar o poder da social network na vida do imigrante brasileiro na Itália, ou “como a internet auxilia na manutenção dos laços com o Brasil”.
Se você é brasileiro ou brasileira que vive na Itália e está disposto a colaborar, o Rodrigo preparou um breve (breve mesmo) questinário para coletar as informações e o disponibilizou AQUI. Ele garante que as informações não serão divulgadas e serão usadas somente para criar as estatísticas. Eu já respondi e levou poucos minutos.
Qualquer dúvida, entre em contato com ele: rodzanetti@gmail.com
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Se você é brasileiro ou brasileira que vive na Itália e está disposto a colaborar, o Rodrigo preparou um breve (breve mesmo) questinário para coletar as informações e o disponibilizou AQUI. Ele garante que as informações não serão divulgadas e serão usadas somente para criar as estatísticas. Eu já respondi e levou poucos minutos.
Qualquer dúvida, entre em contato com ele: rodzanetti@gmail.com
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Monday, March 07, 2011
A Quaresma mais longa da minha vida
Em Piacenza também comemora-se o Carnaval: com “chiacchiere”. Doce típico desta época (mas também sinônimo de "conversa fiada"), trata-se de massa de pastel frita em tirinhas com açúcar por cima. Algumas poucas crianças se fantasiam de índio, pirata ou super-heroi e fazem uma pequena guerra de confete pelas praças da cidade. Em outras cidades italianas, como em Cento, até acontecem desfiles de carros alegóricos, mas nada que se possa comparar a qualquer desfile brasileiro. Já o Carnaval de Veneza tem a sua tradição. Mesmo ali, apesar dos bailes dedicados aos amantes do Carnaval gelado, a coisa é muito contemplativa, o que não combina comigo, minha origem carioca e minha alma soteropolitana.
Se você é alguém que prefere a tranquilidade nesse período, não falamos a mesma língua, apesar do meu exílio do reinado de Momo. Nunca fui o tipo de folião das beiradas. Nada de circuito Barra-Ondina, meu negócio sempre foi a Avenida 7, Carlos Gomes e A Praça (assim tudo em maiúsculo, que é como os locais conhecem a praça Castro Alves), que eu, carinhosamente, chamo de “coração do inferno”. Da minha amada e violenta cidade, no Sambódromo só se for pelo azul e branco da querida Portela. E as bandas Sá Ferreira, do Leme e de Ipanema. Descubro que estou por fora das novidades, lembrando de carnavais que talvez não mais existam.
Páginas e mais páginas abertas na Internet servem para me atualizar sobre a festa brasileira, num exercício masoquista no frio polar destes dias por aqui. Tenho dificuldade em lembrar da letra inteira do samba-enredo da Portela de 1975: “…Ci em forma de estrela/a Macunaíma dá/um talismã que ele perde e sai a vagar. /Canta o uirapuru e encanta/liberta as mágoas do seu triste coração…” É o frio, penso eu. Quer coisa mais monótona que o belo canto do uirapuru? Venha passar o Carnaval na neve.
Nem feriado é. Algumas escolas fecham na terça-feira ou na segunda e terça, mas é tudo. Em Salvador o Carnaval começava na quarta-feira e não vou me espantar se descobrir que agora começa um mês antes. Aliás, em Salvador o Carnaval não acaba nunca, com os diversos “ensaios” das bandas, o Pelô, as festas de largo e as muitas lavagens de shopping centers, bares, barracas de praia (as que sobraram) ou qualquer outra desculpa para festejar. Isso sem falar nas micaretas pelo interior do estado. Haja acarajé e cerveja!
Mas o vento frio da janela aberta me traz à realidade piacentina. Segunda-feira é “dia de branco” e não posso me espalhar. Terça e quarta, também. Um branco diferente daquele do Bonfim, que permeia roupas e espíritos. Um branco que obriga a concordar com a baiana que disse “todo mundo quer ser baiano”. Nem acarajé, nem samba-enredo. Somente um punhado de chiacchiere. Definitivamente, essa cidade não é d’Oxum.
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Saturday, March 05, 2011
Crosta de Parmigiano Reggiano - comentário
Não é raro encontrar um comentário melhor e mais esclarecedor que o post comentado. Neste post aqui não fui suficientemente claro sobre um hábito cultural, mas o amigo Marco deixou um cometário que esclarece bem a situação, com a sensibilidade de um italiano atento aos próprios costumes:
."Allan, devo confessar que acho muito mais saboroso seu jeito de falar do que... a crosta do parmesão! Eu aprecio muito o que você escreveu, mas acho que todos aqueles que comentaram falando de delicia, de agua na boca... não imaginaram direito do que se trata! Porque a crosta de parmesão com vinho não é uma coisa para paladares finos: é uma herança rude, cheia de carater e de sinceridade, de uma cultura popular que dizia que nada é para se jogar fora, que tudo deve ser aproveitado e que precisa encontrar a forma -tipicamente italiana!- de tirar o máximo do pouco que se tem.
Hoje aquela cultura popular quase desapareceu, as pessoas são mimadas, querem as delícias prontas e não têm mais a paciencia necessaria para descobrir que naquelas crostas, tão pouco apelativas e que muitos jogam fora ou deixam para os animais da casa -pode se esconder um prazer sutil e cheio de tradição."
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