Tenho uma concepção meio ampla sobre o termo “natureza” que envolve o cosmos. Creio que tudo seja parte de um equilíbrio frágil e delicado, porque tudo que é frágil é delicado e precisa muito pouco para quebrar a harmonia da biosfera. Também acredito que é tudo uma questão de ação e reação: quando nos empenhamos em destruir ou pôr limites, modificando o meio ambiente para satisfazer as necessidades humanas, a natureza reage. É como cuspir contra o vento e o cuspe nos tornar na cara. Mas somos perseverantes nas nossas decisões e insistimos em mudar tudo, esquecendo que também nós somos parte desse equilíbrio frágil e delicado.
Na Europa o Inverno foi longo e frio, e terminou uma semana antes do verão mais quente dos últimos tempos. As tulipas não floresceram, as borboletas simplesmente não apareceram, as abelhas desorientadas não estão produzindo nem polinizando como antes, os pernilongos demoraram a chegar, mais de 700 pessoas morreram por causa da onda de calor na Rússia em pouco mais de um mês. Em Trieste, no nordeste da Itália, foi registrada há dez dias a noite mais quente do país: 31 ºC no horário mais fresco. Quinze dias antes a meteorologia ainda anunciava neve. Algumas árvores não floresceram, o que aliviou um pouco a minha rinite alérgica adquirida no ano passado, mas um monte de outras plantas reagiram desesperadas e ao mesmo tempo, provocando verdadeiras nuvens de pólen, painas e afins, que quase me convenceram a comprar uma máscara. Fiquei com as pílulas, mais eficazes, apesar de detestar tomar remédios. O Caruso parou de cantar e o encontrei escondido na garagem, no subsolo, um lugar fresco e reparado do sol. Me aproximei e ele não voou, mas caminhava apressado, como a dizer para deixá-lo em paz naquela tarde quente e abafada deste verão italiano.
O segundo rio mais longo da Itália e o quarto em volume d’água, o rio Adige na altura de Verona, foi domesticado por margens artificiais que o impedem de invadir a cidade no caso de cheias. Até um túnel foi construído mais ao norte, ligando o rio ao lago de Garda, para eventualmente desviar os excessos do rio, mas por causa da diferença de temperatura e qualidade da água o túnel só foi utilizado em duas ocasiões, em 1966 e em 2000. Já os habitantes chineses que neste momento enfrentam catástrofes anunciadas me lembram São Paulo, com seus córregos e rios canalizados em armadilhas que, mais dia, menos dia, transformará a cidade em um imenso lago. Como fazia o Adige com o seu vale e que, tenho certeza, voltará a fazê-lo um dia. Porque é assim que a natureza reage à nossa teimosia em não nos adaptarmos a ela. Ou alguém tem dúvidas de que no próximo verão haverá uma nova catástrofe em Salvador, por causa das construções nas encostas? Talvez mude a cidade, Rio ou uma outra, pois os erros são sempre os mesmos em qualquer lugar.
A minha sugestão? Que as pessoas decidam mudar-se das megalópoles, transformando-as em cidades menores e que os bairros abandonados sejam devolvidos à natureza. Que os rios sejam desencaixotados e que deixem de ser usados como rede de esgotos. Vão viver nas colinas, respeitando o manto verde que as protege; vão viver em cidades menores, procurando não interferir no ambiente, quebrando quintais de cimento e plantando árvores e jardins; sentindo-se privilegiado se tiver que dividir o espaço com alguma lagartixa, aranha, sapo, morcego ou passarinho. Sem alpiste nem gaiolas. Quem sabe a natureza nos dê uma trégua e aprendemos de uma vez por todas que somos tão frágeis e delicados como qualquer outro ser da Terra, e reconquistamos a harmonia do equilíbrio há muito perdido. Utopia? Fé no ser humano.
A Itália vista por um brasileiro. As diferenças culturais, descobertas e sabores, com uma pitada de bom humor (às vezes).
Thursday, July 29, 2010
Tuesday, July 27, 2010
Tubarão - O grande predador
“ ‘O grande predador’. É assim que a maior parte dos tubarões é conhecida. A fama faz sentido ao levar em consideração que são realmente animais carnívoros e ajudam a equilibrar o ecossistema a partir da nobre posição que ocupam no topo da cadeia alimentar. Mas há exageros na reputação. Os tubarões são os predadores mais importantes para a manutenção do equilíbrio do ecossistema coralino, ajudando no controle populacional dos recifes. Mas não evoluíram comendo animais terrestres, como o homem. Se eles desaparecessem, o ecossistema correria o sério risco de colapsar – um caso clássico aconteceu numa comunidade ilhéu próxima a Austrália: depois de todos os tubarões pescados, o recife de coral colapsou, vítima da insustentabilidade sem o predador mais voraz.
/…/ Os tubarões são hoje um dos grupos de animais mais dizimados pelo homem. Cerca de 100 milhões deles são pescados anualmente, para atender a uma demanda crescente pela carne e barbatanas no mercado global, incluindo a indústria de cosméticos, que utiliza uma substância do fígado da espécie, o esqualeno, na produção de cremes. A crença popular propaga que o consumo de produtos derivados de tubarão pode trazer uma série de benefícios à saúde, incluindo o combate ao câncer; porém, estudos científicos já desbancaram tais mitos e adicionaram o agravante de que a carne e a barbatana do tubarão são ricas em mercúrio, um metal pesado extremamente nocivo à saúde humana. Caso o ritmo de pesca desses animais não diminua, todo o ecossistema marinho corre o risco de ser degradado irreversivelmente, contribuindo para o desaparecimento de inúmeras espécies”
Trechos do livro “Jardins Marinhos Tropicais.”
Muitas vezes nos lamentamos de que a ciência usa uma linguagem complicada demais, elitista e distanciada do nosso dia-a-dia. Pois esse livro foi escrito por dois biólogos marinhos com textos e fotografias incríveis, acessíveis a quem quer que tenha interesse pelo argumento ou simplesmente por belas fotos. O livro tem o patrocínio da Petrobrás, empresa brasileira de petróleo. Esse mesmo petróleo que tanto combatemos e que está presente na nossa vida muito mais do que imaginamos: em pneus, cosméticos, no chiclete e em muitos outros lugares além do combustível. E alguém poderia perguntar se esse hábito de patrocinar projetos importantes como este livro não seria uma maneira de “limpar a barra” da empresa. Pessoalmente, acredito em uma sociedade sem petróleo em um futuro muito breve, mas tenho certeza de que a Petrobrás estará neste futuro, pois creio que eles também apostam nessa sociedade e estão se preparando para continuar presentes. Com ou sem petróleo.
Compre o seu exemplar, para deleite próprio ou para presentear. E lembre-se de voltar aqui para me agradecer. :)
/…/ Os tubarões são hoje um dos grupos de animais mais dizimados pelo homem. Cerca de 100 milhões deles são pescados anualmente, para atender a uma demanda crescente pela carne e barbatanas no mercado global, incluindo a indústria de cosméticos, que utiliza uma substância do fígado da espécie, o esqualeno, na produção de cremes. A crença popular propaga que o consumo de produtos derivados de tubarão pode trazer uma série de benefícios à saúde, incluindo o combate ao câncer; porém, estudos científicos já desbancaram tais mitos e adicionaram o agravante de que a carne e a barbatana do tubarão são ricas em mercúrio, um metal pesado extremamente nocivo à saúde humana. Caso o ritmo de pesca desses animais não diminua, todo o ecossistema marinho corre o risco de ser degradado irreversivelmente, contribuindo para o desaparecimento de inúmeras espécies”
Trechos do livro “Jardins Marinhos Tropicais.”
Muitas vezes nos lamentamos de que a ciência usa uma linguagem complicada demais, elitista e distanciada do nosso dia-a-dia. Pois esse livro foi escrito por dois biólogos marinhos com textos e fotografias incríveis, acessíveis a quem quer que tenha interesse pelo argumento ou simplesmente por belas fotos. O livro tem o patrocínio da Petrobrás, empresa brasileira de petróleo. Esse mesmo petróleo que tanto combatemos e que está presente na nossa vida muito mais do que imaginamos: em pneus, cosméticos, no chiclete e em muitos outros lugares além do combustível. E alguém poderia perguntar se esse hábito de patrocinar projetos importantes como este livro não seria uma maneira de “limpar a barra” da empresa. Pessoalmente, acredito em uma sociedade sem petróleo em um futuro muito breve, mas tenho certeza de que a Petrobrás estará neste futuro, pois creio que eles também apostam nessa sociedade e estão se preparando para continuar presentes. Com ou sem petróleo.
Compre o seu exemplar, para deleite próprio ou para presentear. E lembre-se de voltar aqui para me agradecer. :)
Água-viva - Medusa
“Curiosamente, em Palau, na Micronésia, um grupo de águas-vivas perdeu evolutivamemte a capacidade urticante. As águas vivas do gênero Mastigias estão distribuídas pelos mares tropicais, mas em Palau um processo geológico ocorrido em trê locais diferentes do arquipélago – o fechamento de uma saída direta para o mar e a consequente formação de lagos de água salgada conectados ao mar apenas por infiltração – isolou uma população de Mastigias dentro do lago. Colateralmente, afastou-as também dos principais predadores. Com o passar do tempo, as águas-vivas evoluíram perdendo a capacidade urticante. Tornou-se um desperdício energético produzir nematócitos que não seriam mais necessários naquele ambiente novo sem predadores. Com isso, a população de águas-vivas que hoje vivem no chamado Lago das Águas-Vivas em Palau não libera nenhuma toxina ao ser tocada, e o local virou ponto de ecoturismo mundial.”
Trecho do livro “Jardins Marinhos Tropicais” do André Seale. Na realidade o livro foi escrito por dois biólogos marinhos, o André e a Lucia, com informações preciosas e fotos de um dos melhores fotógrafos marinhos do mundo. Comprei o meu exemplar e não me canso de folhear, admirar as fotos e saciar a minha curiosidade com as informações que o livro oferece. Se você ainda não comprou o seu, sugiro de coração que o faça logo. Também é uma opção muito chique para presentear, mesmo sabendo que esse livro jamais ficará largado em cima de uma mesa de centro qualquer, como aqueles livros que ninguém jamais abrirá. Se quiser saber mais, clique aqui.
Trecho do livro “Jardins Marinhos Tropicais” do André Seale. Na realidade o livro foi escrito por dois biólogos marinhos, o André e a Lucia, com informações preciosas e fotos de um dos melhores fotógrafos marinhos do mundo. Comprei o meu exemplar e não me canso de folhear, admirar as fotos e saciar a minha curiosidade com as informações que o livro oferece. Se você ainda não comprou o seu, sugiro de coração que o faça logo. Também é uma opção muito chique para presentear, mesmo sabendo que esse livro jamais ficará largado em cima de uma mesa de centro qualquer, como aqueles livros que ninguém jamais abrirá. Se quiser saber mais, clique aqui.
Recifes de Coral
“Estima-se que os recifes de coral começaram a formar-se há 475 milhões de anos, no período Ordoviciano. Desde então, a fauna aquática teve tempo suficiente para desenvolver uma diversidade exuberante, e gradativamente os animais se foram adaptando ao ecossistema em constante evolução. Recife é uma denominação generalizada para rochedos ou uma série de cochedos próximos à costa. Os recifes de coral são especificamente os formados por acúmulo de carbonato de cálcio derivado do exoesqueleto calcário dos corais, animais marinhos com estrutura de pólipo. Conhecem-se atualmente cerca de 6.200 espécies de corais ao todo.
/…/ Atualmente os ecossistemas de corais tropicais são de longe os ambientes aquáticos mais biodiversos do planeta, compondo uma estrutura viva robusta visível até quando se está em órbita no espaço.
/…/ Os corais são muitas vezes confundidos com rochas ou plantas pela aparência imóvel e por vezes cheia de ‘galhos’. Mas são na realidade animais sésseis. A parte viva dos corais é composta por pólipos, estruturas cilíndricas com a base presa ao substrato, que geralmente possuem tentáculos e podem existir isoladamente ou em colônias. Os recifes de coral são, na maioria das ocorrências, pólipos coloniais que estão constantemente extraindo cálcio da água para o crescimento estrutural e proteção na forma de carbonato de cálcio.”
Trechos do livro “Jardins Marinhos Tropicais.”
Pelas informações científicas específicas sobre um assunto tão fascinante, este livro deveria ser divulgado por todas as publicações científicas interessadas em diminuir a distância entre ciência e sociedade. Pelas qualidade e espetáculo das fotos, por publicações que tratam de arte.
/…/ Atualmente os ecossistemas de corais tropicais são de longe os ambientes aquáticos mais biodiversos do planeta, compondo uma estrutura viva robusta visível até quando se está em órbita no espaço.
/…/ Os corais são muitas vezes confundidos com rochas ou plantas pela aparência imóvel e por vezes cheia de ‘galhos’. Mas são na realidade animais sésseis. A parte viva dos corais é composta por pólipos, estruturas cilíndricas com a base presa ao substrato, que geralmente possuem tentáculos e podem existir isoladamente ou em colônias. Os recifes de coral são, na maioria das ocorrências, pólipos coloniais que estão constantemente extraindo cálcio da água para o crescimento estrutural e proteção na forma de carbonato de cálcio.”
Trechos do livro “Jardins Marinhos Tropicais.”
Pelas informações científicas específicas sobre um assunto tão fascinante, este livro deveria ser divulgado por todas as publicações científicas interessadas em diminuir a distância entre ciência e sociedade. Pelas qualidade e espetáculo das fotos, por publicações que tratam de arte.
Friday, July 23, 2010
Sunday, July 18, 2010
O segredo de um bom risotto
Um e-mail do Aldo Pereira, recebido um ou dois meses faz, me lembrou que em 2007, quando escrevi uma série de cinco cartas detalhando cada ingrediente da receita do risotto alla milanese (Arroz piemontês; Parmigiano Reggiano, o rei dos queijos; Brodo e soffritto, os segredos de um bom risotto; O ouro vermelho das arábias; Risotto alla milanese), por um lapso deixei de informar um passo fundamental para que o risoto mereça ganhar um “t” a mais e se transforme num verdadeiro Risotto: a mantecatura.
Mantecare, em italiano, significa “dar liga a uma preparação gastronômica misturando-a de modo a obter uma consistência cremosa.” A mantecatura do sorvete, por exemplo, é a operação do sorveteiro que consiste em misturar continuamente a massa em ambiente frio, que tem como finalidade quebrar os cristais de gelo que se formam e, ao mesmo tempo, incorporar à massa um pouco de ar, aumentando o seu volume inicial e torná-lo cremoso. No risotto e em outros pratos, a mantecatura consiste em adicionar uma substância gordurosa – manteiga, banha, óleo, creme de leite, queijo ralado, etc. – para tornar o prato cremoso, na fase final da preparação. Por extensão, também se diz “mantecare la pasta” a fase final de muitas receitas de massa salteadas em frigideira (saltare in padella) com o molho e com a adição de queijo ralado. Mantecare deriva de manteca – manteiga, em espanhol.
Mas não basta misturar a manteiga e o queijo ralado para ter um bom risotto. Lembre-se de que os ingredientes devem ser cozidos separadamente; o brodo terá que ser preparado antecipadamente; o queijo deve ser ralado na hora e deve ter sido retirado da geladeira uma hora antes, e o tipo de queijo vai depender muito mais do gosto pessoal que da receita, à exceção do pecorino, que tem um sabor muito marcante e só deve ser usado em receitas específicas; a manteiga deve estar à temperatura ambiente; existem tipos de arroz mais aptos ao risotto, que deve ficar ligeiramente duro por dentro e cremoso por fora; o soffritto – refogar cebola e ingredientes da receita como carne, midollo (o miolo do osso) e outras gorduras – é uma arte a ser praticada com paciência; a adição do vinho e do brodo pode mudar de ordem dependendo da receita.
Na receita do risotto ai gamberetti e zucchine (camarão com abobrinha), a minha sugestão para esse dia de Inverno particularmente frio no Brasil, ou Verão particularmente quente na Itália, só entrará a cebola no refogado; o camarão será ligeiramente refogado separadamente e receberá um pouco de água fervendo com sal, que será usada como brodo, mas será retirado da água antes de cozer completamente para não desmanchar quando adicionado ao arroz; a abobrinha, cortada em pedaços pequenos, também será refogada muito ligeiramente para que fique crocante no prato; o vinho será aberto pouco antes de iniciar o risotto e um assaggio (degustação) deve acontecer enquanto se prepara o risotto, para que o cozinheiro ou cozinheira (e ajudante) tenham prazer em cozinhar; a mantecatura será feita com a adição de um pouco de manteiga e queijo ralado – eu vou de Parmigiano Reggiano – depois de misturar o camarão e a abobrinha com o arroz e com o fogo apagado.
E aqui o último segredo para um bom risotto: a mantecatura deve ser executada em modo veloz para não deixar esfriar, e de forma vigorosa para incorporar bem os ingredientes. O ponto certo é quando a manteiga derreteu completamente e não se encontram vestígios do queijo ralado. O prato ficará úmido e cremoso e será servido imediatamente. Com um copo daquele bom vinho, se o desgraçado do cozinheiro não se embebedou antes e deixou vinho suficiente.
Mantecare, em italiano, significa “dar liga a uma preparação gastronômica misturando-a de modo a obter uma consistência cremosa.” A mantecatura do sorvete, por exemplo, é a operação do sorveteiro que consiste em misturar continuamente a massa em ambiente frio, que tem como finalidade quebrar os cristais de gelo que se formam e, ao mesmo tempo, incorporar à massa um pouco de ar, aumentando o seu volume inicial e torná-lo cremoso. No risotto e em outros pratos, a mantecatura consiste em adicionar uma substância gordurosa – manteiga, banha, óleo, creme de leite, queijo ralado, etc. – para tornar o prato cremoso, na fase final da preparação. Por extensão, também se diz “mantecare la pasta” a fase final de muitas receitas de massa salteadas em frigideira (saltare in padella) com o molho e com a adição de queijo ralado. Mantecare deriva de manteca – manteiga, em espanhol.
Mas não basta misturar a manteiga e o queijo ralado para ter um bom risotto. Lembre-se de que os ingredientes devem ser cozidos separadamente; o brodo terá que ser preparado antecipadamente; o queijo deve ser ralado na hora e deve ter sido retirado da geladeira uma hora antes, e o tipo de queijo vai depender muito mais do gosto pessoal que da receita, à exceção do pecorino, que tem um sabor muito marcante e só deve ser usado em receitas específicas; a manteiga deve estar à temperatura ambiente; existem tipos de arroz mais aptos ao risotto, que deve ficar ligeiramente duro por dentro e cremoso por fora; o soffritto – refogar cebola e ingredientes da receita como carne, midollo (o miolo do osso) e outras gorduras – é uma arte a ser praticada com paciência; a adição do vinho e do brodo pode mudar de ordem dependendo da receita.
Na receita do risotto ai gamberetti e zucchine (camarão com abobrinha), a minha sugestão para esse dia de Inverno particularmente frio no Brasil, ou Verão particularmente quente na Itália, só entrará a cebola no refogado; o camarão será ligeiramente refogado separadamente e receberá um pouco de água fervendo com sal, que será usada como brodo, mas será retirado da água antes de cozer completamente para não desmanchar quando adicionado ao arroz; a abobrinha, cortada em pedaços pequenos, também será refogada muito ligeiramente para que fique crocante no prato; o vinho será aberto pouco antes de iniciar o risotto e um assaggio (degustação) deve acontecer enquanto se prepara o risotto, para que o cozinheiro ou cozinheira (e ajudante) tenham prazer em cozinhar; a mantecatura será feita com a adição de um pouco de manteiga e queijo ralado – eu vou de Parmigiano Reggiano – depois de misturar o camarão e a abobrinha com o arroz e com o fogo apagado.
E aqui o último segredo para um bom risotto: a mantecatura deve ser executada em modo veloz para não deixar esfriar, e de forma vigorosa para incorporar bem os ingredientes. O ponto certo é quando a manteiga derreteu completamente e não se encontram vestígios do queijo ralado. O prato ficará úmido e cremoso e será servido imediatamente. Com um copo daquele bom vinho, se o desgraçado do cozinheiro não se embebedou antes e deixou vinho suficiente.
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Monday, July 12, 2010
A Copa que excluiu a arrogância
Tenho observado uma mudança na direção oposta de certos valores. Uma pessoa corajosa, com opinião própria e personalidade forte pode haver uma certa dose de arrogância. É o tipo de pessoa admirada, copiada e, muitas vezes, invejada. Mas quantas vezes ouvimos dizer que alguém é admirado por ser arrogante, como se fosse uma qualidade a mais? “Talentoso, de sucesso e arrogante. Quer motivo melhor para gostar desse cara?”, é uma frase que tenho ouvido ou lido com certa frequência.
Para não falar sobre as atitudes do Dunga, o técnico da seleção brasileira na Copa da África – pois muito se falou sobre a arrogância dele – nem malhar o arrogante técnico da Argentina (Mardona) ou do mais arrogante de todos, o técnico da França (Domenech), vou contar a cena italiana após a exclusão da seleção Azzurra da mesma competição ainda na fase inicial, apesar de toda a arrogância com a imprensa e ao referir-se aos demais times. O técnico Marcello Lippi em entrevista coletiva disse: “Assumo toda a responsabilidade pelas escolhas na formação do time e pela preparação que nos levaram à exclusão como a última seleção da nossa chave. Sou eu o único culpado por esse resultado desastroso.” Pronto, estava ali toda a explicação para toda e qualquer pergunta que os jornalistas gostariam de fazer. Esse mea colpa pegou todos de surpresa. As poucas perguntas foram respondidas sempre da mesma forma e Lippi saiu rápido da sala onde acontecia a entrevista. Aos que se atreveram tentar entrevistá-lo nos dias que se seguiram, Lippi respondia de modo agressivo que tudo o que deveria dizer já teria sido dito e que não havia nada a adicionar. “Me deixem em paz!”, concluía quase gritando.
Se analisarmos os quatro finalistas desta Copa, identificamos estilos mais afáveis dos respectivos técnicos. O da seleção do Uruguai (Oscar Tabárez) já treinou times italianos e é tido como uma pessoa tímida e de pouco sucesso; o da Alemanha (Joachim Löw) teve a coragem de incluir onze jogadores que não nasceram na sempre orgulhosa Alemanha e exibia seu sorriso e estilo jovial em entrevistas e durante os treinos; a sisudez do técnico holandês (Lambertus “Bert” van Marwijk) não deve ser confundido com arrogância, apesar de algumas respostas ríspidas. Os jogadores dizem que ele ouve muito o time, pondera e explica as suas decisões antes de entrar em campo; o técnico da Espanha (Vicente Del Bosque) ganhou tudo o que podia com o Real Madrid e mesmo assim é sempre disponível.
Se quisermos vencer a próxima Copa em 2014, que acontecerá no Brasil, devemos escolher um técnico com muita experiência, com auxiliares capazes, incluindo alguém que dê apoio psicológico aos jogadores, como aconteceu em 2002 e, considerando o estilo Dunga, alguém que cuide de relações públicas e um profissional da moda que instrua o técnico – Quem diabos vestiu o Dunga daquele jeito? A imagem que Dunga deixou na África se assemelha à de Hitler.
Sun Tzu já ensinava no seu “A Arte da Guerra”: “Aparente inferioridade e provoque a arrogância do inimigo”. Esse sentimento de suposta superioridade, que despreza opiniões alheias acaba gerando ódio e um número cada vez maior de pessoas que irão torcer pelo fracasso do arrogante. “A auto-confiança em excesso pode ser confundida com arrogância, e confusões não são produtivas” (Alisson Davidson). Esta Copa ensinou que os arrogantes nem sempre terão sucesso e que a queda de um arrogante é mais dolorida. Sim, a altivez, a coragem, o talento, o conhecimento e a competência devem ser admiradas e perseguidas. Mas uma pitada de humildade impede inimigos gratuitos e gera simpatia. Ou, para terminar esta carta e esse parágrafo de citações, recorro a Jeocaz Lee-Meddi: “O mundo admira a arrogância nos homens, mas não a suporta.”
Para não falar sobre as atitudes do Dunga, o técnico da seleção brasileira na Copa da África – pois muito se falou sobre a arrogância dele – nem malhar o arrogante técnico da Argentina (Mardona) ou do mais arrogante de todos, o técnico da França (Domenech), vou contar a cena italiana após a exclusão da seleção Azzurra da mesma competição ainda na fase inicial, apesar de toda a arrogância com a imprensa e ao referir-se aos demais times. O técnico Marcello Lippi em entrevista coletiva disse: “Assumo toda a responsabilidade pelas escolhas na formação do time e pela preparação que nos levaram à exclusão como a última seleção da nossa chave. Sou eu o único culpado por esse resultado desastroso.” Pronto, estava ali toda a explicação para toda e qualquer pergunta que os jornalistas gostariam de fazer. Esse mea colpa pegou todos de surpresa. As poucas perguntas foram respondidas sempre da mesma forma e Lippi saiu rápido da sala onde acontecia a entrevista. Aos que se atreveram tentar entrevistá-lo nos dias que se seguiram, Lippi respondia de modo agressivo que tudo o que deveria dizer já teria sido dito e que não havia nada a adicionar. “Me deixem em paz!”, concluía quase gritando.
Se analisarmos os quatro finalistas desta Copa, identificamos estilos mais afáveis dos respectivos técnicos. O da seleção do Uruguai (Oscar Tabárez) já treinou times italianos e é tido como uma pessoa tímida e de pouco sucesso; o da Alemanha (Joachim Löw) teve a coragem de incluir onze jogadores que não nasceram na sempre orgulhosa Alemanha e exibia seu sorriso e estilo jovial em entrevistas e durante os treinos; a sisudez do técnico holandês (Lambertus “Bert” van Marwijk) não deve ser confundido com arrogância, apesar de algumas respostas ríspidas. Os jogadores dizem que ele ouve muito o time, pondera e explica as suas decisões antes de entrar em campo; o técnico da Espanha (Vicente Del Bosque) ganhou tudo o que podia com o Real Madrid e mesmo assim é sempre disponível.
Se quisermos vencer a próxima Copa em 2014, que acontecerá no Brasil, devemos escolher um técnico com muita experiência, com auxiliares capazes, incluindo alguém que dê apoio psicológico aos jogadores, como aconteceu em 2002 e, considerando o estilo Dunga, alguém que cuide de relações públicas e um profissional da moda que instrua o técnico – Quem diabos vestiu o Dunga daquele jeito? A imagem que Dunga deixou na África se assemelha à de Hitler.
Sun Tzu já ensinava no seu “A Arte da Guerra”: “Aparente inferioridade e provoque a arrogância do inimigo”. Esse sentimento de suposta superioridade, que despreza opiniões alheias acaba gerando ódio e um número cada vez maior de pessoas que irão torcer pelo fracasso do arrogante. “A auto-confiança em excesso pode ser confundida com arrogância, e confusões não são produtivas” (Alisson Davidson). Esta Copa ensinou que os arrogantes nem sempre terão sucesso e que a queda de um arrogante é mais dolorida. Sim, a altivez, a coragem, o talento, o conhecimento e a competência devem ser admiradas e perseguidas. Mas uma pitada de humildade impede inimigos gratuitos e gera simpatia. Ou, para terminar esta carta e esse parágrafo de citações, recorro a Jeocaz Lee-Meddi: “O mundo admira a arrogância nos homens, mas não a suporta.”
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