A Itália vista por um brasileiro. As diferenças culturais, descobertas e sabores, com uma pitada de bom humor (às vezes).
Thursday, July 08, 2010
Tarde de verão
Muitas vezes as críticas não são fruto de reflexão mas puro reflexo. Quando o prefeito inaugurou o Urban Center, onde funcionava o antigo abatedouro da cidade fechado há anos, muita gente nem se deu conta de que era um pedaço da história restituído à comunidade. Choveram críticas. Do lado de fora, uma ruazinha escura e escondida pelo muro alto do abatedouro, sempre entupida de carros estacionados em cima da calçada foi transformada em calçadão. Mais críticas. Há pouco mais de um mês o mesmo prefeito inaugurou no meio do calçadão algo que ele chamou de "elemento de integração do cidadão ao urbanismo". Confira você mesmo.
Sunday, July 04, 2010
Pronúncia italiana - o uso dos acentos em italiano
Pouca gente conhece as regras da acentuação em italiano, incluindo os próprios italianos. Antes de mais nada, convém esclarecer que só existem dois tipos de acentos na língua de Dante, o que corresponde ao nosso acento agudo e um acento grave. O acento agudo se escreve como a nossa crase; o acento grave se escreve como o nosso acento agudo. Ou seja, os acentos em italiano se escrevem ao contrário do que estamos habituados, em português. Somente as vogais e e o podem levar o acento grave. Portanto, o som do a será sempre aberto, como em “casa”, uma palavra que se escreve, se lê e tem o mesmo significado em ambas as línguas (português e italiano); o nosso ã é um som impronunciável para um italiano – do mesmo modo que o nosso r em início de palavra ou dupla (dígrafo) rr.
Esclarecido esses pequenos detalhes, vamos às regras. Em italiano o acento é obrigatório em todas as palavras cuja sílaba tônica é a última (oxítona), se – e somente se – a palavra termina em vogal, como por exemplo nas palavras polissílabas oxítonas como città, perché, cioè, bensì, però, Perù e os monossílabos (ditongos) tônicos como piè, può, più, ciò, già, giù. São exceções qua e qui, que não são nunca acentuados; em determinados monossílabos com valor diferencial, como, por exemplo, nos seguintes casos: dà, dì, ché, è, là, lì, né, sé, sì e tè;
O uso do acento gráfico é opcional quando no interior da palavra, mas só é utilizado se motivado de precisa razão de ordem fonológica ou diferencial. São principalmente fonológicas as razões, quando se deseja especificar ao leitor a pronúncia correta da palavra:
- Quando se usam palavras inventadas ou insólitas, sobrenomes, neologismos, arcaismos, etc. Quando quem escreve considera necessário indicar ao leitor a pronúncia exata. Piarandello na novela “Patente” escreve “Chiàrchiaro” [Kiárkiaro] para indicar a pronúncia esdúxula do sobrenome;
- Quando se usam palavras extremamente raras e termos técnicos os quais se acredita que o leitor não conheça a pronúncia correta;
- Quando se usam palavras de uso comum em que a pronúncia é frequentemente errada e se deseja evidenciar o modo correto de pronunciar, como por exemplo rubrìca que normalmente é pronunciada rùbrica;
- Quando uma plavra há duas pronúncias consideradas corretas e se deseja sugerir ao leitor uma delas por um motivo estilístico, como frùscio e fruscio.
Vá treinando (entre colchetes, a pronúncia com a vogal tônica em negrito):
Città – [tchitá] cidade
Perché – [perkê] porquê
Cioè – [tchioé] quer dizer
Bensì – [bensí] com valor afirmativo: certamente, naturalmente; com valor de conjunção adversativa: mas
Però – [peró] porém
Perù – [Perú] Peru
Piè – [pié] pé
Può – [puó] pode
Più – [piú] mais
Ciò – [tchió] isso, essa coisa
Già – [giá] já
Giù – [djiú] em baixo
Qua – [quá] cá
Qui – [quí] aqui
Dà – [dá] dá (verbo dar, terceira pessoa do singular do indicativo)
Dì – [dí] dia (regionalismo)
Ché – [kê] corruptela de perché
È – [é] é
Là – [lá] lá
Lì – [lí] lá
Né – [nê] nem
Sé – [sê] si (pronome pessoal de terceira pessoa)
Sì – [sí] sim
Tè – [té] chá
Rubrìca – [rubríca] agenda, rubrica
Frùscio ou fruscio – [frúscio, fruscío] barulho característico de esfregamento (o barulho da seda, das folhas ao vento)
.
Esclarecido esses pequenos detalhes, vamos às regras. Em italiano o acento é obrigatório em todas as palavras cuja sílaba tônica é a última (oxítona), se – e somente se – a palavra termina em vogal, como por exemplo nas palavras polissílabas oxítonas como città, perché, cioè, bensì, però, Perù e os monossílabos (ditongos) tônicos como piè, può, più, ciò, già, giù. São exceções qua e qui, que não são nunca acentuados; em determinados monossílabos com valor diferencial, como, por exemplo, nos seguintes casos: dà, dì, ché, è, là, lì, né, sé, sì e tè;
O uso do acento gráfico é opcional quando no interior da palavra, mas só é utilizado se motivado de precisa razão de ordem fonológica ou diferencial. São principalmente fonológicas as razões, quando se deseja especificar ao leitor a pronúncia correta da palavra:
- Quando se usam palavras inventadas ou insólitas, sobrenomes, neologismos, arcaismos, etc. Quando quem escreve considera necessário indicar ao leitor a pronúncia exata. Piarandello na novela “Patente” escreve “Chiàrchiaro” [Kiárkiaro] para indicar a pronúncia esdúxula do sobrenome;
- Quando se usam palavras extremamente raras e termos técnicos os quais se acredita que o leitor não conheça a pronúncia correta;
- Quando se usam palavras de uso comum em que a pronúncia é frequentemente errada e se deseja evidenciar o modo correto de pronunciar, como por exemplo rubrìca que normalmente é pronunciada rùbrica;
- Quando uma plavra há duas pronúncias consideradas corretas e se deseja sugerir ao leitor uma delas por um motivo estilístico, como frùscio e fruscio.
Vá treinando (entre colchetes, a pronúncia com a vogal tônica em negrito):
Città – [tchitá] cidade
Perché – [perkê] porquê
Cioè – [tchioé] quer dizer
Bensì – [bensí] com valor afirmativo: certamente, naturalmente; com valor de conjunção adversativa: mas
Però – [peró] porém
Perù – [Perú] Peru
Piè – [pié] pé
Può – [puó] pode
Più – [piú] mais
Ciò – [tchió] isso, essa coisa
Già – [giá] já
Giù – [djiú] em baixo
Qua – [quá] cá
Qui – [quí] aqui
Dà – [dá] dá (verbo dar, terceira pessoa do singular do indicativo)
Dì – [dí] dia (regionalismo)
Ché – [kê] corruptela de perché
È – [é] é
Là – [lá] lá
Lì – [lí] lá
Né – [nê] nem
Sé – [sê] si (pronome pessoal de terceira pessoa)
Sì – [sí] sim
Tè – [té] chá
Rubrìca – [rubríca] agenda, rubrica
Frùscio ou fruscio – [frúscio, fruscío] barulho característico de esfregamento (o barulho da seda, das folhas ao vento)
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lição de italiano
Friday, July 02, 2010
Sunday, June 27, 2010
Depois de levar tanta crise na cara, não será a italiana a me abater
Acabara de ler uma frase atribuída a Picasso que dizia: “A juventude não há idade.” Não entendi e saí para brincar na rua. Eu tinha uns doze, treze anos e um amigo com quem passava horas e horas, o Alaor. Um dia o Alaor se engraçou com uma menina de um outro bairro e o Jaime, o dono do bairro vizinho, veio tirar satisfação berrando no nariz do Alaor. Me meti na frente e defendi o amigo, dizendo que se no outro bairro só tinha frouxo não era culpa nossa. O Jaime partiu pra cima e decidi que seria batalha até a última gota de sangue. Acontece que o Jaime era maior que eu e o Alaor juntos. Morreria como o homem que não chegaria a ser, mas deixaria minha marca no Jaime. De repente o Jaime saiu correndo. Na
reação inesperada perdi preciosos segundos na corrida atrás daquelas pernas longas que se distanciavam velozmente. Não veria a última gota de sangue do Jaime, mas ganhei fama de brigão. Galinho de briga com tamanho e feições de querubim. Depois fui aprender capoeira e box, que me ensinaram a controlar a minha agressividade. [Auto-controle]
Quando fui trabalhar naquela grande cervejaria, descobri que a minha falta de tato, a impaciência, a sinceridade a qualquer preço e a minha desorganização iriam me levar a ter a carreira mais curta da história da empresa. Aprendi a ser (muito) diplomático, (muito) paciente e passei a dar mais importância à política da empresa que às minhas opiniões, ainda que elas fossem divergentes. Tornei-me tão organizado que fui designado como o responsável pelo programa de qualidade da empresa no departamento comercial, com 82 funcionários. [Adaptar-se, respeitar a hierarquia, reconhecer as próprias deficiências e procurar melhorar: mudar]
Em Junho de 2008, em uma carta intitulada Mudanças, escrevi criptograficamente o falimento da empresa onde trabalhava. Iniciava a crise italiana que piora a cada dia e eu não tinha expectativas de um outro emprego nas mesmas condições do anterior. Havia combinado com um colega de trabalho – e amigo – que abriríamos juntos um franchising com a indenização recebida, cuja franquia exigia uma sociedade de dois sócios. Precavido, pesquisei uma opção para o caso do amigo desistir na última hora, um plano B. Mas deveria ser algo que eu pudesse administrar sozinho. Bem, na última hora o amigo desistiu e eu fiquei com o plano B. A minha primeira experiência empresarial – ainda que pequena – em terras estrangeiras começava com uma crise, mas eu não podia esperar. [Planejamento, agilidade nas mudanças e disposição para enfrentar imprevistos]
A situação da economia italiana vai mal. Muito mal. O governo informa que mais de 500.000 postos de trabalho desapareceram com a crise, mas a realidade é bem outra. Existe na Itália um “amortecedor social” muito utilizado pelas empresas nesse período chamado “caixa integração” o que significa que o funcionário vai em férias forçadas e o INPS – e só o INPS – paga 60% do salário dele. Quando a produção volta ao normal o funcionário retorna ao seu trabalho. No caso da Alitalia, por exemplo, os funcionários que não foram aproveitados pela nova companhia tem direito a 7 (sete!) anos de “caixa integração”. Como o INPS não produz dinheiro, a conta é paga pelo contribuinte. Um ex-piloto da Alitalia ganhava em média € 12.000,00 por mês. Viver com 60% disso por sete anos sem trabalhar é como ganhar na loteria. Mas o pobre operário que vivia com € 900,00 mensais e tinha dificuldade para esticar o salário até o fim do mês não tem como se virar nos poucos meses de “caixa integração” que recebe. Se a empresa fechar as portas, nem os 60% ele recebe mais. A Província de Piacenza informou que até 2007 eram estrangeiros – ou cidadãos italianos oriundos de outros países – 96% da mão-de-obra utilizada na colheita do tomate e da uva, trabalho temporário de Agosto a Setembro em ritmo de 24 horas por dia. A partir de 2008 todos os trabalhadores utilizados na campanha do tomate e da uva eram italianos nascidos na Itália (Todos = 100%). E tem quem me mande e-mails pedindo dicas de como sobreviver na Itália, como se aqui vivêssemos na Europa dos bons tempos. Desde que iniciei a minha atividade, seis clientes fecharam as portas. Reagi pensando: “Não, não houve uma retração do mercado, mas um assentamento que eliminou os comerciantes menos preparados. Tanto melhor, vou ter que rodar menos.” Por questões burocráticas que só quem vive na Itália consegue acreditar, ainda não recebi uma parte consistente da minha indenização que deveria ser paga pelo INPS, o que me obrigou a assumir compromissos que não deveria necessitar, além de um advogado para tentar resolver a questão. Vou em frente. [Auto-motivação, otimismo, capacidade de absorver frustrações]
Hoje o meu movimento seria suficiente para proporcionar-me uma vida mais tranquila, se não houvesse assumido os compromissos que tive que assumir para manter a atividade funcionando, mas vivo na corda bamba, tendo que fazer contas e tomar decisões muito racionadas. Contudo, não posso deixar-me abater. Tenho uma família maravilhosa e o risco é sempre de descontar nas pessoas que estão mais próximas e que são mais vulneráveis, ou seja, minhas filhas. Duas pessoas adoráveis e lindas, que merecem uma vida maravilhosa. Às vezes é realmente muito difícil, mas procuro tratá-las com toda a paciência, a atenção, o respeito e o carinho que elas merecem. Com a Eloá não tem atritos. Jamais nos desentendemos. [Não descarregar frustrações nas pessoas que lhe são caras, a quem lhe está próximo]
Todos os dias acordo pensando num modo de melhorar a situação – que, repito, não é das piores – e busco ou invento oportunidades. Não me dou por vencido e me assusto quando vejo nos jornais que alguém exterminou a própria família e se suicidou por causa de uma situação financeira precária e falta de expectativas. Essa roleta russa social está mudando o humor do povo italiano. Nos últimos três anos tudo o que me poderia acontecer de ruim, aconteceu. Quando penso que a partir daquele ponto as coisas só podem melhorar, lá vem outra notícia negativa para tentar azedar as minhas manhãs. Mas eu não desanimo e procuro concentrar a minha energia na solução dos problemas, e não com lamentações ou pessimismo. Isso tem feito com que eu não sofra por antecipação e tenha mais tranquilidade para encontrar soluções. Quando existem soluções, pois um problema sem solução, solucionado está. Não entendo quem leva a sério o livro “A lei de Murphy”, pois esse não entendeu a sátira da obra e já perdeu a briga antes mesmo de lutar. É um álibi divertido, mas que não exime ninguém da luta. [Preservar as energias para as soluções, e não para os problemas]
- Luís Fernando Veríssimo lançou, pela Editora José Olympio, seu primeiro livro aos 37 anos;
- Cora Coralina publicou seu primeiro livro aos 76 anos de idade;
- Clementina de Jesus trabalhava como doméstica até ser “descoberta” por Hemínio Bello de Carvalho aos 62 anos;
- Raymond Alexander Kroc sobreviveu até os 52 anos vendendo máquinas de milk-shake, até descobrir e comprar a lanchonete que ele transformou na cadeia de fast food McDonald’s. [Perseverar]
Hoje eu entendo o que Picasso quis dizer com aquela frase, mas sei que mais dia, menos dia, temos que crescer a assumir a responsabilidade pelas nossas vidas e pelas vidas que colocamos nesse mundo, mesmo preservando uma juventude interna. Não existe ninguém que possa nos substituir nessa (ainda que árdua) tarefa. Desde os tempos do Jaime sou um lutador. Luto em silêncio e não desanimo com os primeiros socos na cara, insisto. Nenhuma crise é maior do que era o Jaime, que deveria ser um pessimista. O pessimismo transforma toda oportunidade em expectativa de frustração. Mude! [A realidade é dura, mas menos pessimista do que imaginamos]
E se o que escrevi não faz sentido para você, talvez você seja uma daquelas pessoas privilegiadas, vivendo acima de questões cotidianas como essas. De qualquer forma, não se assuste, é apenas outra mensagem criptografada.
reação inesperada perdi preciosos segundos na corrida atrás daquelas pernas longas que se distanciavam velozmente. Não veria a última gota de sangue do Jaime, mas ganhei fama de brigão. Galinho de briga com tamanho e feições de querubim. Depois fui aprender capoeira e box, que me ensinaram a controlar a minha agressividade. [Auto-controle]
Quando fui trabalhar naquela grande cervejaria, descobri que a minha falta de tato, a impaciência, a sinceridade a qualquer preço e a minha desorganização iriam me levar a ter a carreira mais curta da história da empresa. Aprendi a ser (muito) diplomático, (muito) paciente e passei a dar mais importância à política da empresa que às minhas opiniões, ainda que elas fossem divergentes. Tornei-me tão organizado que fui designado como o responsável pelo programa de qualidade da empresa no departamento comercial, com 82 funcionários. [Adaptar-se, respeitar a hierarquia, reconhecer as próprias deficiências e procurar melhorar: mudar]
Em Junho de 2008, em uma carta intitulada Mudanças, escrevi criptograficamente o falimento da empresa onde trabalhava. Iniciava a crise italiana que piora a cada dia e eu não tinha expectativas de um outro emprego nas mesmas condições do anterior. Havia combinado com um colega de trabalho – e amigo – que abriríamos juntos um franchising com a indenização recebida, cuja franquia exigia uma sociedade de dois sócios. Precavido, pesquisei uma opção para o caso do amigo desistir na última hora, um plano B. Mas deveria ser algo que eu pudesse administrar sozinho. Bem, na última hora o amigo desistiu e eu fiquei com o plano B. A minha primeira experiência empresarial – ainda que pequena – em terras estrangeiras começava com uma crise, mas eu não podia esperar. [Planejamento, agilidade nas mudanças e disposição para enfrentar imprevistos]
A situação da economia italiana vai mal. Muito mal. O governo informa que mais de 500.000 postos de trabalho desapareceram com a crise, mas a realidade é bem outra. Existe na Itália um “amortecedor social” muito utilizado pelas empresas nesse período chamado “caixa integração” o que significa que o funcionário vai em férias forçadas e o INPS – e só o INPS – paga 60% do salário dele. Quando a produção volta ao normal o funcionário retorna ao seu trabalho. No caso da Alitalia, por exemplo, os funcionários que não foram aproveitados pela nova companhia tem direito a 7 (sete!) anos de “caixa integração”. Como o INPS não produz dinheiro, a conta é paga pelo contribuinte. Um ex-piloto da Alitalia ganhava em média € 12.000,00 por mês. Viver com 60% disso por sete anos sem trabalhar é como ganhar na loteria. Mas o pobre operário que vivia com € 900,00 mensais e tinha dificuldade para esticar o salário até o fim do mês não tem como se virar nos poucos meses de “caixa integração” que recebe. Se a empresa fechar as portas, nem os 60% ele recebe mais. A Província de Piacenza informou que até 2007 eram estrangeiros – ou cidadãos italianos oriundos de outros países – 96% da mão-de-obra utilizada na colheita do tomate e da uva, trabalho temporário de Agosto a Setembro em ritmo de 24 horas por dia. A partir de 2008 todos os trabalhadores utilizados na campanha do tomate e da uva eram italianos nascidos na Itália (Todos = 100%). E tem quem me mande e-mails pedindo dicas de como sobreviver na Itália, como se aqui vivêssemos na Europa dos bons tempos. Desde que iniciei a minha atividade, seis clientes fecharam as portas. Reagi pensando: “Não, não houve uma retração do mercado, mas um assentamento que eliminou os comerciantes menos preparados. Tanto melhor, vou ter que rodar menos.” Por questões burocráticas que só quem vive na Itália consegue acreditar, ainda não recebi uma parte consistente da minha indenização que deveria ser paga pelo INPS, o que me obrigou a assumir compromissos que não deveria necessitar, além de um advogado para tentar resolver a questão. Vou em frente. [Auto-motivação, otimismo, capacidade de absorver frustrações]
Hoje o meu movimento seria suficiente para proporcionar-me uma vida mais tranquila, se não houvesse assumido os compromissos que tive que assumir para manter a atividade funcionando, mas vivo na corda bamba, tendo que fazer contas e tomar decisões muito racionadas. Contudo, não posso deixar-me abater. Tenho uma família maravilhosa e o risco é sempre de descontar nas pessoas que estão mais próximas e que são mais vulneráveis, ou seja, minhas filhas. Duas pessoas adoráveis e lindas, que merecem uma vida maravilhosa. Às vezes é realmente muito difícil, mas procuro tratá-las com toda a paciência, a atenção, o respeito e o carinho que elas merecem. Com a Eloá não tem atritos. Jamais nos desentendemos. [Não descarregar frustrações nas pessoas que lhe são caras, a quem lhe está próximo]
Todos os dias acordo pensando num modo de melhorar a situação – que, repito, não é das piores – e busco ou invento oportunidades. Não me dou por vencido e me assusto quando vejo nos jornais que alguém exterminou a própria família e se suicidou por causa de uma situação financeira precária e falta de expectativas. Essa roleta russa social está mudando o humor do povo italiano. Nos últimos três anos tudo o que me poderia acontecer de ruim, aconteceu. Quando penso que a partir daquele ponto as coisas só podem melhorar, lá vem outra notícia negativa para tentar azedar as minhas manhãs. Mas eu não desanimo e procuro concentrar a minha energia na solução dos problemas, e não com lamentações ou pessimismo. Isso tem feito com que eu não sofra por antecipação e tenha mais tranquilidade para encontrar soluções. Quando existem soluções, pois um problema sem solução, solucionado está. Não entendo quem leva a sério o livro “A lei de Murphy”, pois esse não entendeu a sátira da obra e já perdeu a briga antes mesmo de lutar. É um álibi divertido, mas que não exime ninguém da luta. [Preservar as energias para as soluções, e não para os problemas]
- Luís Fernando Veríssimo lançou, pela Editora José Olympio, seu primeiro livro aos 37 anos;
- Cora Coralina publicou seu primeiro livro aos 76 anos de idade;
- Clementina de Jesus trabalhava como doméstica até ser “descoberta” por Hemínio Bello de Carvalho aos 62 anos;
- Raymond Alexander Kroc sobreviveu até os 52 anos vendendo máquinas de milk-shake, até descobrir e comprar a lanchonete que ele transformou na cadeia de fast food McDonald’s. [Perseverar]
Hoje eu entendo o que Picasso quis dizer com aquela frase, mas sei que mais dia, menos dia, temos que crescer a assumir a responsabilidade pelas nossas vidas e pelas vidas que colocamos nesse mundo, mesmo preservando uma juventude interna. Não existe ninguém que possa nos substituir nessa (ainda que árdua) tarefa. Desde os tempos do Jaime sou um lutador. Luto em silêncio e não desanimo com os primeiros socos na cara, insisto. Nenhuma crise é maior do que era o Jaime, que deveria ser um pessimista. O pessimismo transforma toda oportunidade em expectativa de frustração. Mude! [A realidade é dura, mas menos pessimista do que imaginamos]
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Friday, June 25, 2010
Tuesday, June 22, 2010
Alguém gostou?
Gostaria de obter dos leitores deste blog (todos os 5, hein?) algumas informações sobre o Minube. Quem preferir, pode responder como anônimo.
- Quantos leitores visitaram o Minube, o site de turismo com o qual colaboro?
- Visitaram a minha página?
- Visitaram mas não gostaram do modo como os posts são escritos?
- Visitaram mas preferiram não comentar porque para comentar é necessário cadastrar-se?
- Visitaram e gostariam de comentar mas não descobriram que para comentar precisa clicar em uma foto?
- Visitaram e acharam tudo muito confuso?
- Visitou e se cadastrou, mas ainda não descobriu que para seguir os meus posts precisa deixar um comentário e clicar sobre a opção "seguir suas viagens" que aparece só depois de comentar? (Um outro modo de seguir o que escrevo por lá é entrar na Página principal do Minube - link acima ou no side bar à direita - e procurar entre os "evangelizadores" no final da página, bem em baixo, o meu perfil. Clicando nele aparecerá abaixo do meu nome as opções "enviar uma mensagem" e "seguir as suas viagens".)
Agradeço a quem se dispuser a responder e aproveito para informar que uma vez cadastrado no Minube, ninguém receberá spam nem e-mails ou news letter. O Minube envia uma única mensagem de boas vindas, respostas de eventuais perguntas ao site e os comentários ou respostas que os usuários recebem de outros usuários ou visitadores.
De coração, muito grato! :)
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Agradeço a quem se dispuser a responder e aproveito para informar que uma vez cadastrado no Minube, ninguém receberá spam nem e-mails ou news letter. O Minube envia uma única mensagem de boas vindas, respostas de eventuais perguntas ao site e os comentários ou respostas que os usuários recebem de outros usuários ou visitadores.
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eu mesmo
Monday, June 21, 2010
Flash mob virtual - Paralelo 45º Norte
Passagem pelo paralelo 45º Norte, na estrada Turim - Piacenza, à altura da cidade de Voghera, na Lombardia - Itália. Duração: 24’’
Assista e passe adiante.
Post scriptum:
Quando estiver passando embaixo da placa, dê uma pausa no cursor do You Tube para poder ler.
Assista e passe adiante.
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