Tuesday, April 27, 2010

Dicas da Itália no Minube

Comecei a minha aventura no Minube a um mês e esta semana tive a feliz surpresa de descobrir que sou o destaque da semana.

Sei que existem muitos sites de turismo no mar da web, mas a vantagem que vejo no Minube é a possibilidade de programar uma viagem diferente, sob a ótica de quem esteve lá ou mora no lugar. Os conflitos entre a igreja de Sant'Antonino e os bispos de Piacenza, que durou séculos e quase provocou a excomunhão de um bispo; as impressões sobre Barco di Bbbiano, a terra do Parmigiano Reggiano; o ar mágico da Grécia; uma tarde em Monticelli D'Ongina; as dicas de compras em um outlet de marcas famosas a uma hora e meia de Milão, com até 70% de descontos; a história da primeira Cruzada; o bar onde tomo meu café; um pedaço de pizza ou de foccacia (normal, genovesa ou de Recco). Está tudo . E é apenas o começo.

:D

Tuesday, April 20, 2010

Made in Italy










Nem só de política e terremotos vive a Itália. Procurando bem, até é possível encontrar notícias boas que a grande mídia ignora. Há que se ter cautela e não se deixar empolgar à primeira impressão, pois pouca coisa é pior que a desilusão de um ideal.

Na esteira do movimento Slow Food nasceram outras iniciativas. Algumas frutificam enquanto outras morrem. Outras, nem chegam a ser sérias e escondem obscuros fins sob peles de cordeiros. Há que se ter cautela, insisto. Uma das iniciativas que frutificam é a associação La Compagnia Dei Sapori que promove o evento itinerante “Paesi e Sapori” (vilarejos e sabores) por todo o território italiano. A associação busca resgatar e preservar tradições enogastronômicas cujas existências correm risco de extinção. Os associados são produtores com forte ligação com o território e com os métodos de produção tradicionais. Os produtos, é claro, são da melhor qualidade. Mas não é somente produto que a associação fornece durante os eventos, ao contrário, os produtos são apresentados como resultado de uma filosofia resgatada, em que o tempo e os métodos de produção estão em harmonia com as estações e a vida pacata dos vilarejos, promovendo o bem-estar de seres humanos e da natureza.

São pessoas comprometidas com esse tipo de associação que pressionam a administração pública local de cada cidade ou vilarejo, impedindo que grandes supermercados abram as portas em bairros onde o pequeno comércio resiste, ajudando a preservar quitandas, açougues, padarias e pequenos comerciantes, numa corrente que preserva produtores locais, tradições e a própria cultura. A globalização foi incorporada com sistemas de informações, previsões meteorológicas mais eficientes, agilização da burocracia, veículos menos poluentes e mais econômicos e a possibilidade de explorar novos mercados. As únicas coisas das quais não abrem mão são os métodos de produção tradicionais. Só para dar um exemplo, o Sr. Biraghi, um dos fundadores do consórcio Grana Padano (sim, Grana Padano e Parmigiano Reggiano são consórcios de produtores e marcas registradas. Ambos os queijos são do tipo “grana”) foi excluído do consórcio que ajudou a fundar – décadas atrás – no momento em que substituiu os velhos tachos de cobre por modernos tachos de aço inox.

Esse tipo de feira começa a fazer sucesso aqui na Itália justamente como sinal de preferência por um estilo de vida mais equilibrado, onde o consumo se concentra nos produtos básicos cultivados localmente e no supérfluo de qualidade. E quem pode dizer que um bom salame, um pedaço de queijo e uma garrafa de vinho biológico sejam supérfluos? Domingo 18 de abril, aconteceu a edição piacentina do evento e foi muito concorrida, apesar do dia nublado. Embriagado pelo vinho biológico, posso até sonhar, utopicamente, com o fim dos supermercados e o resgate da simpatia dos quitandeiros que vendem produtos locais. Mas há que se ter cautela.

Friday, April 16, 2010

Estou no Minube

Há alguns dias decidi aceitar um convite feito por um site de turismo, o Minube. Na realidade trata-se de uma comunidade de viagens e turismo, onde os participantes são livres para escrever a própria impressão sobre uma cidade, um evento, um restaurante, etc. Dessa forma, se você estiver planejando uma viagem, pode obter informações variadas, seja de quem passou pelo seu destino, seja de quem mora lá.

A ideia de viajar e agir como os habitantes locais, sem ficar preso a um guia turístico, permite um conhecimento da cultura local, enriquecendo a viagem com descobertas e experiências que de outro modo não seriam proporcionadas. Sabem quantos cariocas visitaram o Cristo Redentor sem a obrigação de acompanhar algum amigo a passeio? Claro que amamos o nosso Cristo, mas eu mesmo só fui conhecer o Pão de Açúcar quando tive que acompanhar um grupo de amigos paulistas. E que passeios os cariocas fazem? Onde eles se reúnem? Que lugares frequentam? Que lugares evitam por se tratarem de armadilhas para turistas? São perguntas como estas que se pode encontrar no Minube. E foi esse o motivo que me levou a aceitar o convite e tornar-me um colaborador.

Por enquanto escrevi apenas alguns posts, ainda estou testando as ferramentas e ajustando o tamanho dos textos, tentando criar uma linguagem sem tantos termos regionais ou gírias, enfim, estou calibrando o teclado. Mas prometo enriquecer muito o já rico acervo deles. Nosso, quis dizer.

Fica então o convite: ao planejar uma viagem, visite o Minube e descubra como aproveitar melhor a sua estadia. Se quiser ler apenas os meus textos, estão agrupados nesta página.

Esperamos vocês .

Monday, April 12, 2010

Pronúncia italiana – ad, ed, od

“Salve, Allan.

Obrigado por seu instrutivo comentário sobre particularidades prosódicas do italiano. Assim como nenhum italiano adulto será capaz de aprender a pronunciar como nós o a nasalizado pelo til (anão, visão etc.), tampouco um brasileiro adulto é capaz de pronunciar distintamente cappelli ("chapéus") e capelli ("cabelos"). Aprendi isto em voo de retorno ao Brasil, quando tentei explicar, no despacho da bagagem, que naquelas duas grandes caixas vinham chapéus comprados lá pela Virgínia. A balconista arregalou os olhos (delineados, lembro bem), porque, aos ouvidos dela, eu estava declarando trazer para o Brasil duas caixas cheias de cabelos. Deixei em Fiumicino o orgulho (aliás imerecido mesmo) de haver estudado um pouco de italiano antes da viagem para, pelo menos, me fazer compreendido no essencial.

Outros cacoetes, estes mais fáceis de corrigir são os de converter os fonemas finais átonos /e/ e /o/ em, respectivamente, /i/ e /u/ ("quênti", "áldu"), particularidade dialetal que, salvo desconhecimento meu, não aparece nem na fala dos mais ignorantes dos italianos. (Aliás, um único reparo em sua lição: a pronúncia figurada de ciao não é um dissílabo hiatal "tcháo" em vez do ditongo "tcháu"?).

Sugiro que noutra lição você comente também ligaduras fônicas, como a da conjunção ed usada em lugar do e na precedência de vogais. Aliás, em matéria de ligadura, particularidade brasileira muito comum é enfiar um fonema /i/ entes do /s/ inicial duma palavra estrangeira, com resultante acréscimo incidental de uma sílaba. Italiano emenda, por exemplo, pizza speciale (para soar "pizzaspetchale"), ao passo que o turista brasileiro, tipicamente, pronunciaria "pizza ispetchiáli", com o erro adicional de passar o adjetivo para o plural. Vemos dificuldade igual na aprendizagem brasileira não apenas do italiano, mas também na do inglês: "superistar" em vez superstar etc.

Por estas e outras é que o latim daqui acabou ficando tão diferente do latim daí, e também por que os dois remontam assim tão longinquamente à língua avó. Ah, mas donde veio o latim?

Abraço,

A.”

O Aldo tem razão, a aula deveria ser de pronúncia italiana e italiano diz “tcháo” com a letra o. Brasileiro – como bem lembrou o Aldo – é quem tem o vício de trocar o o pelo u. Aliás, agradeço-o pela correção e pela lição, enfatizando o que foi escrito por ele: para pronunciar corretamente o italiano é preciso evitar o hábito brasileiro de “converter os fonemas finais átonos”. Acreditem, esse cacoete causa muita confusão e interrompe a informação, pois o interlocutor italiano tentará interpretar o que foi dito e perderá o fio da meada. Em italiano a letra e será sempre pronunciada como e, e não como i; assim como a letra o jamais será pronunciada como u. E, não, nenhum italiano comete esse tipo de erro, mesmo o mais ignorante.

Mas vamos aproveitar a dica do mestre e falar sobre as ligações fônicas formadas por ad ed e od antes de vogal. Em italiano, as duas conjunções e e o, e a preposição a, consentem a adição de um d para ligarem-se eufonicamente à palavra seguinte, quando essa começa com vogal. A regra limita esse uso apenas para quando a vogal inicial da palavra seguinte é a mesma da conjunção ou da preposição. Por exemplo:
ad aiutare [ádaiutáre] – a ajudar
ed esclamò [êdesclamó] – e esclamou
od obbligare [ôdob_bligáre] – ou obrigar

A regra também prevê a ausência do d quando a palavra seguinte possui um d, o que causaria uma cacofonia, como em a Adamo – a Adão; e educato – e educado; o odore – ou odor. Mas vivemos em um mundo em que as regras perdem valor a cada dia. Está se tornando difuso o uso indiscriminado da letra d, nesses casos. Portanto, não se assuste se lendo um jornal italiano ou numa conversa entre italianos deparar-se com formas como ed anche [êdánke] – e também; ad esempio [ádesémpio] – a exemplo; ed io [êdío] – e eu. Afinal, o italiano é uma língua viva e esse povo é repleto de criatividade. Tão criativo que se permite, por exemplo, a criar palavras novas mesmo em outras línguas, como a muito usada footing, palavra inexistente em inglês mas que por aqui é usada no lugar de camminata – caminhada.

De resto, esta regra tornou-se muito maleável nos teclados de escritores italianos famosos. E se eles podem… Fica então valendo a eufonia como limite último ao uso do d: se soa agradável, não é errado. Esperando que a sutileza auditiva seja uma qualidade distribuída com equidade. E se você achou a palavra eufonia no dicionário, mas não a palavra eufonicamente, considere duas coisas: o português é uma língua tão viva quanto o italiano, e eu vivo na Itália o tempo suficiente para me deixar contaminar por esse tipo de criatividade.

Friday, April 09, 2010

Wednesday, April 07, 2010

Estátua de Sant'Antonino

Sant'Antonino é o santo padroeiro da cidade. Foi decapitado em 4 de julho de 303 em Travo, na província de Piacenza pelo crime de ter se convertido ao cristianismo. Era um centurião da legião Tebeia e morreu dez anos antes do imperador Constantino declarar a liberdade religiosa aos súditos do império romano.

O escultor piacentino Sergio Brizzolesi teve o cuidado de colocar na mão direita do santo o estandarte da legião, enquanto a esquerda pousa sobre a cruz que leva no peito. Para permitir que toda a cidade seja vigiada pelo santo, adicionou um engenho na base do pedestal que o mantém, que faz com que a estátua gire em sentido horário, dando uma volta completa a cada quatro horas.

A estátua foi instalada em 2002 no Piazale Genova - na realidade, um largo - que é o cruzamento da Corso Vittorio Emanuele II e o Passeio Público, uma rua construída sobre o antigo muro da cidade que virou área de lazer, proibida aos veículos motorizados. E é ali, no Passeio Público que todo 4 de julho acontece a Feira de Sant'Antonino, a festa em homenagem ao padroeiro. Mesmo nesse dia ele continua lá, vigilante. Observando cada canto da província.































































Thursday, April 01, 2010

Pronúncia italiana – Digramma

Até hoje, nessas minhas curtas lições de italiano evitei usar a palavra dígrafo. Se em português lh, rr, ss e outros grupos de duas letras usadas para formar um fonema são chamadas dígrafos, em italiano evita-se usar o termo (digramma, em italiano) para designar as letras duplas, pois em italiano as duplas são consideradas simplesmente isso: letras duplas. Na realidade é necessário viver uns bons anos para captar a diferença auditiva de palavras com letras duplas. Eu ainda tenho dificuldade, mesmo depois de dez anos aqui.

Podem ser duplas todas as consoantes à exceção de h e q. Mais uma vez, ao pronunciar uma letra dupla deve-se alongar o som desta, como se a procunciasse duas vezes, como em “cavallo”. O som da letra r dupla ou em início de palavra difere da pronúncia portuguesa, pois não existe em italiano o som gutural do r como pronunciamos no Brasil, como em “rua”; nestes casos o som é mais próximo de um r no meio de palavra, como em “caroço”. Lembre-se que as letras J, K, W, X e Y, não fazem parte do alfabeto italiano. Como pronunciá-las foi o tema da lição anterior. No caso de palavras estrangeiras, respeita-se a grafia original. Já a pronúncia, nem sempre é respeitada, mas há casos em que eles se esforçam.

Já os digrammi (plural de digramma), com a respectiva equivalência em português são:
Ch – usado antes de e e i, soa como k;
Ci – usado antes de a, e, o e u, soa como tch;
Gh – usado antes de e e i, soa como gu sem trema (quando a letra u não é pronunciada);
Gi – usado antes de a, e, o e u, soa como dj;
Gl – usado antes da letra i, soa como lh;
Gn – soa como nh;
Sc – usado antes de e e i, soa como ch.

Mas existem ainda os trigrammi (plural de trigramma):
Sci – usado antes de a, o e u, soa como ch;
Gli – usado antes de vogal, soa como lh.

Vá treinando (entre colchetes, a pronúncia com a vogal tônica em negrito):
Checca – [kék_ka] – modo depreciativo para homossexual, bicha
Chef – [chef] – chef de cozinha (uma palavra estrangeira em que se respeita a pronúncia
Chiacchiera – [kiák_kiera] – conversa de pouco importância, inútil; bate-papo
Ciabatta – [tchabát_ta] – pantufa, chinelo
Ciao – [tcháu] - tchau
Cielo – [tchélo] – céu
Ciò – [tchó] – esta, aquela coisa
Ciuco – [tchúco] – asno, burro
Ghermire – [guermíre] – agarrar, pegar com as garras (de águia)
Ghiacciaio – [guiatcháio] – geleira
Giacca – [dják_ka] – paletó
Gioco – [djóko] – brincadeira, jogo
Giubbotto – [djub_bôt_o] – jaqueta (peça de vestuário)
Gli – [lhi] – pronome pessoal masculino. Pode ser singular ou plural, dependendo do complemento da frase
Aglio – [alho] – alho
Gnocco – [nhók_ko] – singular de gnocchi (nhoque)
Ignorante – [inhoránte] – ignorante
Scegliere – [chélhere] – escolher
Scemo – [chêmo] – dotado de pouca inteligência, bobo
Sci – [chí] – ski (esqui)
Scimmia – [chím_mia) – macaco, mico
Sciacallo – [chacál_lo] – chacal
Sciocco – [chók_ko] – bobo
Asciugamano – [achugamáno] – toalha (de rosto)