Friday, March 12, 2010

Salvem as girafas!

Os pneus de neve foram o melhor investimento deste inverno. Em pleno mês de março e ainda há a necessidade de usá-los.

Os dias se alternam em frescas jornadas primaveris e nevascas siberianas. Esta semana foi a vez da Sibéria, o que deu muito trabalho aos operadores da administração pública. Tratores limpa-neve e caminhões espalha-sal começam a trabalhar durante a noite para aliviar o caos da viabilidade, mas as ruas secundárias e boa parte da periferia tem mesmo é que contar com o auxílio dos céus: sol e chuva, quando aparecem, limpam o que se acumula em dias seguidos de neve e mais neve.

Difícil dormir com toda essa barulheira. Difícil se locomover com a insistência da neve. Pão de queijo e café, observo o movimento da minha janela.
















































































































































































Tuesday, March 09, 2010

O respeito é uma via de mão dupla - o caso das editoras que não respeitam os tradutores

No Irã, todo e qualquer livro que não tiver sido lançado lá, antes do lançamento em qualquer outro país, poderá ser copiado e impresso pelas muitas editoras iranianas, sem o devido pagamento dos direitos autorais. Esse foi o motivo que levou Paulo Coelho e outros escritores a escolherem o Irã para o lançamento mundial de um livro. Fico devendo a informação se cada editora há o próprio tradutor ou se usam uma única tradução. Há alguns anos li uma reportagem que sugeria importância de uma nova tradução da obra de Freud, pois a primeira, que teria servido de base a todas as que se seguiram, teria cometido erros que proporcionariam uma visão equivocada sobre os ensinamentos do pai da psicanálise. Na Itália, os títulos e créditos nos finais dos filmes estrangeiros, dão destaque à equipe de dublagem, nominando não apenas o diretor de dublagem, mas cada dublador com os respectivos nomes dos personagens dublados.

Em 1994 a empresa onde eu trabalhava presenteou todos os gerentes com o livro “Feitas Para Durar” de Michael Collins e James I. Porras, traduzido por Sílvia Schiros. O livro, na realidade o relatório de uma pesquisa que durou seis anos, trata sobre o porquê de algumas empresas sobressaírem enquanto suas concorrentes não têm o mesmo resultado. É uma fonte de consulta ainda atual e um dos poucos livros que trouxe do Brasil. Anos mais tarde, a internet tratou de me aproximar da Sílvia Schiros, tornando-a uma colaboradora do blog ecológico coletivo do qual fazemos parte. É na Sílvia que eu penso quando leio que os tradutores estão indignados com o que está acontecendo. Mas não precisa ser tradutor para se indignar com o que fazem algumas editoras com obras já traduzidas.

O sempre atento e também indignado escritor Milton Ribeiro simplificou tudo em um parágrafo: “Há um gênero de trapaça pouco conhecida e muito, mas muito sacana. É o plagiador (ou copiador) de traduções alheias. Imaginem que o plagiador, normalmente o próprio editor ou um funcionário, faz a tradução de uma obra de, digamos, Philip Roth; porém, em vez de traduzir a obra, pega uma edição portuguesa, dá uma ‘tropicalizada’ e manda bala.

Como indignar-se e basta nunca resolveu nada, a tradutora Denise Bottman, fez um blog onde denuncia esse tipo de plágio. O resultado não poderia ser outro: A Denise está sendo processada exatamente por denunciar o plágio, como bem alertaram O Globo, através do blog Prosa on-line, do Guilherme Freitas, o próprio Milton Ribeiro, o site Tradutor Profissional e a Raquel, dona do blog Jane Austen em português, que também está sendo processada, entre outros.

Existe um blog em apoio à Denise Bottman e uma Petição em favor à Denise, mas você pode fazer mais que assiná-la. Ajude a divulgar, boicote as editoras que aplicam a “lei de Gérson” para economizar uns trocados e, antes de comprar um livro traduzido, se possível, informe-se sobre o tradutor. Se ele aparecer como tradutor de trocentas outras obras, desconfie.

Mas não esqueça de a assinar a petição, como eu já fiz. Ou, pelo menos, indignar-se.

Sunday, March 07, 2010

Música Italiana

Em Fevereiro aconteceu o inevitável. O Festival da Canção Italiana de Sanremo chegou à sua 60ª edição. E não há nada que se possa fazer para evitar todo o falatório antes, depois e, principalmente, durante o festival. Apesar do alto índice de audiência, o número de tvs ligadas durante o festival cai muito. O Auditel, o Ibope italiano, verificou mais de 40% de média de share, enquanto o número de tvs ligadas caiu em quase dez milhões.

A realidade é que poucos suportam o Festival. É mais fácil sair de casa e encontrar-se com os amigos que mudar de canal, pois as outras emissoras resolveram aliviar a programação durante a semana do Festival. Um evento marcado por trambiques e cartas marcadas que há muito deixou de ser o reflexo da música que toca no rádio, com resultados que acabam causando mais polêmica que venda de discos. Ops! Cds, eu quis dizer.

Funciona assim: A RAI, que produz o festival, convida um diretor entre os apresentadores da emissora, que, por sua vez, convida os músicos italianos que irão participar do festival com músicas inéditas. Só concorre músico italiano convidado. Depois, o diretor trata de contratar algumas estrelas, que podem ser músicos estrangeiros, atores, atletas, enfim, gente famosa para enriquecer a programação e, em alguns casos, cantar. Desde 2004 decide o voto popular através de telefonemas, que vai eliminando os músicos até restarem apenas três. O voto popular também pode decidir uma repescagem. Na prática, um concorrente paga (PAGA!) um call center para fazer tantas ligações quantas puder pagar. Para dar uma ideia do imbroglio, o primeiro e o segundo colocados deste ano foram repescados, depois de eliminados. Tudo através do “voto popular”. A maioria dos músicos simplesmente recusa o convite, mas nem todos os grandes são convidados.

Para falar a verdade música italiana vai mal. O sempre atual e velho esquema das gravadoras de impor o que será sucesso no rádio não permite uma renovação de qualidade, mas apenas do que é comercial. O que toca nas rádios é brega, como deve ser brega a maior parte da música brasileira que toca nas rádios, se nada mudou nestes dez anos que vivo fora. A grande diferença é que é mais fácil encontrar música de qualidade no Brasil que na Itália. A chamada “dor de cotovelo” ou letras fáceis e melosas é o normal por aqui. Sim, há exceções, mas não há renovação. Assim como acontece no panorama mundial, no cenário da música italiana é a vez das mulheres. Falta, agora, descobrir quem irá substituir músicos como Paolo Conte, Lucio Dalla ou Pino Daniele, quando eles decidirem que é o momento de parar, ou forem fazer companhia a Fabrizio De Andrè, Giorgio Gaber e todos os outros que cantam do lado de lá.

As rádios italianas só tocam música italiana e os sucessos internacionais – normalmente músicas em inglês – e mais nada. Mas alguns dos grandes sucessos internacionais do passado os italianos só conhecem em versão italiana, que eles acreditam ser a versão original. Noutro dia um amigo ficou chocado ao descobrir que “Raindrops Keep Fallin’ On My Head” é uma composição do maestro Burt Bacharach. Talvez o mesmo choque que tive quando descobri que “Minha História”, versão do Chico Buarque, é, na realidade, uma canção de Lucio Dalla e Mogol. Mas, acreditem, a versão brasileira é melhor que a original.

Se a curiosidade lhe aguçou, seguem algumas músicas apresentadas no Festival de Sanremo deste ano. Se decidir escutar todas, deixe Malyka Ayene por último.

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Post scriptum:

A RAI, proprietária dos direitos autorais do festival, bloqueou os vídeos do You Tube apresentados neste post.

Se a curiosidade realmente lhe aguçou, vá ao You Tube e digite "festival di sanremo 2010". Se quiser ouvir os cantores que este post apresentava - alguns, como curiosidade - basta digitar o nome do cantor ou cantora:

Noemi

Irene Fornaciari

Irene Grandi

Povia

Malika Ayane

Simone Cristicchi

Marco Mengoni (3º colocado)

Pupo, Emanuele Filiberto e Luca Canoncini (2º colocado)

Valerio Scanu (o vencedor do Festival)

Friday, March 05, 2010

Israel Kamakawiwo'Ole

Logo, logo tem post fresquinho.
Por enquanto, veja se você também se emociona com o IZ tanto quanto eu.

Antes, relembre Judy Garland:


...E o grande Louis:



E, finalmente, IZ, que juntou com simplicidade as duas canções, acompanhado do seu ukelele:

Sunday, February 21, 2010

Via Emilia

Lá pelo ano de 190 a. C. Piacenza era circundada dos celtas Boii, derrotados pelo exército romano mas que nunca chegaram à rendição e que se recusavam a assinar a paz com Roma. O risco de revoltas era muito grande, a ponto de obrigar Roma a construir uma estrada que ligasse Rímini, no Mar Adriático, a Placentia (nome romano da cidade), para permitir a movimentação veloz de tropas militares. Rímini, por sua vez, era ligada a Roma pela Via Flamínia. A cidade de Rímini é banhada pelo Mar Adriático, na Romagna, uma região histórica, linguística e geográfica da Itália setentrional.

Na antiga Roma o cônsul era um magistrado epônimo [que dava o próprio nome a uma cidade, região ou ano] eleito anualmente. Como tal, detinha o poder civil e militar. Foi o cônsul Marco Emilio Lepido (Marcus Aemilius Lepidus) quem comandou a construção da estrada, dando assim o próprio nome não só à nova via, mas à região que a circundava além dos limites da Romagna. Anos mais tarde, um outro trecho da Via Emília foi construído, ligando Piacenza a Milão, na Lombardia.

Piacenza, Parma, Modena, Bolonha e cidades vizinhas formam a parte emiliana da região Emilia-Romagna, enquanto a faixa litorânea abriga as cidades romanholas. As maiores cidades de fundação romana ou refundadas pelos romanos e atravessadas pela Via Emilia são Cesena, Forlimpopoli, Forlí, Faenza, Imola, Claterna (entre Imola e Bolonha, desaparecida no século VI após a guerra Greco-gótica), Bolonha, Modena, Reggio Emilia, Sant’Ilario d’Enza, Parma, Fidenza e Piacenza.

Paralelas à Via Emilia foram construídas a estrada de ferro que vai de Milão a Rímini e a Autostrada A1, também conhecida como Autostrada del Sole, ligando Milão a Nápoles. A Via Emilia é, ainda hoje, a artéria viária fundamental da Emilia-Romagna, apesar de em muitos trechos não passar de uma pista de mão dupla, sem acostamento – característica das estradas italianas – e mal conservada.

Na época da construção da Via Emilia as cidades eram verdadeiras fortalezas, cheias de soldados romanos, muros altos e jardins voltados para o interno dos terrenos murados das casas. Qualquer forasteiro era visto como ameaça e poucos se arriscavam às novidades trazidas de fora. A parte emiliana da região, aquela onde moramos, é o berço de uma gastronomia de tradições antigas, como as massas recheadas (tortelli) como cappelletti e ravioli, além do famoso fettuccini (ou tagliatelli). Zona de produção do Grana Padano e zona exclusiva do rei dos queijos, o Parmigiano Reggiano. Isso sem contar os embutidos, como as copas de Parma e Piacenza, os salames, presuntos, a mortadela e o culatello. Vinhos, como esquecê-los? Uma infinidade de queijos e outros produtos menos conhecidos fazem parte dos costumes emilianos. Os moradores das cidades muradas eram desconfiados, mas não bobos. A troca de receitas foi facilitada com a Via Emília e o comércio ambulante da época ajudou a espalhar as tradições locais, enriquecendo, modificando e transmitindo às gerações seguintes, técnicas, produtos e costumes que poderiam ter se perdido, como a cidade de Claterna, um dos poucos casos de cidade romana esquecida e quase intacta sob o que hoje é terreno agrícola.

Com a expansão das cidades e vilarejos, a Via Emilia acabou por transformar-se, em alguns trechos, em avenidas que atravessam as cidades, ou sofreu desvios para manter o tráfego pesado longe das habitações.

Quando vier à Itália e decidir conhecer de perto os sabores, a história e a cultura de uma terra rica como a Emilia-Romagna, evite a Autostrada, evite os trens e aventure-se pela Via Emília. A via romana das tradições. São quase 300 quilômetros percorridos em seis horas, mas é provável que você gaste muito mais tempo, se se deixar encantar pelos vilarejos, pelos vinhos e pela culinária que muda de cidade em cidade.

















No mapa, a linha azul mostra o percurso da Via Flamínia, que liga Roma, mais ao sul, a Rímini, no Mar Adriático. A linha vermelha é a Via Emilia, ligando Rímini a Piacenza, no trecho original, antes da construção da extensão até Milão.
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Saturday, February 13, 2010

Rape, cipolle & scalogno

Você já viu cabeça de bacalhau? E filé de esturjão, o peixe do caviar, já comeu?
Algumas coisas são difíceis de encontrar e nem nos damos conta. Na Itália, é impossível encontrar beterraba crua. Bom, no norte da Itália é assim, mas acredito que no sul não seja diferente. Aliás, beterraba crua pode ser encontrada já cortada bem fininha, em embalagens prontas para salada. E só. Para facilitar a limpeza da dona de casa, a beterraba já vem cozida e embalada.

Existe mais de um tipo de planta que podemos chamar de beterraba, que na Itália são divididas em barbabietola (Beta vulgaris) e rapa (Brassica rapa), que pode ser vermelha/roxa ou branca e é usada na produção de açúcar e álcool, mas que também pode ser encontrada facilmente em qualquer supermercado na seção de verduras, crua. Já a beterraba tradicional, só cozida ou assada. O consumo de ambas é alto, assim como a quantidade de receitas.

Se pensarmos na Itália antes da massa, trazida por Marco Polo, do tomate e do milho (polenta), trazidos das Américas e do arroz, trazido pelos árabes e espanhóis, sobra uma curiosidade imensa sobre a alimentação da muita gente que aqui vivia. Entre outras coisas, como caça e pães de diversas espécies e matérias-primas, o povo consumia muita cebola e beterraba. Experimente assar no forno por uma hora e meia, duas horas, a 180 graus, grandes cebolas e grandes beterrabas, com casca e tudo. Descasque ainda quente e tempere com azeite de oliva extra virgem, sal e pimenta do reino. Sirva como entrada ou contorno, quentes ou frias.

São diversos os tipos de cebolas. Brancas, vermelhas, douradas, achatadas, alongadas, redondas… Nem todo italiano come alho, mas nunca vi nenhum rejeitar cebola, que aliás, são parentes: cebola: Allium cepa; alho: Allium sativum; scalogno: Allium ascalonicum. E você pergunta “Isca o quê?” Isso mesmo, scalogno (se pronuncia scalonho), que é mais uma cebola que alho, mas está entre os dois. A cebola é rica em sais minerais e vitaminas, principalmente a vitamina C, mas contém muitos fermentos que ajudam a digestão e estimulam o metabolismo. Diurética e anti diabética, é usada como antibiótico natural, como bactericida (basta passar um pouco de suco na parte a ser desinfetada), expectorante e depurativa, sendo muito usada para facilitar a circulação por ser fluidificante.

Garrafada de cebola:
Corte em fatias bem finas 500 gr. de cebola e deixe macerar em um litro de vinho branco seco por três dias, em ambiente protegido do calor e da luz. Uma xícara de café entre as refeições três vezes ao dia e você acaba de encontrar um alívio a problemas às vias urinárias e renais, mas os diabéticos também a consomem, exatamente por ser fluidificante.

Mas não é só remédio, não. A cebola está presente em todas as cozinhas italianas e a quantidade de receitas é longa e antiga, assim como a quantidade de variedades. Existem cebolas que chegam ser levemente adocicadas e cada uma é indicada a uma específica receita. A minha preferida é a cebola vermelha de Tropea, que está entre as cebolas suaves, de forma alongada e perfume característico. Além do scalogno, é claro. Ou não é?

Cebolas recheadas – para 6 pessoas:
6 cebolas brancas grandes
50 gr. de Parmigiano Reggiano
250 gr. de carne moída (ou as sobras da carne assada de ontem)
3 ovos
Miolo de pão
Leite
Farinha de rosca
Dois dentes de alho
Pimenta do reino
Sal
Salsinha
Azeite de oliva
Meio copo de vinho branco

Descasque as cebolas e deixe por dez minutos em água fervente com sal. Escorra as cebolas tendo o cuidado de reservar a água em uma vasilha e, com ajuda de uma colher de chá, retire o miolo das cebolas sem cortá-las.
Ponha o miolo de pão de molho em um pouco de leite e refogue o miolo retirado das cebolas com um pouco de azeite. Quando dourar, junte a carne moída e o vinho, abaixe o fogo e deixe por dois ou três minutos.
Em uma tigela, misture o Parmigiano, o alho amassado, a salsinha batidinha, os ovos, o miolo de pão já amolecido e a pimenta do reino. Misture bem e adicione o miolo de cebola refogado com a carne. Recheie as cebolas, passe-as na farinha de rosca e coloque em uma assadeira untada. Leve ao forno pré aquecido a 180 graus por uns quinze minutos, ou até que fiquem gratinadas, banhando de vez em quando com a água de cozimento das cebolas. Sirva quente.

O preço a pagar pela cebola é o hálito, que se não chega a proteger dos vampiros, espanta pretendentes e desestimula amantes. A solução pode ser um cravo-da-índia, devidamente desprovido da cabeça – que pode causar taquicardia – deixado no canto da boca. Mas o ideal é que ambos dividam o prazer da cebola juntos e se amem sem precisar do cravo-da-índia.

...Ainda não entendeu o que é scalogno?

Sunday, February 07, 2010

Marketing sazonal

Num daqueles dias em que se chega cansado do trabalho e tudo o que se quer é relaxar, descobri que precisava de um chopp. Não uma cerveja, que essa tem sempre em casa, apesar de beber cada vez mais raramente, mas um chopp. O chopp é mais leve que a cerveja, mais fresco e naquele dia eu precisava de um chopp. Desci e só fui encontrar no quinto bar, apesar de quase todos possuírem a torneirinha de chopp sobre o balcão. O barista – que na Itália é como se chama o balconista de bar – explicou que o consumo de cerveja cai durante o inverno e muitos bares optam por suspender o produto, passando a oferecer cerveja em lata ou garrafa, evitando, assim, que o chopp envelheça antes de ser consumido. Tomei meu chopp e voltei para casa pensando na quantidade de produtos que sofrem a sazonalidade.

Não só o chopp desaparece neste período, mas as propagandas de cerveja também. Paradoxalmente, tem muita publicidade de cruzeiros e praias ensolaradas. São as ofertas de viagens aos países de clima quente. Egito, Marrocos, Tunísia, Cuba, México… E o Brasil, nada. Apesar das sorveterias funcionarem o ano inteiro só com sorvete – na maioria delas, pelo menos – é claro que os novos lançamentos irão esperar o início do verão, quando irão substituir os chocolates, que abarrotam as prateleiras dos supermercados nessa época para desaparecerem em agosto.

A maioria das frutas só é encontrada na estação certa. Os meus caquis acabaram, mas em compensação os cítricos dominam as feiras e bancos de supermercados. E não tem conversa, acabou o inverno, as laranjas vão apodrecer que ninguém irá comprar. “’Magina! Essa laranja vem da Africa do Sul. Quem sabe como eles cultivam laranja por lá?” Mas enquanto fizer frio ninguém olha etiqueta de laranja, tangerina, mexerica, pompelmo (grapefruit) ou outro cítrico qualquer: é inverno, tempo de laranja e de parques de diversão fechados – já imaginaram montanha russa a 15 graus negativos?

Refletindo bem (afinal, foram só dois chopps) tudo gira em torno das estações. O consumo de salames e alimentos gordurosos é alto no Inverno; as vendas de bicicletas aumentam na primavera; setembro é o mês com o maior número de casamentos, para permitir uma lua-de-mel em uma praia mais tranquila; as novas séries de tv são lançadas com o fim do verão e vamos aprendendo a esperar a estação certa. Mas, laranja…

Algumas chatices nos acompanham o ano inteiro e não dão um respiro nem com reza brava, como futrica política e fofocas sobre famosos, dois assuntos que italiano gosta de manter atualizados. Mas não seria melhor conversar/discutir/fofocar em uma rodada de chopp?