Tuesday, December 29, 2009

Jardins Marinhos Tropicais no frio de Piacenza

















Chegou hoje, apesar do pavor que tenho pelos Correios italianos. Aproveitei o convite do André na dedicatória e mergulhei no livro. As fotos são de tirar o fôlego.

Se você ainda não comprou o seu, o caminho é este aqui.

Monday, December 28, 2009

Antoine Dufour

Tuesday, December 22, 2009

Scrooge

É noite escura, são seis e meia da noite e as ruas estão cheias de neve e de gente. Apesar dos apelos para evitar embalagens inúteis, milhares de sacolas coloridas, pacotes reluzentes, fitas de todas as cores e tamanhos e laços enormes, denunciam a corrida ao último presente nas lojas lotadas. Cenas que antecedem cada Natal nesta Piacenza gelada pelos ventos siberianos. Apesar do frio intenso, os sorrisos são a regra. Sorrisos nos rostos corados por chocolate cremoso quente ou, como no meu caso, um bom conhaque, além das luvas, cachecóis e casacos longos e pesados.

A ceia do dia 24 e o almoço do dia 25 com certeza já foram minuciosamente planejados, encomendados, organizados. Barriga cheia e pacotes a serem desembrulhados farão a felicidade de milhões de italianos. Planos, projetos e metas, estabelecidas no ano anterior foram alcançados ou esquecidos. O momento é de acreditar que tudo vai dar certo, que o mundo vai encontrar a paz e o equilíbrio ecológico. E os novos planos, projetos e metas se basearão nessa certeza. Estou “fora de casa” há tanto tempo que já nem sei mais se essa atitude italiana de achar que alguém resolverá os grandes problemas é, realmente, só italiana. A impressão é de que os italianos estão aqui só para gozar dos resultados.

Inevitavelmente, essa é, também, a época de balanços. Vasculhar – desesperadamente – a memória tentando convencer-se da própria contribuição para algo positivo, é um exercício corriqueiro por aqui e nem sempre produz o resultado esperado. Em uma entrevista a um talk show italiano, o escritor Gore Vidal – que frequenta a Itália há muito tempo e que possui uma casa aqui como retiro para escrever – respondeu, quando o entrevistador perguntou qual era a lição sobre o povo italiano que ele considerava mais relevante: “uso as palavras de Jacques Chirac: ‘tentar governar um povo tão individualista como o italiano não é impossível. É inútil.’ ”

Como um fantasma, o Espírito de Natal nos visita a cada ano e nos oferece a oportunidade de mudar a única coisa que podemos mudar: o futuro. “O que fazer?”, pode ser a preocupação de muitos. Nestes casos, é fundamental entender que a única coisa a ser evitada é não fazer nada. Se nada for feito, tudo será como sempre foi. Portanto, para mudar é preciso movimento, ação, mesmo sem luzes, câmeras ou plateia.

Talvez tenha sido essa a maior contribuição de Dickens, a de nos alertar que não precisamos nos conformar com a imagem que construímos de nós mesmos e que podemos mudar, não importa quantos anos tenhamos vivido. Carl Barks, o famoso ilustrador dos estúdios Disney, ao criar o Tio Patinhas, um ziliardário rabugento e avarento, mas com o futuro garantido, nos apresentou uma outra oportunidade. Mas só funciona para personagens dos quadrinhos. Mude, não importa quando.

Feliz Natal!

Friday, December 18, 2009

Antes da neve

Chegando na Piazza Cavalli

















Dou uma olhada aos protetores da luz, no Palazzo Gotico...






















...E vejo a lua que se esconde no alto do Gotico.






















Tomo fôlego. Quer dizer, uma cervejinha no Dado Bar, ali na praça.

















Caminho pelos pórticos da Piazza Duomo. Anoitece.






















A Duomo vista de perto,

















e do fundo da praça.






















É noite. São cinco e meia da tarde e a igreja de Santo Antonino - antiga catedral da cidade - já está iluminada. Quantas igrejas entre a cervejinha e o caminho de casa... Acho que vou abrir um bar na esquina.




















Mas a neve avisa aos meus joelhos que está para chegar. Melhor apressar o passo.

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Post Scriptum

Só deu tempo de tirar essas fotos. 40 cm de neve, por enquanto.

Friday, December 11, 2009

Pronúncia italiana – J, K, W, X, Y

Hoje é dia de confusão. As letras do título desta carta não fazem parte do alfabeto italiano, apesar da frequência habitual delas em qualquer jornal, livro ou revista.

Em italiano elas se chamam:

J – i lunga [i longo]. Terá sempre som de i mas muita gente escreve y quando, ao soletrar uma palavra, ouve “i lunga”. Se for soletrar, prefira usar o nome da letra em inglês (djêi). Curioso como eles respeitam o som do j nos nomes ingleses

K – kappa, e soa sempre como k

W – doppia vù [duplo v]. Somente em raríssimos casos o w soará como em inglês. Washington é um desses casos

X – iks. Neste caso não existem alternativas, a letra soará sempre assim, à exceção dos nomes chineses.

Y – ipslon. Letra inútil, no parecer italiano, por ser um substituto do i.

Por não fazerem parte do alfabeto italiano, elas aparecem apenas em palavras estrangeiras. Acontece que é um hábito italiano incorporar palavras estrangeiras ao próprio vocabulário e muita gente substitui o dicionário de casa todos os anos para manter-se atualizado. Um jogador de futebol brasileiro que jogou por alguns anos na Itália, causava polêmica cada vez que tocava na bola: “Júnior deu o passe…” dizia o locutor. “É iunior, em latim…” rebatia o outro e a discussão não acabava nem mesmo com o apito final. O técnico português da Internazionale de Milão é chamado de “rosê” “iosé” e “jusé” dependendo do jornalista. José Mourinho esclareceu que prefere ser chamado de Mourinho; acabou virando "murinho". Mas e quem não está aqui para esclarecer ou se defender? Ollivúdi é onde trabalha Vúdi Allen.

Um projeto para reintegrar as letras ao alfabeto italiano chegou a ser apresentado no congresso, mas o assunto estacionou nas sombras de alguma gaveta. “ O y é inútil! E esse x, pra que que serve? Duplo v ou duplo u? E eu vou ter que passar a falar uóther em vez de váter? Não. Tudo muito complicado. O K é simpático e todo mundo já usa nos sms… Melhor deixar como está.” E a pizza é servida.

Vá treinando (entre colchetes, a pronúncia com a vogal tônica em negrito):
Judo – [iúdo] Judô
Juta – [iúta] juta
Juventus – [iuvêntus] Juventus
Juliano – [iuliáno]
KGB – [keguebê] KGB
Walkman – [válman]
Water – [váter]
Western – [véstern]
Know how – [noáu]
WWW – [vuvuvú]
WWF – [vuvuéffe]
Xenofobia – [ksenofobía] xenofobia
Xerox – [ksérox]
Xilografia – [ksilografía] xilografia
XL (extra large) – [íks elle]
Yacht – [iót] iate

Sunday, December 06, 2009

Dos enigmas do coração e das suas consequências

Um casal de namorados aproveita o frio e a chuva insistente para usufruir estreitamente um guarda-chuva. Apesar do clima, sinto no ar a cumplicidade e o calor do afeto que os envolve. Quantos já tentaram explicar o indecifrável amor? Somo-me a eles ou dou de ombros e sigo desviando-me, de marquise em marquise, da chuva que cai? É muito provável que cada um possua a própria convicção sobre esse sentimento tão forte, capaz de guiar escolhas difíceis, decidir vidas e mudar o rumo da história. Como fica impossível acender o meu charuto sob a água que cai, sigo em frente e preencho o espaço da fumaça com o observar.

Mas a palavra, a obrigatoriedade tácita de dar um nome, o definir o que é e o que não é amor é um exercício que repetimos em vão por muito tempo, até nos entregarmos às convenções ditadas pelo senso comum, que já etiquetou tudo para que possamos compreender melhor nós mesmos e os outros.

Como definir o comportamento entre amigos estreitos que compartilham experiências e que condividem o fato de desejarem a companhia um do outro? Ou a relação entre a senhora solitária e o cãozinho que age como se entendesse cada palavra dita, que a protege e que lhe faz companhia todas as horas do dia e da noite? “Amai-vos uns aos outros”. “Crescei e multiplicai” não seria um modo para fazer multiplicar também o amor?

Muitas vezes ouvi dizer que não se pode amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo. E como justificar o amor dos pais pelos filhos? “Ah!, mas aí é diferente”, dirá alguém. O cinema e a literatura podem adocicar a realidade das conveções e nos apresentarem personagens que se amam mas que acabam por viver separadas. Distantes, se apaixonam e casam e amam a nova pessoa que lhe estará ao lado sem deixar de amar a anterior. A arte copia a vida, como na magia do primeiro amor que muitos carregam para sempre, mesmo depois de tantas relações e tantos novos amores. E há quem se apaixone simultaneamente por mais pessoas e as ama com a mesma intensidade. Sim, por mais que tentemos contextualizar e encontrar alternativas lógicas aos limites a que fomos impostos, os sentimentos têm uma capacidade exponencial. O amor é maravilhoso, entusiasmente e contagioso. É possível amar o próprio cão, os irmãos e pais, os amigos, os filhos e a pessoa que nos está ao lado, sem que isso diminua o sentimento que nutrimos por alguém que já não faz parte de nossas vidas. O amor soma e se multiplica. Quanto mais pessoas se conhece, mais se risca um novo amor.

Confesso que é um conceito a ser avaliado e analisado com calma, e não sob uma marquise com um charuto apagado no bolso, fugindo da chuva sem um único bar aberto. Talvez por isso eu não consiga convencer meu amigo Carlo sobre o comportamento da Pina – diminutivo de Josephina. Ela ama o sobrinho dele que os visitou no último verão, do mesmo modo que ama o vizinho do terceiro andar. E o encanador que levou três meses para encontrar e consertar o vazamento no banheiro. E o professor de matemática do filho deles; o açougueiro que lhe separa sempre a melhor carne; o jornaleiro, o vendedor da loja de sapatos, o sacristão. Tento convencê-lo a abrir horizontes e buscar novas experiências; argumento que o casamento deles não acabou, mas que deverá ser visto sob uma ótica mais plurarista, mas ele abana negativamente a cabeça. Só consigo a sua anuência quando lhe recordo que tentativa de homicídio é uma acusação que lhe causará problemas sérios, a menos que a acusação não seja redimensionada se a Pina possuir o dom do perdão e compreender que Carlo estará se esforçando para aceitar serenamente a capacidade da própria mulher de possuir o mais nobre dos sentimentos em proporções bíblicas. Diluvianas, eu diria. Ame-a, Carlo. Para Pina é tão importante distribuir o seu amor quanto gozar a liberdade o é para você.

Tuesday, December 01, 2009

André Seale

Se você ainda não decidiu todos os presentes de Natal, aqui vai uma grande dica: dê um livro de presente.

Se a pessoa a presentear é alguém especial, então dê um livro especial: Jardins Marinhos Tropicais, do André Seale.

O André Seale é um daqueles fotógrafos que a maioria dos fotógrafos gostaria de ser. Compre o livro e entenda porquê. Conheci o André rapidamente em Abril, quando ele e a Lúcia Malla
vieram à Itália retirar um prêmio de fotografia internacional vencido pelo André. Pouco tempo, boas lembranças

Se você fizer como eu, que já encomendei meu exemplar, vai receber antes do Natal e ainda pode escolher em qual versão: se em português ou em inglês. Mas não espere muito, essas edições costumam ser limitadas. Se não quiser arriscar, compre agora clicando aqui.