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Geórgia me passou a incumbência de escrever sobre pontos da cidade que eu gosto. Sou avesso a correntes, mas toda regra tem exceção. Esta é uma delas. Como
já havia escrito sobre Piacenza e ando meio atarefado, resolvi republicar o post, mesmo que o período do ano tenha sido outro. Afinal, com o clima enlouquecido, nem faz diferença se é primavera ou outono.
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Aproveitei a tarde de sol e, apesar do frio, saí para dar uma volta de bicicleta.
Na rua de casa, a uns cem metros, a chiesa di Santo Agostino, que foi desconsagrada depois que Napoleão invadiu-a com tropas e cavalos. Agora é um espaço para mostras e exposições.

Do outro lado da rua, os giardini di Napoleone, onde ele montou seu quartel-general. Volta para fazer outra foto na primavera e a palavra jardins ganhará outro sentido.

Segui pela Stradone Farnese (onde moramos) até o fim para observar a Lupa, cópia daquela famosa, de Roma. Mussolini presenteou-a à Piacenza em reconhecimento à importância da cidade nas guerras púnicas.

Chiesa di San Martino Episcopo, no centrão. Esse estacionamento já foi o Foro Romano, berço da cidade.
Resolvi, então, mostrar a vocês uma parte da história que conta: chiesa di Santa Maria di Campagna, local de onde partiu a primeira Cruzada da história. Um policial não permitiu que eu ficasse no meio da rua com a bicicleta para fazer a foto, por causa do trânsito. Lembrei de Galileo e me conformei com essa perspectiva.
Voltei para o centro e passei em frente ao prédio dos correios. Mais à frente (onde bate o sol) a Piazza Santo Antonino. Reparem na arquitetura inusual do prédio…

…E no que eu acredito ser a curiosa assinatura do arquiteto.
Na Piazza Santo Antonino, a basilica di Santo Antonino, impossível de ser fotografada de frente: a rua é muito estreita. A antiga basílica (século IV) em homenagem ao patrono da cidade perdeu o lugar de primeira igreja àquela da Duomo.

Saindo da praça pela rua Giuseppe Verdi, o Teatro Municipale.

Sigo por uma rua estreita (todas são estreitas) para chegar à Piazza Duomo, onde a catedrale di Santa Maria Asssunta domina a paisagem. Ao lado, o Palazzo Episcopale. Reparem aquela sombra no meio da torre da igreja:
Na realidade é uma cela, onde eram colocados os presos mais rebeldes, em ocasião da visita de alguma autoridade (e naquela época todo mundo era autoridade). O preso ficava exposto naquela gaiola, morria, apodrecia e seus ossos só podiam ser recolhidos após caírem no telhado e rolarem para o chão.

Aqui o Palazzo Episcopale em destaque.
Pego a Via XX Settembre até chegar à Piazza Cavalli, que italiano tem mania de chamar largo de praça. Na Via XX o trânsito é proibido inclusive aos ciclistas. O jeito é empurrar. A estátua do Farnese brinca de luz e sombra com o prédio da Banca Nazionale del Lavoro, que brinca de com a sombra do…
…Palazzo Gotico, antigo centro do poder do ducado de Parma e Piacenza.
Ao lado do Gotico, naquele prédio laranja, ocre, salmão ou a cor que mais lhe convier, ofuscado pela luz, o gabinete do prefeito.

Saio pela Via Cavour e imagino que daquela sacada a vista deve ser formidável.
Aproveito para controlar se o Palazzo Farnese foi invadido. Não, não foi dessa vez. O prédio (palácio, castelo, escolha) jamais foi concluído. O projeto original foi modificado nas diversas vezes em que foi invadido. Dentro, parte da história da cidade jaz numa confusão de estilos arquitetônicos nos diversos museus que a construção abriga.

Antes de terminar o passeio, um detalhe do Palazzo Farnese.
Voltando para casa, à entrada da Piazza Cavalli, encontro uma banda de malucos dançando pelo meio da rua, divulgando o festival de jazz da cidade. Desço da bicicleta e vou atrás, curtindo um jazz de primeiríssima.
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