Thursday, May 31, 2007

Do balcão da cozinha

Terça-feira, 20:35 h. 14 ºC. A chuva deu uma pausa e permitiu que o sol marcasse, timidamente, sua presença nesse outono estranho.


























Quarta-feira, 20:38 h. 26 ºC. O verão vai bem, obrigado.










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Sunday, May 27, 2007

Passeando

Sábado de manhã, as meninas estão na escola, o sol bate fora e decido sair para comprar o jornal. Eloá faz-me companhia até o mercado. “Preciso comprar uns iogurtes.” Logo na esquina encontramos um cidadão beirando os setenta, vestindo calças laranjas, sapatos ocre e um paletó verde maçã. Vai na direção oposta. “Oh, que bonitinho! Compra um daquilo pra mim?” Ela ri e entramos no bar para um café. Saímos do bar e acendo um charuto, surpreso com a observação dela sobre a gravidez da moça que nos serviu: “Grávida? A menina…?” “Allan, não é uma menina, é casada e está grávida de uns quatro meses. Não reparou a barriga?” Quando digo que sou muito distraído, poucos acreditam.

Na via XX Settembre, pertinho da Piazza Cavalli, ela entra no supermercado e me abandona. Domingo é dia de eleição e a praça está mais vazia. Semana passada havia dezenas de stands distribuindo material de campanha aos passantes. Uma multidão caminhava com panfletos, fitinhas, botons e santinhos. Vários carros de polícia circulavam lentamente, vigiando. Tem muito ladrão nessa época. Um trenzinho convidava a uma volta os eleitores do cidadão no cartaz engraçado. Tinha a foto do candidato sorridente, mas não o nome. Vergonha, eu acho.

Aproveito a calma do último dia antes da campanha para perambular entre as barracas da feira. Reparo que a maioria dos feirantes são chineses. E que os furgões dos chineses são novinhos em folha, enquanto aqueles dos comerciantes italianos são velhos e pouco conservados. Ou feridos das batalhas cotidianas. Em um poste, restou um cartaz do candidato do Partido Verde: “Verde na cabeça”, diz o slogan sob a foto do candidato com os cabelos pichados de verde. Uma baforada abre espaço entre donas de casa que conversam bloqueando o trânsito da feira.

Vou até a Piazza Santo Antonino, espaço reservado aos poucos que comercializam produtos alimentares. Salames, queijos, vinhos, frutas, verduras e mel. Odores que bailam e flutuam na manhã de sol. Uma mulher empurra um carrinho de bebê com um menino de uns cinco anos, treinando-o para uma futura obesidade preguiçosa. O vendedor de salames me cumprimenta de longe com um sorriso e um aceno. Colesterol alto e triglicérides idem. Volto à Piazza Cavalli e passo na banca de jornal. Três pessoas atendem freneticamente a pequena multidão que se renova. O jornaleiro me sorri e prepara, sem perguntar, os jornais e revistas que compro normalmente. No final, enfia tudo dentro de uma sacola e me deseja um bom dia sorrindo. Dou uma passada nas outras três bancas da praça e confiro que todas estão lotadas. Na volta para casa, ainda vejo a menina grávida que limpa as mesas fora do bar. “Tomara que ela faça aquela criança caminhar”, é meu último pensamento antes de jogar o toco do charuto e subir para ler.

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Saturday, May 19, 2007

Hollywood

"Clint Eastwood só possui duas expressões: Com chapéu e sem chapéu."
Sergio Leone


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Sunday, May 13, 2007

Blade Runner

Não falo das máquinas projetadas para facilitar a vida e – teoricamente – deixar-nos livres para gozar melhor o tempo. Aquelas máquinas que torram o nosso suado dinheiro, mas que nos obrigam a questionar como fazíamos antes, sem elas. Máquinas de lavar, telefones e aviões: tudo isso é útil. Tampouco penso àquelas outras, que cada vez mais substituem braços humanos nas fábricas, cujos projetistas, sabiamente, evitam desenvolver com formas humanas. Nem daquelas que mexem com as nossas emoções e nos tornam obesos preguiçosos, como os televisores e os vidros elétricos dos carros, não. Estou me referindo às máquinas de uma geração mais jovem, que completam o trabalho de exterminar um dos últimos prazeres da nossa civilização. A minha guerra é contra as máquinas de distribuição automática de café, doces e salgados.

A Itália está se transformando num enorme fast food, com o que existe de pior nesse ramo. Sabe aquela gentileza empresarial de oferecer um café fresquinho e grátis ao visitante? Pois é, na Itália não existe. O fornecedor ou cliente terá tomado o seu café na máquina da sala de espera. E, se estiver com fome, pode fazer uma boquinha com salgadinhos, chocolates, doces e até sanduíches, além dos sucos, chás e refrigerantes. Tudo devidamente industrializado. Alguém está enchendo os bolsos graças a obesidade alheia.

Com exceção das escolas do ensino fundamental, onde são proibidas, as máquinas de guloseimas fazem parte da arquitetura italiana. “Precisa deixar um canto com uma tomada para a máquina de café.” Não raro, quem não tem tempo de sair para almoçar acaba se entupindo de calorias, química pastosa e formol (por que ninguém irá conseguir me convencer que um sanduíche de atum com maionese dure um mês sem aditivos). na sede da empresa onde trabalho são nove máquinas, que vendem muita coisa que médicos e nutricionistas aconselham evitar. O bar mais próximo fica a 30 metros da empresa. Apesar disso, as máquinas são reabastecidas a cada dois dias.

Os italianos nem se dão conta de que estão abrindo mão da alimentação sadia e diversificada que atrai milhões de turistas todos os anos. Vão acabar matando a galinha enriquecendo médicos e fabricantes da má alimentação

Estações de trem, shopping centers, faculdades, museus, e até nos diretórios dos candidatos às eleições municipais de 27 e 28 deste mês. Em todo lugar estarão as tais máquinas e os consumidores. Definitivamente, a Itália está cada vez mais parecida com os Estados Unidos. O que não é, necessariamente, uma coisa boa.

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Tuesday, May 01, 2007

...ainda secas (III)

Pollo ai pistacchipara 4 pessoas

500 g. de peito de frango;

Farinha de trigo;

20 g. de manteiga;

1 cebola grande;

15 g. de gengibre em ;

20 g. de pistache;

½ copo de vinho branco;

1 pitada de açucar;

Sal.

Corte o frango em tirinhas, a cebola em fatias finas e passe o frango na farinha de trigo. Em uma frigideira bem grande e anti-aderente, derreta a manteiga e junte o frango, a cebola, o gengibre, o açucar e o sal. Deixe fritar por seis minutos em fogo médio, mexendo com uma colher de pau. Adicione o pistache e deixe por mais um minuto; adicione o vinho e aumente o fogo. Mexa por outro minuto e sirva em seguida.

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Wednesday, April 25, 2007

Frutas Secas II

Insalata Carasau – para duas pessoas

2 folhas de pão sardo “Carasau”;
4 ovos;
150 g. de salada (alface, acelga, chicória, radicchio ou o que tiver, tudo misturado);
200 g. de tomate cerejinha;
1 dente d’alho;
40 g. de pinoli;
4 filés de anchovas,
Sal;
Pimenta do reino;
2 ou 3 colheres de azeite virgem de oliva.

Cozinhe os ovos e deixe esfriar. Em uma frigideira (já reparou que os italianos usam frigideira para tudo?) com azeite, refogue o alho esmagado – mas não em pedaços – e o pinoli. Quando estiver dourado, retire o alho e adicione a anchova, abaixe o fogo e mexa por um minuto. Em uma tigela, tempere a salada e o tomate cortado em quatro com o sal; junte o azeite com anchovas e pinoli e misture bem. Passe rapidamente o pão em água fria, quebre em pedaços pequenos e divida em dois pratos. Coloque a salada por cima do pão e, por último, os ovos cozidos cortados em fatias. Adicione uma pitada de sal e pimenta do reino sobre os ovos e cubra tudo com um fino fio de azeite.

Esse é um prato que deve ser preparado no momento para evitar que o pão amoleça. O pão Carasau é típico da Sardenha. Um disco de farinha finíssimo e crocante. Na impossibilidade do pão Carasau, substitua com casca de pão francês ligeiramente aquecida ou com chips, aqueles triângulos de milho fritos como batata.
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Friday, April 20, 2007

Dia da Terra

Mesmo ausente da blogosfera nos últimos dias, voltei para chamar a atenção de uma data especial: dia 22 de abril é o dia da Terra, como bem lembrou nossa amiga Lúcia Malla. Dêem uma passada pelo Faça a Sua Parte e participem das manifestações conscientizadoras que pipocam por toda a rede.

Agradeço o apoio recebido nesses dias e as manifestações amigas. Informo que em breve voltarei com a programação normal.