Sunday, November 19, 2006

Tempos Bicudos

Domingo de manhã saio para fumar. O outono frio me obriga a um casaco mais pesado que o desejado. Mudo o roteiro e passo por ruas que me atraem pouco, por mudar. A fumaça é a mesma. A neblina, também.

Às vezes sou distraído. Na maioria das vezes, quero dizer. esbarrei na minha mãe e pedi desculpas sem reconhecê-la. Por sorte ela também não me reconheceu. Mas às vezes sou o melhor observador do mundo.

Notei a senhora na praça. Caminhava decidida rumo aos containers de coleta de lixo diferenciada. Jogou um vidro de azeite no coletor de vidros e duas latas no outro. O saco vazio, jogou-o naquele dos plásticos. Não havia mais nada nas mãos, nem uma bolsa, mas continuava parada ali e percebi que me olhava enquanto eu controlava os dois lados da rua antes de atravessar. Fingi não perceber e continuei em sua direção. Uns setenta anos, um metro e sessenta, sapatos pretos sem salto, saia em xadrez escuro muito abaixo dos joelhos, um casaco de pele e um pequeno e delicado chapéu fazendo conjunto com o casaco. Pelo brilho das peles deduzi que tinham acabado de voltar da lavanderia. Cabelos grisalhos e curtos. Ao passar-lhe ao lado, notei que lia o jornal do dia anterior, provavelmente encontrado na pilha de jornais sobre o coletor de papel. Lia a seção fúnebre.

Fui em frente, neblina adentro.

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Tuesday, November 14, 2006

Não Confunda

Zabaione

4 gemas;
1 xícara de café de vinho Marsala;
150 g. de açucar.

Em uma panela pequena, bata o açucar e as gemas até obter uma consistência espumosa. Considere que o volume irá se multiplicar quando escolher a panela. Junte o vinho e misture bem. Leve a panela ao fogo em banho-maria e bata sem parar para que o zabaione ganhe volume. O resultado deve ser um creme uniforme, sem parte líquida no fundo, mas sem deixar ferver. Despeje imediatamente o zabaione em quatro tigelinhas e sirva.

O vinho Marsala a ser usado é sem ovo. Na dúvida, basta verificar se há um ovo no rótulo do produto. Se você não gostar do resultado com o Marsala, experimente usar um Moscato, mais suave e frutado.



Crema Pasticcera

100 g. de açucar;
50 g. de farinha de trigo;
½ litro de leite;
4 gemas.

Coloque em uma panela as gemas, o açucar e a farinha. Misture até formar um creme homogêneo e liso. Despeje o leite sem deixar de mexer. Leve ao fogo e deixe ferver por dois minutos, mexendo sempre. Despeje o creme em uma tigela e deixe esfriar. Mexa de vez em quando para evitar a crosta superficial. Use como recheio de doces e tortas.


Post Scriprum

Na receita do zabaione havia esquecido de inserir as gemas, que devem ser batidas junto com o açucar. O vinho só deve ser adicionado depois. Consertei a receita. Agradeço a observação da Sandra, que deve ter tentado fazer e não deu certo.
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Wednesday, November 08, 2006

Equação de Outono

Um provedor que briga com a companhia estatal de telefonia e deixa seus clientes sem conexão por dias seguidos; a temperatura que baixou 26 ºC em duas semanas; o excesso de trabalho que faz aumentar (o ano começou em setembro); a atenção toda voltada a um projeto que ameaça não terminar; duas filhas adolescentes que mudaram de escola e que necessitam de muita atenção; uma esposa nem tão adolescente assim, mas que também precisa de atenção; uma gripe que ameaçou, ameaçou, ameaçou e finalmente atacou.

Nada disso justifica a ausência da blogosfera, mas o resultado da soma de todos esses fatores atenua minha culpa. E parece que a briga da telefonia está se resolvendo, mas a conexão parece funcionar à manivela.

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Tuesday, October 31, 2006

enquanto isso, ao norte do equador...

Na Itália, a vitória de Lula ocupou menos espaço nos jornais e tvs que as férias forçadas do jogador Adriano, do Inter de Milão. Será o glamour do Rio?
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Wednesday, October 25, 2006

Pastasciutta

Abro a geladeira e confiro: massa pronta, iogurtes light, saladas em saquinhos, suco na embalagem tetrapack e pizza no congelador. Não é hora de fazer um balanço pessoal, preciso comer algo veloz, escovar os dentes e sair. Quero estar na vernissage quando a imprensa chegar, antes do pintor, ou ninguém vai dar bola para a iniciativa da empresa em patrocinar esse tipo de evento. Pizza.

Escovo os dentes olhando-me no espelho e descubro a primeira ruga. É leve, nem chega a ser notada, mas é uma daquelas que nem todos os creminhos do mundo conseguirão retardar por muito tempo. Será que vou ficar pra titia? Melhor usar um creminho.

No caminho para a galeria passo em frente ao novo bar. Dizem que tem uma iluminação incrível e que o sistema de som é perfeito. Se ninguém me convidar para vir conhecê-lo, vou acabar eu mesma convidando alguém. Será que é esse meu jeito de mulher decidida que assusta todos os homens da minha vida? Mas o que eles querem, afinal? Sou independente e prática. Não preciso vasculhar bolso masculino pra ir ao mercado.

Sucesso. Essa é a palavra que exprime o resultado da nossa iniciativa. A empresa ganha pontos com a elite intelectual e a comunidade, deduz tudo do imposto de renda, ganha algumas páginas publicidade positiva e o chefe me dá os parabéns entusiasmado. Nem parece o mesmo homem que dois meses atrás me acusava de possuir uma cultura de quiz show inútil. Os homens são assim, quando se sentem acuados, partem para a agressão.

O vinho está ótimo, muitos parabéns, tapinhas nas costas, brindes, mas ninguém me convidou para uma esticada ou para comer alguma coisa quando sair daqui. Preciso me manter longe daquela bandeja de salgadinhos. O grupinho dos bobões muda de assunto quando me aproximo. Sorrisos, alguém que bebeu mais vinho do que deveria, elogios. Agradeço e saio, sentindo os olhares que medem meu tubinho preto e que me queimam as costas.

Estou morta de fome, doida por um prato de massa fresca e boa companhia. Vou acabar saindo com as meninas de novo. Pelo menos vou ter uma boa desculpa para não terminar a noite na discoteca. Esses saltos estão me matando. Oriento o pessoal para deixar tudo organizado e pronto para a abertura da galeria, amanhã. Aprendi a sair antes que o evento se esvazie.

Ok, meninas, trattoria. O barzinho novo vai ficar para uma noite de caça. Tudo o que queremos é comer algo honesto e cama. Não aguento mais vinho, peço água sem gás. A massa chega e elas ainda estão elogiando o resultado da exposição. Vou balançando a cabeça, concordando com tudo sem prestar muita atenção. Observo na mesa ao fundo o casal que janta romanticamente e lembro do meu apartamento vazio. Sem peixe nem gato, que não posso assumir a responsabilidade por outras vidas nesse momento. Deixo sempre o abatjour aceso para não ter que chegar em casa no escuro. E para me sentir menos . Preciso visitar minha mãe e pedir umas receitinhas. E lembrar de jogar fora o suco vencido na geladeira.

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Wednesday, October 18, 2006

Pão

- Quem é essa Isabela?

E tive que explicar que é uma senhora simpática como simpáticas são as senhoras do Sítio do Pica-pau Amarelo. Aliás - emendei - é uma mistura de Dona Benta com Tia Anastácia e tem a idade das duas juntas. Ela também mora numa fazenda e tinha pedido a receita. Eloá não me pareceu muito convencida, mas aceitou que eu publicasse a receita do pão que ela faz.

Bata no liquidificador:
600 ml. de água;
3 tabletes de fermento Fleischman (3x20g.);
1 colher de sopa de manteiga;
1 ovo;
3 colheres de sopa de açucar;
1 colher de sopa de sal.

Despeje tudo em uma bacia, adicione 1 copo de óleo e vá acrescentando farinha de trigo até atingir o ponto de massa, que não deve ser dura mas deve soltar fácil da mão. Que quantidade? Vá adicionando a farinha e depois me diga. Sove bem e divida a massa.

Faça os pães na medida que quiser, mas não inferiores que a metade de um pão francês. Use parte da massa para fazer uma bolinha que será colocada em um copo com água. Quando a bolinha subir, acenda o forno e deixe aquecer por 20 minutos. Asse o pão pelo tempo que for necessário a 180 ºC.

Treine bastante. Quando estiver dominando bem a arte de fazer pão – uns 6 kilos a mais na região abdominal – use a mesma massa para fazer rocamboles com presunto, queijo e tomate, ou para fazer pão de linguiça e torresmo. E me chame.
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Sunday, October 15, 2006

r e v i s t a do samba no Rio


























Se perder, não reclame.