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Friday, December 04, 2015

Lição de italiano - Boh


Boh não é apenas uma interjeição da língua italiana para exprimir desconhecimento, dúvida, indiferença ou reticência (pode ser traduzida como “sei lá!” e a pronúncia é bô), geralmente usada nas respostas. É uma parte importante da personalidade cultural italiana, como sempre, seguida de uma linguagem corporal apropriada.

Boh, non ne so niente io...! [Sei lá, não sei de nada, eu…!] Seguida de uma expressão de perplexidade.

É a palavra mais divertida da língua italiana, muito usada – também – para concluir um argumento que não merece ser prolongado, seja pelos riscos do assunto, seja pela chatice do interlocutor. Pela sua flexibilidade, adaptabilidade, ironia e resolubilidade, deveria ser incorporada a outros idiomas.

“Boh, frase cheia de significado, com um significado incrível, cheio de inteligência e que convive com modernidade e tradição, sem falar do uso no plano prático e teórico.”
Pier Paolo Pasolini

Pode, ainda, exprimir desprezo, reprovação, incerteza ou incredulidade:
Boh, não sei mesmo!
Boh, se ele disse, pode até ser verdade!

Se tivesse crescido e estudado na Itália, boh seria a minha expressão ao final de cada aula de matemática. Boh é a risposta ultima às perguntas fundamentais sobre a vida, o universo e todas as coisas. Prova disso é que em hexadecimal “42” é o código ASCII da letra “B”.

Algum famoso teria dito:
Boh é uma resposta que me deixa satirfeito. Resolveu muitas dúvidas da minha existência.”

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Friday, November 01, 2013

Lição de italiano – nomes de vegetais



Piada velha: o alemão, depois de cinco dias só comendo misto quente (a única coisa que sabia em português), decidiu observar o cidadão na mesa ao lado e pedir algo diferente. Era sábado e o vizinho pediu feijoada. Quando a feijoada chegou, o alemão estalou os lábios e pediu ao garçon: “Feijoada!!!”. O garçon peguntou: “Completa ou meia porção?” E o alemão – quase chorando: “misto quente.”

Dia desses assisti uma cena angustiante: um casal que recusava o prato de salada que tinham escolhido. O garçon não entendia nada e tentava explicar que era o pedido deles, mas pela cara e pelos gestos da senhora, deduzi que ela era alérgica a algum vegetal ali presente. Obviamente não falavam italiano nem outra língua que o garçon fingia saber.

A proprietária bem que tentou ajudar, convidando o casal para ir até a cozinha  escolher o que comer, mas o casal pareceu sinceramente constrangido e preferiu ir embora. Só não conseguiram pagar, impedidos pela dona.

Em época de smartphone e wifi ovunque (em todo lugar, em qualquer lugar), não tem muito sentido andar com dicionário bilíngue. A menos que você – como eu – ainda não tenha aderido à moda da conexão full time e prefira o cheiro dos livros. Ainda que seja um dicionário bilíngue. E se esse é o seu caso, aqui vão as traduções de alguns vegetais e temperos disponíveis nos restaurantes italianos, que podem variar de região a região.

Aglio – alho
Anguria, cocomero – melancia
Barbabietola, bietola – beterraba
Carota – cenoura
Cetriolo – pepino
Cipolla – cebola
Cipollotto – cebolinha
Contorno di verdure – porção de abobrinha, berinjela e pimentão
Coriandolo – coentro
Cumino – cominho
Lattuga – alface
Macedonia – salada de frutas
Mais, granoturco – milho
Mela – maçã
Melanzana – berinjela
Oliva – azeitona
Pepe nero – pimenta do reino
Peperoncino – pimenta
Peperone – pimentão
Pomodoro – tomate
Prezzemolo – salsinha
Rapanello – rabanete
Rosmarino – alecrim
Sedano – salsão
Spremuta – suco (de laranja ou limão), difere do succo di frutta = produto industrializado
Zucca – abóbora
Zucchina – abobrinha

Lembrei de dizer que é errado incluir numa receita o termo pecorino, como se pecorino fosse um tipo especial de queijo. Não é. Pecorino é queijo de leite de ovelha (pecora, em italiano) e existem diversos tipos. O pecorino romano, por exemplo, é mais salgado que um queijo de mesa e serve para ralar sobre a massa. Nem mesmo a simples indicação da marca resolve, pois existem produtores que fabricam diversos tipos de queijos, que são classificados como: fresco ou Tuma; Primosale; Secondosale ou semi-stagionato; stagionato.

E você deve estar se perguntando: “E que diacho pecorino tem a ver com os nomes dos vegetais?” Simples: a ovelha se alimenta exclusivamente de vegetais e o leite dela é um concentrado daqueles vegetais. Ou foi a minha rabugisse que não resitiu.
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Sunday, March 25, 2012

Pronúncia italiana – dica de pronúncia


O sotaque de um estrangeiro denuncia a sua origem e, às vezes, confunde o interlocutor. A lição de hoje não chega a ser uma regra, mas é uma dica muito útil que irá permitir a pronúncia correta de algumas palavras. É necessário, porém, lembrar que a Itália é um país de dialetos e sotaques, e que as regras e dicas nem sempre representam todos os ingredientes desta enorme pizza. A televisão vem se ocupando de homogeneizar a fala deste país, mas não acredito que será uma missão fácil.

 Considerando que as letras a, i, u terão sempresempre! – o mesmo som, a dica vale somente para as letras e, o. Quando em uma palavra as letras e, o vem antes de uma consoante dupla (dígrafo) elas costumam ser pronunciadas abertas (agudas), e são pronunciadas fechadas (graves) quando a consoante seguinte não é dupla.

Vá treinando (entre colchetes, a pronúncia com a vogal tônica em negrito):
Ancora – [áncôrá] – ainda
Banana – [bánáná] – com todos os as abertos
Bello – [bél_lô] – bonito, legal
Bolla – [ból_] – bolha
Bollo – [ból_lô] – selo
Freddo – [fréd_dô] – frio
Gomma – [góm_má] – goma, borracha
Insomma – [insóm_má] – pode ser traduzido comoou seja”, no sentido conclusivo
Leggere – [lég_gêrê) – ler
Leggero – [lég_gêrô] – leve
Moto – [môtô] – movimento, motocicleta
Ricetta – [ritchét_tá] – receita
Vuole – [vuôlê] – quer. Neste caso o l deve ser quase inaudível, quase um i
Vela – [vêlá] – vela de barco. Como no anterior, neste caso o l deve ser quase inaudível, quase um i
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Tuesday, May 10, 2011

Lição de italiano – Tratamento

Uma lição que necessita uma atenção especial diz respeito ao tratamento em italiano. Não que seja complicado ou difícil, mas é preciso observar a concordância e a formalidade social.

A regra básica ensina ao uso do tratamento de cortesiaLei”, sempre com “L” maiúscula, que difere de “lei” (ela), toda vez que falamos com alguém que não seja íntimo, mesmo em alguns ambientes de trabalho. O Lei é como o nosso Vossa Mercê, ou Senhor/Senhora, em português. Usa-se a forma Lei até que o mais velho entre os interlocutores ou o superior hierárquico proponha a informalidade do tu (tu, você), também chamado forma familiare. A diferença é que esse tratamento de cortesia não é uma opção, mas obrigação. Uma formalidade que guia as relações sociais. Caso se decida a tratar por tu, o descortês irá ouvir uma frase do tipo: “Nós nunca jantamos juntos. Nos tratemos por Lei.” E alguém vai ficar com cara de tacho.

É necessário recordar que Lei é na terceira pessoa do singular, portanto, “Lei è, Lei va, Lei sta, Lei sente, come va?, come sta?, cosa ne pensa?...,” e nãoLei sei, Lei vai, Lei stai, Lei senti, come vai?, come stai?, cosa ne pensi?...” O tu pede o uso do nome, o Lei exige o uso do sobrenome.

Um erro muito comum é dar buongiorno (bom dia) a uma pessoa que tratamos por tu ou ciao a alguém a quem tratamos por Lei. O ciaoque se usa quando se chega e quando se vai – é um cumprimento reservado a parentes e amigos, do mesmo modo que o buongiorno ou buonasera e arrivederci são reservados ao tratamento formal. Mais formal que o Lei é a forma Voi, pouco usado hoje em dia (vós). E não adianta esclarecer que o tratamento informal não exclui o respeito nem amplia a liberdade. Essa regra funciona no Brasil, não na Itália.


Vá treinando:

Ciao ragazzi! [tchao ragatz_tzi!] – Olá, pessoal!
Buongiorno a Lei [buondjiorno a lei] – bom dia ao senhor/senhora (em resposta a um bom dia)
Arrivederci [ar_rivedertchi] – até nos revermos
ArrivederLa [ar_rivederla] – até rever o Senhor/a Senhora (normalmente dito por um comerciante mais cortês. Repare que o “L” é maiúsculo)


Para entender bem a diferença entre as duas formas, imaginamos um convite ao Giuseppe Ferrari para um jantar (Porquê você não vem jantar com a gente, Giuseppe?):
Tratamento familiar: Perché non vieni a cena com noi anche tu, Beppe?
Tratamento de cortesia: Perché non viene a cena con noi anche Lei, signor Ferrari?
Repare que no tratamento familiar posso usar o apelido (Beppe) e no tratamento de cortesia uso o sobrenome.


Vá treinando.
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