Tuesday, October 27, 2009

Pronúncia italiana – T, U, V, Z

Últimas letras do alfabeto italiano. Algumas observações irão se repetir, como no caso da letra t, que quando precede a letra i não tem aquele som chiado do protuguês falado no Brasil. Se você fala, por exemplo, “tia” um italiano pensará que se escreve “cia”. Essa pronúncia chiada do brasileiro nos casos de d + i e do t + i cria grande confusão. No caso do t + i que pronunciamos como “tchi” você deve procurar tirar o “ch” da pronúncia e fazê-la soar mais dura. Vamos dar uma repassada nas letras do alfabeto italiano e a pronúncia de cada uma delas.
A – a
B – bi
C – tchi (lembre-se que “tchau” – com esta pronúncia – em italiano se escreve “ciao”)
D – di (não “dji”; tire o jota da pronúncia)
E – e
F – effe
G – dji
H – áka
I – i
L – élle
M – émme
N – énne
O – ó
P – pi
Q – ku
R – erre (repito: não existe em italiano aquele r de “rua” carioca, mas somente r como em “caroço”)
S – esse
T – ti (não “tchi”; tire o ch da pronúncia)
U – u
V – vi ou vu; são aceitas as duas formas
Z – dzetta

Pois é, parte da charada desta lição fica esclarecida com as pronúncias acima. A letra u será sempre igual ao português, assim como a letra v. A diferença diz respeito à letra z, que irá depender da região e de algumas regras não escritas. Há quem defenda que o único som possível é d+ z, como em “dzetta”, mas os meus ouvidos há muito perceberam que existe, sim, uma outra pronúncia: “tz”. Principalmente quando acontece no meio de uma palavra e o z é duplo, como em attrezzatura, por exemplo. Na realidade você será entendido em ambos os casos e o balconista irá providenciar a attrezzatura (equipamento) de que você necessita, mas ele terá certeza da sua proveniência, o que nem chega a ser um problema. Afinal, o importante é comunicar.


Vá treinando (entre colchetes, a pronúncia com a vogal tônica em negrito):
Toro – [tôro] touro
Tesi – [tési] tese
Tipo – [tipo] tipo (sujeito)
Titolo – [títolo] título
Tolleranza – [tol_lerándza] tolerança
Tacere – [tatchere] calar
Udito – [udito] ouvido (lembrou de tirar o “j” da pronúncia?)
Uncino – [untchino] gancho (capitão Gancho = capitan uncino)
Undicenne – [unditchénne] quem tem onze anos
Unghia – [únghia] unha
Volo – [vôlo] vôo
Vita – [víta] vida
Vetta – [vétta] cume (de montanha), topo
Covo – [côvo] toca, ninho
Zorro – [dzorro] Zorro (o personagem)
Zucchero – [zúk_kero] açúcar
Attrezzo – [at_tretzo] instrumento
Zecca – [zék_ka] carrapato, casa da moeda
Carrozza – [car_rotza] carroça

Saturday, October 24, 2009

Comer para crescer

A Úrsula só conheço por fotos, mas a Isabella teve a felicidade de fazer xixí no meu colo, morrer de rir das minhas cosquinhas e de ganhar um coelhinho que virou o xodó dela.

O pai das meninas, o Cássio, é amigo de longas datas (1975...?). Conheço a Mônica há menos tempo, mas nem parece. Agora, a Mônica com uma sua amiga Patrícia, resolveram colocar as próprias experiências em um blog. São histórias e causos envolvendo a culinária infantil de modo sério mas sem ser chato. Ou como elas escrevem: "...vamos xeretar muito sobre alimentação infantil, comentar pesquisas, entrevistar especialistas, testar novos produtos, pôr os livros de alimentação infantil à prova, divulgar receitas, afinal somos duas jornalistas que há muito tempo escrevem sobre o assunto e continuam curiosas. Também vamos dar dicas para as grávidas tentarem comer direito, falar de refeições legais para o pós-parto e amamentação"

Divirtam-se! Vale à pena ler e acompanhar.

:)

Monday, October 12, 2009

Odores agradáveis da nossa gente

Sra. Anna: “Allan, uma das coisas que chama a atenção da gente no Brasil é que as pessoas não fedem.”

Allan: “Sra. Anna, o Brasil é um país tropical, com temperaturas acima dos 20 ºC durante todo o ano em boa parte. Se não tomar banho e usar desodorante, ninguém aguenta.”

Sra. Anna: “Pois é, mesmo as mulheres que iam fazer a limpeza ou cozinhar estavam cheirosas no fim do dia…”

Allan [constrangido pelo argumento, pois concordar implica aceitar o fato de que a coisa é diferente por aqui, onde não é raro encontrar pessoas que não usam desodorante e têm medo do chuveiro]: “A mulher brasileira é muito vaidosa…”

Thursday, October 08, 2009

Um mar de veneno

Quando se vive em um outro país fazemos as contas com perdas e ganhos. Uma coisa que se perde é a noção do que é ou não é notícia no país de origem. Apesar de toda a facilidade da Internet, os jornais que leio são italianos. Sim, todos os dias dou uma olhada em três jornais brasileiros, alguns sites de notícias e uma ou outra revista on-line, mas ler, de verdade, só jornais italianos.

Há alguns dias houve uma manifestação em Roma pela liberdade de informação. Pode parecer piada em um país onde se fala o que quiser de todo mundo. As hipotéticas relações extra-conjugais do primeiro-ministro e o envolvimento dele em escândalos financeiros julgados pela justiça; transcrição de gravações investigativas usadas como provas em processos judiciais em curso; relações de salários de servidores públicos, com nomes, cargos e valores: Enfim, tem de tudo. Inclusive muita informação que em muitos países são consideradas confidenciais, pela preservação da privacidade alheia. Muitas vezes trata-se de uma falsa transparência em busca do furo jornalístico. Noutras, cortina de fumaça para desviar a atenção do que realmente é notícia.

No mês de Setembro, através das declarações de um “colaborador da justiça” (nome dado aos que se “arrependem” e denunciam os crimes em que participaram em troca de atenuantes) a polícia italiano localizou um navio afundado na costa italiana, carregado de resíduos tóxicos. Não lembro de ter lido a notícia em nenhum site de jornal, revista ou site de notícias brasileiro a não ser no site da BBC.

Pelo que li até agora, é uma investigação que teria começado 14 anos atrás, com cenas de mortes misteriosas e envolvimento de poderosos. O jornal La Repubblica foi dos poucos que dedicou uma série de matérias, que podem ser lidas – em italiano – aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui

Antes que você se perca nos links, saiba que – sempre segundo informações de “colaboradores da justiça” – não se trata de um navio, mas de 30 (trinta!) e o número pode crescer. A prática era simples e enriqueceu muita gente. Uma empresa, com sede em um paraíso fiscal, teria oferecido o serviço de estocagem de resíduos tóxicos a diversos países. Alguns governos contrataram os serviços da empresa, outros recusaram e houve os que pagaram mais caro para permanecer no anonimato. Resíduos como escória atômica e lixo hospitalar, entre outros, eram carregados em navios cargueiros que depois teriam sido afundados no mar mediterrâneo e na costa do chifre da Africa. Verdadeiras bombas ecológicas capazes de contaminar não apenas as regiões onde se encontram, mas toda a cadeia alimentar.

Como localizar e recuperar todos os navios antes que uma tragédia aconteça? O que fazer com o material que for recuperado? Como evitar que esse tipo de ação possa se repetir? Espero que não levem outros 14 anos para responderem essas perguntas. E que os jornais passem a tratar de modo sério as notícias sérias.

Monday, October 05, 2009

O jeito brasileiro de ser

Todos os amigos italianos que visitam o Brasil fazem questão de comentar, de tentar explicar - a mim? - o quanto os brasileiros são acolhedores. A impressão mais forte não é a paisagem, a comida, o clima. A impressão que eles carregam para sempre é a hospitalidade e a cortesia da nossa gente. Basta um breve período de férias para que se aprenda o significado da palavra 'saudade'.

Copa do mundo de futebol em 2014 e Jogos Olímpicos em 2016. Se nos prepararmos desde já, quem sabe passamos a acreditar que não somos os vira-latas que por muito tempo uns poucos nos fizeram acreditar.


Saturday, October 03, 2009

Colocando a pizza no forno

Reproduzo aqui o primeiro post da minha breve participação no OPS!

Todos os sábados esta coluna será dedicada à Itália, um país que atrai muita atenção e curiosidade, não só pela grande quantidade de descendentes de italianos que vivem no Brasil, mas também pela história e cultura. Muito do que essa cultura produziu faz parte do cotidiano de muita gente que nem se dá conta, num processo que acaba fundindo e modificando cada cultura, que é a evolução natural do conhecimento humano. Obviamente quem não conhece a Itália ou só esteve por aqui a turismo tem uma visão apenas parcial, adquirida por pequenas experiências típicas do turismo ou através dos meios de comunicação e das artes, incluindo o cinema, que é diferente da visão do imigrante. Portanto, as impressões publicadas nesta coluna podem surpreender, pois serão as impressões de quem vive aqui e serão sempre impressões pessoais. As minhas. Espero satisfazer um pouco dessa curiosidade e oferecer informações concretas sobre esse país fascinante, rico pela mistura de costumes dos povos que por aqui passaram, mas ainda muito fechado ao novo. Se, de quebra, você se divertir, aí sim vai valer à pena.

Chegando na Itália a primeira coisa que surpreende é a imagem equivocada que criamos dos lugares que não conhecemos. Rapidamente nos damos conta dos estereótipos e clichês que não se confirmam. As referências que acreditamos haver, não correspondem à realidade do dia-a-dia e, à medida que o brilho das novidades começa a ficar opaco, uma sensação de estar no lugar errado começa a incomodar.

A distribuição de qualidades como a inteligência, a diplomacia e a tolerância, não obedece a nenhuma regra econômica nem respeita as fronteiras geográficas. A distribuição de defeitos, também não. Na Itália, assim como em todo o resto do mundo, existem desde pessoas mal-educadas, ignorantes e obtusas até as pessoas solares, brilhantes e agradáveis que todos esperamos conhecer. Muito embora eu tenha a impressão de ter encontrado por aqui alguns descendentes dos Neandertais, que, de alguma forma, teriam sobrevivido e evoluído de um modo muito similar ao Homo Sapiens. “Primeiro Mundo” é uma expressão utilizada apenas para caracterizar países com resultados econômicos superiores aos demais.

Preços que aumentam achatando os salários; impostos, impostos e mais impostos; políticos jurássicos que envergonham os eleitores; exames pelo INPS que levam anos para acontecer; corporativismo e poluição alarmantes; desigualdade social; desemprego e alugueis cada vez mais altos; corrupção endémica e generalizada; greve na segurança pública e o crime organizado cada dia mais organizado. Tudo isso lhe soa familiar? Bem-vindo à Itália! E, sim, aqui se chama INPS. Vá fazendo as suas malas: essa viagem virtual está apenas começando.