– ...Ô, calma! ‘Tava só te sacaneando.
– Em toda a minha vida, nunca conheci ninguém que gostasse de ser sacaneado. Portanto, não reclame da minha agressividade.
A Itália vista por um brasileiro. As diferenças culturais, descobertas e sabores, com uma pitada de bom humor (às vezes).
Sunday, August 30, 2009
Friday, August 28, 2009
III EDUCON
A querida Meg, sempre interessada nas coisas realmentes essenciais, está divulgando o III EDUCON:
CONFERÊNCIAS
Conferência de Abertura
“Como os professores aprendem a sua profissão” (Comment les professeurs apprennent leur profession)
Conferencista: Prof. Dr. Guy Berger (Universidade Paris 8 – França)
Tradução: Prof. Dr. Bernard Charlot (Universidade Paris 8/UFS/NPGED/ NPGECIMA/ EDUCON)
Coordenação: Profa. Dra. Veleida Anahi da Silva (UFS/DED/NPGED/ NPGECIMA/EDUCON)
Local: Auditório do Campus de Itabaiana/UFS
Conferência de Encerramento
“As teorias pedagógicas modernas revisitadas pelo debate contemporâneo na educação”
Conferencista: Prof. Dr. José Carlos Libâneo (Universidade Católica de Goiás)
Coordenação: Prof. Dr. Bernard Charlot (Universidade Paris 8/UFS/NPGED/ NPGECIMA/ EDUCON)
Local: Auditório do Campus de Itabaiana/UFS
INSCRIÇÕES
Período de Inscrição: 08/06 a 22/09/2009
Com apresentação de trabalho: 30 de agosto de 2009
Sem apresentação de trabalho: 22 de setembro de 2009
EIXOS TEMÁTICOS
1. Educação, Intervenções Sociais e Políticas Afirmativas
2. Educação, Sociedade e Práticas Educativas
3. Educação, Trabalho e Juventude
4. Formação de Professores: memórias e narrativas
5. Ensino de Ciências e Matemática
6. Educação, Cultura e Religião
7. Educação Infantil e Inclusão Social
8. Tecnologia, Mídia e Educação
CONTATO
E-mail: coloquioeducon@yahoo.com.br
Tel.: (79) 2105-6761/6797
Inscrição on-line: http://br.geocities.com/educonufs/IIIcoloquio/
Se você for da área ou tiver interesse, não deixe passar.
CONFERÊNCIAS
Conferência de Abertura
“Como os professores aprendem a sua profissão” (Comment les professeurs apprennent leur profession)
Conferencista: Prof. Dr. Guy Berger (Universidade Paris 8 – França)
Tradução: Prof. Dr. Bernard Charlot (Universidade Paris 8/UFS/NPGED/ NPGECIMA/ EDUCON)
Coordenação: Profa. Dra. Veleida Anahi da Silva (UFS/DED/NPGED/ NPGECIMA/EDUCON)
Local: Auditório do Campus de Itabaiana/UFS
Conferência de Encerramento
“As teorias pedagógicas modernas revisitadas pelo debate contemporâneo na educação”
Conferencista: Prof. Dr. José Carlos Libâneo (Universidade Católica de Goiás)
Coordenação: Prof. Dr. Bernard Charlot (Universidade Paris 8/UFS/NPGED/ NPGECIMA/ EDUCON)
Local: Auditório do Campus de Itabaiana/UFS
INSCRIÇÕES
Período de Inscrição: 08/06 a 22/09/2009
Com apresentação de trabalho: 30 de agosto de 2009
Sem apresentação de trabalho: 22 de setembro de 2009
EIXOS TEMÁTICOS
1. Educação, Intervenções Sociais e Políticas Afirmativas
2. Educação, Sociedade e Práticas Educativas
3. Educação, Trabalho e Juventude
4. Formação de Professores: memórias e narrativas
5. Ensino de Ciências e Matemática
6. Educação, Cultura e Religião
7. Educação Infantil e Inclusão Social
8. Tecnologia, Mídia e Educação
CONTATO
E-mail: coloquioeducon@yahoo.com.br
Tel.: (79) 2105-6761/6797
Inscrição on-line: http://br.geocities.com/educonufs/IIIcoloquio/
Se você for da área ou tiver interesse, não deixe passar.
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notícias
Sunday, August 23, 2009
Saturday, August 22, 2009
Acabou a promoção
Ocasionalmente verifico o contador deste blog. Tenho tido cada vez menos tempo e paciência para computador, internet & Cia. Acabo lendo o que me interessa pelo feed e visito alguns blogs para me divertir (bem que o Flávio podia voltar a escrever com mais frequência…), já que as notícias – aquelas, dos jornais – me fazem ter cada vez menos vontade de ligar o pc. Minhas meninas estão adorando. Mas confesso que não consigo deixar de querer retribuir quem linka este blog, o que me obriga a vasculhar o contador, ainda que eu não saiba fazer isso corretamente.
Desde o fim de Julho o blog foi assolado por gente que procurava “Mulher de um homem só – download”, o livro do Alex. Pois bem, se você não aproveitou quando era grátis, vá já comprar o seu, que vale à pena, sim.
Apesar da busca pelo livro do Alex ter trazido muitos leitores até aqui, o movimento não mudou muito. O Google sempre foi a maior armadilha para os incautos que visitam esse blog. Mas na última semana fiquei assustado: o número de visitantes quase dobrou. “Ferragosto” é uma pesquisa que sempre traz muita gente ao blog, nessa época, ma o verdadeiro espanto foi “cafeteira italiana”, de longe a que mais atrai leitores.
Tenho certeza de que alguma rede de lojas andou fazendo promoção de cafeteiras italianas a uma multidão que não sabia como usar. E nem me avisaram. Estou precisando trocar a minha…
Desde o fim de Julho o blog foi assolado por gente que procurava “Mulher de um homem só – download”, o livro do Alex. Pois bem, se você não aproveitou quando era grátis, vá já comprar o seu, que vale à pena, sim.
Apesar da busca pelo livro do Alex ter trazido muitos leitores até aqui, o movimento não mudou muito. O Google sempre foi a maior armadilha para os incautos que visitam esse blog. Mas na última semana fiquei assustado: o número de visitantes quase dobrou. “Ferragosto” é uma pesquisa que sempre traz muita gente ao blog, nessa época, ma o verdadeiro espanto foi “cafeteira italiana”, de longe a que mais atrai leitores.
Tenho certeza de que alguma rede de lojas andou fazendo promoção de cafeteiras italianas a uma multidão que não sabia como usar. E nem me avisaram. Estou precisando trocar a minha…
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eu mesmo
Sunday, August 16, 2009
Vellutata porri e patate
Está frio aí, né? Nós, aqui, morrendo de calor e bolando todas as maneiras para driblar o fogão. Melão com presunto, saladas mil, carne louca preparada com antecipação na geladeira, salada de arroz (insalata di riso), comer pizza fora, o congelador entupido de sorvete, enfim, tudo para não aumentar o calor que anda fazendo por esses dias. Receita de salada? Pra quê, você só iria usar daqui a uns seis meses. Ela iria ficar rolando pra lá e pra cá até ir parar no lixo. Provavelmente com uma lista de compras anotada no verso.
Foi pensando em você que lembrei de uma receitazinha rápida, daquelas que acalma o estômago e anima a alma em noites frias. Vai sem foto, que eu é que não vou encostar a barriga no fogão num calor desse. Pior: teria que tomar sopa, com um calor desse.
Vellutata porri e patate (para 4 pessoas):
2 alho-poró
400 g de batata
800 ml de brodo (ou 800 ml de água com caldo Knorr, mas não é a mesma coisa)
Manteiga
Sal
Pimenta do reino
½ copo de leite
Corte em fatias finas o alho-poró, descartando a parte mais verde. Em uma frigideira, coloque um pouco de manteiga e refogue o alho-poró em fogo baixo. Se o fogo estiver alto, o alho-poró ficará escuro e amargo. Descasque e corte as batatas em cubinhos; em uma outra panela, cozinhe-as no brodo até que amoleçam ao toque de um garfo. Deixe tudo esfriar e bata no liquidificador. Devolve à panela, junte o sal e a pimenta do reino e apague o fogo assim que começar a ferver. Pouco antes de servir, reacenda o fogo, adicione o leite, aguarde dois minutos e sirva.
A quantidade de alho-poró pode variar, dependendo do seu paladar. Se preferir, pode ser gratinada com um pouco de Parmigiano Reggiano. Sirva pão torrado para acompanhar e mais nada. Mande-me fotos, que vou guardar na geladeira.
Foi pensando em você que lembrei de uma receitazinha rápida, daquelas que acalma o estômago e anima a alma em noites frias. Vai sem foto, que eu é que não vou encostar a barriga no fogão num calor desse. Pior: teria que tomar sopa, com um calor desse.
Vellutata porri e patate (para 4 pessoas):
2 alho-poró
400 g de batata
800 ml de brodo (ou 800 ml de água com caldo Knorr, mas não é a mesma coisa)
Manteiga
Sal
Pimenta do reino
½ copo de leite
Corte em fatias finas o alho-poró, descartando a parte mais verde. Em uma frigideira, coloque um pouco de manteiga e refogue o alho-poró em fogo baixo. Se o fogo estiver alto, o alho-poró ficará escuro e amargo. Descasque e corte as batatas em cubinhos; em uma outra panela, cozinhe-as no brodo até que amoleçam ao toque de um garfo. Deixe tudo esfriar e bata no liquidificador. Devolve à panela, junte o sal e a pimenta do reino e apague o fogo assim que começar a ferver. Pouco antes de servir, reacenda o fogo, adicione o leite, aguarde dois minutos e sirva.
A quantidade de alho-poró pode variar, dependendo do seu paladar. Se preferir, pode ser gratinada com um pouco de Parmigiano Reggiano. Sirva pão torrado para acompanhar e mais nada. Mande-me fotos, que vou guardar na geladeira.
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receitas
Monday, August 10, 2009
Ecochic
O prefixo “eco” tornou-se uma das expressões de marketing de maior sucesso mundial. Estou aguardando o momento em que se tornará substantivo. Nenhum produto hoje é oferecido ao consumidor sem estar atrelado à ideia do respeito à natureza. São eletrodomésticos que consomem menos energia, carros que poluem pouco, produtos biológicos (“bio” é quase uma marca), bens produzidos com materiais reciclados, serviços que não agridem o meio ambiente…
Toda essa estratégia acaba por desenvolver, cada vez mais rápido, consumidores com uma consciência ecológica que vão aprendendo a reconhecer as armadilhas de empresas verdes de fachada, a racionar antes de usar e a questionar antes de comprar. A dizer adeus ao supérfluo. Lentamente, estão deixando de ser consumidores para voltarem a ser simplesmente pessoas. É a busca por um novo estilo de vida.
Suponho que o hábito do pic-nic ainda irá durar algumas gerações na Europa, mas tenho visto copos, talheres e pratos de plástico sendo substituídos pelos tradicionais artigos de vidro, aço e cerâmica. Apesar dos parques oferecerem cestas de lixo, muita gente prefere levar o lixo de volta e reciclá-lo em casa. São pequenas ações que, sozinhas, não mudarão o mundo, mas que contaminam o vizinho do pic-nic ao lado e irão aumentar a tal consciência ecológica coletiva. Essa, sim, capaz de mudar hábitos de consumo e obrigar à produção responsável de bens e serviços com um menor impacto ambiental.
Um guarda-roupa menos interessado na moda, mais prático e versátil, e ao mesmo tempo reduzido, começa a fazer tendência. A bicicleta ganha novos espaços assim como os lenços de tecido estão retomando bolsos que já foram seus. Viagens em lugares exóticos que metem em risco um ecossistema particular estão sendo substituídas por opções que não ponham em risco a preservação do pouco que resta. A razão começa a prevalecer sobre o consumo.
É a velha Europa dando sinais de que novos hábitos são necessários. Mesmo que seja apenas para manter o estilo de vida ocidental. Só que dessa vez com consumo responsável. Ninguém precisa de dois carros, duzentos pares de sapatos ou roupas novas a cada estação. Os escravos das novas tecnologias começam a intuir que é possível viver sem estar coligado a alguma rede social virtual, dezoito horas por dia.
Na primeira oportunidade, pegue a bicicleta; deixe o celular, mp3, note book ou qualquer outro penduricalho tequinológico em casa; em um cesto de vime, junte umas frutas da estação, um pedaço de queijo produzido localmente, uma garrafa de vinho, toalha e guardanapos de pano, copos de vidro e os pratos e talheres de todos os dias; ponha uma roupa velha e convide os amigos para um pic-nic. Se lembrar de levar um saco para trazer de volta todo o lixo produzido, você estará em sintonia com os europeus mais chiques do momento. E se descobrir que pode viver uma vida mais simples, com menos produtos mas nem por isso com menos prazer, não estranhe: provavelmente é uma fase de transição, na qual você começa a se tornar uma pessoa que consome apenas o necessário sem sentimento de culpa, deixando de ser o consumidor que as fábricas produziram. É um tipo de liberdade zen. É ecológico, é chique e você vai gostar.
Toda essa estratégia acaba por desenvolver, cada vez mais rápido, consumidores com uma consciência ecológica que vão aprendendo a reconhecer as armadilhas de empresas verdes de fachada, a racionar antes de usar e a questionar antes de comprar. A dizer adeus ao supérfluo. Lentamente, estão deixando de ser consumidores para voltarem a ser simplesmente pessoas. É a busca por um novo estilo de vida.
Suponho que o hábito do pic-nic ainda irá durar algumas gerações na Europa, mas tenho visto copos, talheres e pratos de plástico sendo substituídos pelos tradicionais artigos de vidro, aço e cerâmica. Apesar dos parques oferecerem cestas de lixo, muita gente prefere levar o lixo de volta e reciclá-lo em casa. São pequenas ações que, sozinhas, não mudarão o mundo, mas que contaminam o vizinho do pic-nic ao lado e irão aumentar a tal consciência ecológica coletiva. Essa, sim, capaz de mudar hábitos de consumo e obrigar à produção responsável de bens e serviços com um menor impacto ambiental.
Um guarda-roupa menos interessado na moda, mais prático e versátil, e ao mesmo tempo reduzido, começa a fazer tendência. A bicicleta ganha novos espaços assim como os lenços de tecido estão retomando bolsos que já foram seus. Viagens em lugares exóticos que metem em risco um ecossistema particular estão sendo substituídas por opções que não ponham em risco a preservação do pouco que resta. A razão começa a prevalecer sobre o consumo.
É a velha Europa dando sinais de que novos hábitos são necessários. Mesmo que seja apenas para manter o estilo de vida ocidental. Só que dessa vez com consumo responsável. Ninguém precisa de dois carros, duzentos pares de sapatos ou roupas novas a cada estação. Os escravos das novas tecnologias começam a intuir que é possível viver sem estar coligado a alguma rede social virtual, dezoito horas por dia.
Na primeira oportunidade, pegue a bicicleta; deixe o celular, mp3, note book ou qualquer outro penduricalho tequinológico em casa; em um cesto de vime, junte umas frutas da estação, um pedaço de queijo produzido localmente, uma garrafa de vinho, toalha e guardanapos de pano, copos de vidro e os pratos e talheres de todos os dias; ponha uma roupa velha e convide os amigos para um pic-nic. Se lembrar de levar um saco para trazer de volta todo o lixo produzido, você estará em sintonia com os europeus mais chiques do momento. E se descobrir que pode viver uma vida mais simples, com menos produtos mas nem por isso com menos prazer, não estranhe: provavelmente é uma fase de transição, na qual você começa a se tornar uma pessoa que consome apenas o necessário sem sentimento de culpa, deixando de ser o consumidor que as fábricas produziram. É um tipo de liberdade zen. É ecológico, é chique e você vai gostar.
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estilo italiano
Thursday, August 06, 2009
Fruta da estação - Ribes rossa

Parece pequena. E é. Mais ou menos do tamanho de um caroço grande de laranja.
Azedinha e fácil de encontrar nessa época do ano em qualquer feirinha, quitanda ou supermercado. Pode ser vendida em cestinhas de frutti di bosco (frutas do bosque), como o mirtillo, amora e framboesa. E custa caro.
As frutas azedas fazem a alegria da minha filha Luiza, mas como bom pai, não a deixo só numa empreitada dessa.
Sunday, August 02, 2009
Amigas
Segunda-feira, 7 e 15 da manhã. Elas batem papo animadamente enquanto esperam a abertura do supermercado, às 7 e meia. São sempre as primeiras clientes a entrar. Lá dentro, escolhem frutas e verduras com cuidado; poucas, mas bem selecionadas. No balcão de frios pedem apenas “mezz’etto” (cinquenta gramas) de presunto cru ou coppa. Pães, apenas dois. Quando chegam ao caixa agem como se não se conhecessem. A primeira leva sempre uma sacola de pano; a outra, lhe torce o nariz e prefere os sacos plásticos vendidos a cinco centavos de euro, que ela diz reaproveitar. Parte do ritual, a moça no caixa pergunta:
– Quantos sacos?
– Um só. – Responde.
– Olha que não cabe…
– Eu só pago um. Dou um jeito de caber.
A caixa lhe dá um saco, que ela, ao tentar abrir, descobre serem dois. Ela olha para a caixa – que finge uma cara séria – e diz, dando de ombros:
– É o destino…
A caixa pisca para o cliente seguinte, espectador da cena divertida. Ela divide a compra nos dois sacos e sai.
Caminham devagar até a rua onde moram, comentando as notícias do jornal da manhã, as receitas do dia anterior, os prazeres e desprazeres dos netos, gatos, filhos, maridos, noras, vizinhos e políticos locais. Nessa ordem. Planejam o almoço com os produtos frescos que encontraram. Voltarão à tarde para escolher o jantar. À noite, depois de arrumadas as cozinhas e os maridos, sentarão à mesa que elas mesmas colocaram embaixo da árvore, na pracinha do bairro, e jogarão briscola com as outras amigas. Até às 11, 11 e meia, quando o calor desses dias é substituído por uma brisa fresca, que permite abrir as janelas e refrescar um pouco as casas antes de dormir.
Até sexta-feira a rotina não muda. Ou muda pouco, com alguma consulta médica ou um novo dentinho de um neto a ser comentado. Quem separou de quem, a briga de madrugada no bar, uma relação extra-conjugal do político da vez ou a mocinha que tenta fazer carreira do modo mais fácil são assuntos corriqueiros, mesmo que não passem de invenções só para ter assunto.
Sábado é il giorno di mercato (o dia da feira). Saem cedo para escolher peças de roupas selecionadas com a mesma atenção que merecem as frutas e verduras no supermercado. Saem cedo para não serem vistas pelas amigas. Voltarão mais tarde para comprar temperos, frutas, queijo, produtos biológicos e alguma peça para substituir no fogão quebrado. Nesse momento, fazem questão de parar para conversar com quem encontram, mesmo que isso atrase o almoço. Afinal, é sábado.
Domingo é dia de missa. Passaram a tarde de sábado preparando a massa que servirão no almoço das respectivas famílias. O dia correrá calmo mas rico de novidades, como o sermão do padre endereçado a algum pecador, ou a nova asneira de uma das noras. Elas se encontram na pracinha e caminham para a igreja, meia hora antes do padre. Dentro da igreja, deixam aos jovens todo o auxílio à preparação da cerimônia. Permanecem sentadas no primeiro banco, conversando em voz baixa até que a igreja fique lotada e o padre inicie a missa. Os cotovelos impedem que qualquer um lhes tire a honra de receber a comunhão antes dos demais fiéis. Saem às pressas, como se atrasadas. Sentam-se em uma das mesinhas do café na praça principal e tomam um café demorado. Às vezes um pedaço de crostatta di marmelatta. Voltam para casa – conversando sempre – e se despedem. O domingo com a família se prolongará até a hora de dormir e cada uma estará presa com os próprios netos, filhos, gatos, maridos, noras. Nessa ordem. Mas amanhã é segunda-feira e a vida recomeça.
– Quantos sacos?
– Um só. – Responde.
– Olha que não cabe…
– Eu só pago um. Dou um jeito de caber.
A caixa lhe dá um saco, que ela, ao tentar abrir, descobre serem dois. Ela olha para a caixa – que finge uma cara séria – e diz, dando de ombros:
– É o destino…
A caixa pisca para o cliente seguinte, espectador da cena divertida. Ela divide a compra nos dois sacos e sai.
Caminham devagar até a rua onde moram, comentando as notícias do jornal da manhã, as receitas do dia anterior, os prazeres e desprazeres dos netos, gatos, filhos, maridos, noras, vizinhos e políticos locais. Nessa ordem. Planejam o almoço com os produtos frescos que encontraram. Voltarão à tarde para escolher o jantar. À noite, depois de arrumadas as cozinhas e os maridos, sentarão à mesa que elas mesmas colocaram embaixo da árvore, na pracinha do bairro, e jogarão briscola com as outras amigas. Até às 11, 11 e meia, quando o calor desses dias é substituído por uma brisa fresca, que permite abrir as janelas e refrescar um pouco as casas antes de dormir.
Até sexta-feira a rotina não muda. Ou muda pouco, com alguma consulta médica ou um novo dentinho de um neto a ser comentado. Quem separou de quem, a briga de madrugada no bar, uma relação extra-conjugal do político da vez ou a mocinha que tenta fazer carreira do modo mais fácil são assuntos corriqueiros, mesmo que não passem de invenções só para ter assunto.
Sábado é il giorno di mercato (o dia da feira). Saem cedo para escolher peças de roupas selecionadas com a mesma atenção que merecem as frutas e verduras no supermercado. Saem cedo para não serem vistas pelas amigas. Voltarão mais tarde para comprar temperos, frutas, queijo, produtos biológicos e alguma peça para substituir no fogão quebrado. Nesse momento, fazem questão de parar para conversar com quem encontram, mesmo que isso atrase o almoço. Afinal, é sábado.
Domingo é dia de missa. Passaram a tarde de sábado preparando a massa que servirão no almoço das respectivas famílias. O dia correrá calmo mas rico de novidades, como o sermão do padre endereçado a algum pecador, ou a nova asneira de uma das noras. Elas se encontram na pracinha e caminham para a igreja, meia hora antes do padre. Dentro da igreja, deixam aos jovens todo o auxílio à preparação da cerimônia. Permanecem sentadas no primeiro banco, conversando em voz baixa até que a igreja fique lotada e o padre inicie a missa. Os cotovelos impedem que qualquer um lhes tire a honra de receber a comunhão antes dos demais fiéis. Saem às pressas, como se atrasadas. Sentam-se em uma das mesinhas do café na praça principal e tomam um café demorado. Às vezes um pedaço de crostatta di marmelatta. Voltam para casa – conversando sempre – e se despedem. O domingo com a família se prolongará até a hora de dormir e cada uma estará presa com os próprios netos, filhos, gatos, maridos, noras. Nessa ordem. Mas amanhã é segunda-feira e a vida recomeça.
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