
Há algum tempo escrevi
aqui um post esclarecendo o porquê do consumo de água mineral na Europa. Uma leitora havia deixado um comentário sugerindo que eu experimentasse um filtro da marca
Brita, que não encontrei na cidade. Em Dezembro passado, num jantar na casa de um vizinho, descobri que já era possível encontrar o tal filtro. Trata-se de uma simples jarra com um elemento filtrante que deve ser substituído quando um pequeno dispositivo da jarra informa ser exaurido.
Comprei no dia seguinte e descobri que a loja aceitava o cartucho usado para ser devolvido ao fabricante para reciclagem. Meio ressabiado, usei o
filtro desde então, enquanto me informava sobre a potabilidade da água oferecida pelo fornecedor público (a água que sai da torneira das casas). Durante a pesquisa descobri que a água tratada na Itália é, de um modo geral, de boa qualidade, apesar do gosto forte do cálcio que forma o calcário, presente em quase toda a península. O jornalista
Giuseppe Altamore, investigador da situação da água potável italiana, chega a afirmar que se pode beber sem medo a água da torneira, com exceção de Amiata, na Toscana,
onde o teor de arsênico é cinco vezes superior ao nível permitido pela legislação. E antes que você me pergunte como é possível, esclareço que a lei italiana é assim, cheia de emendas e rasuras, para permitir esse tipo de absurdo. O mesmo
jornalista nos alerta sobre uma
pesquisa alemã elaborada pelos cientistas Martin Wagner e Jorg Oehlmann da Goethe University de Frankfurt, publicado na revista Environmental Science and Pollution Research. Os estudiosos analisaram algumas marcas de água mineral e concluíram que alguns compostos hormonais das garrafas plásticas podem ser transferidos para a água. Martin Wagner e Jorg Oehlmann sugerem que o estudo é apenas a ponta de um iceberg, presumindo que outras embalagens plásticas de produtos alimentares também poderiam contaminar os alimentos.
Voltando ao filtro
Brita, é extremamente simples de usar, bastando enchê-lo com água e aguardar alguns segundos para que a água da torneira perca o gosto característico, ligeiramente salobro. Água para beber, fazer chá, café ou cozinhar, sem o inconveniente das embalagens plásticas. Para evitar um contato prolongado com o plástico do filtro, transfiro imediatamente a água filtrada para três jarras de vidro com tampa. Uma fica sobre a mesa da cozinha, para fazer café, etc. As outras duas vão para a geladeira. Mas nada de fazer grandes estoques de água filtrada, pois é sempre um produto alimentar a ser considerado com curto prazo de validade.
Economicamente também é vantajoso. Em casa consumíamos 3 garrafas de água de dois litros, diariamente. O preço médio de uma garrafa de água mineral – na região onde moramos – é de 0,50 euros, totalizando, em média, 45 euros por mês. Uma caixa com três filtros custa 19,99 euros. Como usamos um filtro por mês, o que equivale a 6,66 euros, economizamos algo como 38,34 euros por mês.
Acredito que um corpo em boa saúde produza todos os hormônios de que necessita, sem precisar dos eventuais hormônios transmitidos pelas embalagens plásticas. Economizar também é um fato positivo, mas o que me levou mesmo à procura de uma alternativa às garrafas plásticas da água foi a ânsia que me causava aqueles sacos de lixo cheios de garrafas vazias, que eu não tinha certeza de que seriam realmente recicladas.
Ufa! Deu sede.