Wednesday, July 29, 2009

Mulher de um homem só - agora no papel

Nos e-mails que enviei a todos os endereços da minha agenda pessoal, deixei claro que o Alex escreve realmente muito bem. “Mais um livro de blogueiro…”, responderam alguns. Insisti e esclareci que o Alex faz parte de uma classe de pessoas que tem um blog, mas que poderiam estar fazendo a mesma coisa em um meio de maior evidência, com muito mais sucesso. E que vale a pena ser lido. No mesmo e-mail, pedi a alguns amigos jornalistas que ajudassem a divulgar. Nada de jabá: compre o livro e tire suas próprias conclusões. A descoberta de um novo escritor de talento é o melhor argumento.

Jurei que quando o romance – que eu já li e recomendo – fosse impresso eu o compraria. Acontece que o correio italiano tem uma dificuldade muito grande em entregar livros adquiridos no Brasil. Pelo menos os que eu compro. Mas o primeiro filho-da-mãe que vier do Brasil terá que trazer o meu exemplar. Autografado.

Por esses dias irá acontecer o lançamento do tão esperado livro. Se você estiver em Sampa ou no Rio, não perca as datas. Se você estiver longe e quiser adquirir seu exemplar no lançamento, pode comprar pelo blog do Alex. A menos que você more em Piacenza.

















Sunday, July 26, 2009

Analfabeto digital

A Meire, sempre inventando e agitando, enviou-me um questionário sobre a minha atividade como blogger (se minha mãe souber que virei isso…). Em vão, tentei dissuadir a querida amiga: “Meire, muita coisa vai ficar sem resposta. Não entendo patavinas dessa tecnologia.”
[Sim, sou do tempo de “patavinas”.]

Se você quiser descobrir o que já sei que não sei sobre internet e informática, dê uma olhada nesta segunda-feira no blog da Meiroca, esse furacão simpático da blogosfera.

É permitido rir das minhas respostas.

Saturday, July 25, 2009

Piacenza, 39 ºC

E agosto ainda nem começou.



POST SCRIPTUM:

...Ai!

Monday, July 20, 2009

Lunik 9

Poetas, seresteiros, namorados, correi
É chegada a hora de escrever e cantar
Talvez as derradeiras noites de luar

A águia pousou no Mar da Tranquilidade. Olhos grudados na imensa tv, sentindo o respiro de um dos irmãos ao meu lado. Como é que meus pais saem em um dia tão importante? Também nunca entendi por que ninguém na escola comentava, além dos professores. “Mister Ed, o cavalo que fala”, era mais interessante. Talvez por ser o último programa antes do “Repórter Esso”, com o David Nasser e da musiquinha dos Cobertores Parahyba informando a hora de ir dormir.

Momento histórico
Simples resultado
Do desenvolvimento da ciência viva
Afirmação do homem
Normal, gradativa
Sobre o universo natural
Sei lá que mais

Minha mãe sempre disse que eu vivo no mundo da Lua e eu sonhava aquele monte de lata disforme voando no escuro. É a única imagem que me fascinava fora desse mundo água. Eu, que sonhava ser marinheiro. Depois, ir à Lua virou banal, os engenheiros demitidos voltaram a projetar eletrodomésticos e outras coisas mais úteis. Ela acabou meio abandonada nesses últimos 40 anos. A magia durou apenas um momento.

Ah, sim!
Os místicos também
Profetizando em tudo o fim do mundo
E em tudo o início dos tempos do além
Em cada consciência
Em todos os confins
Da nova guerra ouvem-se os clarins

Quatro décadas depois, esse mundo é menos poético e tem menos seresteiros e namorados. Paradoxalmente, nunca necessitamos tanto de sonhadores, artistas e amantes. E de místicos – desde que pacíficos.

Guerra diferente das tradicionais
Guerra de astronautas nos espaços siderais
E tudo isso em meio às discussões
Muitos palpites, mil opiniões
Um fato só já existe
Que ninguém pode negar
7, 6, 5, 4, 3, 2, 1, já!

A contagem regressiva parece não terminar. Ninguém sabe ao certo quando o “zero” irá aparecer, nesse infinito cósmico entre o “um” e o “já”. Vai-se a Marte, agora. Quem sabe que outros eletrodomésticos irão surgir.

Lá se foi o homem
Conquistar os mundos
Lá se foi
Lá se foi buscando
A esperança que aqui já se foi
Nos jornais, manchetes, sensação
Reportagens, fotos, conclusão:
A lua foi alcançada afinal
Muito bem
Confesso que estou contente também

De que adianta conquistar para em seguida abandonar? Já não bastam as informações nos jornais, cabeleireiros e Internet? Que mistérios pretendemos desvendar?

A mim me resta disso tudo uma tristeza só
Talvez não tenha mais luar
Pra clarear minha canção
O que será do verso sem luar?
O que será do mar
Da flor, do violão?
Tenho pensado tanto, mas nem sei

A Lua continua lá, como se nos pertencesse. Como se fosse uma nossa reserva, pronta a ser usufruída quando houver necessidade. Esquecida, mas à nossa disposição. O que será do mar, da flor, do violão? Talvez fosse o caso de voltarmos a observá-la como namorados.

Poetas, seresteiros, namorados, correi
É chegada a hora de escrever e cantar
Talvez as derradeiras noites de luar

Em 40 anos muita coisa acontece, se cresce, envelhece e a tv não é mais a mesma. Alguns eletrodomésticos se mostraram inúteis, o mar nem era mar e não era exatamente uma águia. Pouca gente sabe quem foi David Nasser e aprendi que cavalos não falam. Continuo no mundo da Lua e decidi que um dia comprarei um barco, que se chamará Apolo 11 e serei capitão.

Tuesday, July 14, 2009

Fruta da estação - Susina











Sabe aquela ameixa seca dos doces e das receitas macrobióticas? É irmã da susina (Prunus Domestica), tanto que frequentemente são confundidas. A ameixa (em italiano prugna - lê-se "prunha") é a fruta usada nos doces ou consumida in natura. Já a susina é uma fruta pouco utilizada em receitas, mas é consumida fresca em grande quantidade, pois tem a vantagem de ter-se adaptada em toda a península italiana.

Na foto, as amarelas foram colhidas maduras no pé. Por isso as pintas e manchas que a produção comercial descarta. São saborosas e doces, mas também existem de diversas cores e mais ácidas, como as vermelhas da foto, as preferidas da Luiza.

Wednesday, July 08, 2009

Água mineral II











Há algum tempo escrevi aqui um post esclarecendo o porquê do consumo de água mineral na Europa. Uma leitora havia deixado um comentário sugerindo que eu experimentasse um filtro da marca Brita, que não encontrei na cidade. Em Dezembro passado, num jantar na casa de um vizinho, descobri que já era possível encontrar o tal filtro. Trata-se de uma simples jarra com um elemento filtrante que deve ser substituído quando um pequeno dispositivo da jarra informa ser exaurido.

Comprei no dia seguinte e descobri que a loja aceitava o cartucho usado para ser devolvido ao fabricante para reciclagem. Meio ressabiado, usei o filtro desde então, enquanto me informava sobre a potabilidade da água oferecida pelo fornecedor público (a água que sai da torneira das casas). Durante a pesquisa descobri que a água tratada na Itália é, de um modo geral, de boa qualidade, apesar do gosto forte do cálcio que forma o calcário, presente em quase toda a península. O jornalista Giuseppe Altamore, investigador da situação da água potável italiana, chega a afirmar que se pode beber sem medo a água da torneira, com exceção de Amiata, na Toscana, onde o teor de arsênico é cinco vezes superior ao nível permitido pela legislação. E antes que você me pergunte como é possível, esclareço que a lei italiana é assim, cheia de emendas e rasuras, para permitir esse tipo de absurdo. O mesmo jornalista nos alerta sobre uma pesquisa alemã elaborada pelos cientistas Martin Wagner e Jorg Oehlmann da Goethe University de Frankfurt, publicado na revista Environmental Science and Pollution Research. Os estudiosos analisaram algumas marcas de água mineral e concluíram que alguns compostos hormonais das garrafas plásticas podem ser transferidos para a água. Martin Wagner e Jorg Oehlmann sugerem que o estudo é apenas a ponta de um iceberg, presumindo que outras embalagens plásticas de produtos alimentares também poderiam contaminar os alimentos.

Voltando ao filtro Brita, é extremamente simples de usar, bastando enchê-lo com água e aguardar alguns segundos para que a água da torneira perca o gosto característico, ligeiramente salobro. Água para beber, fazer chá, café ou cozinhar, sem o inconveniente das embalagens plásticas. Para evitar um contato prolongado com o plástico do filtro, transfiro imediatamente a água filtrada para três jarras de vidro com tampa. Uma fica sobre a mesa da cozinha, para fazer café, etc. As outras duas vão para a geladeira. Mas nada de fazer grandes estoques de água filtrada, pois é sempre um produto alimentar a ser considerado com curto prazo de validade.

Economicamente também é vantajoso. Em casa consumíamos 3 garrafas de água de dois litros, diariamente. O preço médio de uma garrafa de água mineral – na região onde moramos – é de 0,50 euros, totalizando, em média, 45 euros por mês. Uma caixa com três filtros custa 19,99 euros. Como usamos um filtro por mês, o que equivale a 6,66 euros, economizamos algo como 38,34 euros por mês.

Acredito que um corpo em boa saúde produza todos os hormônios de que necessita, sem precisar dos eventuais hormônios transmitidos pelas embalagens plásticas. Economizar também é um fato positivo, mas o que me levou mesmo à procura de uma alternativa às garrafas plásticas da água foi a ânsia que me causava aqueles sacos de lixo cheios de garrafas vazias, que eu não tinha certeza de que seriam realmente recicladas.

Ufa! Deu sede.

Friday, July 03, 2009

O Caruso canta grátis

Gosto muito de animais. Muita gente estranha essa afirmação quando descobre que não possuo nenhum animal em casa. Nessas horas é difícil convencer que “gostar”, nesse caso, significa, também, respeitar. Moramos em apartamento e estamos fora o dia inteiro. Jamais deixaria um animal de estimação (vem de estimar = ter afeição) trancado dentro de casa o dia inteiro justamente por gostar dele. Não o deixaria mesmo se não gostasse, o que deveria estar implícito no meu texto, mas como a eloquência é uma qualidade que ainda não conquistei, deixo registrado.

Essa relação de suposta superioridade entre seres humanos e os outros animais sempre me incomodou. Um dos pontos do problema se evidencia nesse período de início das férias na Europa. Começa agora a campanha contra o abandono de animais domésticos, uma praxe do verão italiano, quando milhares – milhares! – de animais são largados à própria sorte ou ao socorro de voluntários e samaritanos. Nada parece surtir efeito aos que adquirem um animal como quem compra um brinquedo, que será jogado fora não por estar quebrado, mas porque a meta das férias não aceita animais, ou o transporte é complicado, ou simplesmente porque o filho já não dá atenção ao velho brinquedo.

Nos últimos dez anos minhas filhas viveram sem um cão, um gato ou outro animal em casa. Sim, tem sempre o pai delas que morde, late e se coça como um cão, e que transmite a elas os ensinamentos adquiridos com os cães, mas não é a mesma coisa. Ah, tem as formigas, é claro, mas essas também não contam. Viver sem a companhia de um cão é, para mim, um sacrifício; mas creio que seria um sacrifício maior saber que há um cão trancado em casa. Não entendo como alguém possa ter a coragem de abandonar um animal na rua para viajar nas férias. E não são somente cães e gatos, não. Nessa época os lagos e chafarizes das cidades sofrem com a superpopulação de peixes de aquário, tartarugas, iguanas e outros répteis. Os mesmos lagos e chafarizes que estarão congelados no Inverno.

Não. Prefiro viver sem a alegria de um cão que deixá-lo trancado ou ter que me desfazer dele, como um eletrodoméstico quebrado. Vou aproveitando os momentos que os animais soltos me proporcionam, como o Caruso, um melro que mora no telhado do convento nos fundos de casa. Não lhe dou alpiste ou migalhas de pão; não deixo água no balcão da cozinha para matar a sede dele; não limpo o poleiro e sequer passo o dedo na cabecinha dele. No entanto, ele canta todas as manhãs, pouco antes do sol nascer (4, 4 e meia da manhã) e vai em frente até por volta do meio dia. Só pára quando começa o verão. Sem gaiolas, aquários, correntes ou portas fechadas. Somos felizes assim.