Procurava uma mensagem de Natal que pudesse provocar uma emoção positiva nos visitantes desse blog. Nada de cartões virtuais, fotos do Natal europeu (até porque, nesses dias a neblina não me permitiu sequer ver o outro lado da rua), ou frases de efeito. Queria algo simples, que transmitisse uma emoção simples. A luz veio do universo do youtube e que, portanto, muitos já devem ter visto. Mas o que vale sempre é a intenção, apesar da superlotação de boas intenções no inferno. Mais do que ouvir, procure assistir o vídeo.
Bom Natal!
A Itália vista por um brasileiro. As diferenças culturais, descobertas e sabores, com uma pitada de bom humor (às vezes).
Wednesday, December 24, 2008
Saturday, December 20, 2008
Malika Ayane-Feeling Better
Há alguns dias ganhei o CD dessa moça. A canção "Feeling Better" faz o maior sucesso por aqui e me veio uma curiosidade: Ela está fazendo o mesmo sucesso fora da Itália?
"Nasceu em Milão, em 1984, pai marroquino e mãe italiana..." Na realidade a biografia serve apenas para dar mais colorido à voz particular de Malika. Se você ainda não ouviu, ouça:
"Nasceu em Milão, em 1984, pai marroquino e mãe italiana..." Na realidade a biografia serve apenas para dar mais colorido à voz particular de Malika. Se você ainda não ouviu, ouça:
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Wednesday, December 17, 2008
Natal, natais
Lembro do meu primeiro Natal em São Paulo. Deixamos o Rio e fomos passar uns dias em Itacuruçá, onde terminei o tratamento da desidratação que quase me levou. Ked Hotel. Em seguida fomos para São Paulo, morar na rua Américo Brasiliense, em Santo Amaro, na casa ao lado da igrejinha de madeira que alguém – a algum tempo – me informou que ainda existe. A mesma igrejinha que se esvaziava cada vez que Fanny e Blue, as duas cadelas dinamarquesas, conseguiam fugir e nos procuravam entre os bancos (que nunca frequentei), apesar das lamentações do padre.
Chegamos no dia 22 de Dezembro. Na manhã seguinte meu pai tinha colocado sobre o gramado as bicicletas que deveríamos ganhar no Natal, dois dias depois. Acabou enfrentando o corre-corre das festas para nos comprar outros presentes. Foi no quintal daquela igrejinha que aprendi a andar na minha bicicleta azul.
Alguns anos antes, deveria estar naquela fase em que se aprecia mais o embrulho e os enfeites que o brinquedo. Me imagino maravilhado com tantas cores e rumores, fitas e transparências, como qualquer bebê. Às vezes tenho a impressão de lembrar-me do cheiro do mar de Dezembro que chegava na rua Cinco de Julho, em Copacabana, mas não posso jurar que não seja apenas mais uma armadilha da memória.
Às vésperas de mais um Natal, revivo emoções contraditórias, pensando em quantos outros bebês se entusiasmarão com seus pacotes e quantos pacotes inúteis os adultos abrirão, recebendo lembranças que servem apenas como comprovante da preocupação de alguém. Quando foi a última vez que você fez um presente com suas próprias mãos? E por que não aproveitar toda essa crise e a urgente necessidade de reduzir o consumo de embalagens, para dar presentes feitos à mão, produzidos localmente e sem embalagens? Se esse hábito virar moda, quantas árvores, combustível e plástico serão poupados?
Todos falamos em reverter os valores dessa época, em como o Natal deveria ser uma festa de confraternização e renascimento, mas continuamos a comprar às pressas lembranças e supérfluos, estimulando justamente o que deveríamos combater. Até quando? Esse pode ser o Natal que desejamos, mas precisamos resistir às chamadas do consumo, qualquer que seja o pretexto. Seja criativo e faça a sua parte, evitando embalagens desnecessárias e produtos importados do outro lado do mundo. Presenteie com produtos feitos à mão. A sua, se possível. Muitos de nós crescemos sob o encanto dos pacotes coloridos, mas podemos dar um outro valor ao Natal, aquele original. Nossos natais podem ser verdadeiros, diferentes desse Natal estressante e cansativo.
Só um deslize nos presentes dos bebês pode ser tolerado, para manter ou resgatar a magia dos natais da infância, de quando não sabíamos ainda que esse mundo precisava ser salvo.
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Chegamos no dia 22 de Dezembro. Na manhã seguinte meu pai tinha colocado sobre o gramado as bicicletas que deveríamos ganhar no Natal, dois dias depois. Acabou enfrentando o corre-corre das festas para nos comprar outros presentes. Foi no quintal daquela igrejinha que aprendi a andar na minha bicicleta azul.
Alguns anos antes, deveria estar naquela fase em que se aprecia mais o embrulho e os enfeites que o brinquedo. Me imagino maravilhado com tantas cores e rumores, fitas e transparências, como qualquer bebê. Às vezes tenho a impressão de lembrar-me do cheiro do mar de Dezembro que chegava na rua Cinco de Julho, em Copacabana, mas não posso jurar que não seja apenas mais uma armadilha da memória.
Às vésperas de mais um Natal, revivo emoções contraditórias, pensando em quantos outros bebês se entusiasmarão com seus pacotes e quantos pacotes inúteis os adultos abrirão, recebendo lembranças que servem apenas como comprovante da preocupação de alguém. Quando foi a última vez que você fez um presente com suas próprias mãos? E por que não aproveitar toda essa crise e a urgente necessidade de reduzir o consumo de embalagens, para dar presentes feitos à mão, produzidos localmente e sem embalagens? Se esse hábito virar moda, quantas árvores, combustível e plástico serão poupados?
Todos falamos em reverter os valores dessa época, em como o Natal deveria ser uma festa de confraternização e renascimento, mas continuamos a comprar às pressas lembranças e supérfluos, estimulando justamente o que deveríamos combater. Até quando? Esse pode ser o Natal que desejamos, mas precisamos resistir às chamadas do consumo, qualquer que seja o pretexto. Seja criativo e faça a sua parte, evitando embalagens desnecessárias e produtos importados do outro lado do mundo. Presenteie com produtos feitos à mão. A sua, se possível. Muitos de nós crescemos sob o encanto dos pacotes coloridos, mas podemos dar um outro valor ao Natal, aquele original. Nossos natais podem ser verdadeiros, diferentes desse Natal estressante e cansativo.
Só um deslize nos presentes dos bebês pode ser tolerado, para manter ou resgatar a magia dos natais da infância, de quando não sabíamos ainda que esse mundo precisava ser salvo.
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Sunday, December 14, 2008
Sorteio do Faça a Sua Parte
O Faça a Sua Parte estará sorteando o livro “Seis Graus: o aquecimento global e o que você pode fazer para evitar uma catástrofe” do ambientalista Mark Lynas. Participar é fácil: escreva um post no seu blog com dicas de como presentear de forma ecológica e nos avise deixando um comentário neste post. Se não tiver blog, deixe a sua dica Aqui.
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Friday, December 12, 2008
Sunday, December 07, 2008
Pelas calçadas
Já vi turistas reclamando do material usado nas calçadas italianas. Obviamente eram turistas que vivem em regiões mais quentes e que visitam a península no verão, pois basta a primeira neve para esclarecer qualquer dúvida. Normalmente as calçadas possuem pedras ásperas, que fornecem um efeito anti-derrapante se molhadas ou com neve.
Mas andar por essas calçadas exige experiência, ou não se justifica o hábito de empurrar carrinhos de bebês com crianças de até três anos. É necessário, também, prestar muita atenção naquilo que se encontra pelas calçadas. Observando o chão, pode-se desviar das lembranças caninas esquecidas pelo caminho e da desagradável situação de ter que limpar o sapato com lenços de papel. Assim como pode-se decidir caminhar pela rua, a fim de evitar encontrar-se no trajeto entre os pombos empoleirados nos telhados e o chão. O cantor Lucio Dalla, numa canção que celebra a cidade de Bolonha, se questiona por que até mesmo no escuro voam os pombos. Eu adicionaria uma outra questão: por que os pombos não migram? Aliás, o centro de Bolonha pode ser visitado mesmo em dias de chuva, pois a maioria das calçadas ficam sob pórticos, como também lembra Dalla.
Em algumas ruas as calçadas não existem, em outras, são tão estreitas que mal se pode caminhar por elas. E nos centros históricos não é raro que as calçadas sejam apenas alguns centímetros mais altos que a rua. Mas em qualquer calçada será sempre proibido circular em bicicleta, apesar da insistência de alguns ciclistas.
Em italiano se diz marciapiede, plural marciapiedi, de gênero masculino e deriva do francês marcher = caminhar; à pied = a pé. Apesar de ser usada desde a antiguidade, a calçada foi abolida durante o período medieval, época em que as ruas eram construídas com um córrego central para facilitar a limpeza de lama e lixo. Segundo o código italiano de trânsito, também é proibido a circulação ou estacionamento de veículos sobre os marciapiedi, mas basta uma passeada por Roma para perceber que poucos conhecem ou respeitam o tal código.
Sentar-se na calçada para bater papo, só nas noites de verão em frente aos bares. Ninguém resiste ao frio desses dias e as ruas estão sempre ocupadas por carros e mais carros. Além disso, neste outono atípico – ao menos se comparado aos outonos dos últimos anos – a neve tomou conta das calçadas e não só. O que obriga comerciantes e moradores à atividade extra de liberar a calçada da neve, para evitar complicações com pedestres e a justiça. Nem os donos de cães estão livres de deixar a calçada limpa, mas se não houver um policial por perto, a maioria finge desconhecer essa outra regra. E os pombos nunca acertam esses cidadãos espertinhos.
Para dar uma voltinha pelas calçadas de Bolonha, visite este link, clique nas bolinhas azuis no mapa da cidade e mova o mouse na imagem que aparecerá. Bom passeio!
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Mas andar por essas calçadas exige experiência, ou não se justifica o hábito de empurrar carrinhos de bebês com crianças de até três anos. É necessário, também, prestar muita atenção naquilo que se encontra pelas calçadas. Observando o chão, pode-se desviar das lembranças caninas esquecidas pelo caminho e da desagradável situação de ter que limpar o sapato com lenços de papel. Assim como pode-se decidir caminhar pela rua, a fim de evitar encontrar-se no trajeto entre os pombos empoleirados nos telhados e o chão. O cantor Lucio Dalla, numa canção que celebra a cidade de Bolonha, se questiona por que até mesmo no escuro voam os pombos. Eu adicionaria uma outra questão: por que os pombos não migram? Aliás, o centro de Bolonha pode ser visitado mesmo em dias de chuva, pois a maioria das calçadas ficam sob pórticos, como também lembra Dalla.
Em algumas ruas as calçadas não existem, em outras, são tão estreitas que mal se pode caminhar por elas. E nos centros históricos não é raro que as calçadas sejam apenas alguns centímetros mais altos que a rua. Mas em qualquer calçada será sempre proibido circular em bicicleta, apesar da insistência de alguns ciclistas.
Em italiano se diz marciapiede, plural marciapiedi, de gênero masculino e deriva do francês marcher = caminhar; à pied = a pé. Apesar de ser usada desde a antiguidade, a calçada foi abolida durante o período medieval, época em que as ruas eram construídas com um córrego central para facilitar a limpeza de lama e lixo. Segundo o código italiano de trânsito, também é proibido a circulação ou estacionamento de veículos sobre os marciapiedi, mas basta uma passeada por Roma para perceber que poucos conhecem ou respeitam o tal código.
Sentar-se na calçada para bater papo, só nas noites de verão em frente aos bares. Ninguém resiste ao frio desses dias e as ruas estão sempre ocupadas por carros e mais carros. Além disso, neste outono atípico – ao menos se comparado aos outonos dos últimos anos – a neve tomou conta das calçadas e não só. O que obriga comerciantes e moradores à atividade extra de liberar a calçada da neve, para evitar complicações com pedestres e a justiça. Nem os donos de cães estão livres de deixar a calçada limpa, mas se não houver um policial por perto, a maioria finge desconhecer essa outra regra. E os pombos nunca acertam esses cidadãos espertinhos.
Para dar uma voltinha pelas calçadas de Bolonha, visite este link, clique nas bolinhas azuis no mapa da cidade e mova o mouse na imagem que aparecerá. Bom passeio!
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