Wednesday, February 27, 2008

Meus Links

Quando tenho tempo, o que tem sido uma raridade no último ano, tenho o hábito de vasculhar os blogs alheios. Clico em todos os links, visito outros sites e blogs, leio notícias, vejo fotos e vou clicando. Foi assim que conheci a maioria dos blogs que leio. Mas, como deixei claro, tempo é o que me falta ultimamente. Quando muito consigo ler meia-duzia de blogs por semana. Isso se um dos blogs não for o da Lúcia Malla, que é sempre rico de links e coisas interessantes. Por que aí eu me perco. Começo visitando um link, vou ler a matéria ou ver as fotos e acabo usando todo o tempo da semana. E, na maioria da vezes, nem volto para comentar.

Os links no side-bar também me atraem e vou conhecendo um monte de curiosidades. Creio que muita gente fazia isso no início dessa tal blogosfera. Hoje os interesses mudaram e muitos querem viver de blogar. “Para quê ficar perdendo tempo com bobagens se eu posso aproveitar meu tempo na Internet para defender uns trocados e, quem sabe, ficar famoso?” Nada contra, mas ainda prefiro me divertir com esse brinquedinho que me arriscar a levá-lo a sério demais.

E se você nunca teve a curiosidade de visitar os links de outros blogs, aqui vai a relação dos meus links com algumas informações:

A Pronúncia Italiana Neste link você pode ouvir a pronúncia correta da maioria das palavras italianas. Na página de abertura há uma frase “Scrivi la voce” antes do espaço onde você deve escrever a palavra, por exemplo “Fiocco” (floco), em seguida clique em “cerca”, espere o dicionário localizar a palavra, desça a página e você vai encontrar a palavra escrita abaixo da pesquisa. Clique na palavra e aparecerá uma janela com uma flecha vermelha. Clique na flecha vermelha e você ouvirá a palavra pronunciada corretamente. [Acredite, a ação é mais fácil que a explicação.] Lembre-se de ligar o som. O dicionário ainda não está concluído, portanto, você não encontrará a versão oral de todas as palavras, mas tem muita coisa a pesquisar.

Guia do Blog. Foi aqui que aprendi o pouco que sei (por preguiça mesmo) sobre blogs. Se você está começando um blog ou gostaria de obter informações organizadas, visite-o.

Interessante. Este link tinha um filme sobre mímica muito interessante. Estou esperando para ver se volta…

Tour virtual. Bom, o que dizer? É um tour virtual. Você localiza no mapa a cidade que quer, desde que tenha a bolinha azul, clica na própria bolinha e, em seguida, no “VT” em vermelho, no alto à esquerda do mapa. Você pode interagir com o mouse e conhecer os principais monumentos italianos.

Camera Caffè. Programa humorístico italiano que está perdendo a graça. Vou acabar retirando o link.

Pentágono - 11 de setembro. O vídeo que mais rodou na rede. Por que cada um tem o direito de alimentar as dúvidas que quiser. Basta esperar um pouco que o vídeo aparece.

Domínio Público. Um site pouco utilizado pelos brasileiros, mas onde posso encontrar a obra completa (ou quase) do “Boca de Brasa” sem gastar um tostão. E tem muito mais.

Apolo 11. Site sobre imagens de satélites, informações sobre terremotos recentes, e um monte de outras notícias sobre astronomia, geofísica e etc.

Canal 100. Quando quero matar as saudades dos cinemas da minha infância, com as notícias sobre futebol que passavam antes de cada filme. Pena que as imagens nem sempre honram o legendário Canal 100.

Jeito italiano. Para não esquecer que a Itália, como qualquer país latino, não deve ser levado a sério demais.

Plante Uma árvore. Se você achou que vai poder plantar uma árvore somente clicando neste site, acertou. E se plantar, ganha um doce.

Como se diz.... Pronúncia correta de palavras em inglês.

Seu site. Antigamente (parece que faz realmente muito tempo) utilizava esse site para medir o tráfego do blog, etc.

Mapas. Mapas que mostram mais que a divisão política de cada país. Os resultados das ações humanas modificam os continentes e países. Vale a pena uma visita.

Wiki. O cada vez mais criticado Wikipedia.

Copyscape. Usei uma vez. Descobri que alguém havia copiado um texto meu. Reclamei, fui tratado com desdém pelo pirata e fiquei com raiva. Fica como referência, mas eu prefiro não usá-lo mais.

Portal do meio ambiente. Na realidade deveria estar junto com os links dos blogs, mas é mais que um blog. É um portal. Creio que deveria colocá-lo numa posição de maior destaque…

Um artista russo passou por aqui. Clique em qualquer um dos desenhos – cada link à esquerda é um desenho e divirta-se. Mas atenção ao relógio.

Revista do Samba. Site do grupo onde toca o amigo-irmão Vítor da Trindade. Para quem curte boa música, confira o calendário das apresentações.

Os Vira Lata. O selo editorial do Branco Leone. Se você quer editar um livro fora do circuito e das regras das grandes editoras e ainda não conhece o Branco, está perdendo tempo. Passe lá.

O Ministério do Informática informa: ficar muitas horas diante do computador pode ser prejudicial à sua saúde.
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Sunday, February 24, 2008

Se Virando

Saí do trabalho ao meio-dia, mas não para ir almoçar em casa, como de costume. Precisava passar no banco e pegar o resultado do exame de sangue. Há muito não ia fazer um depósito no banco, pois o salário e as contas entram e saem automaticamente da conta. Mas dessa vez precisava ir pessoalmente: a empresa de telefonia havia enviado um cheque para restituir uma cobrança errada. A moça do caixa ainda perguntou se eu queria que ela me informasse o saldo. “Nem morto!”, respondi. O resultado do exame me tranquilizou, os triglicérides baixaram muito e estão pouco acima do normal, enquanto o colesterol decididamente entrou nos eixos. Não daria tempo de passar em casa e almoçar com as meninas e voltar às duas para o escritório. Decidi comemorar as boas notícias.

Parei a bicicleta na frente de um bar qualquer e pedi um copo de vinho tinto, um sanduíche de coppa piacentina e um de salame felino. Coisas simples, dessas coisas que se encontram em qualquer boteco da região. “Gutturnio?” perguntou o balconista sobre o vinho. “Và bene.” Respondi. Enquanto recuperava um pouco dos triglicérides e muito do colesterol economizados nos meses antes do exame, não pude deixar de ouvir a conversa de um grupo de operários que tomavam café ou o aperitivo antes de voltar ao trabalho. Pelo que entendi, a empresa em que trabalham está enfrentando dificuldades e os rapazes brincavam com um deles, um negro que me pareceu acostumado à brincadeira.

- Escuta Steve, você vai ter que voltar para a Costa do Marfim. Aqui não vai sobrar trabalho nem mesmo para nós, italianos.

- Pode deixar que eu sei me virar. É você quem tem que se preocupar, pois não gosta de pegar no pesado.

- Mas com a empresa fechando, não vai sobrar nem pesado nem leve. Caput! Fim! …

- Fim pra você. Eu vou aproveitar o primeiro mês para passar umas férias no meu país. Depois volto, trabalho uns dois ou três meses in nero (em negrosem carteira assinada, de forma irregular), somo a grana com o seguro desemprego e depois é que vou procurar trabalho.

- E que trabalho in nero você vai fazer?

- Fazendo limpeza em escritórios, à noite. São duas horas por dia e quinhentos euros por mês. Trabalhei no verão passado para sair do sufoco com o nascimento do meu filho.

O outro se interessa e começa a falar sério:

- Puxa, Steve, quinhentas pratas por duas horas de trabalho, mais o seguro desemprego? Me arranja uma boca que eu tô nessa…

- Você não pode trabalhar in nero, Beppe.

- Por que…?

- Porque você é branco – responde Steve sorrindo.

- Mas trabalhar in nero não significa que tem que ser negro

- Não, você não sabe como funciona. Vou te explicar: quando um africano viaja para o seu país, vai na delegacia e diz que perdeu o visto de permanência. Eles dão uma segunda via para permitir o retorno na Itália. O amigo deixa o visto original com alguém, que vai trabalhar no lugar dele, normalmente com cooperativas de mão-de-obra que utilizam muitos estrangeiros. Para quem viaja é bom, pois o INPS continua a ser recolhido e ele sempre terá como provar que não é vagabundo. Para quem trabalha no lugar do outro, o dinheiro extra sempre ajuda.

- Mas como é possível? E na hora de mostrar os documentos?

- Ora, eu entrego o visto do meu amigo, o cidadão olha para o documento e a foto de um preto, olha para mim e diante dele um preto. Que dúvida pode haver?

Não resisti e perguntei: “E os negros têm a mesma dificuldade em diferenciar os brancos?”

“Identifico melhor um negro que um branco, mas com japonês é impossível. Japonês é tudo igual.”, respondeu balançando a cabeça.

Tinha acabado a hora do recreio. Tomei um café, paguei minha conta, cumprimentei os que ficaram no bar e fui pedalando lentamente em direção ao trabalho. Pedalando e refletindo.

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Tuesday, February 19, 2008

Fruta da estação - Arance Rosse


















As outras duas características dessa laranja vermelha são o sabor particular e a pouca acidez. A fruta é doce e perfumada.

Os italianos consideram a laranja uma fruta de inverno, além de terem a absoluta certeza de que é a Sicília o berço de todos os cítricos, e não o Oriente. Eu não discuto, fico só esperando que apareçam as primeiras laranjas vermelhas para me fartar.
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Wednesday, February 13, 2008

As fronteiras de cada um

Uma lição que se aprende com o tempo é que o racismo não poupa nenhum grupo social, mesmo os mais evoluídos. Conheço em Salvador muito mulato com preconceito contra os negros. cantava Caetano: “A terra do branco mulato, a terra do preto doutor…” È um argumento delicado e difícil. Na maioria das vezes a pessoa nem se dá conta de ser racista. Outras vezes, bate no peito e reafirma seu preconceito como se fosse a maior das qualidades. Um ser superior que me faz temer que as sementes deixadas por Hitler e semelhantes tenham germinado pelas bandas de .

Na TV: O repórter entrevista um italiano em um bairro de Milão dominado por estrangeiros. O senhor afirma não saber mais o que fazer, que se sente estrangeiro no próprio país e que os extra-comunitários que moram ali não são gente de bem. O repórter encerra a entrevista afirmando que o cidadão não tem o direito de lamentar-se tanto, afinal de contas, o jornalista percebeu pelo sotaque, o cidadão é napolitano.

No trabalho: “Eu sou da filosofia do ‘viva e deixe viver’, mas jamais sairia com uma romena ou uma napolitana. Aliás, se o sujeito é honesto e trabalha, não me importo de que país venha: deve ser tratado com respeito. não admito um africano ou albanês fazendo serviço na minha casa

Tomando uma cerveja. O amigo: “Piacenza também era muito bonita e tranquila até uns vinte anos; você iria se apaixonar pela cidade. Na época habitavam somente os piacentinos, não tinha esse mar de estrangeiros.” A amiga, mãe de uma colega de escola da Bia antes de uma excursão a Veneza: “Mas por que eles não escolhem uma outra data? Precisava ir quando tem essa exposição de arte islâmica? Não quero minha filha visitando essas coisas, não.” A excursão, planejada com seis meses de antecedência, era exatamente para aproveitar a data da exposição.

Algumas cidades do norte italiano aceitam a permanência de estrangeiros que comprovem uma renda mínima e uma habitação digna. Há coisa de dois, três meses, por pouco o parlamento italiano não aprovou a toque de caixa uma lei para expulsar milhares de ciganos romenos. Os guetos vão se formando sob a pressão de uma situação econômica que assusta os próprios italianos. Os projetos de integração começam a dar espaço às acusações mútuas que fazem prever o início de uma convulsão social. Muitos culpam os estrangeiros pelos baixos salários. Imigrantes clandestinos trabalham sem contrato e sem recolher impostos para os mesmos italianos que se lamentam, mas a culpa é sempre do outro.

No hemisfério norte há uma tendência inversa àquela a que estamos acostumados no Brasil. Ou seja, a parte pobre costuma ser a região sul. Em Piacenza, cidade situada no centro-norte da Itália, de costumes antigos e um resistente orgulho por ter pertencida à Áustria e à França, imaginando que o país comece nas fronteiras com Áustria, Suiça e Alemanha, diz-se em alto e bom som: “A Itália termina em Monza!”

Que saudades daquele Carnaval suado de Salvador.
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