Sunday, December 30, 2007

Dezembro, sol e neblina

Salvador, Bahia, 35 ºC e eu aqui pensando em algo leve para o fim de ano. Algo que combine com com essa brisa e a possibilidade de chuva, apesar do céu ainda azul, mas que não me deixe com aquela preguiça da jibóia que comeu o bezerro.


Piacenza, Itália, -8 ºC e deu vontade de uma sobremesa para o fim de ano. Algo que combine com essa neblina insistente e a possibilidade de neve. Nessa época do ano deve haver centenas de caminhões vendendo morangos pelas ruas de Salvador, tão certo quanto a neve que vai chegar por aqui , .


Salpicão do Allan

Batatas cozidas – mas ligeiramente cruas – em cubinhos

Cenouras cruas à juliene – tirinhas finas

Cebolapoucaem tirinhas

Talos de salsão crus em tiras

Folhas de salsão – poucas

Uvas passas sem sementes

Maçãs em cubinhos (se achar, use a Granny Smith)

Frango assado sem pele desfiado

Yogurte natural

Suco de limão

Sal

Pimenta do reino

Uma ou duas folhas de hortelã

Semente de gergelim torrado na frigideira

Bata no liquidificador o yogurte, umas folhas de salsão, o sal, a pimenta, o suco de limão e a hortelã. Em uma tigela grande misture todos os ingredientes e decore com pedacinhos de folha de salsão e deixe na geladeira. Antes de servir, espalhe o gergelim torrado por cima. Acompanha uma caipirinha com muito gelo ou, em alternativa, suco de carambola.


Bavarese alla fragola

250 ml de leite

300 g de morangos

200 g de açucar

4 gemas

2 folhas de gelatina

300 ml de creme de leite fresco

1 ramo de hortelã

Limpe os morangos tendo o cuidado de deixar alguns com o cabinho; enxugue-os com um pano limpo e seco. Separe os morangos com o cabinho, corte-os em fatias finas e reserve; bata os demais no liquidificador. Coloque as folhas de gelatina na água fria para amolecer. Em uma panela, aqueça o leite; bata as gemas com o açucar até obter um creme homogêneo e volumoso; adicione ao leite quentepouco mais que morno – e mexa delicadamente para que o creme se misture completamente. Adicione a gelatina ao creme e misture até que ela se dissolva completamente. Deixe esfriar. Bata o creme de leite com um pouco de açucar até o ponto de chantilly. Misture o creme de morango (o que está no liquidificador!) com o chantilly e o creme frio, depeje tudo em uma forma e decore com os morangos fatiados e folhas de hortelã. Deixe repousar na geladeira por pelo menos duas horas antes de servir. Acompanha um Moscato Giallo dell’Alto Adige, um vinho seco mas suave, servido entre 18 e 20 ºC.

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Não perca tempo

Enquanto eu preparo o post novo daqui, dê um pulo ali.
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Monday, December 24, 2007

O Natal É Da Família

Caros e Caras,

Paz e saúde!

1976. Aquele foi o último Natal que passei em família. Lembro da casa dos meus avós em Macaé entupida de gente. Tudo parente. Lembro do meu avô, atônito, buscando um lugar em que não hovesse gente falando de gente. “Como você engordou!”, “você viu que a menina casou?”, “aquilo não é roupa para esse tipo de festa”, “gente, quem fez essa maionese deliciosa?”. Alguns minutos depois vi o velho Tonico do outro lado da rua, com um olhar perdido de quem se sente em culpa. Cheguei a pensar em ir falar com ele, mas desistí. Tudo o que ele queria, naquele momento, era estar sozinho.

Nos anos seguintes, preferi ajudar meu amigo Cláudio, com seus strudels e stollens no Embu. Tinha sempre um monte de trabalho por e o perfume dos doces faz parte da minha memória olfativa de modo permanente. O tempo passou, eu me casei e mudei. Em Salvador nasceram as filhas e comecei a dar uma importânia maior à festa. Uma festa que sempre achei hipócrita e excludente, que perdeu o significado religioso e que permite comemoração a pagamento. Não fui batizado e não professo nenhuma religião, mas a mensagem que o Natal me transmite é a solidariedade, a paz entre os homens e a inexistência das diferenças.

Com o tempo aprende-se a conviver com todos os tipos de pessoas, desde que haja a disposição de aceitar-lhes não apenas as qualidades e os acertos. Desse modo, a família se alarga, ultrapassando os limites do sangue. A minha família são as pessoas com quem me preocupo. Irmãos, mãe, tios, primos e todos os outros parentes, mas também são os amigos, por mais longe e sem contato que se encontrem. A essas pessoas espero e desejo que a vida lhes seja clemente e lhes faça sorrir.

Hoje o Natal é mais uma esperança que um sentimento. É o momento de desejar reencontrar cada uma dessas pessoas para conversar amenidades. Nos natais que se que se seguiram ao de 76 e até 86, pouco antes de mudar-me para Salvador, trabalhava com o Cláudio fazendo doces por mais de 30 horas seguidas. Nosso trabalho terminava por volta das 4, 5 da tarde do dia 24, quando entregávamos o último strudel, fluden, Stollen, Torta Silvana ou Floresta Negra. Quando recebíamos o último sorriso do último cliente satisfeito. Exaustos mas mais satisfeitos que as lojas ou os clientes particulares que servíamos todos os anos.

A esperança de um mundo melhor onde o sentimento do dever cumprido possa ser traduzido em um sorriso de satisfação, sem necessidade de palavras. Essa é a melhor lembrança dos natais que vieram depois da minha infância e que renasce a cada Natal passado com as minhas meninas.

sinto falta do delicioso perfume dos doces da casa do amigo Cláudio.


Feliz Natal a todos vocês.


Allan, Eloá, Bianca e Luiza.

...E você.

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Saturday, December 22, 2007

Hoje é sábado

Hoje tem coluna nova na revista OPS!
Se você ainda não conhece, não sabe o que está perdendo.

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Tuesday, December 18, 2007

Outono Astral

Tudo começou quando escrevi lamentando-me dos correios. Dois dias depois, a Bianca ligou o computador assim que chegou da escola para uma pesquisa. A Bibba, com seus 15 anos, está naquela fase em que as coisas devem ser resolvidas imediatamente. Foi quando o carteiro tocou a campainha – ele sempre chega nesse horário, quando chega – e ela se levantou correndo para atender. Tem-se muita pressa aos 15 anos. A joelhada na CPU foi inevitável, assim como a queda dela (da CPU, não da Bibba). Uma esfregadinha no joelho e a dor passou, mas a CPU ficou ali, no chão, agonizando e apitando.

Três dias para decidir se substituir o PC ou encontrar e mandar trocar a placa mãe e acho que uma tia e um primo, também, sei lá. Apesar das finanças da família estarem meio fragilizadas neste período do ano em que as contas anuais de aluguel, condomínio e seguro do carro chegam juntas, somado ao momento crítico que atravessa a economia italiana, optamos por substituir o computador, já recauchutado. Fiz uma única recomendação: não quero o Vista, prefiro continuar com o XP. “O novo chega na quinta”, disse o técnico. Aqui é assim: todas as lojas são virtuais, mesmo que existam fisicamente. Pode-se tocar e ligar o computador, mas aquele é só o mostruário, que ninguém é besta de fazer estoque de equipamentos que se tornam obsoletos no dia seguinte. Quinta-feira chegou, mas o PC não. “Desculpe, não foi possível atender a todos os pedidos, mas semana que vem prometo que vocês terão um novo PC em casa”, garantiu.

Passo o dia com o computador do escritório ligado, respondo a um tsunami de e-mails profissionais mas não tenho tido tempo de acessar a internet ou checar meus e-mails pessoais. O ritmo de trabalho fica alucinante nesta época do ano e a situação que a empresa atravessa não é das melhores. Já contei sobre o momento crítico que atravessa a economia italiana…?

Foram 20 dias sem computador, mas finalmente ele chegou. O técnico instalou o disco rígido velho como back up – o que me salvou a vida, pois estava tudo lá – e fez todas as configurações. Chego em casa e descubro uma pilha de caixas que a Eloá amontoava, o velho monitor no chão, fios novos, cabos velhos e a promessa de que o teclado novo vai chegar junto com o mouse. Havia brigado com todos no trabalho. A última coisa que desejava era ter que montar o PC de noite, mas na minha casa as mulheres são maioria. Nem mesmo as duas aspirinas resolveram a dor de cabeça. Montei tudo e só fui tomar banho depois.

Tec, telec, tec…

Nada de internet. Muda a tomada ADSL, tenta reinstalar o programa do provedor, recontrola todos os cabos… Nada! “Traz o PC aqui que damos um jeito”. No dia seguinte ele jura: “Reconfiguramos tudo. Pode levar e se não conseguir acessar a internet, pode me dar uma paulada na cabeça!” Ela traz o PC para casa e… Nada! “Já está tarde. Amanhã vou pessoalmente descobrir o que aconteceu”, promete. Veio e tentou, tentou, tentou e não conseguiu. Liguei para o meu provedor, que é, também, a cia. telefônica que nos serve e expliquei a dificuldade de acessar à rede com o novo PC. “É um típico problema do Vista…” mas eu o cortei esclarecendo que usava o XP. “Qual o modem você instalou?” e respondi que era um Siemens NMU700086 velho. “É por isso que não funciona. Nosso programa não está configurado para esse modem.” De nada adiantou esclarecer que uso o mesmo modem há anos. Agradeci. “A Tele2 agradece a sua chamada.” Gambiarra. Não sei como se diz gambiarra em italiano, mas foi isso que o técnico fez. A tomada ADSL foi abandonada, ele ligou tudo na tomada do telefone, com o modem velho e tudo. Desistimos de dar paulada nele, mas ele apresentou a conta e quase mudamos de idéia. Internet outra vez. Milhões de e-mails, bites, bytes e uma pesquisa concluída com atraso. Ué, por que não foi à biblioteca?

Dias de muito stress e uma vontade louca de dar um soco em alguém, no trabalho. Antes que não consiga me conter, mandei o funcionário chato de férias por 15 dias. Volto para casa e descubro que alguém tentou instalar o Windows Live Plus em versão beta. Como uso o Firefox como programa padrão, o programa travou. Cada vez que ligo o PC o WLinstaller tenta concluir a instalação. E se bloca. Já tentei de tudo, desde desinstalar e reinstalar o programa com o Explorer, até reconfigurar o sistema. O máximo que consigo é fechar a instalação através do task manager, e esperar que um dia a coisa se resolva. Ou comprar outro PC.

Os livros atrasados? Que nada! Naquele dia o carteiro trouxe apenas mais contas a serem pagas. Esse, sim, anda merecendo umas boas pauladas.

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Saturday, December 15, 2007

Inaugurando a Coluna

Hoje estréia a minha coluna na revista OPS!
Passe lá e aproveite para folhear a revista inteira. É grátis.
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Wednesday, December 12, 2007

Pausa de reflexão

Tenho o hábito de ler jornais. Sábado, então, nem se fala. Saio, tomo um café, fumo o meu charuto, compro os meus jornais e vou ler em casa. Pois foi num sábado, quando ainda não entendia perfeitamente o italiano, que passei em umas dez bancas de jornais antes de desistir. Em todas a cena se repetia. O proprietário abria os braços desconsolado, balançava negativamente a cabeça e proferia uma frase enigmática com uma palavra mais enigmática ainda: “sciopero” – principalmente quando a frase era pronunciada no mais perfeito e incompreensível dialeto piacentino. Não me conformava e partia a outra banca de jornal. Finalmente entendi que naquele sábado eu teria que ler outra coisa.

Na Itália a greve (sciopero, em italiano) tem um caráter puramente político. Tem data e hora para começar e acabar. Normalmente não dura mais que oito horas, mas é mais comum “uma tarde de greve”, sempre anunciada com muita antecedência. Aqui a greve é uma forma de expressão, de mostrar insatisfação de modo muito civilizado. Ou era, até esta segunda semana de dezembro. Os empregados das empresas de transportes de cargas – camionistas, mesmo – decidiram fazer uma semana de greve para pressionar o governo. Começou segunda-feira e, já na terça, o governo decretou o final da greve. O problema é que foi uma decisão unilateral e sem uma proposta às pretensões dos transportadores. O resultado é que a greve endureceu e nem mesmo os caminhões particulares e das próprias fábricas está podendo circular sem problemas.

A cena, nós, brasileiros experts em greves, conhecemos perfeitamente. Quem não se precaveu ficou sem combustível e corre o risco de ficar sem comida, pois os mercados estão se esvaziando rapidamente. Sabe aquela corrida aflita ao supermercado para comprar tudo o que couber na dispensa, com medo de uma guerra mundial?

Os caminhoneiros prometem manter o movimento até sexta. O país promete quebrar antes. O governo promete não ceder. Boa parte da população, apesar do imenso transtorno, começa a entender que a greve pode, também, ser um instrumento de pressão. Só acho maldade toda essa confusão no início de Dezembro: se fosse em Salvador, a essa hora eu estaria na praia. Na dúvida, vou correr até a banca e fazer um estoque de jornais e revistas, que café e charutos eu tenho.

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Monday, December 10, 2007

O Pensador Selvagem

A partir de hoje está no ar a revista eletrônica
O Pensador Selvagem.
Leia, opine, participe.


Sunday, December 09, 2007

Friday, December 07, 2007

Wednesday, December 05, 2007

Ops!

Saturday, December 01, 2007

Aguardem...