Em 1916 a Itália adotou o horário de verão pela primeira vez. Desde então, essa prática de economia energética foi abolida e readotada diversas vezes. Em 1966 iniciou-se um ciclo que não se interrompeu mais, mudando apenas a duração do que, na Itália, se chama “ora legale”. Em 1996 foi instituído que o horário de verão inicia no último domingo de março e termina no último domingo de outubro.
Fazendo as contas, resulta que o fuso horário entre Brasil e Itália é de três horas, de novembro a março, e de cinco horas, de abril a outubro, considerando os estados brasileiros que adotam o horário de verão. Ou, ainda, conclui-se que a “ora solare” italiana dura apenas cinco meses.
Quem se ocupou dos próprios afazeres durante as aulas de geografia pode achar estranho, mas em um país atravessado pelo Paralelo 45º é preciso levar em conta o vai-e-vem da luz solar. Durante o inverno o dia dura apenas oito horas, mas durante o verão o sol chega a nascer às 4:30 h. e só vai se pôr às 22:00 h. O que obriga ao uso de janelas que se fecham completamente, sob pena das crianças se recusarem a dormir com o sol ainda brilhando lá fora.
Durante o inverno, neve, frio e uma noite que começa às quatro, quatro e meia da tarde. Haja humor para se adaptar. As bicicletas dão lugar aos carros mofados nas garagens, aos ônibus abandonados no verão e à impressão de estar perdendo algo.
A estimativa de economia com o horário de verão italiano beira os 650 milhões de kilowatt, o que deve ser energia pra xuxu, pois custaria algo próximo a 100 milhões de euros. Mas o consumo de café aumenta, assim como o de grappa e de roupas pretas.
O humor das pessoas acompanha a quantidade de luz do sol: no verão, as festas, praias e piscinas são invadidas por corpos bronzeados alegres e desinibidos. Transgressivos, até. No inverno, branquelos bêbados insones e moralistas dirigem sobre a neve na escuridão.
Por que os seres humanos não reaprendem a migrar?
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